Mafia II é um dos games que mais me surpreenderam nos últimos tempos. O título da 2K Czech era um dos que eu mais aguardava ultimamente, tanto por apreciar a temática quanto por tudo o que lia e assistia a seu respeito. Digamos que mafiosos, Cosa Nostra e games “open world” (apesar de em relação a Mafia II não ser bem assim) são muito apreciados por mim.

Eu já sabia que Mafia II tinha lá o seu lado “sandbox pero no mucho“, mas isto não me impediu de jogá-lo e apreciá-lo. É impossível não o compararmos com games como GTA e até mesmo com o recente Kane & Lynch 2: Dog Days. É claro. Temáticas semelhantes funcionam quase sempre como elo de ligação, mas isto não deve ser levado muito a sério, pois em caso contrário deixa-se de apreciar a obra pelo que ela é e passa-se a depreciá-la pela ausência de elementos que a tornariam igual aos outros títulos em questão.

Mafia II é sensacional. Provoca emoção, tristeza, raiva e permite até mesmo uma grande liberdade, em determinados momentos. Vale ressaltar que passear de carro por Empire Bay é uma delícia, principalmente quando você não tem que correr para salvar alguém ou para cumprir alguma misão. Trata-se de um game que deve ser jogado sem que o gamer tente compará-lo a outro título. Um título que deve ser apreciado como algo único. Jogue Mafia II desta forma e você se surpreenderá, apesar de uma ou outra falha. Ressalto que joguei a versão para PC.

História

Mafia II se passa totalmente em uma cidade fictícia chamada Empire Bay, entre as décadas de 40 e 50. O protagonista se chama Vito Scaletta, um siciliano que veio para os Estados Unidos ainda pequeno, com os pais, em busca de uma vida melhor. Vito rapidamente descobre que a vida na América não é fácil, e que o mundo do crime é muito mais “acessível”, digamos, quando oportunidades não surgem ou quando se conta com más companhias como auxílio.

Vito, ou melhor, Vittorio Antonio Scaletta, recebe como “recompensa”, em determinado momento de sua vida, uma temporada no exército norte-americano, e vai lutar na segunda guerra mundial. O jogador tem então a oportunidade de controlar o protagonista no meio do conflito, lutando em sua terra natal. Após um rápido combate (o que é mostrado pelo game, é claro), Vito retorna para casa, recebendo duas condecorações pelos serviços prestados.

Vale ressaltar que a ida de Vito para a guerra se deveu, como já mencionei acima, a uma “recompensa”. Um serviço obrigatório que lhe foi “oferecido” devido a ter sido pego praticando atos ilícitos juntamente com seu amigo Joe Barbaro, amigo este que, posteriormente, o introduz no submundo do crime. Vale ressaltar que Vito tinha duas escolhas: ir para a guerra ou prisão, e é claro que ele escolheu a primeira opção, indo, então, lutar na Sicília.

Ao retornar, Vito volta a entrar em contato com seu amigo Joe, o qual então o introduz no mundo do crime, novamente. Enquanto Vito estava na guerra Joe se “aprofundou no ofício”, digamos, e possui agora muitos contatos entre os mafiosos, e um dos primeiros com os quais travamos conhecimento é Henry Tomasino, homem de Clemente, chefão de uma das 3 famílias que dominam o crime organizado em Empire Bay.

Após algumas missões, traições, problemas e mortes, as coisas acabam não saindo muito bem, e Vito acaba meio que indo do céu ao inferno, retornando em seguida e mudando de “facção”, indo então trabalhar para Carlo Falcone, outro chefão do crime em Empire Bay. Vale ressaltar que Vito, Henry e Joe se metem em diversas enrascadas, cometem diversos erros e atos proibidos pela família, e acabam se metendo em enormes apuros. Tudo isto resulta em acontecimentos muito tristes e até mesmo chocantes, mostrando que um game pode ir além da simples diversão e promover enorme imersão do jogador em um mundo virtual que, apesar de tudo, é estremamente factível.

Vito, que tinha por objetivo “fazer seu nome” entre a máfia italiana de Empire Bay, acaba aprendendo a duras penas que a coisa não é tão simples assim, e tem de lidar com perdas, raiva, dificuldades financeiras, erros e diversos problemas que o afligem em seu atribulado dia a dia, inclusive tendo de lidar com problemas de ordem familiar, como por exemplo sua irmã e seu marido bêbado e sua mãe que se desespera ao ver o filho retornando novamente ao mundo do crime.

A história de Mafia II é muito forte. Intensa, violenta, triste e dotada de um cru realismo. Ela faz com que tentemos entender as motivações de cada um dos personagens, principalmente daqueles com os quais nos relacionamos mais. O Joe é uma verdadeira panela de pressão, e consegue cometer atos absurdos quando enraivecido, enquanto o Vito sempre tenta ir pelo lado mais “fácil” (mas nem sempre). O joe é um trator, digamos, e o Vito é um bisturi (mas não sempre).

Tudo em Mafia II gira em torno da máfia italiana e dos efeitos que ela provoca no dia a dia da fictícia Empire Bay. Vito e Joe são dois peões de um jogo de Xadrez que parece sempre fazer com que eles se dêem mal. Jogue Mafia II e sinta o enorme prazer de sofrer juntamente com seu personagem.

Jogabilidade

Jogabilidade simples, fácil de se aprender e comum. Não espere nada além disto, salvo algumas peculiaridades, como por exemplo a possibilidade de se mover em “curvas” ou “esquinas”, enquanto utilizando o sistema de cobertura, através da combinação da direção + “E”. Utilize W, A, S, D para a movimentação do personagem e CTRL para ativar o sistema de cobertura, o qual, diga-se de passagem, me agradou muitíssimo.

Botão esquerdo do mouse para atirar, direito para mirar, SHIFT + direção para correr, “E” para interação com objetos e botão de scroll para alternar entre as diversas armas que você pode comprar, coletar e carregar. Simples assim. Não existem segredos. É iniciar o jogo e dominar os controles com mais ou menos 15 minutos de jogatina (ou menos).

Jogando Mafia II

Mafia II proporciona uma experiência muito intensa. Porém, trata-se de um game que, apesar de permitir enorme liberdade, não possibilita que o jogador fuja das missões e/ou as realize quando bem entender. Nada de prorrogações: chegado o momento, você deve pegar a chave do carro, dirigir até o objetivo, realizar o que deve ser realizado e fugir. Não existe uma grande variedade de missões, pelo menos, não em relação à maneira de executá-las. Você será chamado para matar, roubar, conversar, etc.

Uma das primeiras coisas que você aprende é como roubar carros. E isto é imprescindível para que você ao mesmo tempo aprecie Empire Bay e também realize as missões a contento. Muitas vezes o carro que você está dirigindo passa a ser procurado pela polícia, e para evitar que você seja encontrado, é necessário então abandoná-lo e roubar um novo carro. Até mesmo suas roupas devem, vez ou outra, serem trocadas, pois você mesmo passa a ser procurado, e sua foto é divulgada para a polícia inteira.

É claro que na vida real uma simples mudança de roupas não resolveria este “problema”, mas como estamos falando de um game, certas licenças podem ser tomadas, com os devidos cuidados. E eles foram tomados. Ande pelas ruas e faça algo impensado, como sacar sua arma no meio de um parque movimentado, e os cidadãos começarão a gritar e a correr, chamando então a atenção da polícia, que virá com tudo para cima de você.

Em determinadas situações, como por exemplo em uma batida de carros, a polícia também é chamada e pede para que você desça do veículo. Suborno é algo com o qual você pode contar, mas se o ato praticado por você tenha sido muito grave, como por exemplo a morte de um civil inocente, você poderá ser morto pela polícia, durante a troca de tiros. Existem também situações onde a polícia pretende levá-lo preso, o que significa, é claro, a mesma coisa: você morreu.

Enquanto você está se ajoelhando para ser algemado, aparecem algumas opções em tela, e uma delas é “resistir à prisão”. Escolha-a e parta com tudo para cima dos policiais, muitos deles corruptos, diga-se de passagem. O sistema de cobertura de Mafia II funciona até mesmo com carros, e portas abertas de veículos também podem ser utilizadas para que você se proteja. Existe um grande realismo em relação aos carros, em Mafia II.

Não pense você que poderá dirigir sempre sem pensar no combustível. Vez ou outra você terá de se dirigir até um posto de gasolina para reabastecer o carro, e danos causados ao veículo se refletem imediatamente em seu personagem. Caia de uma ponte, por exemplo, e dependendo do nível de sua energia vital, morra. Nada de sair ileso de um carro destroçado.

A destruição que os carros vão sofrendo conforme você bate é muito realista, e eles vão se tornando muito feios. Para-choques caindo, vidros quebrados, amassados por toda a lataria, etc. Tudo isto se reflete, é claro, na performance do veículo, e para resolver estes problemas existem os “Body Shops”, os quais na verdade são mecânicos que oferecem serviços que vão desde simples restaurações e pinturas à trocas de placas, para a “legalização de um carro roubado”, por exemplo. Tudo tem um custo, é claro, e todos os trabalhos que você realiza para a máfia lhe rendem somas em dinheiro, as quais você pode dispor como bem entender.

Existem também lojas de roupas e armas em Empire Bay, e em uma das missões você pode roubá-las para consertar uma certa besteira que você e o Joe fizeram. Vale ressaltar que até mesmo com informantes você lidará, em Mafia II, e muitas surpresas estão reservadas a quem se aventurar por este fantástico trabalho.

Particularmente, eu esperava um jogo mais longo, com uma maior variedade de missões e com um final mais, digamos, impactante. Não que o final em si não seja chocante. Ele é, mas acredito que a 2K poderia ter explorado melhor a situação, utilizando mais elementos dramáticos, para tornar evidente e claro algo que é apenas fortemente sugerido. É claro que, dada a sugestão, surge a questão em relação a uma possível sequência de Mafia II.

A ausência de liberdade em Mafia II causa um certo desgosto, às vezes. Não que isto torne o jogo inferior: longe disso. Ocorre que dirigir é inevitável para a realização das missões, pois você tem de se deslocar para pontos distantes da cidade muito frequentemente. Dirigir por elevados, estradas, ruas sinuosas, avenidas movimentadas, em meio ao trânsito, ao lado do mar, por sobre pontes majestosas, etc, é algo maravilhoso.

Uma certa liberdade a mais aqui seria muito bem vinda, pois você pode ir a qualquer lugar, pode descer do carro, caminhar pelas ruas, esbarrar nos pedestres e ouví-los reclamar com você, mas não pode entrar em muitos lugares nem tampouco fugir daquilo que lhe é estabelecido. Mas tudo isto fica bem claro como propósito do game. Não se trata de um “GTA do passado”, e sim de um game desenvolvido com esta “liberdade vigiada”, digamos, em mente.

Aliás, volto a dizer: um dos maiores prazeres em Mafia II é dirigir. Dirigir pelas ruas da cidade mudando a estação no rádio do carro, ouvindo Blues, Rock and Roll e notícias da guerra e de acontecimentos locais, é maravilhoso. Você também pode desligar o rádio, se quiser, e até com o trânsito você precisa tomar cuidado, e a velocidade em determinados momentos pode ser uma grande inimiga. Através do botão “L” você pode ativar um limitador de velocidade, o que faz com que você jamais seja parado pela polícia por excesso de velocidade, por exemplo, nem tampouco perca o controle do veículo (dependendo também de sua perícia ao volante). Mas, use o limitador de velocidade apenas quando tiver tempo. Não o use jamais em situações de risco ou em missões que devem ser realizadas dentro de determinado período de tempo.

Enfim, Mafia II é maravilhoso. A cidade inteira parece ter vida própria. Você observa aquelas pessoas andando no meio da rua e fica imaginando para onde elas vão, o que irão fazer, etc. Parece que cada um dos NPC’s que andam pelas ruas de Empire Bay possui vida. Uma vida artificial que muitas vezes chega a nos assustar, dada a impressão de realidade que nos é transmitida.

O Joe, o companheiro inseparável do Vito, é um amigo sempre presente. Participa dos tiroteios, é claro, mas o trabalho pesado sempre fica por conta do Vito, como não poderia deixar de ser. Digamos que o Joe dá uma ajudinha, nem que seja com suas frases muitas vezes engraçadas e seu comportamento beligerante que chega a ser hilário.

Gráficos e trilha sonora

Os gráficos de Mafia II são belíssimos. Apesar de ter percebido alguns problemas em relação à vegetação, onde as texturas da grama, principalmente, parecem meio “lavadas”, o game em si é belíssimo. Detalhes impecáveis, ambientação da época perfeitamente reproduzida, e a chuva. Ah, a chuva. Por que será que me encanto tanto com a chuva nos games, quando bem desenvolvida e implementada?

Dirigir na chuva, por exemplo, é maravilhoso. Você consegue enxergar os pneus patinando no asfalto quando freia em alta velocidade, e se você está fora do veículo, é bem provável que passe bons minutos apenas observando os temporais. Olhando para o alto, observando os habitantes da cidade com seus guarda-chuvas, e percebendo os reflexos no chão.

Aliás, falando em reflexos, estes são muito mais perceptíveis quando você dirige sobre determinados locais. O asfalto se torna, ele próprio, uma superfície repleta de poças d’água extremamente reflexivas, e, enfim, a chuva em Mafia II é lindíssima. Os personagens, vale ressaltar, se movem com extrema fluidez, e até mesmo as paredes, os móveis, as construções e a vegetação (tirando a questão das texturas “lavadas”) são muito bonitos.

A trilha sonora quando fora dos carros é orquestral e magnífica. Dramática, forte, imponente e instigante, assumindo cada uma destas características nos momentos certos, ajudando bastante durante a ação e reforçando a tristeza que determinados acontecimentos provocam. Belíssima e extremamente adequada: adorei.

Itens extras

Durante o game, conforme o seu progresso, você vai liberando diversas imagens do mesmo, as quais exibem sempre o Joe, o Vito, outras pessoas do crime organizado de Empire Bay e as diversas situações pelas quais os dois amigos passam juntos. Depois de finalizar o game, você também obtém acesso à “Carcyclopedia”, a qual contém todos os 38 modelos de veículos existentes no game, com informações detalhadas a respeito de cada um deles.

Você também obtém acesso, após finalizar o game pela primeira vez, ao “Family Album”, o qual contém fotos e informações a respeito da família e dos amigos do Vito, dos mafiosos e de diversos outros habitantes de Empire Bay com os quais você trava conhecimento.

Existe uma opção no menu, disponível desde o início, que fará a alegria dos marmanjos. Trata-se da opção “Collectibles”, através da qual você obtém acesso a fotos de mulheres nuas. Sim, Playmates, da revista Playboy. Nuas. Mas não espere nada escrachado. As poses são sensuais, e o máximo que você verá são os seios ou o bum-bum das meninas. E, diga-se de passagem: que mulheres bonitas. 🙂

Vale destacar que você deve procurar, durante o jogo, pelas revistas, para que as fotos apareçam na seção “Collectibles”, portanto, fique de olho.

Conclusão

Mafia II é intenso e fascinante. Um game que proporciona doses muito bem calculadas de emoção e ação. Um título que, apesar de curto, faz com que você sinta vontade de jogá-lo novamente, pouco tempo após finalizá-lo.

Detalhes

Título: Mafia II
Gênero: Ação
Desenvolvedora: 2K Czech
Distribuidora: 2K Games
Data de lançamento: 24 de Agosto de 2010
Plataformas: PC, Xbox 360 e Playstation 3

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