(Review) DmC: Devil May Cry

DmC: Devil May Cry

Se você gosta de um bom jogo estilo hack ‘n slash e/ou até mesmo se é fã da franquia, muito provavelmente apreciará bastante DmC: Devil May Cry, título desenvolvido pelo estúdio inglês Ninja Theory (Heavenly Sword, Enslaved: Odyssey the West) com a supervisão, claro, da Capcom. Temos aqui uma reformulação da série, um novo Dante, novos golpes, novas armas e um sistema de combate muito bem desenvolvido, dentre outras qualidades.

Os dois primeiros elementos que mencionei acima (reformulação e novo Dante) certamente fizeram com que muita gente torcesse o nariz. Obviamente, todos estavam acostumados com o Dante de cabelos brancos e mais velho. O novo Dante, entretanto, consegue cativar o jogador com sua rebeldia, com sua evolução dentro do jogo, com sua personalidade intensa e com seu senso de humor, e o jogo conta até com uma brincadeira que trás de volta o antigo Nephilim, durante alguns instantes.

DmC: Devil May Cry

Durante um dos combates, uma peruca branca vai parar na cabeça do protagonista, e ele deixa bem claro que não gosta nem um pouco daquele resultado mais oriental (“nem em um milhão de anos“, ele diz). Obviamente, não se pode julgar a qualidade de um jogo levando em consideração meramente as características físicas de um personagem, e se tal erro for cometido por antigos fãs da série, eles deixarão de, no mínimo, conhecer um jogo divertido demais.

A ação em DmC é quase que ininterrupta, e são tantas as combinações de golpes e combos que o jogador pode executar que fica claro o motivo da desenvolvedora ter incluído uma área de treinamento bastante intuitiva e instrutiva, através da qual podemos visualizar a qualquer momento todos os movimentos já desbloqueados e disponíveis.

É praticamente impossível (pelo menos para grande parte dos jogadores) se lembrar de todos os botões, combinações, sequências e nomes de golpes, principalmente no calor da batalha. Pausar o jogo e conferir a lista completa, sendo inclusive possível determinar qual tipo de ataque será mais adequado à situação, é uma grande vantagem que, além de tudo, pode render mais pontos de bônus de estilo (elegância durante os combates também é muito importante).

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O enredo de DmC: Devil May Cry também não deixa a desejar. Muito pelo contrário. A forma como a corrupção provocada pelos demônios é escondida da humanidade, utilizando também a tecnologia, é fora de série. O “demônio chefe” Mundus a tudo controla com punhos de ferro (embora não pareça), e em um de seus discursos, lá pelo final do jogo, podemos até mesmo vislumbrar uma maneira de pensar bem parecida com aquela dos Templários de Assassin’s Creed. Controle, Ordem, ideias a respeito do fato de (em sua opinião) a humanidade não ser capaz de prosperar e/ou de sobreviver livre de senhores, e por aí vai. Muito interessante.

Referências aos pais de Dante,  Sparda e Eva, são fornecidas pelo jogo em diversos momentos, e Eva chega a aparecer ao filho falando a respeito de seu amor por ele e por seu pai. Eva também fala em escolhas, e em um grande poder que Dante receberá. O jogador percebe nitidamente logo em seguida a razão das palavras da mãe do Nephilim, tão logo toma conhecimento do Devil Trigger.

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O Devil Trigger é um poder especial que, além de tudo, revela a verdadeira forma de Dante, quando é utilizado. Nestes momentos, o protagonista se torna mais forte e resistente, e sua saúde é restaurada conforme os golpes que desfere. O Devil Trigger pode muito bem ser aquele “salvador da pátria”, aquela habilidade especial guardada para quando você estiver em grande perigo, uma vez que ele é capaz de reverter um quadro ruim muito rapidamente e livrá-lo de um Game Over bastante inoportuno.

O poder conta inclusive com um medidor especial que é preenchido durante o jogo, conforme Dante ataca e mata criaturas demoníacas. Vale ressaltar que em níveis de dificuldades mais altos os inimigos também podem utilizar a habilidade especial, portanto, todo cuidado é pouco.

DmC: Devil May Cry

Pode-se dizer que a trama de DmC: Devil May Cry possui 4 personagens importantes: Dante e seu irmão, Vergil, Kat, uma humana com poderes mediúnicos que atua meio que como uma companheira do personagem principal, e o demônio Mundus. Há também a amante de Mundus, Lilith, demônio que apesar de desempenhar um papel secundário no enredo carrega consigo algo de extremo valor para o rei do inferno.

A trama em torno destes seres é bem interessante, e Dante cresce enquanto personagem conforme a história avança. A princípio ele pouco sabe a respeito de sua origem, e a maneira como ele dela toma conhecimento conta com uma das cerejas que fazem este “bolo” ser extremamente tentador: uma fase repleta de inimigos durante a qual podemos exercitar muitas habilidades do Nephilim e, de quebra, ganhar pontos de estilo, novas habilidades e armas.

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Dono de um linguajar muitas vezes vulgar, provavelmente muito mulherengo e certamente rebelde e bem insensível às mazelas que o cercam antes que elas o atinjam, o filho do demônio traidor Sparda aos poucos vai mostrando ao jogador que não é apenas mais um simples protagonista em meio a este enorme universo de jogos eletrônicos no meio do qual caminhamos.

Dante chega a se importar com as pessoas. Ele se importa bastante com Kat. Tal sentimento é inclusive estendido a um nível muito maior, conforme vamos chegando perto do final do jogo, e é também um dos responsáveis por um dos conflitos mais bacanas e inesperados do game (pelo menos para quem nunca jogou nenhum título da série).

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Dante sente raiva em alguns momentos mas também não deixa de soltar suas piadinhas capazes de nos fazer rir bastante. É digna de nota, aliás, a maneira como ele irrita determinado personagem importante, no final do jogo. Digamos que ele soube muito bem, naquele momento, como “puxar as cordas certas”. Com precisão cirúrgica.

Além disso, podemos até mesmo entrever um lampejo de piedade após uma das lutas, embora o alvo de tal piedade não tenha sobrevivido por muito tempo e tenha sido poupado para servir a um propósito em específico. De qualquer forma, fica bem claro que o personagem principal não gostou muito quando este tal demônio derrotado é eliminado, contra sua vontade.

O título conta com legendas em português do Brasil (um trabalho muito bacana, por sinal), e isto certamente é algo de grande valia a muitas pessoa que, quem sabe, não dominem o idioma inglês.

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Que dizer então da forma como DmC trata o mundo real, o Limbo e a atuação dos demônios? Temos um canal de notícias chamado Raptor News Network, canal este que possui um demônio chamado Bob Barbas como responsável. Barbas aparece em forma humana durante os noticiários, claro, e ironicamente diz estar fazendo o trabalho de Deus.

É Barbas quem narra diversas ações dos “terroristas” dos quais Dante passa a fazer parte. A organização The Order, comandada por Vergil, tem por objetivo trazer à tona a manipulação perpetrada por Mundus e seus asseclas, ou seja, expor a verdade, mostrar como tudo está, na verdade, e “quem” está no comando. O contraste entre a realidade e a fantasia entregue suavemente pelos demônios à humanidade é fantástico. Não faltam momentos onde podemos observar as divergências, também.

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Há também uma bebida, chamada Virility, que faz parte da estratégia dos demônios para manter o controle sobre a humanidade. A propaganda menciona que trata-se de algo energético, benéfico, que pode inclusive trazer “outros benefícios” ao usuário. Porém, a tal Virility nada mais é que um instrumento de dominação, “lobotomia em lata”. Algo muito diferente do que aquilo que aparenta ser. O processo de fabricação de tal substância, aliás, conta com a participação de uma Succubus de propriedade de ninguém menos que Mundus. É um “processo” bem nojento, aliás.

Os momentos em que entramos no Limbo também são muito bacanas, e além da beleza diferente dos novos ambientes temos a própria transição em si, a qual prepara o jogador para o que está por vir distorcendo o cenário à volta do protagonista. O mundo está literalmente de pernas para o ar, em DmC: Devil May Cry. Mas ninguém sabe disso, ou melhor, os seres humanos não sabem disso.

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Eles não enxergam. Eles não percebem. Se você se lembrou da Matrix, aqui, pode ficar tranquilo pois a comparação pode ser perfeitamente realizada. E na pele de Dante podemos observar e viajar por belíssimos cenários repletos de prédios destruídos e de cabeça para baixo, além de escombros que podem também ser utilizados como plataformas.

DmC brinca bastante (e de forma notável), também, com os conceitos de bem e mal, e a tentativa bem sucedida de fugir do maniqueísmo que poderia muito bem se fazer presente de maneira extremamente forte (e quem sabe nociva) em um título deste gênero deve ser louvada. Se levarmos tal fator em consideração, não existe discrepância alguma no fato de Mundus se importar com seu filho, por exemplo, ou Phineas, um demônio, mais se parecer com um filósofo e/ou com um velho sábio e bondoso.

Não poderia escrever sobre este jogo sem falar nas lutas e no muito bem desenvolvido sistema de combate. Dante carrega consigo as clássicas pistolas Ebony e Ivory, além de um arsenal de armas demoníacas e angelicais realmente invejável. Podemos alternar entre a utilização de tais armas muito facilmente, durante o gameplay, principalmente se utilizarmos um controle.

Tais armas também podem ser utilizadas para eliminar obstáculos e para que Dante interaja com vários elementos no cenário, todos devidamente identificados em azul (angelical) ou vermelho (demoníaco). Também podemos puxar inimigos para facilitar os ataques, falando nisso.

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A foice Osiris é extremamente útil para lidarmos com grande quantidade de inimigos, enquanto o machado Arbiter é capaz de causar grande destruição. Todo este poder tem um custo, é claro. Um peso, digamos: Arbiter não é uma arma tão rápida quanto Osiris, mas com certeza tem sua utilidade, e pode também destruir o escudo de diversos inimigos.

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As lâminas angelicais Aquila também são extremamente úteis, até mesmo se o jogador não utilizar seus upgrades. Estas lâminas lembram bastante da Glaive empunhada por Hayden Tenno em Dark Sector, e o ataque roundtrip pode “entreter” uma grande quantidade de inimigos e fornecer ao jogador mais tempo e espaço para lidar com ameaças maiores.

É interessante ressaltar que cada arma possui uma árvore de upgrades bem ampla. Algumas delas chegam a cerca de 20 opções: daí a enorme importância da lista de movimentos que pode ser acessada a qualquer momento. As luvas Eryx também não devem ser desprezadas, principalmente devido à sua capacidade de interagir e destruir elementos presentes no cenário.

DmC: Devil May Cry

A mochila de armas de fogo de Dante também conta com a espingarda Revenant e com a pistola Kablooey, arma que permite o disparo de cargas explosivas que podem ser detonadas remotamente, quando já se encontram dentro dos corpos dos inimigos. Em DmC: Devil May Cry é sempre bom prestar atenção ao armamento e às habilidades que vamos utilizar, conforme o tipo de inimigo.

Alguns são mais ou menos sensíveis a armas demoníacas ou angelicais, por exemplo, e existem obstáculos que somente podem ser vencidos através da utilização de um tipo de arma em específico. Claro, não vamos também nos esquecer da clássica Rebellion e de movimentos como o Stinger, por exemplo.

DmC: Devil May Cry

Bem, se somarmos a tudo isto o ótimo sistema de pontos de estilo, que mede o quão elegantes são nossos movimentos, a concatenação dos golpes, etc, tudo fica melhor ainda. Utilizar vários tipos de armas e movimentos em sequência pode render mais pontos, além de melhores notas, e não pense você que ataques muito repetidos, com um mesmo tipo de arma e/ou habilidade, serão sempre bem vistos pelo sistema de avaliação do jogo.

Isto tudo também ajuda a aumentar o fator replay de DmC. Você sempre pode dar uma olhada nas leaderboards e tentar melhorar seu posicionamento, jogando novamente uma mesma fase e tentando fazer as coisas com mais paciência e técnica.

Trilha sonora

A trilha sonora do jogo é um show a parte. Totalmente de acordo com as batalhas frenéticas e com a própria modernidade do novo título. Espere por muito rock industrial e música eletrônica. Faixas pesadas, frenéticas e vocais “rasgados”. As bandas Noisia e Combichrist realizaram (e realizam) um trabalho fora de série.

Gráficos e outros detalhes

Os gráficos do jogo também são muito bonitos, e notamos aqui um abandono daquele estilo gótico dos títulos anteriores da franquia. Este tipo de decisão de design me parece estar totalmente de acordo com a proposta do novo jogo, com o próprio novo Dante e com a modernidade, ou atualidade, que, desde o início, percebemos estar nos planos da Ninja Theory.

Afinal, o Dante remodelado e mais atual, de cabelos escuros e rebelde, ficaria um tanto quanto estranho em um jogo com aqueles gráficos com toques mais obscuros. Existem alguns momentos, também, em que percebemos algumas quedas de framerate, mas isto não atrapalha a diversão.

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Outro elemento muito bacana e que vale a pena ser destacado diz respeito às mensagens que são exibidas em momentos chave. Mensagens em texto, escritas nos próprios cenários de forma muito chamativa, sempre utilizando fontes brancas e brilhantes, e sempre direcionadas ao Dante e/ou às suas ações. Tudo sempre dentro do contexto, é claro, e sempre chamando a atenção do jogador. DmC é um ótimo jogo, um ótimo hack ‘n slash com uma história interessante, um protagonista que não parou no tempo e muita, muita pancadaria.

Conclusão

DmC: Devil May Cry é uma excelente escolha se você procura um jogo dinâmico, bonito e dotado de muito espaço para golpes encadeados, combos, criaturas horrendas sendo estraçalhadas e uma trilha sonora tão boa e tão perfeitamente encaixada que funciona como um verdadeiro combustível durante os combates.

Temos aqui uma releitura ocidental de uma série famosa. Uma releitura que, entretanto, tem tudo para agradar a diversos tipos de jogadores, até mesmo aos fãs de longa data. O novo Dante, o enredo e a direção de arte conseguem nos cativar desde o início da história, e chegar ao seu final é muito fácil, pois o jogo é extremamente viciante.

Ficha técnica

Título: DmC: Devil May Cry
Gênero: Ação
Desenvolvedora: Ninja Theory
Publisher: Capcom
Data de lançamento: 15 de Janeiro de 2013
Plataformas: PC / Xbox 360 / Playstation 3
Versão analisada: PC

P.S.: e agora finalmente vou dar uma conferida nos DLCs Bloody Palace (gratuito) e Vergil’s Downfall.

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