Kane & Lynch 2: Dog Days, sequência de Kane and Lynch: Dead Men, de 2007, é um título “explosivo”. Desenvolvido pela IO Interactive, com disbribuição a cargo da Square Enix e lançado em 17 de Agosto de 2010 para PC, Xbox 360 e Playstation 3, o game representa, em minha opinião, uma experiência muito diferente e estranha. Mas nem por isso deixando de ser divertida e positiva. Apesar de alguns reviews negativos por aí, meu review de Kane & Lynch 2: Dog Days é positivo. Como todo game, ele tem suas falhas, mas também possui qualidades. E muitas.

Para escrever este review utilizei a versão para PC do título, e posso dizer que o game me surpreendeu. Gráficos que seguem um padrão meio que de “filme caseiro”, em alguns momentos, sem que no entanto este fato signifique que eles sejam ruins, mesmo porque esta foi a intenção da IO Interactive desde o início, momentos extremamente hilários, um gameplay onde é impossível permanecer por 30 segundos, digamos, sem disparar um tiro, e dois personagens que são muito engraçados, principalmente o Lynch: Kane & Lynch 2: Dog Days é uma ótima opção em game de tiro em terceira pessoa, se você deseja um título divertido, bonito, repleto de momentos que provocam boas gargalhadas e um multiplayer sensacional.

História

Pode-se dizer que a históia de Kane & Lynch 2: Dog Days seja um fator secundário. Ela conduz o gameplay mas não é profunda nem tampouco permite que o gamer obtenha detalhes precisos do que o cerca enquanto no game. Posso dizer que Kane & Lynch 2 é um game onde a história é até mesmo que dispensável, pois tanto faz se você joga prestando atenção na mesma ou não. Não existem caminhos errados a serem tomados, não existem escolhas erradas ou certas. Aliás, escolhas são feitas pelos protagonistas, e quase sempre elas são erradas (e o Lynch é campeão nesta parte), mas estas escolhas são sempre tomadas em cut scenes, ou seja, você não escolhe.

Basicamente, o Kane e o Lynch se meteram em uma enrascada em Xangai após cometerem o erro de matar a filha de um chefão do crime. O cara, chamado Shangsi, também é membro do governo. Corrupto, é claro, como não poderia deixar de ser, e passa a perseguir os dois “pobres bandidos” com toda a força que sua posição lhe permite, pois até mesmo a polícia está em suas mãos. A morte da filha de Shangsi é a premissa para que os dois amigos comecem a fazer de tudo para escapar de Xangai. Até mesmo problemas entre duas facções que antes mantinham um “acordo de paz” os dois caras conseguem provocar, e o Lynch, sempre rápido no gatilho e “esquentadinho”, não ajuda em nada com sua atitudes impensadas.

Quando digo que a história de Kane & Lynch 2: Dog Days seja um fator secundário, isto tem a ver até mesmo com a presença muito forte e marcante do multiplayer no game. Dificilmente você jogará novamente a campanha, mas o multiplayer, digamos que ele seja algo extremamente inovador e repleto de peculiaridades positivas.

Não conseguimos nos aprofundar muito nos porquês do Lynch agir como age. Não há um background que nos permita delinear um perfil psicológico do Lynch, que consegue matar civis sem um pingo de dó e no entanto é capaz de morrer de amor por sua namorada chinesa, Xiu, trocando com a mesma telefonemas que passam a impressão de estarmos ouvindo a conversa de dois “pombinhos apaixonados”.

Não há profundidade na história em si. Há força no modo como o jogo transcorre. Ele chega a ser brutal, em alguns momentos. A experiência que o game proporciona ao jogador é intensa e poderosa. Terminei sua campanha em 7 horas, mais ou menos. Não é uma campanha longa, e acredito que, neste caso, isto seja um fator positivo, dado o lado “visceral”, digamos, que Kane & Lynch 2: Dog Days possui. Uma campanha mais longa talvez fizesse com que o gamer se cansasse demais.

Jogabilidade

A jogabilidade deste lançamento da IO Interactive é muito intuitiva e comum. Se você já jogou algum game de tiro em sua vida, em primeira ou em terceira pessoa, não terá nenhuma dificuldade. Utilize W, A, S, D para se mover, o botão direito do mouse para mirar e o esquerdo para atirar.

O botão de scroll do mouse serve para alternar entre as armas (você pode carregar duas), através da combinação SHIFT + W você consegue correr, o CTRL serve para o personagem se agachar, o R para recarregar a arma e a combinação Caps Lock + W serve para que o Lynch caminhe lentamente. Através do F você pode utilizar alguém como escudo humano, o C serve para usar o sistema de cobertura e o Y para focar em “pontos de interesse”.

Não há segredo. A jogabilidade deste título é simples, e em poucos minutos, seguindo os rápidos tutoriais exibidos, você já estará dominando todos os controles e participando da ação sabendo bem o que deve ser feito.

Jogando Kane & Lynch 2: Dog Days

Kane & Lynch 2: Dog Days é um game muito underground. Dificilmente se passarão 30 segundos de gameplay sem que você tenha de disparar um tiro. Durante o gameplay você terá a oportunidade de visitar diversos locais de Xangai. As ruas da cidade são retratadas com muito realismo, e a impressão causada chega a ser um pouco sufocante, muitas vezes, principalmente quando você caminha ou corre por entre os inúmeros becos da cidade. Prédios repletos de apartamentos apertados e janelas onde uma grande quantidade de roupa extendida pode ser vista são uma constante, e a IO Interactive não escondeu nenhuma das mazelas da cidade.

Durante os tiroteios, você observa a polícia atirando sem qualquer cuidado em relação à população, e é muito frequente observar civis sendo mortos pela polícia. Você mesmo pode matar civis sem qualquer tipo de punição, e isto reforça ainda mais o lado underground e a realidade do game. Afinal, um game tendo bandidos como protagonistas, e onde traições são uma constante, seria um tanto quanto falho caso restrições no tocante a “quem matar” existissem. É claro que neste caso você tem a escolha, e pode decidir entre gastar ou não uma bala com um pobre chinês sentado em uma escadaria. 🙂

O jogo todo é muito dinâmico, e se existe uma falha em Kane & Lynch 2: Dog Days, é o fato da ação não cessar jamais. É um tiroteio atrás do outro. Você sai de um e já cai em outro. Você mal se recuperou de uma troca de tiros e já deve procurar por mais armamento, recarregar as armas que ainda possui e começar a atirar novamente. É claro que este problema em partes é originário da ênfase na ação e da falta de profundidade no enredo. Mas em alguns momentos você chega a se cansar de tanta ação, de tantos tiros, de tantas hordas de soldados, policiais e bandidos invadindo o lugar em que você está e partindo com tudo para cima de você.

Não que isto seja algo que prejudique a diversão: longe disso. Ocorre que se algumas missões mais “silenciosas”, digamos, tivessem sido introduzidas no game, se o submundo do crime tivesse sido mais explorado no modo campanha do título, com mais conversas com chefões e outros bandidos, por exemplo, e se houvesse uma pausa maior entre um momento de ação intensa e outro, a experiência proporcionada pela campanha do game seria ainda mais rica e interessante.

Outro problema que, em minha opinião, atrapalha bastante, é o sistema de cobertura de Kane & Lynch 2. Ele funciona bem a princípio, e possui muitas semelhanças com o de Gears of War. Você consegue inclusive saltar por sobre objetos atrás dos quais estava agachado, e até mesmo atirar a esmo, sem mirar, enquanto ainda “coberto”, é possível. No entanto, algumas vezes o campo de visão é sobreposto pelo corpo do personagem, ou seja, você não consegue nem mesmo enxergar o crosshair, o que acaba dificultando bastante as coisas em momentos de perigo, pois você tem então que sair da cobertura e se expor, ou então procurar por outro ponto seguro. Ambas as coisas são perigosas, vale ressaltar.

No mais, jogar Kane & Lynch 2: Dog Days é uma experiência e tanto. Você se diverte com os diálogos. O Lynch é totalmente louco, e é muito engraçado observar o Kane tentando acalmá-lo, algumas vezes, ou dizendo para ele não fazer nada irracional. Muitas vezes o Kane chega a dar belas broncas no amigo, e vale ressaltar que ele é muito mais ponderado. Este game proporciona uma experiência intensa, rápida e furiosa, fugindo da mesmice em que alguns games do mesmo gênero acabam caindo. A IO Interactive pode até ter cometido algumas falhas, mas o resultado geral é muito bom. Fantástico, eu diria.

Gráficos e trilha sonora

A direção artística de Kane & Lynch 2: Dog Days inovou em diversos aspectos. Começando pelo fato dos gráficos, em determinados momentos, darem a impressão de alguém estar sempre acompanhando o Kane e o Lynch com uma câmera nas mãos e filmando tudo. Esta hipotética câmera treme, sofre os efeitos de luzes ofuscantes, e até mesmo faixas azuis e manchas na tela você consegue observar.

Mas não pense que os gráficos do jogo são feios. Muito pelo contrário: eles são muito bonitos, apesar de diferentes. Em muitos momentos tudo parece um filme, e o oscilar da câmera em determinadas situações faz com que você sinta que está assistindo a algum telejornal policial. Existe um certo momento no game que chega a ser chocante. Não vou mencionar o que o originou nem tampouco o que choca, mas vale destacar que tudo isto resultou nos dois bandidos correndo sem roupas pelas ruas de Xangai e participando de tiroteios com a polícia.

É claro que as partes íntimas dos dois são sempre cobertas por aquele característico efeito pixelado, o mesmo que “entra em cena” quanto o momento é muito forte (quando algum inimigo leva um tiro na cabeça e você está próximo a ele, por exemplo). Vale destacar também os efeitos de luz do game, que fazem com que Xangai fique lindíssima, à noite, e que também resultam em reflexos belíssimos em poças d’água ou no piso. Um cuidado extremo foi tomado nesta parte, e muitas vezes você pode ficar alguns minutos admirando o piso de determinado local, devido a este fator.

A trilha sonora do jogo, da mesma forma que sua história, é obscurecida pelo gameplay, pela ação intensa. Não tenho muito o que comentar a seu respeito, e vou ser sincero: prestei pouca atenção à mesma, pois a ação intensa não me permitiu ouví-la com mais detalhes. 🙂

Outros modos de jogo

Existe um modo singleplayer chamado “Arcade”, no qual você deverá executar determinadas missões, desde obter determinados ítens para clientes, “sem questionar” o que são tais ítens, passando por roubar outras facções criminosas, até cobrar dívidas. É algo que aumenta bastante o fator replay do game, principalmente devido ao fato de funcionar como uma versão offline do modo Fragile Alliance.

Existe também o “lado multiplayer” de Kane & Lynch 2: Dog Days. Aqui a coisa é muito interessante. Em Fragile Alliance, basicamente, você deve roubar bancos. É claro que esta é apenas a premissa, e o próprio nome do modo de jogo diz muito a seu respeito. É divertidíssimo e, como eu já disse uma vez, a traição pode ser uma constante, e a rapidez é uma característica marcante de Fragile Alliance: tudo deve ser feito em um período de tempo pré-determinado: 5 minutos.

Em Undercover Cop, você age como um policial infiltrado. Este modo é ligado ao Fragile Alliance, ou seja, tome cuidado: um de seus “amigos” pode ser na verdade um inimigo e colocar tudo a perder. Jogar como um policial disfarçado é muito divertido, até você fazer alguma besteira e ser descoberto.

Finalizando, existe o modo Cops & Robbers, onde você e o seu grupo roubam os 5 milhões de dólares do banco e tentam escapar, enquanto os policiais fazem de tudo para acabar com vocês e recuperar o dinheiro. Como sempre, trabalho em “equipe” é uma (quase) chave para o “sucesso”.

O multiplayer de Kane & Lynch 2: Dog Days é divertidíssimo. Divertido, repleto de surpresas e com muita ação: tenho certeza que você irá gostar, caso jogue.

Finalizando

Kane & Lynch 2: Dog Days é uma grata surpresa. Um game que prende o jogador aos modos singleplayer e multiplayer, com suas inovações gráficas e seu lado cômico. Rápido, intenso, visceral e viciante: este é Kane & Lynch 2: Dog Days. Jamais guarde sua arma.

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