(Review) Dishonored: The Knife of Dunwall – O outro lado da colina

Knife of Dunwall

Daud. Se você jogou o excelente Dishonored, com certeza lembrará desse nome. O assassino de aluguel que deflagra o início da trama de traições e conspirações do jogo-base foi o responsável por tirar a vida da imperatriz Jessamine como parte de um enorme complô para tomar o poder na capital do império. Corvo Attano, guarda-costas da nobreza e protagonista do jogo-base, é acusado injustamente pelo crime e detido. Daud, o real assassino e comandante de uma irmandade de matadores, escapa, mas com um enorme peso na consciência.

O DLC The Knife of Dunwall deixa o herói Corvo Attano para trás e coloca o jogador no outro lado da história. Na pele de Daud, voltamos à belíssima — porém decadente — Dunwall, numa busca por redenção. Perturbado por ter sido forçado a assassinar uma imperatriz, Daud recebe a visita do The Outsider, uma misteriosa entidade sobrenatural, que lhe oferece uma chance para se redimir: descobrir o que ou quem é “Delilah”.

Knife of Dunwall

O jogo inicia exatamente com o derradeiro assassinato da imperatriz, visto e narrado, porém, a partir da perspectiva do próprio Daud. Jessamine Kaldwin é mortalmente perfurada pela lâmina de Daud; sua filha e herdeira, Emily, é sequestrada pelos conspiradores; e o inocente Corvo Attano assume seu papel como bode expiatório.

Daí pra frente, The Knife of Dunwall nos leva ao longo de uma aventura de aproximadamente cinco horas divididas em três missões (uma delas ocorre no mesmo local de uma das missões do jogo-base). Sem nunca abandonar a mecânica que deu vida ao jogo-base, o DLC perpetua a fórmula que permite um amplo controle do jogador sobre o desfecho da trama e sobre a maneira de conduzir as missões de assassinato. Promover um banho de sangue e eliminar qualquer um em seu caminho ou avançar sorrateiramente poupando vidas? Você decide. Mas tenha em mente que as duas condutas alteram consideravelmente a trama, especialmente no caso de Daud, que carrega sobre seus ombros um enorme fardo.

Dunwall, como sempre, continua incrível. A cidade, que foi claramente inspirada na Londres vitoriana, ainda funde majestosamente elementos clássicos do século XIX com o gênero steampunk, não escondendo também suas inúmeras semelhanças com a City 17 de Half-Life 2. Assolada por uma praga transmitida por ratos e responsável pela morte de metade de seus habitantes, Dunwall mantém um sombrio aspecto de putrefação, com corpos se empilhando nos becos e moradias abandonadas às pressas, que agora dão lugar a mendigos moribundos e às acrobacias de Daud.

Knife of Dunwall

Merece destaque a primeira missão de The Knife of Dunwall, ambientada em um píer que realiza a extração do óleo de baleia, substância que faz o papel do petróleo no universo de Dishonored. Não apenas conhecemos um pouco mais sobre esse elemento-chave, como nos deparamos com um novo inimigo: os infames butchers, portadores de uma enorme serra elétrica que pode dar bastante trabalho, caso você não os elimine sorrateiramente. Aliás, mesmo permitindo as abordagens de ação ou de furtividade, é notável como o DLC ainda é muito mais recompensador se jogado de modo sorrateiro.

Vale notar que as três missões do jogo possuem um grau de dificuldade considerável, sendo bem mais desafiadoras. É preciso que você, tenha, ao menos, se familiarizado com a jogabilidade da série. Os inimigos são mais numerosos e frequentemente se apresentam em grupos, e as rotas de patrulha cobrem áreas maiores. Um dos alvos que mais me custou tentativas frustradas e ao menos uma dezena de restarts, por exemplo, está sempre acompanhado de um guarda-costa, transitando ao longo dos três andares de um edifício transbordando de guardas. É… não é mole não!

Knife of Dunwall

A mecânica está intacta e você não encontrará nenhuma grande novidade por aqui. Vale a nota, entretanto, uma grata melhoria no Blink, a habilidade mágica que permite que o protagonista se teletransporte. Agora, ao mirar o local para onde você deseja se teletransportar, o tempo é completamente congelado. Isso quer dizer que você pode se teletransportar enquanto estiver em pleno ar ou para escapar do campo de visão de um inimigo que está na iminência de detectá-lo, por exemplo. Outra adição interessante é a possibilidade de “sumonar” um assassino aliado para auxiliá-lo temporariamente. Entretanto, essa habilidade é inútil se você estiver jogando no modo sorrateiro.

Alguns brinquedinhos novos como minas que eletrocutam inimigos e os transformam em poeira, e uma granada atordoante não-letal fazem sua estreia por aqui. Ambos os itens aumentam ainda mais o gigantesco leque de possibilidades de conduzir cada assassinato, seja seu alvo um guarda desprevenido ou o chefão principal da missão. Se quiser tornar as coisas um pouco mais fáceis, você ainda pode comprar alguns “favores” no início de cada missão, que fornecem pistas, senhas, itens e informações úteis. Os cenários também continuam repletos de bens valiosos, anotações e mistérios aguardando para serem descobertos.

Ao contrário do protagonista mudo do jogo-base, Daud é capaz de interagir com seus subordinados e narrar suas próprias experiências. O arrependimento por ter cometido o fatídico crime e participado de um complô que mergulhou a cidade numa crise civil é evidente em suas palavras. A princípio, sua missão para encontrar Delilah é bastante promissora. O roteiro lembra as clássicas histórias de detetive, à medida que o quebra-cabeça é montado e os personagens são construídos. Porém, a premissa logo se perde e o DLC falha miseravelmente em criar uma expectativa para o final. O súbito encerramento é decepcionante, porém compreensível.

A odisseia de Daud será finalizada somente no próximo DLC, The Brigmore Witches, ainda sem data de lançamento.

Conclusão

The Knife of Dunwall é puro e simplesmente “mais do mesmo”. Entretanto, o preço relativamente salgado (R$ 20), a pequena duração (apenas três missões que não tomam mais do que cinco horas) e a falta de novidades substanciais, podem fazer com que você pense duas vezes. De qualquer forma, lembre-se que estamos falando de um aditivo para Dishonored, facilmente um dos melhores títulos de 2012.

Knife of Dunwall

A história contada a partir da perspectiva do vilão é uma aposta interessante. Porém, a trama progressivamente mais fraca e o final decepcionante por pouco não afundam toda a experiência. Por outro lado, temos a manutenção da excelente jogabilidade, consagrada pelo jogo-base, e do imenso fator replay, que fornece um leque enorme de possibilidades para completar cada missão, com escolhas capazes de alterar toda a trama. Se você gostou de Dishonored e ficou sedento por mais, The Knife of Dunwall é sem dúvida uma ótima e imperdível desculpa para retornar aos sombrios telhados de Dunwall.

Nota

7,5/10

Título: Dishonored: The Knife of Dunwall
Gênero: ação furtiva em primeira pessoa
Desenvolvedora: Arkane Studios
Publisher: Bethesda Softworks
Data de lançamento: 16 de abril de 2013
Plataformas: PC / Xbox 360 / Playstation 3
Versão analisada: PC

Artur Carsten

Catarinense, amante da música eletrônica, estudante de medicina e jogador nas inexistentes horas vagas. Ocasionalmente, escreve artigos e coloca em dia a pilha interminável de jogos comprados em promoção no Steam. Já passou pelo Campo Minado, Continue, Guia do PC, Gemind e Oxygen e-Sports.

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2 Comments

  1. Ótimo review Artur! Gostei muito de Dishonored, foi um jogo que só conheci quando estava perto de lançar, ganhei de presente de um amigo e gostei muito. Stealth não é meu forte, nem meu gênero favorito, mas em Dishonored, dá gosto fazer isso, mesmo sendo difícil muitas vezes. Apesar das ressalvas, me parece ser um bom DLC, mas esperarei uma promoção no Steam. Enquanto isso, tenho que jogar o DLC do Sleeping Dogs que não joguei até hoje! 🙂

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    • Opa Diego. Vou te falar uma coisa, esse jogo merecia ser “GOTY 2”, viu. Pra quem aprecia ação stealth, então, é um prato cheio. Bacana é isso, também, de podermos literalmente partir pra cima de todo mundo, com tudo, sofrendo as devidas consequências, claro. Eu estou jogando o DLC, e gostando.

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Trackbacks/Pingbacks

  1. (Review) Dishonored: The Brigmore Witches - Vilão ou herói? - […] exatamente do ponto em que The Knife of Dunwall parou (é possível importar o save anterior), o último DLC…

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