Hard Reset é um jogo que me empolgou desde o início. Desde as primeiras imagens, o primeiro build que joguei, o primeiro trailer que assisti, etc. Desenvolvido por uma empresa que conta com profissionais que já trabalharam em títulos tais como, por exemplo, Bulletstorm, The Witcher 2 e Sniper: Ghost Warrior, Hard Reset chegou ao mercado com grandes ambições. Trata-se de um indie game que, além de ser muito difícil, conta com gráficos belíssimos e um estupendo clima cyberpunk, algo que realmente faz falta hoje em dia.

O protagonista do título, o Major Fletcher, tem de representar um papel bem difícil. Ele tem de ser um “exército de um homem só” e enfrentar hordas enormes de robôs extremamente violentos. Máquinas que perambulam por uma cidade belíssima mas que conta com um ar extremamente desolador:  Bezoar. Fletcher sofre bastante, é claro. Ou melhor, o jogador sofre bastante, pois Hard Reset é realmente duro: um FPS old-school que a todo momento apresentará ao jogador belezas e desafios enormes. Muitas pessoas podem apreciá-lo, outras podem ser afugentadas por sua enorme dificuldade.

Se você está acostumado, por exemplo, com todas as “firulas” que estão presentes nos shooters atuais, como por exemplo sistema de cobertura (não que eu não goste disto, é claro), energia vital com regeneração automática após algum tempo, possibilidade de se agachar, etc, pode estranhar bastante Hard Reset, pois ele não conta com nada disto. O jogador terá de buscar por munição e itens para regeneração de sua energia vital, dentre outras coisas. Além disso, vale lembrar que o protagonista conta com apenas dois “amigos”, ou melhor, amigas, no game: a  CLN e a N.R.G. Trata-se das duas únicas armas que você empunhará em Hard Reset.

Entretanto, esta escolha por parte da Flying Wild Hog em oferecer ao jogador apenas duas armas não faz com que este tenha seu poder de fogo diminuído, pois tanto a  CLN quanto a N.R.G. podem receber upgrades os mais diversos, os quais então permitem a ativação de diversas configurações diferentes nas mesmas, as quais possibilitam diversas coisas: rajadas EMP, zoom, cargas elétricas poderosas, rajadas que quando disparadas permanecem um certo tempo em atividade, causando danos a tudo o que estiver ao redor (inclusive a você), etc. Além disso, as duas armas também podem contar com um modo secundário, o que aumenta ainda mais o leque de opções do jogador no momento de enfrentar os robôs.

Em relação a estas duas armas, vale destacar que a CLN é uma espécie de metralhadora. Uma arma de fogo. Já a N.R.G. é a arma que mais utilizo em Hard Reset. Além de ser belíssima e provocar um belo espetáculo quando utilizada, sua versatilidade é enorme, e ela “trabalha” com cargas energéticas, ao invés de munição convencional. Vale lembrar que o traje de combate do Major Fletcher também pode receber diversos upgrades, visando melhorias em relação à proteção, à detecção de inimigos, etc.

Hard Reset conta com animações estilo desenho animado, entre uma fase e outra. Tais animações são sensacionais, e realmente animadas. Elas também contêm balões de diálogo e vozes. Elas ajudam a apresentar ao jogador os acontecimentos vindouros, por exemplo, de uma forma extremamente criativa, e mostram também que a Flying Wild Hog não poupou esforços em relação à beleza de seu game. Suas cutscenes estilo desenho animado contam até com a presença de chuva, partículas caindo do céu, explosões, e diversos outros elementos muito bonitos.

Existem corporações “do mal” e conspirações, neste título, e também existem questões ligadas ao fato dos robôs estarem em busca de supremacia. Eles desejam obter acesso ao “The Sanctuary”, uma espécie de rede gigantesca que contém bilhões de personalidades humanas armazenadas. A intenção dos robôs é justamente eliminar, digamos, seus limites, e se tornarem, de certa forma, mais inteligentes, mais independentes, mais fortes. O “The Sanctuary”, aliás, está justamente localizado na cidade de Bezoar.

Vale ressaltar que os robôs, independentemente de seu tamanho, tipo ou qualquer outro fator, atacam sempre em ondas enormes e são extremamente violentos. Eles conseguem atrapalhar facilmente o acesso do jogador aos objetivos. Durante uma empreitada para destruir fontes de energia de uma torre de defesa, por exemplo, é impressionante como os robôs surgem de todos os lados, cercam o protagonista e o atacam de forma bem furiosa. É preciso, nestes momentos, se movimentar bastante e, de preferência, jogar utilizando o conjunto teclado + mouse, para um melhor controle do personagem e precisão. É, Hard Reset não é um jogo para PC que deve ser jogado com um joystiq.

Além de movimentação constante, estratégia e busca de pontos de proteção, o jogador também deve utilizar suas duas armas e todos os upgrades e modos alternativos disponíveis de forma estratégica. Daí a importância de pensar bem no momento de realizar os tais upgrades. Você deve gastar seus  N.A.N.O. points, a moeda do jogo (os quais você coleta frequentemente durante o gameplay), de forma bem cuidadosa, pois os robôs estão pouco se importando em serem mortos ou não. Eles são, realmente, verdadeiros “kamikazes cibernéticos”.

Durante o gameplay, Fletcher acaba descobrindo algumas coisas bem interessantes a respeito de si próprio, através de alguém que, na verdade, acaba demonstrando não ser bem quem o major pensava. Ele também acaba recebendo uma informação bem interessante a respeito da “The Corporation”, organização da qual faz parte, através da mesma pessoa. O enredo do título conta com algumas surpresas bem interessantes.

Algo muito divertido em Hard Reset é o fato de ser possível destruir os inimigos através da utilização de diversos objetos presentes no ambiente. Tudo isto, aliás, é demonstrado no relatório exibido ao final de cada fase. Ocorre que você pode atirar, por exemplo, em diversos equipamentos elétricos, e eles começarão então a emitir choques elétricos durante um certo tempo, antes de explodirem, causando danos aos robôs que, infelizmente (ou felizmente, quem sabe), não pensarão duas vezes antes de passar por tal zona perigosa para chegar mais rapidamente a você. Você também pode atirar em explosivos e enviar todos os robôs próximos pelos ares. A destruição de explosivos também pode resultar na derrubada de paredes que escondem segredos, vale ressaltar.

Durante o jogo, o gamer também experimenta uma verdadeira miscelânea sonora. Transmissões de rádio, vozes, propagandas sonoras transmitidas por naves muito bonitas que sobrevoam a cidade, o som do vento, etc. Aliás, é possível até mesmo ouvir o “chiado” dos robôs, em alguns momentos, e assim se preparar com um pouco de antecedência à chegada “triunfal” dos mesmos. O Fletcher pode correr, é claro, e um efeito muito interessante acompanha tal corrida.

Tudo fica borrado, para simular a velocidade. Entretanto, o fôlego do major não é lá dos melhores, e ele logo se cansa, pára e começa a ofegar. É uma pena esta habilidade não poder ser utilizada de maneira mais duradoura, pois existem momentos em que correr para um ponto seguro é imprescindível para sobreviver.

Ao “passear” por Bezoar, o jogador irá se deparar com uma cidade muito bonita. Hard Reset conta com texturas de alta qualidade, e o metal, por exemplo, possui um aspecto bem realista. Carros futuristas que, entretanto, parecem pertencer a um passado não muito distante (no jogo), podem ser encontrados aos montes pelas ruas da cidade, abandonados. Em uma das fases, aliás, em um metrô, você consegue perceber de forma extremamente nítida a velocidade do trem. A iluminação, aliás, é muito bem posicionada neste momento, e o efeito/resultado é fenomenal. Bezoar conta com muita propaganda exibida em outdoors, muito neon e barreiras energéticas que devem ser desligadas para que o jogador então possa prosseguir. Desligá-las, aliás, pode muitas vezes ser bem difícil, devido à presença robótica.

Tome cuidado ao se deparar com caixas e outros objetos rolando em uma escada. Isto pode significar a presença de robôs logo mais acima, e você já deve, então, se preparar para mais um embate feroz. Outro detalhe muito bacana em Hard Reset é o céu. Geralmente, os desenvolvedores prestam pouca atenção a este aspecto, mas o céu de Hard Reset é repleto de movimento. Naves de diversos tamanhos voam para lá e para cá em altitudes diferentes, o que proporciona um espetáculo sensacional se o jogador parar por alguns momentos e olhar para cima. Eu, aliás, olho diversas vezes, pois trata-se de um “detalhe” adorável.

É impressionante o quão old-school Hard Reset é. O jogo é totalmente linear, e este fato, apesar de, em minha opinião, ser um problema, consegue forçar o jogador, é claro, a entrar em um verdadeiro “corredor de luta”. Uma seta de orientação totalmente dispensável, na verdade, pode até mesmo ser ativada. Mas sabendo qual é seu objetivo em cada missão, você jamais se perderá. A Flying Wild Hog conseguiu introduzir em um jogo futurista, no qual a humanidade está à beira da extinção, elementos que nos remetem de volta ao passado dos jogos eletrônicos.

Desligue a seta de orientação e você não terá problema algum. Desligue as dicas automáticas e você ainda assim conseguirá concretizar cada um dos objetivos. Utilize suas duas armas de forma racional e você poderá representar uma ameaça aos inimigos cibernéticos. Se esconda atrás de paredes, carros, máquinas e outros elementos ao invés de utilizar sistemas de cobertura. Seja surpreendido por um inimigo que surgiu rapidamente em sua retaguarda, e veja-se então cercado por inimigos que parecem contar com a ajuda de um criador que não tem preguiça em buscar por peças novas e construir novos “brinquedos”.

O jogo é realmente frenético, a ação é muito rápida, e é possível até que o enredo do jogo seja deixado em segundo plano, por alguns jogadores, devido a isto. Esta é uma falha que poderia ter sido evitada caso a desenvolvedora polonesa tivesse optado não pela inserção de menos inimigos, mas talvez por uma menor incidência de combates. Ocorre que estes são tão frequentes que o jogador pode, em determinados momentos, se sentir um tanto quanto sufocado e abandonar o jogo por alguns momentos. Fletcher, aliás, não se move tão rápido quanto seria necessário, e o recurso “corrida” dura pouquíssimo tempo e exige um tempo de “recarga” que não está de acordo com o desafio.

Entretanto, nada disto tira o brilho do jogo. Hard Reset é um indie game que pode rivalizar com diversos produtos da concorrência e deles ganhar com folga. O jogo conta com gráficos belíssimos, inova ao apresentar um gameplay repleto de elementos old-school empacotados juntamente com um enredo interessante (se o jogador conseguir prestar atenção no mesmo, é claro), armas poderosas e que não deixam o jogador na mão, devido aos upgrades, e pode provocar enorme saudosismo em muitos gamers, ao ser jogado.

Cada combate, apesar da dificuldade, é um espetáculo à parte. Explosões, efeitos sensacionais, robôs entrando em colapso, explodindo e se transformando em peças espalhadas e destroçadas, explosões luminosas que contrastam com a muitas vezes triste Bezoar, e muita cor. Ao final de tudo, o jogador pode conferir o resultado de sua “obra”: carcaças de robôs espalhadas por todos os lados, itens para se coletar e uma enorme sensação de alívio.

Conclusão

Hard Reset é um ótimo FPS repleto de novidades que agradarão bastante a quem aprecia uma bela temática futurista e está cansado das facilidades proporcionadas por muitos shooters atuais. Seus gráficos maravilhosos e sua atmosfera cyberpunk ajudam a fazer do título algo realmente inédito no mercado, pelo menos em relação aos títulos atuais. É uma pena, entretanto, o jogo ser ser curto.

Nota

9/10

Ficha Técnica

Título :Hard Reset
Gênero: Ação / FPS
Desenvolvedora: Flying Wild Hog
Distribuidora: Flying Wild Hog
Data de lançamento: 13 de Setembro de 2011
Plataformas: PC
Versão analisada: PC

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