Para descrever Everspace em poucas palavras poderíamos utilizar trechos de seu texto descritivo no Steam. No título da ROCKFISH Games temos, certamente, belos gráficos, combates frenéticos e constantes, espaço para bastante exploração, elementos roguelike e uma história interessante que sempre irá nos revelar um ou outro detalhe curioso.

O jogo do estúdio alemão é capaz de proporcionar bons momentos aos amantes de títulos espaciais, além de muitas surpresas e momentos de raiva, grande parte deles oriundos dos elementos roguelike. Em Everspace, encarnamos um clone chamado Adam Roslin. Alguém com amnésia, além disso, cuja história vai sendo entregue pouco a pouco, conforme vamos imergindo no game; somos também informados a respeito de uma grande guerra travada entre a humanidade e uma raça reptiliana chamada Okkar, raça esta que combatemos com bastante frequência durante as partidas, vale ressaltar.

Everspace

Somos quase que obrigados, em grande parte do tempo (salvo nas cutscenes), a ignorar esta história, entretanto. Muitas vezes, a IA de nossa nave começa a nos fornecer informações pertinentes, valiosas mesmo, bem no meio de uma batalha, e aí, ou prestamos atenção (lendo, quem sabe, as legendas), ou então miramos e disparamos nos inimigos. É uma escolha sábia optar pelo foco na luta, é claro, até mesmo porque a história não é lá muito profunda, apesar de interessante (é uma pena, mas temos também um codex que pode ser consultado à qualquer momento). Desconhecer seus meandros também não fará muita diferença nos momentos de combate, exploração e comércio, ou até mesmo durante os saltos entre um sistema e outro.

Ficha técnica

Título: Everspace: um roguelike espacial

Gênero: Ação / Espacial

Desenvolvedora: ROCKFISH Games

Publisher: ROCKFISH Games

Data de lançamento: 25 de Maio de 2017

Plataformas: PC

Versão analisada: PC

Everspace é um jogo com elementos roguelike, como já dito acima. Isto significa que o jogador é praticamente “despido” após sua morte e antes de uma nova tentativa. Mas isso não torna o título da ROCKFISH Games menos interessante ou divertido. Cada nova jornada, ou “percurso”, é diferente. Cada uma delas oferece perigos e desafios diferentes, além de diferentes oportunidades para exploração e comércio. Cada nova jornada nos coloca em lugares diferentes no espaço, em sistemas com belezas, astros, planetas, destroços e estrelas distintos, únicos.

Everspace

Segundo pude apurar nos fórums da ROCKFISH, os sistemas são totalmente diferentes a cada playthrough. Cada percurso oferece setores únicos ao jogador. Assim, nos deparamos com galáxias, estrelas, planetas, cinturões de asteroides, destroços e diversos outros elementos totalmente diferentes a cada sessão (o que também implica em belezas diferentes). Você nunca visitará os mesmos setores, os mesmos sistemas, novamente, e isto, por si só, já é capaz de aumentar imensamente o fator replay de um título assim. A cada salto, também somos apresentados a inúmeras oportunidades de combate, de loot, de exploração, de mineração e de comércio.

Bem, ao morrer, você retorna para o início, no setor 1 (um setor 1 totalmente diferente, veja bem – apenas a nomenclatura é igual, aqui), e deve novamente avançar, setor por setor, almejando alcançar destinos mais distantes e diferentes. Mas nem tudo está perdido: os créditos ganhos no último percurso (independentemente da maneira que você os obteve) podem ser utilizados neste intervalo, no hangar (e você deve utilizá-los aqui, pois em caso contrário os perderá), na compra de melhorias diversas dentro da aba “Vantagens”: aumento da potência dos escudos, aumento dos danos causados pelos tiros, pontos de vida do casco, mais slots para dispositivos e armas, redução de custos para consertos, etc. Tais “Vantagens” também são carregadas indefinidamente, não importa quantas vezes você morra e recomece.

Everspace

É realmente um problema, entretanto, o fato de que você deve gastar muito tempo até evoluir completamente qualquer vantagem até um ponto em que benefícios reais sejam percebidos: isto demora bastante, e quase sempre, tudo o que você terá serão meros rótulos, alterações quase que cosméticas, devido à lentidão do progresso neste detalhe.

O jogo nos oferece uma nave gratuita a cada início (ou reinício). Estamos falando de uma pequena interceptora colonial. É possível também o desbloqueio de outros 2 modelos, mediante o pagamento de certa quantia in-game, obviamente (batedora colonial e nave de combate colonial, ambas por 10.000 créditos). Cada uma destas naves possui suas vantagens e desvantagens: a batedora é veloz porém perde no quesito “pontos de vida do casco”, por exemplo. Já a nave de combate colonial é um gigante com escudos poderosos que, no entanto, perde bastante no quesito manobrabilidade.

Everspace

Em relação à manobrabilidade, vale ressaltar que Everspace é um 6DOF (six degrees of freedom), ou seja, de forma bem resumida, você pode se mover no espaço para frente, para trás, para ambos os lados, para cima, para baixo e ainda realizar rotações laterais (é, de certa forma, algo semelhante àquilo que temos em Elite: Dangerous). Temos também 3 opções de câmera: com a visão do cockpit, em terceira pessoa e em primeira pessoa. Cada nave conta com armamento primário e secundário, os quais podem ser alterados livremente pelo jogador (upgrades, venda, compra, troca, crafting, etc). Também existem consumíveis (sobrecarga de armas, impulsor de escudos, etc) que podem ser utilizados e modificados pelo jogador, os quais são também passíveis de upgrades.

A cada percurso, ou seja, a cada reinício, podemos escolher um dentre 3 níveis de dificuldade distintos: “fácil”, “normal” e “difícil”, sendo que a opção por cada um deles pode dar origem a algumas situações bem distintas que impactarão diretamente o gameplay futuro (mais ou menos crédito recebido, níveis de ameaça mais altos ou mais baixos, armadas chegando mais cedo ou mais tarde, mais ou menos perigos naturais, inimigos com maior ou menor precisão, etc).

Em Everspace, o jogador é livre para explorar quantos sistemas bem desejar. É preciso saltar através de 4 ou 5 sistemas diferentes antes de alcançar os portais que dão acesso a setores diferentes, valendo lembrar mais uma vez que a morte, aqui, implica num recomeço, à partir de um setor 1 diferente.

Everspace

O jogador pode abordar diferentes situações de diferentes maneiras, além disso. Você pode optar pela pirataria, digamos, caso opte por atacar comboios de corporações que estão transportando determinados tipos de carga. É possível atacar, por exemplo, naves transportando créditos ou minério (após o devido abate de sua escolta), e então abocanhar quantias realmente grandes de dinheiro ou recursos diversos.

Note, porém, que isto fará com que você seja marcado: seu status em relação àquela empresa (Grady & Brunt, por exemplo) será definido como “hostil”, e suas naves, daí em diante, irão reagir sempre hostilmente à sua presença. Isto é resolvido caso você fique quieto, entretanto, sem nenhuma ação hostil contra a empresa em questão por algum tempo (durante 3 ou 4 saltos, por exemplo).

Everspace

Um jogador com paciência e vontade pode se perder e gastar muitas horas em meio aos sistemas belíssimos do jogo, saltando entre um e outro setor, explorando, vendendo e comprando itens (sim, existem naves mercadoras), combatendo criminosos, saqueando, etc. Equipamentos, projetos e itens para crafting podem ser obtidos após cada um dos combates (sempre procure em meio aos escombros das batalhas), e também em meio a asteroides, destroços de naves e estações.

Upgrades podem ser realizados tanto nas armas primárias quanto nas armas secundárias, valendo a pena lembrar que diferentes sistemas e subsistemas da nave podem sofrer avarias e devem ser reparados o quanto antes (nanorobôs são sempre utilizados nestes casos).

Everspace

Jogar Everspace pode ser tanto uma experiência deslumbrante e divertidíssima quanto uma experiência aterrorizante e insatisfatória: o tal do roguelike, aqui, não perdoa. Nada nem ninguém. Um rápido descuido e você pode acabar explodindo sua nave e tendo de recomeçar. Porém, também são inúmeros os momentos em que os combates são frenéticos, divertidos, rápidos e cheios de adrenalina. São inúmeros os momentos em que você fica embasbacado diante de belezas as mais diversas, assim que entra em um novo sistema com sua nave. É impossível também, acredite, passar incólume pelos belos e gigantescos asteroides, muitos dos quais contam com interiores que podem ser atravessado por nossa nave.

Everspace

O título da ROCKFISH foi desenvolvido com a Unreal Engine 4, e você pode esperar por gráficos lindíssimos, por visuais surpreendentes, por um espaço extremamente convincente, por efeitos de partículas e de iluminação de cair o queixo. O sistema de danos das naves é também bastante convincente, vale lembrar. Você percebe os estragos no casco aumentando paulatinamente, caso não realize os consertos necessários.

É um fato, entretanto, que Everspace é relativamente light, no sentido em que difere de um Elite: Dangerous ou de um Star Citizen no tocante aos controles e ao fator simulação. O foco, aqui, são os combates, o loot, a ação frenética. Pilotar a nave também é algo relativamente simples.

Everspace

O jogo também pode se tornar, por outro lado, bastante “pesado” e cruel, digamos, devido a seus elementos roguelike. Trata-se de um título para amantes do gênero, fãs de jogos ambientados no espaço e em busca de algum desafio, que não se importam em morrer várias vezes (e, creia, você vai morrer muitas vezes).

O game também é um prato cheio para aqueles que gostam de belos gráficos, de fotografia, de screenshots: existe um modo chamado “congelar ação”, onde tudo é pausado e somos livres para movimentar a câmera, a fim de capturar screenshots belíssimas, quase sempre.

Everspace

A cabine da nave, além disso (desde que você opte pela visão do cockpit), é totalmente “real”, totalmente funcional: todas as informações ali exibidas correspondem ao que realmente está acontecendo, os sistemas funcionam, os mostradores correspondem à realidade. Os avisos, também. Os manches também respondem conforme movimentamos a nave com o teclado e o mouse e, bem, você deve tentar por si mesmo para conferir o quão bacana é este modo de visão.

Os controles do jogo também são bastante amigáveis, apesar de fazer falta uma opção para utilização de um HOTAS, uma vez que estamos falando de um shooter espacial. Há, entretanto, a possibilidade de uso de um controle do Xbox, apesar da própria desenvolvedora recomendar a utilização de teclado + mouse.

É claro que você pode se cansar de Everspace, após algum tempo, e isto é natural: determinados roguelikes acabam mesmo saturando o jogador. Entretanto, este título conta com mecânicas interessantes, visuais imperdíveis e bastante espaço para exploração, comércio e combates.

Everspace

Se você gosta disso, dê uma conferida. Se você aprecia títulos como Galaxy on Fire, Starpoint Gemini, Elite: Dangerous ou Star Citizen, entretanto, não deixe de adicioná-lo à sua wishlist. Guardadas as devidas diferenças, há algo bem interessante aqui. O jogo conta com legendas em português do Brasil.

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