Dynamite Jack - Review

Dynamite Jack é mais um ótimo jogo cuja aparente simplicidade esconde diversos desafios e encantos. Desenvolvido por Phil Hassey, o criador do também excelente Galcon Fusion, o jogo nos oferece uma experiência que mistura aventura, puzzles e ação stealth. A história do game funciona apenas como uma simples premissa para a ação e para as explosões nada simples que virão em seguida. Não espere por um enredo muito elaborado, mas espere por um jogo extremamente divertido e, em muitos momentos, bem desafiador.

Basicamente, temos um marine espacial que foi capturado e forçado a trabalhar em profundas minas. Um local chamado Anathema Mines, repleto de armadilhas, guardas, trolls, aranhas mecânicas e cientistas. Custando apenas US$ 4,99 (no site do desenvolvedor você compra pelo mesmo preço praticado pelo Steam, ganha uma Steam key e também uma versão livre de DRM), temos aqui um game que, seguramente, vale bem mais do que o valor por ele cobrado, e que além de tudo conta com um fantástico editor que permite que qualquer pessoa crie seus próprios níveis. O download de níveis criados por outros jogadores também é possível, é claro.

A jogabilidade de Dynamite Jack é extremamente intuitiva. Não existem armas; bem, pelo menos, nenhum tipo de arma convencional e/ou do tipo que se poderia esperar em um jogo onde agir sorrateiramente é uma das chaves para o sucesso. O equipamento do jogador se resume a uma lanterna (sim, Anathema Mines é repleta de locais onde a escuridão predomina) e a infinitas bombas. Vale lembrar, entretanto, que é possível detonar apenas uma bomba por vez, e justamente aqui reside um dos motivos que fará com que os jogadores tenham de agir com grande cautela e muitas vezes montar estratégias bem complexas para finalizar diversos níveis.

Existem 28 fases no jogo, e cada uma delas representa uma subida, digamos. Cada fase vencida significa que o personagem se encontra mais perto da superfície e da liberdade. Os gráficos de Dynamite Jack são simples: não espere por visuais mirabolantes nem tampouco por gráficos em 3D. O jogo é (segundo o próprio desenvolvedor) um top-down action-adventure. Gráficos simples, porém, não são sinônimo de um jogo simples.

Pelo menos não aqui. Começando pela bela trilha sonora do jogo, que conta com elementos eletrônicos e até mesmo com guitarras, passando pela interface de usuário objetiva e elegante e chegando até o próprio conceito do título, temos um trabalho realmente digno de nota e que proporciona uma experiência divertidíssima, ao mesmo tempo em que faz com que o jogador pense bastante em como abordar cada uma das situações/problemas apresentados.

A própria lanterna que o personagem encontra durante suas andanças pelos subterrâneos pode servir como arma, além de iluminar seu caminho: ocorre que os trolls possuem aversão à luz, e jamais chegarão até você se o facho da lanterna for apontado em suas direções. Em contrapartida, a luz deste mesmo instrumento que lhe ajuda em muitos momentos pode significar morte instantânea (ou quase) caso algum guarda a detecte.

Ligar e desligar a lanterna é um procedimento constante, e vale lembrar também que em diversos níveis é difícil até mesmo encontrar o equipamento. Muitas vezes você terá de caminhar no escuro, durante um certo tempo, e até mesmo utilizando o mapa ou outras fontes de luz como guias, até chegar ao local onde a lanterna pode ser coletada. O mesmo ocorre com o detonador: quase sempre você deve obtê-lo em locais distantes, no mapa, e durante este percurso diversos perigos poderão lhe levar para o “beleléu”.

Vale também lembrar que também é possível finalizar níveis inteiros sem a utilização da lanterna, por exemplo, ou até mesmo sem a utilização do detonador: tudo depende da configuração do mapa, da quantidade, do tipo e do comportamento dos inimigos e de como você joga. É também possível explodir paredes para abrir caminho, o que pode também representar a abertura de novas possibilidades e até mesmo facilitar a coleta dos Data Cartridges, itens que desbloqueiam níveis bônus, e também de keycards azuis, laranjas e verdes.

Tais keycards são necessários para a abertura de passagens que quase sempre escondem itens imprescindíveis para a finalização de um nível. Inúmeras passagens, aliás, se encontram bloqueadas por “portas” azuis, laranjas e verdes, o que significa que todos os keycards correspondentes deverão ser encontrados e utilizados. Blocos e linhas de cores similares, que representam uma espécie de tecnologia, dentro do jogo, também devem ser destruídos para a abertura do portal que guarda a saída. Sim, cada nível conta com seu respectivo ponto branco cintilante: chegue até ele e você passará para o próximo nível e estará mais próximo da superfície.

A atuação dos inimigos é um dos elementos mais bacanas de Dynamite Jack. Guardas perambulam por todos os mapas, caminhando em várias direções e com padrões de comportamento distintos. Muitas vezes eles podem até mesmo se aproximarem, um do outro, e representarem perigo em dobro, pois o facho de suas lanternas (que podem “detectar” o protagonista) serão, então, meio que unidos e poderão alcançar mais pontos do cenário.

Explosões também atraem os guardas. Experimente plantar uma bomba próximo a um local repleto de inimigos, detoná-la e não se esconder direito: eles virão com enorme velocidade e poderão detectá-lo facilmente; ah, vale também lembrar que você não é imune às suas próprias bombas.

Em contrapartida, as bombas podem também funcionar como uma excelente distração e contribuir para que você chegue a locais, de outra forma, inacessíveis. As aranhas mecânicas que mencionei acima não morrem, por exemplo, e muitas vezes estão próximas a locais que você precisa chegar. Temos aqui um inimigo bem difícil, principalmente porque elas contam com raios de luz que giram incessantemente e que, assim que detectam você, dão início ao lançamento de uma descarga elétrica mortal.

Bem, você pode plantar uma bomba no canto oposto do mapa, posicionar-se perto do local desejado e então detonar a bomba, remotamente. As aranhas entrarão em estado de alerta e permanecerão com suas luzes fixas por alguns momentos na direção da explosão, fornecendo assim os segundos que você precisa. Mas é bom ser bem rápido.

Bombas também podem servir como armadilhas contra qualquer inimigo: plante, saia andando rapidamente, detone e plante outra durante o curto percurso, sem parar de caminhar: o inimigo poderá então ser morto pelo segundo explosivo. A ação em Dynamite Jack deve ser totalmente stealth. Guardas estarão sempre atentos a qualquer barulho, e muitas vezes você deverá prestar atenção em seus padrões de comportamento e então acompanhá-los, de perto (o que representa um risco bem alto), para chegar a um local seguro. Diversos blocos azuis estão espalhados pelos mapas, e eles representam os checkpoints: não deixe de salvar sempre.

É também interessante o fato de que o halo de luz dos inimigos pode ser perfeitamente evitado, dependendo de sua localização e da localização deles. Você estará seguro atrás de paredes, objetos, rochas e outros itens, por exemplo. Abrir caminho através das minas escuras não é uma tarefa fácil. É preciso analisar cada situação de forma bem cuidadosa. Guardas e cientistas devem ser mortos muitas vezes em sequência, um após o outro, para não chamar atenção em demasia.

Quase sempre é preciso muita paciência e tática para que a saída seja alcançada. Além de inimigos “vivos” e das aranhas acima mencionadas, também existem dispositivos eletrônicos que emitem lasers. Tais dispositivos giram constantemente, e sua combinação com os guardas extremamente ativos e espertos é algo um tanto quanto perigoso.

Imagine, também, enormes salões repletos de guardas caminhando em direções diferentes e cobrindo áreas diferentes. Salões dentro dos quais se encontram os necessários cartões de acesso azuis, laranjas, etc. Salões onde também existem paredes, blocos de tecnologia vermelhos, por exemplo e, quem sabe, aranhas mecânicas com seus raios luminosos giratórios: este é um cenário que o jogador poderá ter de enfrentar, em Dynamite Jack.

Um cenário que exigirá rapidez de pensamento e muita tática para ser ultrapassado, lembrando também que, algumas vezes, os keycards necessários podem se encontrar em pontos diferentes/distantes do mapa. Em determinados momentos, aliás, decidir se um inimigo deve ser morto durante seu caminho de ida ou de volta faz toda a diferença do mundo.

Ocorre que, dependendo da configuração do local e do padrão de movimentação do inimigo em questão, podem ocorrer brechas temporárias que permitirão que o jogador detone a bomba sem que a luz mortal da lanterna inimiga lhe alcance. Deixar rapidamente uma bomba plantada para os guardas que virão investigar o problema também é uma boa estratégia.

Um dos poucos problemas que encontrei em Dynamite Jack foi a pouca quantidade de níveis default. Isto, entretanto, acaba sendo meio que corrigido devido ao editor de níveis incluso no game. Não consegui, sinceramente, encontrar defeitos neste jogo, e vale ressaltar que ele é altamente viciante. A nota que dei ao jogo (veja abaixo) é inédita no XboxPlus, aliás. Aliás, Phil Hassey já mencionou que Dynamite Jack também será lançado para iPad (sem data definida, entretanto).

Editor de níveis

Dynamite Jack conta com um ótimo editor. Já existem alguns mapas muito interessantes à disposição, e você também pode criar os seus. O editor é muito simples de ser utilizado, e seu trabalho pode ser compartilhado de maneira extremamente rápida. É possível nomear o mapa, informar o texto introdutório, que será exibido antes do jogo, e também escolher a trilha sonora, dentre as existentes em Dynamite Jack . Também é possível testar seu trabalho, antes de disponibilizá-lo à comunidade.

O jogador pode escolher dentre diversos tipos de pisos e muros, pode criar salas, inserir tecnologias, guardas, cientistas, e definir o ponto de localização da lanterna, do detonador e também de qualquer outro tipo de item. É possível, digamos, criar experiências muito interessantes e também experimentar a visão de outros jogadores, através do editor, o qual, sem dúvida, aumenta bastante a durabilidade do título.

Conclusão

Se você procura um jogo barato, com ação stealth, divertido, diferente, com jogabilidade simples, desafiador e que, além de tudo, permite que você crie seus próprios níveis, Dynamite Jack é uma ótima pedida. O jogo não é pesado e seus gráficos são simples porém charmosos. É como se tivéssemos em mãos uma pérola retrô que nos oferece, entretanto, uma experiência extremamente moderna e cativante. O jogo da Hassey Enterprises esbanja criatividade.

Nota

10/10

Ficha Técnica

Título: Dynamite Jack
Gênero: Ação / Aventura
Desenvolvedora: Hassey Enterprises
Publisher: Hassey Enterprises
MSRP: US$ 4,99
Data de lançamento: 10 de Maio de 2012
Plataformas: PC / Mac
Versão analisada: PC

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