(Review) Insanely Twisted Shadow Planet

Eu aguardava Insanely Twisted Shadow Planet com enorme ansiedade, desde 2010. Agora que finalmente pude colocar minhas mãos neste belíssimo game desenvolvido pela Fuel Cell Games, o qual conta com a também belíssima arte do canadense Michel Gagné, tive a grata oportunidade de comprovar tudo aquilo que esperava: o jogo é um verdadeiro “must have”. Trata-se de um game que foi lançado também como parte do Xbox Live Summer of Arcade 2011, o qual é, por enquanto, exclusivo do Xbox 360.

Insanely Twisted Shadow Planet é um jogo em 2D. Um fantástico side-scroller que possui diversos elementos inovadores. É um game elegante, e tal elegância está presente até mesmo em seu menu inicial circular. O jogo possui uma estrutura um pouco similar a Super Metroid, além de lembrar Limbo em diversos momentos. Ocorre que o mundo de Insanely Twisted Shadow Planet possui uma espécie de escuridão intrínseca. Grande parte dos elementos, inimigos e cenários, por exemplo, são escuros. Tal escuridão é quebrada por elementos dotados de cores fortes e inseridas nos mesmos de forma, digamos, estratégica. Laranja, vermelho, azul, etc. Trata-se de algo bem impactante e bonito de se ver.

O jogo já impressiona desde sua belíssima animação de abertura, na qual uma espécie de astrônomo alienígena visualiza alguns eventos no espaço, em seu observatório. Algo não vai bem, e ele então entra em seu disco voador. A partir daí, então, o jogo se inicia. Aliás, vale ressaltar a belíssima trilha sonora deste momento, totalmente orquestral e realmente imponente. Esta mesma orquestra acompanha as cutscenes durante o jogo, fazendo com que tais momentos sejam sensacionais.

Algo que realmente é fascinante em Insanely Twisted Shadow Planet é o fato do mesmo ser um jogo sem enredo, digamos. Não existem diálogos. Não existem legendas. Não existe uma história (pelo menos, não existe uma narrativa guiando o gameplay, por exemplo). Não existem instruções em texto. Tudo é “liberado” ao gamer em forma de imagens, imagens que representam conceitos, idéias, dicas, informações, etc, e por incrível que pareça, consegue-se entender tudo, tão bem feita foi a implementação desta novidade no jogo. Nenhum tipo de informação é exibido em tela, aliás. A tela é só para o jogo, durante o gameplay.

O pequeno disco voador inicia o jogo apenas com uma espécie de scanner. Tal equipamento, aliás, é um dos mais importantes do UFO, pois ele permite que você realize varreduras em qualquer elemento do jogo. Tais varreduras podem revelar os diversos elementos interativos presentes no mundo de Insanely Twisted Shadow Planet, e podem também revelar se algo é nocivo ou não. O scanner também fornece dicas a respeito de como destruir obstáculos, qual arma deve ser utilizada, etc. Trata-se, enfim, de uma ferramenta imprescindível no jogo.

O jogador pode “chamar” o mapa do jogo a qualquer momento, e este, então, revelará os pontos de interesse, os objetivos, as barreiras, etc. O mapa é ativado através do botão “back” do controle do Xbox 360, e é sempre bom consultá-lo, pois muito frequentemente você voará por um verdadeiro labirinto de cavernas, cavernas estas que podem conter os mais estranhos e bizarros elementos e criaturas.

O mundo de Insanely Twisted Shadow Planet é um verdadeiro show áudio-visual. Além da beleza dos gráficos em primeiro plano, é possível observar-se, ao longe, diversos elementos estranhos se movimentando, realizando coisas as mais diversas. Coisas que você, na verdade, não conseguirá entender. Além disso, sua nave se deparará com estruturas e criaturas muito estranhas. Trata-se, realmente, de um mundo alienígena com “A” maiúsculo. Sons estranhos são ouvidos constantemente, e o som do disco voador é verdadeiramente um show, com seus “bips” e ruídos característicos.

A ambientação sonora do jogo também é fantástica. A impressão de imensidão que temos ao jogar é enorme, tanto devido aos cenários quanto aos ecos que escutamos frequentemente. Tudo isto nos faz imaginar que estamos em meio a coisas gigantescas. Esta impressão aumenta ainda mais quando nos deparamos com criaturas e estruturas enormes que fazem com que o pequeno disco voador quase suma, perto das mesmas. Vale lembrar que muitas destas enormes criaturas podem ser chefões, e as enormes estruturas podem fazer parte de um determinado puzzle que você precisa resolver.

Em Insanely Twisted Shadow Planet é necessário explorar bastante. Diversas “concept arts”, por exemplo, além de novas armas, upgrades e artefatos, estão perdidos em meio a labirintos que algumas vezes chegam a fazer com que andemos, ou melhor, voemos, em círculos. O pequeno disco voador pode remover obstáculos com seu braço telescópico, pode destruir obstáculos maiores com uma espécie de serra giratória, pode utilizar uma arma que dispara raios energéticos e também pode fazer uso de uma espécie de escudo energético. No total, 9 equipamentos podem ser adquiridos pela nave, o que, se pensarmos bem, é pouco, tamanho o desafio.

Cada elemento interativo, seja ele uma criatura ou uma máquina, por exemplo, ao ser analisado revela a maneira com a qual o puzzle em questão poderá ser solucionado. Por exemplo, pode ocorrer de você se deparar com um um verme gigante em seu caminho. Tal ser abre sua boca e suga ar de tempos em tempos. Uma pedra jogada em sua boca através da utilização do braço telescópico faz com que ele se enterre, liberando o caminho.

Me lembrei muito de Limbo em um momento onde tive de lidar com uma gigantesca e negra aranha, a qual revolvia o entulho no chão de forma um tanto quanto enlouquecida. Nada em Insanely Twisted Shadow Planet está, digamos, “na cara”. Tudo deve ser deduzido, e a partir daí o jogador deve tomar as ações necessárias. Não existe um tutorial, não existem setas apontando locais perigosos ou locais para onde se deve atirar, em um monstro, e por aí vai. Você também pode, de repente, se ver voando por túneis onde rajadas fortíssimas de vento impedem a nave de prosseguir. O braço telescópico pode ser de grande valia nestes momentos, pois você pode utilizar o mesmo para ir se agarrando em pequenos galhos e, assim, ir avançando aos poucos.

Como exemplo do nível de puzzles do game, o qual é fantástico, vale ressaltar um onde é preciso fazer com que um enorme mecanismo giratório pare de girar. Para isto, a utilização do scanner é imprescindível, pois ele mostrará a você que é necessário remover dois pequenos objetos do mecanismo. Após tal procedimento, a máquina pára de girar e você consegue acessar um local antes inacessível, onde existem rochas “diferentes”, digamos. Aí mesmo, existe também um equipamento envolto por uma espécie de enxame, o qual é muito perigoso.

É preciso, então, coletar algumas das tais rochas diferentes com o braço telescópico, esquentá-las em labaredas azuis que saem das paredes até que elas se acendam e assumam uma coloração azulada. Neste momento, então, o enxame é por elas atraído e você deve largar a pedra rapidamente. O enxame vai atrás da rocha, libera o caminho e, onde ele se encontrava, está à sua disposição uma nova arma.

Em outro puzzle, por exemplo, existem dois organismos. Eles parecem ser inimigos. Um deles, localizado à direita, atira em canais que levam ao outro. Energia de cor vermelha não é muito bem vinda, digamos. Você energiza tais canais e transforma a energia vermelha em azul, a qual é benéfica a você (e fatal ao organismo da direita). Atirando em globos azuis você pode manter os fluxos de energia caminhando. O organismo da direita contra-ataca e vai lançando mais energia vermelha. Você tem de ser rápido para atirar nos globos azulados e transformar a energia. O da esquerda começa a disparar simultâneamente em 1, 2, 3, 4 canais, até que, na quarta vez, uma onda sonora fatal é enviada pela criatura da esquerda e a da direita morre, liberando o caminho.

Este é o estilo genial de puzzles em Insanely Twisted Shadow Planet. Pode parecer difícil, a princípio, mas com o tempo vamos nos acostumando com o sistema, e o gameplay se transforma em puro prazer. É impossível falar deste jogo por muito tempo sem voltar a mencionar seus gráficos. Além de belíssimos, a arte de Michel Gagné foi capaz de nos apresentar muita surrealidade e criaturas verdadeiramente esquisitas. Porém, belíssimas!

Quando você chega a oceanos repletos de vida e criaturas bizarras, tudo fica mais interessante ainda. Nestes oceanos, a única lembrança terrestre que você talvez encontrará serão belíssimas águas-vivas. Tais oceanos, aliás, contam até com correntes marítimas que podem interferir na dirigibilidade da espaçonave, e se você explorar bem, encontrará no fundo uma enorme boca metálica de onde sai uma espécie de corrente de ar. É como se o criador daquele estranho mundo fosse, também, insano, e desejasse imprimir sua marca pessoal em cada pequeno (ou grande) elemento do mesmo.

O jogo também conta com physics-based puzzles, onde, por exemplo, bolhas de água podem representa papel crucial. Vale ressaltar também o modo como o jogo guia o jogador. Ou melhor, o modo como o jogador pode se deixar guiar através do mapa e do scanner do disco voador. É preciso prestar bastante atenção aos elementos visuais apresentados após cada varredura, pois eles apresentam pistas importantes e de extrema valia para seus próximos passos.

Não creio que os puzzles do jogo sejam difíceis. Acredito que a desenvolvedora quis apenas fazer com que o jogador exercitasse seu pensamento lógico. Atenção e reflexão são muito importantes conforme se vai avançando no jogo. Algo também interessante é o fato de que Insanely Twisted Shadow Planet não conta com nenhum quebra-cabeça ou chefe que pareça deslocado. Tudo está dentro do contexto, mesmo em um game tão diferente. O design dos níveis foi executado de forma tão interessante que todos os elementos estão inseridos no fantástico “mundo sem palavras” do game de forma tal que os mais diversos papéis representados pelos mais diversos elementos é logo adivinhado.

Quase não existem loadings no jogo, e a divisão da aventura em cenários “temáticos” (elétrico, mecânico, etc) é muito interessante. Isto sem falar na mudança de abordagem necessária em cada um deles. Apesar de tudo isto, o jogo se torna um pouco cansativo se jogado por muitas horas seguidas, justamente devido ao excesso de inovação que ele possui, bem como ao fato do mesmo ser bem diferente. Estranho, não? O protagonista não se manifesta, o mundo alienígena acaba, com o decorrer das horas, se transformando em um ambiente nada aconchegante e solitário. Não que ele fosse aconchegante, a princípio, mas a imersão neste ambiente por muitas horas seguidas chega a provocar um certo desassossego. É óbvio que nada disto impede a diversão, nem tampouco desmerece a belíssima obra de arte que é Insanely Twisted Shadow Planet.

E conforme o jogador progride no game, ele vai se deparando com mais elementos surreais, belezas e puzzles fantásticos. A arte sensacional de Gagné reserva gratas surpresas, também, no decorrer do gameplay. Este é um XBLA que, realmente, merece ser lançado para outras plataformas. Por outro lado, jogadores de outras plataformas merecem conhecê-lo.

Outros modos de jogo

O título conta também com um modo de jogo chamado “Lantern”. Trata-se de um modo de jogo cooperativo, que pode ser jogado localmente ou online, e que suporta até 4 jogadores. O objetivo é carregar lanternas coloridas pelo maior tempo possível, muitas vezes em corredores estreitos. Uma espécie de monstro negro está em constante perseguição da equipe, vale lembrar, e quanto mais você e seu time avançarem carregando as lanternas, mais pontos ganharão. Os mapas do modo “Lantern” são gerados de forma aleatória, o que aumenta bastante a diversão e a dificuldade.

Conclusão

Insanely Twisted Shadow Planet é um dos melhores jogos do Xbox Live Summer of Arcade 2011. O título conta com direção artística impecável, ambientação verdadeiramente “do outro mundo”, e além disso, conta ao jogador uma “história sem palavras”. Trata-se de um “must have” para quem aprecia jogos em 2D e/ou deseja inserir algo realmente novo no HD de seu Xbox 360.

Nota

9.0/10

Ficha Técnica

Título: Insanely Twisted Shadow Planet
Gênero: aventura / side-scroller / puzzle
Desenvolvedora: Fuelcell Games
Distribuidora: Fuelcell Games
Data de lançamento: 03 de Agosto de 2011
Plataformas: Xbox 360 (XBLA)
Versão analisada: Xbox 360

Poderá gostar também

2 Comments

  1. Tá empolgado mesmo hein? Curti bastante o review, screenshots e trailers que vi desse jogo!

    Reply
    • @Erick,

      Que bom que gostou, Erick! :)

      O jogo é fantástico. Pena não ter saído também para PC. Esse merecia, viu. Dá muito gosto de jogar.

      Reply

Trackbacks/Pingbacks

  1. Insanely Twisted Shadow Planet será lançado para PC | XboxPlus Games - Tudo sobre Jogos - [...] belíssimo side-scroller Insanely Twisted Shadow Planet, trabalho em conjunto da Fuel Cell Games e do artista Michel Gagné (Star Wars: Clone Wars, …
  2. Michel Gagné pergunta: deve seu novo projeto ser um game? - [...] talentoso e inspirado. Talvez a indústria de games o conheça mais pelo excelente side-scroller Insanely Twisted Shadow Planet (custando atualmente meros …

Submit a Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>