Escrever este review de Duke Nukem Forever foi um tanto quanto complicado. Foram tantos os fatores que tive de levar em consideração, além do jogo em si, que muitas vezes fiquei com medo do resultado final. Confesso que houveram bons momentos durante o gameplay. O jogo foi também penalizado por uma espera de 14 anos que criou uma grande expectativa entre os fãs, expectativa esta que acabou se tornando danosa para o jogo, pois esperava-se muito. Esperava-se, talvez, o game do ano. E isto não aconteceu.

Desde seu antecessor, Duke Nukem 3D, lançado em 1996, muito foi prometido. E em diversos momentos, durante estes anos todos, Duke Nukem Forever literalmente “saiu de cena”. A 3D Realms mencionou mudanças na engine, e em 1998 chegou a anunciar que o jogo seria desenvolvido com a Quake 2 Engine. Houve até mesmo um “reveal trailer” do game, em 1998. Foram diversos hiatos desde o anúncio do jogo, em 1997, e Duke Nukem Forever pouco a pouco foi alcançando o estado de mito. Pouquíssima gente achava que o título seria um dia lançado. O que temos hoje, o DNF que temos hoje, para PC, Xbox 360 e Playstation 3, é um trabalho em conjunto da Gearbox, da 3D Realms, da Piranha Games e da Triptych Games.

É um jogo que nos oferece uma experiência bem aquém da que esperávamos, e nem podemos culpar a extremamente competente Gearbox por tal fato, pois ela meio que pegou o “barco andando”. Talvez o game tenha sido lançado prematuramente, entretanto, e aí sim podemos tentar encontrar alguns culpados. Mas o fato é que Duke Nukem Forever está aí, feliz ou infelizmente, e parece um jogo deslocado.

O personagem politicamente incorreto dos anos 90 talvez não encontre mais espaço entre os jogadores atuais. Seu jeitão machão, egocêntrico e narcisista talvez seja algo não mais muito bem visto dentro da série. Pelo menos da forma como fizeram em Duke Nukem Forever. Os jogadores evoluíram, mas Duke Nukem não. Ou melhor, parece que o velho Duke sofreu um processo degenerativo, apesar de seus músculos. Parece que seu cérebro foi afetado pelos esteróides. Não tenho nada contra piadas, games repletos de humor, personagens cômicos e/ou excêntricos, etc.

No entanto, o Duke de Duke Nukem Forever parece um garoto do primário super crescido. O cúmulo do absurdo neste game foi a fase, se é que podemos chamar aquilo de fase, “Titty Citty”. Nada de tiros, aliens, chefões, etc. Apenas uma busca insana por uma camisinha, um vibrador e um saco de pipocas, itens que devem ser entregues a uma stripper para que ela “brinque com você”. A feiura da stripper é tanta, e a fase representa tamanha perda de tempo, que a irritação é incontrolável. E o “planejamento” no quadro branco, logo no início do jogo? Qual o sentido daquilo e das frases idiotas que o cara ao seu lado profere?

Diversas pessoas se referem aos gráficos de Duke Nukem Forever como “gráficos de 5 anos atrás”. Eu não iria tão longe, mas eles não são nada bonitos, ou melhor dizendo, chamativos, salvo raros momentos. O design das armas é pobre ao extremo, e um bug irritante faz com que em determinados momentos elas fiquem totalmente borradas. A impressão que você tem é a de estar empunhando algo feito com massa de modelar cinza (e muito mal modelado, por sinal.).

Problemas em relação ao “depth of field” também são bem comuns, e quando você se encontra em missões ao ar livre, olhar para objetos distantes é triste, pois além do mais, tudo fica embaçado e denota, talvez, que a pressa falou mais alto no momento de “retirar o jogo do forno”.

Diversas fases do jogo chegam a provocar extrema ansiedade. Você deseja que elas terminem o quanto antes, pois são cansativas e repetitivas. Não que a dificuldade não seja grande, independentemente do nível de dificuldade que você escolha. O fato é que combater sempre os mesmos inimigos, muitas vezes em ambientes fechados e tendo apenas a opção de utilizar duas armas é um tanto quanto chato, pois não há nada novo ali. Diversos outros FPS’s deste ano mesmo fazem muito mais bonito nesta área. Muitos cenários são bem parecidos, o que aumenta ainda mais a desmotivação do jogador. Aliás, este problema seria um pouco minimizado se o game não fosse tão linear.

A trama envolvendo o presidente dos Estados Unidos, a invasão alienígena, o Imperador Cycloid, o General Graves e o próprio Duke é repleta de clichês. Tudo isto, entretanto, seria até que passável, não fôssemos “apresentados” a tantos problemas durante o gameplay. O jogo é pesado e mal otimizado. Na mesma máquina onde rodo Crysis 2 e tantos outros games mais “pesados” simultâneamente com o FRAPS, sem problemas, tive de conviver com travamentos em DNF até que resolvi desativar o FRAPS e utilizar o recurso de captura de screenshots do Steam.

Infelizmente, Duke Nukem Forever não trás inovação alguma ao gênero FPS, quando acredito que um título que carrega tanto peso consigo deveria fazê-lo. Seu enredo é fraquíssimo e não acrescenta nada à série ou ao que já sabemos do personagem. A jogabilidade do título é simples e fácil de ser aprendida, o que no entanto não quer dizer que a mesma simplicidade estará presente nos combates.

Cada chefe de fase, aliás, é um verdadeiro sofrimento. Blowin’ The Dam e sua serpente marinha gigante representa um verdadeiro momento “cansei e vou jogar Sonic”. O jogo sofre com diversos problemas em relação a este fato, aliás. Poucas batalhas são bem balanceadas, de forma tal a manter o desafio e fornecer elementos para que o jogador os enfrente a contento. Não estou falando que qualquer game deve ser fácil, longe disso. Mas deve ser sempre fornecido ao jogador as ferramentas e os meios adequados para vencer o desafio em questão, mesmo que com dificuldade. Tudo bem balanceado.

Não vou mentir, entretanto. Duke Nukem Forever tem seus bons momentos. Ele também proporciona diversão. Sua campanha é longa. A primeira e nostálgica batalha, contra o Cycloid, chega a surpreender e passa a (errônea, infelizmente) impressão de que o jogo será fantástico. Perder alguns momentos jogando bilhar também é engraçado. Puzzles onde você tem de lidar com física e lançar tambores em containers inclinados para que um de seus lados se incline mais e acabe formando uma ponte para que você alcance lugares mais altos são muito legais. Um outro puzzle que envolve o controle de um carrinho de controle remoto também é muito bacana.

Dirigir uma espécie de jipe em “The Mighty Foot” também é interessante. Controlar empilhadeiras e guindastes também. Muitos tiroteios, apesar de não trazerem nenhuma novidade, são legais. Você pode finalizar os inimigos com estilo e, finalizando-os ou não, causar uma verdadeira sessão de desmembramentos, principalmente se utilizar a shotgun. A frustração ocorre ao utilizar a mira de qualquer arma: o efeito de desfoque é tão grande que transforma os gráficos que já não são lá essas coisas em algo mais infeliz ainda.

O jogo não é de todo ruim. Infelizmente, entretanto, muita gente que o comprou irá jogá-lo apenas uma vez, talvez finalizá-lo se tiver paciência e então desinstalá-lo. Fator replay zero. Um personagem como o Duke Nukem merecia muito mais do que isto. Ele merecia um gameplay frenético e absurdos como carregar 4 ou 5 armas ao mesmo tempo, incluindo armas bem poderosas para acabar com a raça dos alienígenas. The Hive é uma das fases que mais me irritaram, aliás. Escura, grande demais e a visão noturna do Duke não é muito legal. Ela cansa os olhos, pois determinados elementos do cenário se tornam extremamente brilhantes.

Há muito “enchimento de linguiça”, também. O que o fato do Duke autografar o caderno de um garotinho e depois dizer a ele que um dia talvez ele seja igual ao protagonista acrescenta ao jogo em si? Há muito mal gosto em Duke Nukem Forever, seja em relação ao gameplay, seja em relação aos gráficos, seja em relação às atitudes do protagonista. Talvez eu esteja sendo meio ácido neste review devido a ter esperado bem mais do que o que me foi apresentado. Diversão é legal. Atitudes nonsense também podem ser legais, desde que dentro de certos contextos e situações. Humor mais ainda. O problema é que, como disse no início, Duke Nukem “já era”. Sua época já foi. Este triste “revival”, da forma como foi executado, nada acrescentou à série. Citei os puzzles interessantes, acima. Mas também existem alguns no jogo que são totalmente bobos. A própria falta de consenso entre o General Graves e o presidente (sempre contra o Duke) meio que parecem, de forma subjetiva, dizer que este é um game que nunca deveria ter sido lançado.

Conclusão

O icônico Duke Nukem dos anos 90 chegou ao século 21 sem amadurecimento algum. Duke Nukem Forever é um jogo que pode até possuir alguns bons momentos, mas estes não superam o cansaço e a desmotivação que o título nos transmite durante a maior parte do tempo. Você se verá pesquisando na internet a relação com todos os capítulos do jogo para ver quantos ainda faltam para terminar. Ou, pior, poderá simplesmemente desinstalar o jogo sem finalizá-lo.

Nota

4.5/10

Ficha Técnica

Título: Duke Nukem Forever
Gênero: Ação / FPS
Desenvolvedora: Gearbox Software
Distribuidora: 2K Games
Data de lançamento: 14 de Junho de 2011
Plataformas: PC / Xbox 360 / Playstation 3
Versão analisada: PC

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