Review Mark of the Ninja

A Klei Entertainment é responsável por uma das mais belas franquias da atualidade quando se fala em side-scrollers. Shank e Shank 2 são duas obras primas. Dois títulos em 2D que além de bonitos representam uma espécie de homenagem a um estilo de jogo que já fez muito sucesso no passado e que, felizmente, está de volta aos holofotes.

Mas o que podemos pensar quando uma empresa com tal experiência e com títulos tão bacanas em seu portfolio resolve desenvolver um jogo de ação furtiva, um jogo de ação stealth? Um jogo de ação furtiva, aliás, totalmente em 2D? Um side-scroller no qual nossos maiores amigos são o silêncio, a rapidez e as sombras? Bem, podemos pensar diversas coisas, mas quem jogar o novo título da Klei, Mark of the Ninja, fatalmente se sentirá cativado desde o primeiro momento.

Mark of the Ninja

Existem alguns rumores de que o game será também lançado para PC (por enquanto ele é um exclusivo do Xbox 360). Assim espero. Espero, aliás, que o jogo seja também lançado para o Playstation 3 e para quaisquer outras plataformas possíveis, pois trata-se de um trabalho de primeira. Um jogo inesquecível. Mark of the Ninja é, talvez, aquilo que  poderíamos esperar de uma fusão entre Splinter Cell: Conviction e Deus Ex: Human Revolution, só que em 2D e distribuído via download. O jogo custa, aliás, meros 1200 Microsoft Points (ou 15 dólares).

Temos aqui um belíssimo representante do puro, bom e velho 2D. Neste caso, bem, nada velho. Trata-se de algo muito novo, por sinal. Bem inovador. Um jogo delicioso para quem aprecia ação stealth. Para jogadores que gostam de assassinar seus inimigos em meio às sombras, causando pânico aos restantes e ainda fazendo com que o próprio chefão inimigo, no final, volte atrás e deixe bem claro o quão vãs eram suas bravatas iniciais.

Mark of the Ninja

O novo jogo da Klei Entertainment nos coloca no papel de um ninja que conta com poderes extraordinários. Poderes a ele concedidos por estranhas tatuagens cuja tinta foi produzida a partir de uma toxina retirada de uma planta também estranha. Tudo isto tem a ver com seu clã, e o personagem principal não é o primeiro a fazer uso de tais artifícios. Muitos antes dele também fizeram uso das tais marcas e, consequentemente, da tal toxina.

É dito ao nosso ninja por seu próprio mestre que a substância, ao mesmo tempo em que confere ao usuário grandes habilidades, também acabará por levá-lo à loucura. Pouco a pouco. De uma tal maneira que ele chegará a representar uma ameaça a seu próprio clã. O destino de todos estes bravos guerreiros tem sido um só, ao longo de muito tempo: dar cabo de suas próprias vidas tão logo suas missões  terminem. E é assim, com esta perspectiva nada positiva que o jogo começa, nos colocando em uma missão muito desafiadora e em ambientes também bem sombrios.

Há bastante tempo um XBLA não me impressionava tanto quanto este. O jogo conta com gráficos muito bonitos e também com muita violência, no melhor estilo Shank. Espere por curtas e impactantes animações quando você assassina algum inimigo em silêncio, com sucesso. Nestes momentos o ninja silencioso não poupa o jogador da visão do sangue, que jorra dos corpos dos inimigos em abundância. Os gráficos do jogo no melhor estilo cartoon também nos lembram bastante de Shank, e diversas cutscenes contam um pouco mais do background da história na qual estamos envolvidos.

Mark of the Ninja

A história meio que gira em torno de um tal de Karajan, o grande vilão que perseguimos, e também de Azai, mestre do protagonista. Durante o jogo, podemos adquirir pontos que podem ser gastos na compra de novos itens para distração, novas técnicas e novos itens para ataque. É extremamente bacana, aliás, pendurar inimigos mortos em postes e deixar que outros guardas passem por ali e fiquem aterrorizados. Estes são momentos ideais para diversos tipos de ataques, pois os inimigos apavorados cometem muitos erros, ficam desnorteados e acabam até mesmo atirando a esmo e matando seus próprios companheiros.

Mark of the Ninja

Dentre as habilidades e equipamentos muito mais do que especiais que o personagem principal possui, podemos mencionar, por exemplo, o grappling hook, o qual permite que ele se movimente rapidamente entre pontos especiais e especialmente demarcados, os dardos, que servem para destruir lâmpadas e também para chamar a atenção dos soldados inimigos (sem matá-los), as bombas de fumaça e o Fairsight, uma espécie de sexto sentido que faz com que um filtro extremamente colorido seja aplicado ao cenário e permite que visualizemos elementos antes escondidos pelas sombras.

O super ninja também pode dar longos saltos e se agarrar em paredes, além de contar com a ajuda e os conselhos de Ora, outra ninja muito habilidosa que o acompanha durante as missões, quase sempre à distância. O silêncio é primordial, em Mark of the Ninja. Toda e qualquer ação provoca barulho, é claro, e diferentemente de outros jogos, aqui isto faz muita diferença. Barulhos desnecessários podem colocar os guardas em alerta e tornar sua vida muito mais difícil. Até mesmo a utilização de artefatos deve ser muito bem pensada.

Mark of the Ninja

Uma spike mine é muito útil, mas se for lançada a um ponto muito próximo de onde o inimigo se encontra, o barulho o alertará, ele a desarmará e ainda começará a procurar por você. Antes da utilização de cada item deve-se manter o gatilho esquerdo pressionado. Assim fazendo, o jogo entra em pausa e você tem todo o tempo do mundo para mirar.

Mark of the Ninja

Além disso, um círculo é exibido nestes momentos e indica o ponto até onde o barulho chegará. Até mesmo correr pode representar um perigo: enquanto corremos o mesmo círculo é exibido, e se ele tocar algum guarda este perceberá rapidamente que algo está errado, que alguém se movimenta em meio às sombras.  Claro: muitas vezes também podemos chamar atenção desta forma, de maneira proposital.

Esta informação é muito útil, é claro, pois assim podemos trabalhar com muito mais precisão e eficiência. Cada inimigo pode ser morto de várias maneiras, e uma das coisas mais bacanas em Mark of the Ninja, além de aterrorizar os soldados, é dar cabo de dois deles localizados no mesmo recinto, de forma totalmente silenciosa e sem que o último a morrer perceba o sumiço do primeiro.

Você pode inclusive deixar corpos largados pelo caminho dos soldados para distraí-los. Eles podem começar a se comunicar com outros, pelo rádio, dizendo que existem “corpos por todos os lados”, ou até mesmo pedir para que “você se mostre”. Diversos elementos do cenário também podem servir de esconderijo, como por exemplo portas e latões (quando os soldados de Karajan passam pelo protagonista nestes momentos, pontos extras são concedidos), e diversos outros permitem que corpos neles sejam escondidos.

Mark of the Ninja

É muito interessante também a maneira como podemos assassinar os inimigos. “Assassinatos perfeitos” rendem sempre mais pontos e, além disso, são acompanhados de animações muito bacanas. O momento certo para apertar os botões deve ser respeitado, pois em caso contrário recebemos um alerta de “Imperfect Kill”. As consequências aqui não são somente cosméticas, entretanto.

Inimigos mortos desta maneira farão barulho, muito barulho, e este barulho todo poderá atrair os guardas das redondezas. Os gráficos do jogo também colaboram bastante para formar um clima sombrio durante o gameplay. A escuridão de alguns ambientes também pode ser quebrada quando deles nos aproximamos: uma sala antes escura pode ser totalmente visualizada, por exemplo, tão logo nos aproximemos da porta fechada.

Mark of the Ninja meio que obriga o jogador a destruir fontes de luz para criar o campo de batalha perfeito, e isto também representa um risco, devido ao barulho resultante. Vai de cada pessoa determinar qual o melhor momento, qual a melhor abordagem, qual o melhor equipamento ou habilidade, e também qual é a consequência menos perigosa.

Mark of the Ninja

Nem só homens estão entre o protagonista e seu alvo, entretanto. Cães treinados também são muito utilizados pelos soldados de Karajan. Cães que possuem um faro muito apurado e que poderão detectar o ninja com muito mais facilidade e até mesmo fazer com que algumas habilidades furtivas sejam inúteis.

Lasers, sensores de presença e equipamentos eletrificados também fazem parte do aparato de segurança com o qual o jogador tem de lidar no XBLA, e muitas vezes puzzles bem interessantes (challenge rooms muito legais podem também ser acessadas) são a nós apresentados, durante os quais também teremos de lidar com um ou mais destes itens.

É também necessário analisar cada situação com cuidado, e até mesmo deixar de matar muitos inimigos, em vários momentos. Muitas vezes, passar despercebido sem causar nenhuma morte pode ser a melhor solução, mesmo que a vontade de sacar a espada seja grande. Bem, você pode também pegar alguns guardas dormindo, por exemplo, e aí é só fazer a festa.

Mark of the Ninja

Diferentes partes de um mesmo ambiente reagem de maneiras diferentes, também. Enquanto o protagonista se encontra escondido, em algum ponto abaixo do piso onde se encontram alguns inimigos, por exemplo, estes podem ser visualizados de maneira “embaçada”, o que deixa de acontecer quando o ninja dá uma espiadinha através de alguma fresta. Isto dificulta bastante a localização do perigo, em muitos momentos, mesmo que círculos luminosos quase invisíveis muitas vezes acompanhem o caminhar dos guardas.

A chuva também marca uma presença muito bonita em Mark of the Ninja, em um dos níveis, e aqui ela ao mesmo tempo nos encanta e nos causa problemas. Ser pego em movimento, em campo aberto, logo após um belíssimo relâmpago iluminar todo o cenário, pode ser muito perigoso. É possível se movimentar rapidamente entre um hiding spot e outro, também, e assim driblar até mesmo um grande número de guardas.

Outro ponto forte do jogo são seus controles. Tudo responde bem e rapidamente (com um pequeno e infeliz detalhe que menciono mais abaixo), e tudo é extremamente intuitivo. Apesar da grande variedade de habilidades e equipamentos, nem tudo está à nossa disposição ao mesmo tempo, o que facilita bastante a vida do jogador. Aqui, aliás, o esquema “pressionou – funcionou” é perfeito (ou quase).

Aterrorizar os soldados de Karajan, esconder corpos ou deixá-los à mostra, pendurados ou jogados no chão, permanecer escondido enquanto um soldado passa por você: tudo isto também faz com que você ganhe mais pontos para gastar em upgrades. A Klei Entertainment poderia ter investido mais, entretanto, nos chefes. É muito fácil até mesmo acabar com o “chefe principal”, e nem mesmo o mercenário Kelly, da Hessian Services (uma espécie de segundo homem em comando) é um desafio.

Mark of the Ninja

Matar chefes é muito fácil, o que pode acabar frustrando alguns jogadores que esperam um desafio mais alto após se esgueirarem em silêncio por catacumbas, corredores, escadas e topos de prédios. Logo acima falei muito bem dos controles do jogo. Entretanto, existe um pequeno detalhe que pode causar enormes problemas, muitas vezes: algumas vezes, quando em locais apertados e/ou na beira de algum prédio ou saliência, pode ocorrer de você tentar descer silenciosamente e, no entanto, o jogo automaticamente te lançar com força no chão. Dependendo da situação, isto pode representar morte certa. Mas nada disto atrapalha a enorme diversão que o XBLA oferece, nem tampouco ofusca o seu brilho.

Conclusão

Mark of the Ninja é um verdadeiro must have para quem aprecia bons jogos de ação em 2D, principalmente títulos que oferecem a oportunidade de agirmos de maneira furtiva. Com sua direção de arte impecável, e nos permitindo abordar diversos níveis de várias maneiras diferentes, o novo jogo da Klei Entertainment também conta com diversas inovações e diferenciais: este não é um side-scroller qualquer. Se você gosta de ação stealth, poderá até mesmo sentir vontade de finalizar Mark of the Ninja mais de uma vez.

Nota

9.5/10

Ficha Técnica

Título: Mark of the Ninja
Gênero: Ação / plataforma
Desenvolvedora: Klei Entertainment
Publisher: Microsoft Studios
Data de lançamento: 07 de Setembro de 2012
Plataformas: Xbox 360 (XBLA)
Versão analisada: Xbox 360

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