(Review) Dogfight 1942: um voo rápido pela Segunda Guerra Mundial

Dogfight 1942 não é a primeira incursão da polonesa City Interactive no nicho dos jogos de combate aéreo. Lançado inicialmente para Xbox 360 e PS3, através de suas respectivas redes, o jogo foi também lançado para PC, poucos dias após. Este é um título que coloca o jogador no comando de vários aviões de guerra e a ele proporciona “um voo rápido pela Segunda Guerra Mundial“.

Primando por uma jogabilidade arcade, não exigindo do jogador conhecimentos avançados em simuladores de voo e nem tampouco contando com uma grande curva de aprendizagem, Dogfight 1942 possui uma campanha que dura de 4 a 6 horas, no máximo. É, aqui também entra em cena o tal “voo rápido” que mencionei.

Dogfight 1942

A City Interactive criou um jogo que permite que qualquer pessoa comece a abater aviões inimigos dentro de pouquíssimo tempo. Jogabilidade descomplicada, controles extremamente simples e intuitivos e gráficos bacanas o tornam atrativo a uma ampla gama de jogadores.

O jogo possui uma história bem rasa, porém. Diálogos que não significam muita coisa acompanham cada missão, e posso até dizer que tudo correria muito bem sem eles. Não existe uma trama forte, em Dogfight 1942, nem tampouco personagens memoráveis. O foco do jogo é a diversão, a ação rápida, a loucura dos combates aéreos. Os personagens principais são os aviões. Basicamente, o game nos oferece um conjunto de 17 missões (incluindo o tutorial) que acontecem durante a Segunda Guerra Mundial.

Dogfight 1942

Durante tais missões, temos de abater aviões inimigos, afundar submarinos e navios de guerra e aterrissar com nossos aviões com segurança (até mesmo em porta-aviões); vale lembrar que algumas das missões são iniciadas a partir de porta-aviões. Pouca diferença é sentida pelo jogador, aliás, entre os modos simulation e arcade.

Uma delas é a potência do motor que é então ajustada, dependendo do modo escolhido, de maneira automática ou manual. O hardcore mode pode ser também ativado para oferecer uma dose extra de dificuldade e emoção, pois ele desabilita grande parte dos indicadores presentes no HUD. Alternar entre os níveis de dificuldade easy e normal também não resulta em grandes mudanças.

Vários aviões também estão disponíveis em cada missão, e eles possuem níveis de velocidade máxima, manobrabilidade, armamento e blindagem diferentes. Podemos também customizá-los, mas apenas utilizando elementos cosméticos: camuflagem, desenhos nas asas, etc. Três tipos de câmera estão disponíveis no jogo, mas infelizmente não existe nenhuma que nos forneça visão à partir da cabine do piloto.

Dogfight 1942

Um dos elementos mais bacanas de Dogfight 1942 é o “Ace Mode“, o qual o jogador pode ativar durante as caçadas aéreas. Este recurso meio que automatiza diversos aspectos dos já extremamente simples controles do avião. É como se uma espécie de “piloto automático de combate” fosse colocado em uso: seu avião perseguirá automaticamente um alvo (este pode ser trocado, é claro), e você terá, então, de cuidar apenas da mira, da seleção do armamento e dos disparos.

Também temos em Dogfight 1942 as “Kill Cams”, as quais proporcionam momentos bem bacanas durante o gameplay. Um alvo abatido é escolhido aleatoriamente e então imagens detalhadas de sua desgraça são exibidas. A explosão, a perda de pedaços da aeronave, etc. As “Kill Cams” são muito bacanas, e ajudam bastante a tornar cada perseguição mais interessante e também a motivar o jogador, uma vez que a possibilidade de ocorrência destes “shows” pode ser grande (o jogador pode escolher entre “never”, “rarely”, “sometimes” e “often”).

Dogfight 1942

Um dos melhores momentos da campanha do jogo é quando pilotamos um Messerschmitt Bf 110C e temos de chegar “de mansinho” em meio a um grupo de aviões alemães. Claro, aos poucos eles começam a perceber que algo está errado, principalmente devido a questões ligadas ao idioma, mas aí já é tarde demais: a ação não tarda a começar.

Dependendo do modo de jogo escolhido, os trens de pouso são recolhidos ou ativados automaticamente. Aliás, existe uma determinada missão onde temos de resgatar um companheiro que teve de realizar um pouso forçado, e o terreno não é nada adequado para o pouso. É possível também termos de arcar com os custos de reiniciar uma missão após todos os objetivos terem sido cumpridos simplesmente porque destruímos o avião durante a aterrissagem (é, aconteceu comigo).

Dogfight 1942

Durante o voo e até mesmo durante as batalhas, pode-se também dar ordens aos outros pilotos da equipe: “atirem à vontade”, “sigam-me”, “ataquem meu alvo” (o qual já deve ter sido previamente marcado), e por aí vai. Inúmeras missões contam com objetivos primários e secundários, e algumas delas continuam mesmo após aquele momento em que achamos que fizemos tudo o que tinha de ser feito. Novas ordens podem chegar pelo rádio, novos inimigos podem ser descobertos na área, etc. Campos inimigos recém descobertos também podem se transformar em novos alvos, é claro.

Abater alvos terrestres e aquáticos também faz parte do jogo, e para isto contamos com mísseis e bombas. Sobrevoar navios japoneses enormes despejando bombas é divertido demais, principalmente porque, claro, estamos sob fogo inimigo, o que representa uma preocupação a mais. Dogfight 1942 também conta com missões de escolta e de defesa. Defesas que muitas vezes têm de ser realizadas durante os combates. Kamikazes não deixam de dar o ar de sua graça, também, e neste caso o jogador deve tomar bastante cuidado para que eles não acabem com a frota aliada: caso isto ocorra, a missão será reiniciada.

Dogfight 1942

Iwo Jima não foi esquecida, aliás, e é justamente aí que a última batalha acontece, a qual conta inclusive com a presença do couraçado japonês Yamato (ele é o alvo principal, aqui). Se Dogfight 1942 é um jogo rápido, descomplicado e bonito, por outro lado ele sofre bastante devido à falta de profundidade.

Dogfight 1942

A sequência de missões que nos é oferecida possui ótimos momentos, é claro, mas não há nada que ligue o jogador de maneira forte ao jogo. Não existem elementos suficientes para que sintamos vontade de jogar a campanha novamente. A superficialidade da “narrativa” é infelizmente estendida até o próprio final do jogo: ele é totalmente sem sal, e deixa um gosto meio estranho na boca. É como se o brinquedo tivesse sido retirado de nossas mãos antes do tempo.

Dogfight 1942

A City Interactive pode estar tentando “ajustar” estas coisas com o lançamento de DLCs contendo novas campanhas, mas não creio que estas modificarão muita coisa. É muito bacana perseguir aviões alemães e japoneses de maneira ferrenha, bombardear navios inimigos voando em um céu repleto de aviões hostis, afundar submarinos que representam ameaça imediata a navios aliados ancorados, etc.

Mas tudo isto se torna enfadonho antes mesmo dos momentos finais, e pausas podem ser necessárias para que o jogador se sinta novamente tentado a carregar seu último save. Claro, o co-op local e o suporte a partidas multiplayer e o modo survival (5 cenários estão à disposição) são itens que podem aliviar um pouco as coisas aqui, mas infelizmente o multiplayer competitivo também é apenas local.

Dogfight 1942

Conclusão

Dogfight 1942 é um título de combate aéreo voltado a quem gosta de algo rápido e descompromissado. Entretanto, sua superficialidade e sua curta campanha não justificam seu preço (e perceba que este não é um jogo caro). O jogo poderia contar com missões mais variadas e longas, além de um nível de dificuldade maior, pois aí ele se tornaria mais atrativo.

A City Interactive simplificou demais as coisas: a simplificação deveria ter ficado apenas nos controles. Até mesmo a presença de um modo multiplayer online poderia ter feito muito bem ao jogo. Não que o jogo não seja divertido: ele é. Mas ficamos com uma sensação muito forte de que ele poderia ser muito, muito melhor. Não espere por novidades. Quem sabe na próxima.

Nota

6.5/10

Ficha Técnica

Título: Dogfight 1942
Gênero: ação
Desenvolvedora: City Interactive
Publisher: City Interactive
Data de lançamento: 05 de Setembro de 2012 (PS3 / Xbox 360) – 21 de Setembro de 2012 (PC)
Plataformas: PC / Xbox 360 / Playstation 3
Versão analisada: PC

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10 Comments

  1. Fiquei muito #chatiado quando não consegui baixar a demo do Dogfight 1942 para o Xbox 360 devido a minha conta ser brasileira, o jogo parece muito bom e não existem muitas opções desse gênero na Xbox Live BR…

    @Marcos A.T.Silva, essa limitação do multiplayer é só no PC?

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    • @Hideki T,

      Olha, Hideki, não cheguei a ver na versão para Xbox, mas acho que deve ser geral, viu. O jogo é bacana. Mas, tipo, jogou uma vez, esquece. Você ainda está jogando o Microsoft Flight?

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  2. o gameplay que vi aqui no xboxplus ficou fera, muita vontade de jogar ele, ta na lista, gostei do estilo, sai um pouco do mesmo (FPS) e vamos derrubar uns aviões ai

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    • @BFD_Elessar,

      É, então. É um jogo bacana, mas, tem esses problemas que eu mencionei aí. :D

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  3. @Marcos A.T.Silva, se o “multiplayer” do Dogfight 1942 para os consoles se resumir a duas pessoas jogando lado-a-lado não vejo muita vantagem mesmo, o bacana seria poder jogar contra umas quinze pessoas.

    Sobre o MS Flight, dei uma parada, assim como no World of Warcraft e Diablo III, ao contrário do meu computador, sou monotarefa e atualmente estou avaliando uns jogos do Xbox 360 ou jogando o Forza Motorsport 4, isso quando as crianças não vem nos visitar, aí mudo para Kinect Adventures, Kinetimals ou Just Dance rs.

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    • @Hideki T,

      Esse “multiplayer” até me enganou, uma vez. Demorei uns 2 minutos pra perceber que estava jogando contra bots. Inacreditável…hehehe :)

      Olha, estou querendo fazer um downgrade também, viu. Ando jogando muita coisa, ao mesmo tempo, e isso é dose. Sobre o novo Forza, estou morrendo de vontade de testar. E esse Kinect Adventures, Hideki? Sempre tive curiosidade em relação a ele. Como é o esquema? Pular, se abaixar, etc? A criançada gosta muito?

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  4. @Marcos A.T.Silva, realmente uma pena o “multiplayer” do Dogfight 1942 ser tão limitado, a Xbox Live carece de bons títulos do gênero.

    O Forza vale muito a pena, nunca fui fã do gênero, mas me apaixonei pelo jogo; a jogabilidade me lembra muito o Sega Rally e o Grid, sem muitas complicações como o já citado F1 2012. Os gráficos são de babar, principalmente no modo Autovista no qual é possível ver o interior do veículo e receber informações que vão do motor a detalhes sobre o interior. A customização do veículo, aplicando “adesivos” que podem ser comprados de outros jogadores ou criada pelo usuário, é trabalhosa mas gratificante. Sem contar a troca de peças que elevam seu veículo para outra categoria.

    O Kinect é um acessório indispensável para quem tem crianças em casa, eleva a jogabilidade a outro patamar, também é excelente para quem gosta de reunir os amigos, pois torna a jogatina muito divertida.

    Tem um pouco de tudo que você comentou; pular, agachar, levantar os braços, correr sem sair do lugar, desviar, chutar. O lado ruim, para quem mora em apertamentos como eu, é que a brincadeira fica limitada a duas pessoas, no máximo, quando um jogo como o Just Dance permite até quatro pessoas brincando ao mesmo tempo… Ah sim, as crianças com mais de sete anos aproveitam bastante, minha netinha de quatro não consegue acompanhar as mais velhas e abre o berreiro quando o jogo tem pontuação rs.

    Você escreveu que o seu cunhado têm um, acho que você deveria testar, eu ainda não estou explorando o acessório ao máximo – tem alguma coisa gratuita no Marketplace que libera itens para o Avatar – pois estou fissurado no Forza, todo dia tenho que entrar um pouco rs.

    Gostei muito do Forza Horizon, mas não tanto quanto o Motorsport 4. Por ser ambientado em estradas, está mais para o Dirt 2, com o controle da direção um pouco mais difícil o que, para um cara braço como eu, faz com que a corrida acabe no mato ou no morro rs.

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    • @Hideki T,

      Com certeza. Poderiam ter investido mais nesse jogo, o Dogfight 1942, viu. Aliás, já que você gosta de títulos desse tipo, já jogou o IL-2 Sturmovik: Cliffs of Dover? É bacana pra caramba, hein? Eu estava dando uma jogada novamente, esses dias. Tem também um que pretendo iniciar em breve, o Air Conflicts: Pacific Carriers. Parece ser muito bom. Adoro jogos deste estilo.

      Sobre Forza, olha, antigamente até tinha bastante paciência pra esse tipo de simulador. Mas hoje em dia, tirando os F1, não consigo jogar por muito tempo. Levando em consideração tudo o que você disse, vou baixar a demo do Motorsport 4.

      Olha, Kinect, Kinect…rsrs Cara, já não é de hoje que muita gente me convida pra jogar, e eu fujo. Mas amanhã não vai ter como escapar…hehehe

      Imagino sua neta de quatro anos ficando triste quando perde. Pior que na casa do meu cunhado tem uma menina pequena, também, com 3 anos. Quero só ver amanhã…rsrs No mínimo vai dar pra rir bastante. :)

      É uma pena, também, não lançarem jogos mais sérios com suporte ao Kinect. Digo, com suporte de verdade, algo que interesse bastante aos “hardcore gamers”, e não só comandos de voz, etc. Quem sabe no futuro…rs

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  5. realmente faz falta esse gênero pois o mercado virou fps anual apenas

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