Minha jornada pela Los Angeles de L.A. Noire começou há cerca de um  mês atrás. De lá para cá o jogo da Team Bondi me proporcionou noites fantásticas. Escrevo este review de L.A. Noire sentindo grande tristeza, entretanto: o jogo terminou. O que me resta agora é jogá-lo novamente e/ou adquirir alguns DLC’s para encarar mais algumas aventuras de Cole Phelps na LAPD. A Rockstar possui até uma espécie de DLC que oferece acesso a todos os já lançados, por um preço bacana. Vou dar uma olhada. Vamos à análise do game.

A tecnologia MotionScan, da Depth Analysis, é algo que fez de L.A. Noire um novo tipo de jogo eletrônico. As 32 câmeras utilizadas permitiram animações faciais jamais vistas em um game. E olhem que joguei o título no Xbox 360. Imaginem como será no PC, então. Não que os gráficos de L.A. Noire, mesmo no Xbox 360 (ou no PS3, que seja), sejam feios. Muito pelo contrário: eles são belíssimos, e a Los Angeles dos anos 40 é retratada de forma maravilhosa. Você, na pele do detetive Cole Phelps, se sente parte daquele mundo virtual porém repleto de movimento. De cor. De luz. E de trevas também.

Cole Phelps é um veterano de guerra que, na verdade, apesar do que se pensa, é um homem comum, como eu e você. Ele lutou na Segunda Guerra Mundial e retornou ao seu país como um herói. É claro que a linha que separa o heroísmo da covardia muitas vezes pode ser cortada, e tanto um quanto outro conceito podem ser vistos de diferentes maneiras, dependendo do observador e do ponto de vista. Mas o Phelps é um cara bacana, honesto e que tenta realizar um trabalho de qualidade no departamento de polícia de Los Angeles.

L.A. Noire coloca o jogador em um universo repleto de atrativos, e um deles são os interrogatórios, momentos onde você se verá frente a frente com diversos suspeitos, poderá questioná-los, acusá-los (errôneamente ou não, tudo com suas devidas consequências), e também poderá utilizar os pontos de intuição para obter a ajuda da comunidade de jogadores do game ou para remover uma questão, facilitando assim também a sua vida.

O jogo também conta com momentos de ação, perseguições policiais onde é muito fácil perder o carro suspeito de vista e nas quais seu parceiro atirará contra o mesmo. À primeira vista, parece que L.A. Noire é um emaranhado de casos sendo lançados sobre o jogador sem qualquer organização, mas com o decorrer do tempo se percebe que há um grande mal agindo. Um mal que acompanha Phelps desde a Segunda Guerra Mundial e que, em Los Angeles, encontrou os “parceiros” certos para deixar extravasar toda a sua loucura.

Durante o gameplay, diversos flashbacks mostram diversos episódios da “vida” de Phelps durante a Segunda Guerra. Durante os combates, quando ele era um primeiro-tenente (ele foi promovido após um determinado evento). Cole também foi condecorado com a Estrela de Prata, e isto para ele não representou nenhuma felicidade, diga-se de passagem. O protagonista, aliás, sofre constantemente devido ao que viveu durante a segunda grande guerra.

Talvez sua atuação brilhante na LAPD, a qual é reconhecida pelos mais diversos companheiros, tenha sido uma maneira que Cole encontrou para se redimir de coisas que ainda o perturbam. O fato é que o detetive se torna famoso e, como resultado, atrai tanto a atenção de gente honesta quanto de pessoas ligadas ao submundo do crime. Cole é um bravo soldado na luta contra o crime e a corrupção que grassa em LA.

L.A. Noire conta com uma narrativa fantástica e gráficos fantásticos. O ambiente soturno de cada cena de crime é fantástico. Neste título a palavra “Noir” pode ser vista e ouvida. Em relação à história, tudo está entremeado, mesmo que à princípio não o percebamos. Os ecos do passado soam fortes nos ouvidos do jogador, e a viagem por este universo sensacional é irrefreável. A relação entre o protagonista e Jack Kelso, companheiro do mesmo durante a guerra, é também algo muito interessante. O próprio papel de Kelso durante o game, aliás, é surpreendente. Vale dizer, para não estragar a surpresa, que o jogador experimentará uma novidade bem bacana neste sentido, durante o gameplay.

Mas Kelso, personagem que a princípio olhamos com raiva e descrença, influenciados pelos flashbacks e até mesmo pelo próprio Cole, é peça fundamental no final do jogo, e até mesmo Elsa Lichtmann, uma alemã que canta no nightclub “The Blue Room”, surpreende o jogador. Vale ressaltar que Cole chega a interrogar Elsa durante uma investigação, e este interrogatório dá início a alguns acontecimentos que eu mesmo duvidei de sua veracidade, a princípio, pois o jogo consegue manter o suspense de forma fantástica, em momentos e detalhes que outros títulos, talvez, falhariam.

L.A. Noire apresenta, digamos, uma grande conspiração em Los Angeles. Uma conspiração coberta pelo manto poderoso de figuras ilustres e que tem como principal elemento paupável uma organização chamada “Suburban Redevelopment Fund”. Trata-se de uma organização que, à primeira vista, constrói casas. O que tais construções revelam, provocam e atraem, entretanto, é o que chama a atenção. Outra organização “do mal”, em L.A. Noire, é a Elysian Fields Development.

O contato de Cole com estas duas empresas é acompanhado de problemas os mais diversos, além de mortes muito estranhas. Uma espécie de “jogo financeiro” que não se preocupa nem um pouco com vidas humanas está sendo promovido pelos figurões da cidade. Cole, Elsa e Jack Kelso acabam tendo contato com tal jogo; um contato nada amigável ou benéfico, vale dizer. A vida de Cole na LAPD não é nada fácil, e altos e baixos ocorrem em sua carreira.

Durante o gameplay, o jogador poderá ter o “prazer” de conviver com alguns parceiros bem interessantes de Cole Phelps. Grande parte deles se mostram, pelo menos a princípio, nada amigáveis ao ex-combatente, e é muito interessante observar a evolução destas amizades, no decorrer do jogo. Vale dizer que um deles, entretanto, não é o que se poderia chamar de amigo.

L.A. Noire não se resume, porém, apenas a interrogatórios. Existem deduções que devem ser feitas a partir de poemas, conversão de localizações geográficas que nada dizem, à primeira vista, em dados concretos, puzzles onde o jogador deve juntar as peças corretas para obter nomes ou pistas, cenas de crimes que devem ser investigadas, cadáveres que devem ser examinados, e também momentos de ação. Tiroteios, lutas corpo a corpo, perseguições (motorizadas ou não), etc.

O jogo apresenta uma enorme gama de opções e, realmente, deixa bem claro que é um título de investigação bem diferente. Ocorre que, muitas vezes, o esquema “interroga – corre atrás de pistas – investiga cena de crimes, etc” pode cansar um pougo o jogador. Um pouco mais de ação ou de variação, no game, não faria mal algum, e aumentaria ainda mais o seu fator replay. Muitas vezes, porém, este cansaço pode ser “quebrado” pelos “street crimes”.

Trata-se de ocorrências as mais diversas que são apresentadas ao jogador em momentos os mais diversos do gameplay. Bancos sendo assaltados, tiroteios, mortes acidentais, etc. Os chamados chegam pelo rádio da viatura, e o jogador pode escolher se deseja atender aos mesmos ou não. É sempre muito interessante atender a todos eles, tanto para aliviar a tensão quanto para experimentar coisas novas. Até tentativas de suicídio estão inclusas, vale ressaltar.

Investigar a cena de um crime pode ser um tanto quanto trabalhoso se o jogador não tiver nenhum ponto de intuição sobrando, o qual poderia revelar a localização de todas as pistas. Entretanto, ninguém pode negar que descobrir cada mínimo detalhe sem ajuda alguma é muito prazeiroso. Ocorrem também, em L.A. Noire, situações muito inusitadas.  Quando você menos espera, alguém com quem está conversando a respeito de um crime pode sair em disparada, se transformando, assim, em um possível suspeito.

O título da Rockstar também possui alguns personagens que causam raiva e espanto, ao mesmo tempo. Basta observarmos o frio e inteligente psiquiatra Harlan Fontaine.  Aliás, seu envolvimento com Courtney Sheldon, outro Marine que lutou ao lado do protagonista na guerra e que, em Los Angeles, estuda medicina, é algo que levanta suspeitas desde o primeiro contato, pois além de tudo, Fontaine possui uma maneira bem peculiar de se expressar, e fica claro que ele não deseja apenas “ajudar” o jovem ex-soldado.

L.A. Noire possui também sua “ligação com a realidade”, digamos. Diversos casos no jogo são atribuídos ao serial killer Black Dahlia, o qual realmente existiu, e o departamento de polícia de Los Angeles detecta também uma certa aparição de grande quantidade de morfina nas ruas. É claro que tudo isto chega até o conhecimento do protagonista, o qual tem até de investigar casos de mortes causadas por overdose de morfina. Bom, não somente investigar as mortes. Ele também precisa prestar atenção aos desdobramentos, digamos.

L.A. Noire é uma obra prima. Sua narrativa dinâmica e envolvente não se prende ao jogador, e “olha” para a cidade como um todo. Não importa se Cole se atrasa para chegar a determinado caso. Ou melhor, na verdade importa. Tudo terá uma consequência. Boa ou ruim, dependendo da situação.

Pistas, pessoas e locais podem ser facilmente consultados no bloco de notas do detetive, e vale ressaltar que dirigir em Los Angeles é algo muito bacana. Ligar a sirene da viatura e observar os carros dando passagem à mesma é sensacional, além de facilitar sua vida enquanto motorista. Batidas podem ocorrer, é claro, e dependendo do grau de danos do carro, o mesmo se torna inutilizável. Nestes momentos, então, é preciso usar sua autoridade e requisitar qualquer outro veículo, de qualquer cidadão.

A movimentação dos personagens é muito fluída, e até mesmo amassados nas roupas podem ser observados enquanto o personagem se move. Observá-los subindo e descendo escadas também é fenomenal, pois a ação conta com um realismo extremo, e os modelos não se parecem, nestes momentos, com algo criado por computador.

O final de L.A. Noire, aliás, é impactante. Chego a dizer que não se tratou de uma boa escolha por parte dos desenvolvedores e/ou da publisher. Percebe-se também, no final, que muita coisa errada ainda acontece em Los Angeles, mesmo com todo o empenho do Cole e seu pessoal, e isto (juntamente com outros acontecimentos, é claro), talvez signifique que haverá um L.A. Noire 2. Eu ficarei muito feliz, se houver.

E se você é daqueles que não assiste aos créditos dos games que joga, não faça isto em L.A. Noire. Uma cena interessantíssima e que explica muitos pontos deixados em aberto é exibida logo após o final dos créditos.

Conclusão

L.A. Noire é realmente um novo e surpreendente tipo de jogo. O título consegue conquistar o jogador em poucos minutos, e apresenta gráficos, ambientação e enredo tão originais e interessantes que desligar o console pode se tornar algo muito desagradável.

Nota

9.5/10

Ficha Técnica

Título: L.A. Noire
Gênero: aventura
Desenvolvedora: Team Bondi
Distribuidora: Rockstar Games
Data de lançamento: 17 de Maio de 2011
Plataformas: Xbox 360 e Playstation 3
Versão analisada: Xbox 360

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