Front Mission Evolved representa a “fuga” da série Front Mission dos gêneros estratégia, RPG, etc. A “entrada” da série no campo dos games de tiro em terceira pessoa pode proporcionar uma experiência um pouco estranha a alguns jogadores, principalmente para quem estava acostumado com os jogos anteriores da série. Por outro lado, temos de louvar, de certa forma, o fato de, agora, termos em mãos um game que possui diversas semelhanças com Mech Warrior. Em Front Mission Evolved, estamos no controle de mech’s, ou melhor, dos wanzers, robôs já conhecidos dos outros games da franquia.

Mas agora estamos no controle de uma forma mais, digamos, intensa. Mais de perto. Estamos dentro dos robôs gigantes, controlando-os, utilizando-os, vamos dizer assim, como nossa segunda pele. O que antes era feito à distância, em Front Mission Evolved se tornou algo muito mais próximo. De qualquer maneira, infelizmente, apesar da inovação e do fato de “games com robôs” serem sempre bem vindos, o título, desenvolvido pela Double Helix Games e distribuído pela Square Enix, possui inúmeros problemas. É triste vermos que a tentativa de reformular uma excelente franquia com idéias que teriam tudo para dar certo não atingiu resultados muito legais.

História

A história de Front Mission Evolved é interessantíssima e se passa em 2171, em um mundo muito diferente do de hoje. A terra passa por um período um pouco parecido com o da guerra fria, onde existem somente duas nações gigantes, chamadas U.C.S. e O.C.U. Vale lembrar que você pertence à U.C.S. O protagonista se chama Dylan Ramsey, um cara que trabalhava com os mech’s wanzers no tocante à parte técnica dos mesmos. Apenas. Seu pai, um cientista, criou um sistema chamado E.D.G.E., o qual permite que cada wanzer que o utilize obtenha reflexos fantásticos por tempo limitado. O sistema se recarrega sozinho, portanto, é necessário esperar um pouco antes de utilizá-lo novamente.

Ao utilizar o E.D.G.E. System, o que ocorre é que tudo fica em câmera lenta, trocando em miúdos, menos você. Isto simula, portanto, extrema velocidade para você e seu robô, enquanto os inimigos, lentos, podem ser atingidos mais facilmente e você consegue se desviar de mísseis e tiros com extrema facilidade, dentre outras coisas.

Ocorre que a U.C.S. e a O.C.U. vivem sob constante desconfiança uma da outra. Gigantescos elevadores orbitais ajudam a formar e a manter uma rede de satélites de vigilância que aumentam ainda mais a tensão, e a coisa toda começa a pegar fogo quando wanzers que parecem ser da O.C.U. destroem um dos elevadores da rival, ou seja, do seu país/facção.

Em meio a negativas e a ataques verbais, descobre-se que existem também terroristas em ação, o que piora ainda mais o que já está indo por água abaixo. Trata-se do grupo Apollo’s Chariot, comandado por um cara chamado Marcus Seligman. Todo este “background” é muito interessante, e nos leva a imaginar o quão fantástico poderia ter sido Front Mission Evolved se ele não tivesse se tornado, infelizmente, mais um game de tiro em terceira pessoa sem muita personalidade e sem grandes inovações.

Vale ressaltar que o Dylan resolve partir em busca do pai desaparecido, e conta com muita ajuda por parte do exércido, incluindo uma ajuda feminina. Trata-se de uma militar chamada Adela Seawell. Não faltam momentos dramáticos no game, nem tampouco momentos de ação. O que falta é uma identidade própria ao título, infelizmente. Algo que nos faça olhar para o mesmo e dizer: “- Opa, está aí um novo e diferente game”.

Jogabilidade

A jogabilidade de Front Mission Evolved é diretamente influenciada pela customização que você realiza no seu wanzer. Adorei esta parte. 🙂 Pode ser mais ou menos difícil controlá-lo, dependendo das peças que você escolhe, cada uma delas possuindo peculiaridades distintas. Esta é uma das partes mais bacanas do game, pois você pode mudar tudo no seu wanzer. O corpo de cada wanzer é dividido em 3 partes principais: braços, pernas e torso. O torso é, digamos, o coração de seu wanzer, e se a energia dele for a zero, o mesmo é destruído.

A destruição também ocorre “em partes”. Você p0de ter partes de seu corpo totalmente danificadas, mas permancer vivo se seu torso ainda contiver energia. Tudo isto é indicado por um marcador muito semelhante àquele que víamos em Mech Warrior, localizado no canto inferior esquerdo. Os níveis de “conservação” de cada membro vão caindo conforme o mesmo sofre danos, e você observa o verde ir se tornando vermelho, dependendo da situação.

Cada wanzer pode carregar até 4 armas: uma em cada mão e uma em cada ombro. É claro que você pode escolher inúmeras configurações, bem como armas, tudo comprado com o dinheiro que você ganha em batalha, conforme mata inimigos. Escudos, rifles de precisão, shotguns, metralhadoras, lança mísseis, etc: tudo isto pode ser adicionado ao seu wanzer. Mas é preciso prestar muita atenção a alguns detalhes. Tudo tem um custo na customização do seu robô, e este não é somente monetário. Cada peça/parte/arma adicionada possui um peso, e conforme você vai adicionando ítens ao seu wanzer, deve ficar atento ao mostrador que exibe o peso total e a força gerada.

O peso total jamais deve ser maior que a força gerada pelo torso do robô. Existem, também, torsos mais poderosos que podem ser comprados, o que aumenta, além da resistência do wanzer, a quantidade de peso que ele pode carregar e a energia por ele gerada. Isto é algo que gostei bastante em Front Mission Evolved. Se você tentar “burlar” esta regra, será sempre impedido de deixar a tela de personalização do robô, até que “apare as arestas”.

Vale lembrar que a configuração do seu wanzer afeta diretamente sua movimentação. Peças mais pesadas resultarão em um robô mais lento, e torsos mais resistentes resultarão em um wanzer mais resistente. Tudo deve ser pesado e calculado, quando você está configurando o seu “robozão”. Cada item possui indicados o seu peso, resistência, nível de precisão, etc. É só prestar atenção. 🙂

Existem diversos tipos de equipamentos que podem ser adicionados ao wanzer, como eu já disse. Pernas que permitem que o robô flutue e “pernas de aranha” também estão entre os interessantes ítens constantes na tela de personalização. O visual também pode ser alterado, e para quem adora este tipo de detalhe, é uma delícia perder bons minutos customizando até mesmo as cores de cada parte do corpo do robô.

Os comandos são simples e a combinação mouse + teclado é perfeita para um game como este. Helps fornecem todo o “mapeamento”, e é impossível se perder em meio aos comandos. Vale ressaltar que, caso você carregue quatro armas, terá, então, quatro botões para acioná-las, divididos entre os dois botões do mouse e letras em seu teclado. É possível, por exemplo, carregar duas metralhadoras, uma em cada mão. Neste caso, os dois botões do mouse acionarão as mesmas, em conjunto ou separadamente, conforme você desejar.

Jogando Front Mission Evolved

Aqui é que a coisa pega. Acredito que Front Mission Evolved poderia ser um maravilhoso game estilo Mech Warrior. Longe de tentar comparar um game com o outro, entretanto, gostaria de dizer pelo menos que o título da Double Helix poderia ter sido infinitamente melhor. Todos os elementos para isto estão ali: jogadores no comando de robôs (algo meio em falta hoje em dia, e diferente do que temos em Transformers: War for Cybertron, por exemplo), perspectiva em terceira pessoa, uma história interessantíssima, trilha sonora sensacional e inimigos e protagonistas muito cativantes, sem contar com a grande carga dramática de alguns momentos.

Entretanto, o game acaba por virar mais um “third person shooter” em meio a tantos outros que temos no mercado, simplesmente por não nos entregar uma experiência diferente. Apesar do “elemento robô”, no final de tudo, o que temos é um game de tiro em terceira pessoa onde os robôs, apesar de possuírem aquela característica “pesadona” que se espera dos mesmos, acabam não sendo bem aproveitados. Não existe uma grande variedade de cenários, e até mesmo as missões meio que são repetitivas. Muitos combates contra chefes são enfadonhos, aliás, pois você deve atirar, atirar, atirar, desviar, desviar, desviar e repetir este processo até que o inimigo morra, sem qualquer outro elemento que te motive a ir adiante. Confesso que em muitas das batalhas contra chefões me deu vontade de desistir. Não pela dificuldade, mas sim pela falta de motivação e pelo cansaço.

Seu wanzer possui um dispositivo chamado A.G.I.L.E. Skate, o qual permite que ele deslize bem rapidamente. Ele também pode planar por alguns segundos, se você pressionar o botão de pulo por duas vezes. Estes dois recursos são bem úteis, principalmente quando você se encontra com pouca energia em seu torso e enxerga uma cápsula de energia ao longe (as verdes, pois as azuis reabastecem seu armamento).

Fica aqui o destaque para os cenários, que contêm diversos elementos destrutíveis. Você passa por cima de carros, caminhões, hidrantes, etc, e eles explodem/são destruídos. Você pode derrubar árvores e postes, também. Mas, há um porém: existe uma certa falta de proporção entre você, um robô gigante, e alguns elementos no cenário. Quase sempre parece que você está observando caminhões e carros de brinquedo, devido a este fato, e esta, em minha opinião, foi uma pisada de bola feia. Muita gente pode nem se importar com este detalhe, mas isto é algo que me decepcionou bastante.

O protagonista, o Dylan, é sempre obstinado, e muitas vezes o pessoal do exército tem de conter suas “investidas”, fornecendo a ele doses extras de bom senso. Também, coitado, ele não sabe se o pai está vivo ou morto, e tudo indica que ele está morto. Existem também momentos em que você abandona o seu wanzer e parte para a guerra com uma arma normal e um lança foquetes nas costas. São momentos muito interessantes, que ajudam o jogador a experimentar um pouco mais de velocidade no game, além de proporcionarem um gameplay sob uma perspectiva bem diferente.

A inteligência artificial dos inimigos é muito interessante. Você pode estar no campo de batalha, de repente, sem ser notado. Um grupo de inimigos pode estar massacrando algum de seus aliados, sem notarem sua presença. Basta um tiro seu naquela direção, entretanto, para que uma horda de wanzers “do mal” venha em sua direção, causando muitos problemas a você. Enfim, Front Mission Evolved conta com elementos muito interessantes, também.

Outros modos de jogo

Front Mission Evolved possui suporte a partidas multiplayer. Ele conta com 04 modos de jogo diferentes. Os já tradicionais “Deathmatch” e “Team Deathmatch”, e os modos “Domination”, onde cada equipe deve assumir o controle de torres de defesa e destruir as torres inimigas, e “Supremacy”, que é uma espécie de “capture a bandeira”. Não consegui, entretanto, encontrar ninguém para jogar/nenhuma partida disponível.

Gráficos e trilha sonora

Confesso que o início do game impressiona. A cinemática que mostra os wanzers inimigos chegando a Nova Iorque é lindíssima. A destruição que eles promovem é impressionante, e o cenário de guerra intensa é visualizado de forma fenomenal. A própria animação de introdução, mostrando os elevadores orbitais, é também muito bonita. No início do game existem algumas cinemáticas belíssimas que, no entanto, deixam de aparecer logo logo.

Os gráficos do game em si não são feios. Eles são bonitos, e em muitos momentos você chega a se surpreender. Mas é óbvio que eles poderiam ser muito melhores. Não parece que estamos jogando um título que foi lançado recentemente, pois muitas vezes nos deparamos com problemas que saltam aos olhos de forma gritante, como por exemplo a questão da vegetação: a textura é totalmente “lavada”. O cenário não possui o detalhamento que eu esperava, também.

Vale destacar, de qualquer forma, a impressionante maneira como os wanzers vão demonstrando visualmente seu estado, quando sofrem avarias. Partes do corpo dos mesmos começam a soltar fumaça em diferentes níveis, dependendo do dano, e até mesmo a pegar fogo. Tudo isto pode ser consertado através das cápsulas verdes. Algumas vezes, mais de uma cápsula é necessária para que todo o corpo do robô seja “consertado”.

A trilha sonora de Front Mission Evolved é belíssima. Para esta parte tenho de tirar o chapéu. Totalmente orquestral, como deveria ser em um game com esta temática, em minha opinião, ela consegue muitas vezes animar o jogador em momentos que, possivelmente, seriam enfadonhos. A música de abertura é linda, com um ar meio militar que tem tudo a ver com o jogo. Durante todo o game somos acompanhados por músicas que nos ajudam a jogar, literalmente. Belíssimas composições que acompanham o rítmo da ação, de forma maravilhosa.

Conclusão

Front Mission Evolved poderia ter sido um game infinitamente melhor. Ele acaba se transformando, porém, em apenas mais um game de tiro em terceira pessoa. Faltou uma personalidade própria para o game, e mais atenção a este último fator poderia ter resultado em um jogo fantástico. É um game divertido, entretanto, apesar das falhas, mas não impressiona.

Ficha Técnica

Título: Front Mission Evolved
Gênero: Ação / TPS
Desenvolvedora: Double Helix Games
Distribuidora: Square Enix
Data de lançamento: 07 de Outubro de 2010
Plataformas: PC / Xbox 360 / Playstation 3
Versão analisada: PC

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