(Review) Mass Effect 3

Mass Effect 3 - Review

Logo de início gostaria de dizer que sou grande fã da franquia Mass Effect. Adorei todos os títulos anteriores, e adorei ter jogado Mass Effect 3, mesmo não tendo gostado de seu final. Gostaria de dizer, também, que mesmo assim, sou contra qualquer modificação no mesmo (o que não ocorrerá, como já sabemos), e até mesmo contra o lançamento do tal DLC que explicará melhor o final. Mas, ele será lançado, não é? A quantidade de experiências emocionantes e gratificantes que o game nos proporciona é tão grande que temos aqui um raro caso onde um final ruim acaba sendo obscurecido pelo grande todo.

A BioWare concluiu sua ópera espacial de maneira magnífica, e se não temos um jogo que conta com grandes avanços gráficos em relação a seus antecessores (bem, eu não esperava por isto, também), temos por outro lado um título que possui doses cavalares de momentos emocionantes. Não foram poucos os momentos em que senti meus olhos marejados, durante o gameplay.

A quantidade de perdas, de mortes, no game, é enorme, e todas elas, além de estarem totalmente dentro do contexto de cada situação, são apresentadas através de um conjunto áudio-visual espetacular. A trilha sonora do jogo é fantástica, e consegue estar totalmente de acordo com cada situação, seja ela triste, feliz, dramática ou amedrontadora. A trilha sonora do game é parte importantíssima da experiência.

Mass Effect 3

Mass Effect 3 nos proporciona uma finalização épica da saga, lembrando mais uma vez que o único ponto do qual desgostei foi seu final (mas veja acima o que eu disse em relação a isto). Sentimos desespero, urgência e medo durante o jogo inteiro. Acontecimentos catastróficos não param de chegar ao conhecimento do Comandante Shepard. Os Reapers, conhecidos e temidos desde o primeiro título da série (principalmente após os eventos envolvendo Sovereign), agora “saíram da escuridão” e começaram promover enorme destruição por onde quer que passam. Isto já era esperado, é claro, principalmente após o DLC “The Arrival”, para ME2.

A própria Terra, local onde o game começa e onde Shepard tenta alertar o Conselho, mesmo que tardiamente, sofre duramente durante o game inteiro. É interessante ressaltarmos, aliás, o fato de que tudo começa e termina na terra. Bem, os eventos finais acontecem bem próximo do planeta, e a Citadel possui papel primordial nisto tudo. Um papel que eu, pelo menos, jamais imaginei, e que me causou enorme espanto.

Mass Effect 3 também nos mostra a união de raças que se odeiam, mesmo tal união tendo sido obtida a duras penas e diante da ameaça de extinção. Entretanto, mencionando um caso em específico, o fato de que uma delas foi alvo de uma arma biológica lançada pela outra não deixa de ser notável. Sim, estou falando dos Krogans, dos Turians e da genophage, sem deixar de lembrar, também, o papel dos Salarians, criadores da genophage. Aliás, a oportunidade de curar a genophage faz parte de Mass Effect 3; porém, esta escolha pode resultar em uma dura e triste perda.

ME3 é assim. Cheio de momentos emocionantes e difíceis, e repleto de ação, também. Temos aqui um game com um ritmo bem mais acelerado que Mass Effect e Mass Effect 2. Um jogo muito mais dramático. Se ME2 foi mais “escuro” que seu antecessor, ME3 conseguiu trazer ainda mais escuridão, pressão e terror, com os Reapers e seu trabalho de “limpeza”, trabalho este, aliás, já realizado em diversos ciclos anteriores.

Temos também no game a oportunidade de acordarmos o último dos Protheans, Javik. Ele pode chegar a fazer parte do crew da Normandy, e obviamente nenhum fã da série vai deixar de se encantar com isto. Bem, a belíssima Liara T’Soni se desapontou bastante ao se deparar com um representante de uma raça que estudou durante sua vida inteira. Digamos que Liara tenha se excedido um pouco em suas expectativas, e que os Protheans, e Javik em especial, não estejam lá muito de acordo com aquilo que ela tinha em sua mente.

Shepard, como sempre, possui aquela oportunidade de iniciar relacionamentos amorosos com diversos membros de sua equipe, e até hoje não entendo o porquê de diversas pessoas se horrorizarem com o fato de ser possível ocorrerem relacionamentos homossexuais no jogo. Ora, se estamos jogando um game onde podemos realizar escolhas que afetarão o desenrolar da história e no qual é possível nos relacionarmos com diversos personagens, de várias raças, porque o espanto? Além do mais, esta não é uma preocupação um tanto quanto ridícula nos tempos atuais? Além disso, será que este pessoal que reclama deste “problema” se esqueceu do fator “escolha”?

Mass Effect 3

Eu mesmo cheguei a uma situação um tanto quanto “perigosa” com o piloto Steve Cortez, durante um diálogo. E fiz minha escolha. Não tenho nada contra, mas não iria iniciar um relacionamento homossexual no jogo. Agi conforme minha preferência. Decidi desviar o rumo da conversa, e além do mais, eu estava interessado na belíssima Dra. Liara. Ou seja, “escolhas”. O jogador escolhe o rumo de seu personagem. Pode-se culpar o jogo neste caso? Bem, diga sua opinião. Eu não vi problema algum aqui.

A falta de suporte a gamepads na versão PC de Mass Effect 3 me causou um certo estranhamento, a princípio, principalmente devido ao fato de ter jogado os games anteriores da série no Xbox 360. A explicação da BioWare para este problema, aliás, não me convenceu muito. E eles tiveram, sim, muito tempo para isto. De qualquer forma, acabei me acostumando com os controles, mesmo porque jogo diversos títulos no PC utilizando o conjunto teclado + mouse.

Mass Effect 3

Shepard também ficou mais fácil de ser controlado, em ME3. Durante as corridas, o personagem pode ter sua direção facilmente alterada: as melhorias aqui em relação aos títulos anteriores são notáveis. Também podemos subir escadas, vale lembrar. Voltando à parte gráfica, obviamente ninguém esperava um jogo com gráficos muito superiores a seus antecessores, mas também ninguém pode negar que a quantidade de opções no quesito “gráficos”, na versão PC do jogo, é muito pobre.

Basicamente, quando entramos na seção de configurações gráficas do título, é como se estivéssemos em uma espécie de versão pouco melhorada de uma versão para consoles, trocando em miúdos. Apenas ligar ou desligar o Antialiasing é muito pouco para um título para PC nos tempos atuais mas, o que se pode fazer, não é mesmo?

Mass Effect 3

A BioWare também inseriu algumas opções no jogo que permitem que ele se adeque a diversos tipos de jogadores. Se por um lado isto pode desagradar a alguns puristas, não podemos nos esquecer de que tais opções são … err… opcionais. A experiência original Mass Effect continua lá, disponível, com todos os diálogos, escolhas e consequências. Mas os jogadores também podem escolher entre uma experiência mais voltada à ação, eliminando assim a necessidade de escolhas e deixando que “o jogo decida”, através de “diálogos cutscenes”, e entre uma experiência que seja mais focada na história.

Apesar dos riscos abertos por estas novidades, principalmente levando-se em consideração quem é a publicadora do jogo, gostei bastante de seu multiplayer e do sistema Galaxy at War. Foi afirmado que tal sistema nos permitiria influenciar o Galactic Readiness, o qual pode ser consultado até mesmo à partir da campanha. Foi também dito que tudo isto seria capaz de influenciar a própria campanha.

Bem, tudo isto é bacana, é claro. Bem, seria. Ao jogar Mass Effect 3, campanha e multiplayer, não senti nenhuma modificação nos resultados nem tampouco nenhum efeito provocado pelo Galactic Readiness. Claro: posso não ter me empenhado o suficiente no multiplayer (meu objetivo não era esse, aliás), e posso também ter deixado alguma coisa escapar. Mas, voltemos ao que interessa. ME3 é esplêndido. É o game mais dramático da franquia, e os momentos tristes não demoram muito para acontecer. Os Geths, aliás, podem representar um papel maravilhoso, dependendo das escolhas do jogador, mas estas escolhas também podem trazer consequências funestas. Algumas escolhas, no jogo, trazem boas e más consequências, e até mesmo a extinção de raças inteiras pode ser presenciada pelo jogador.

Mass Effect 3

Shepard, o Almirante Hackett e Anderson se mantêm em contato constante. Cada um deles tem sempre algo de negativo a relatar a respeito do front de batalha e à partir de suas respectivas perspectivas. E é notável, ou melhor, totalmente execrável, o fato de que alguém muito importante entre os humanos foi capaz de se unir à organização Cerberus e trair, digamos, os interesses da humanidade. Bem, eu já não gostava deste tal personagem desde o primeiro jogo.

A Cerberus e seu chefão, o Illusive Man, representam papéis importantíssimos dentro da história, e é até mesmo engraçado percebermos, no final, que alguns conceitos que tínhamos a respeito do líder da Cerberus estavam errados. Bem, reviravoltas interessantes também acontecem no jogo. A organização da qual Shepard fez parte em Mass Effect 2, aliás, é um dos grandes obstáculos que se interpõem entre a Aliança e a luta contra os Reapers.

A Aliança e a “organização terrorista” possuem claramente objetivos distintos, e a luta contra o pessoal do Illusive Man muitas vezes é extremamente complicada. Digamos que eles são um osso duro de roer, principalmente quando nos deparamos com o assassino profissional Kai Leng. Bem, o derradeiro encontro de Shepard com Kai Leng é fantástico, desde que você vença a batalha, é claro. Shepard está literalmente com “sangue nos olhos”, e já sabemos dos possíveis resultados aqui, não?

Mass Effect 3

Shepard deverá tentar unir algumas raças, durante o gameplay, e cada uma delas poderá até mesmo fazer exigências antes de oferecerem apoio, em uma demonstração de egoísmo, quem sabe, que não é muito diferente do que vemos em diversas situações de nosso “mundo real” atual. Desenvolver o seu personagem é fantástico, também. A escolha da classe, no início. A respectiva aplicação dos pontos de habilidade nos atributos que mais lhe interessam, lembrando sempre que cada classe possui suas próprias habilidades.

O rastreamento de planetas em busca de recursos foi eliminado, em ME3. Bem, não eliminado. Ele se tornou menos chato do que em ME2. Mais simples, mais rápido e mais objetivo. Ao entrar em algum sistema, a Normandy pode realizar uma verificação em busca de algum corpo celeste que eventualmente apresente algo de interessante. Feito isto, basta entrar em órbita e utilizar um scanner muito mais simples e muito mais rápido. Mas, cuidado: este tipo de atividade também pode colocar os Reapers em alerta.

EDI, a IA da Normandy, também é protagonista de várias situações bacanas, dentro do jogo. EDI consegue se fazer presente em situações que transcendem aquilo que dela esperávamos, e se tornou muito mais funcional do que em Mass Effect 2. Os eventos que antecedem o tão falado final de Mass Effect 3 são muito mais emocionantes, belos e cativantes do que o próprio final em si.

Shepard pode até mesmo realizar um fantástico discurso de incentivo à sua equipe, o qual também pode fazer com que alguns fãs da série cheguem a chorar. Estes momentos finais, na Terra, são fantásticos. A presença de diversos inimigos diferentes e dos próprios Reapers, sem falar nos Banshees, horrendos e perigosos Asaris modificados pelos Reapers, torna estes momentos finais bem desafiadores, também.

Estes momentos que antecedem o final, na Terra, com seus combates, discursos, conversas entre amigos (você chegou a conversar com o Garrus antes de se encontrar com o Anderson?), perdas e mortes superam o final em todos os sentidos. E se juntarmos tudo isto com o restante das experiências proporcionadas pelo restante do jogo, esquecemos facilmente de seu péssimo final. Bem, eu não diria que o final é péssimo. Não vamos tratá-lo assim. Faltou mais cuidado, mais explicações, mais tempo, mais diálogos, mais emoção, dentre outras coisas. Nem mesmo aquela “firula” pós-créditos ajuda, aqui. Mas, enfim, adorei ME3. Minha nota para o jogo só não chegou a 10 devido a seu final.

Conclusão

Mass Effect 3 finalizou a franquia de maneira espetacular. Desconsidere seu final e jogue esperando pelas maravilhosas experiências que o game lhe oferecerá. Se você já jogou os títulos anteriores da série, pode comprar este último capítulo sem medo.

Nota

9.5/10

Ficha Técnica

Título: Mass Effect 3
Gênero: Ação / RPG
Desenvolvedora: BioWare
Publisher: Electronic Arts
MSRP: US$ 59,99
Data de lançamento: 06 de Março de 2012
Plataformas: PC / Xbox 360 / Playstation 3
Versão analisada: PC

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9 Comments

  1. Diacho! Tô no hype! Esse fim de semana eu zero e vou chorar no Twitter! ehueheuehueh
    Eu tô na última fase e estou curtindo bastante o jogo. Acho que algumas arestas podiam ter sido aparadas e alguns pontos do enredo, melhorados, mas mesmo assim é um jogo fantástico!

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    • @Erick,

      Olha, Erick, sou meio suspeito para falar, pois sou verdadeiramente apaixonado pela série…hehehe Mas pode ir se preparando, o “final antes do final” é fantástico. E o jogo inteiro, também. :)

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  2. Terminei o jogo esse FDS. Achei muito legal, mas infelizmente faltou bastante coisa. Muitas ações dos jogos anteriores que deveriam causar grande impacto no final simplesmente não mudam nada no jogo (ou quase nada)… Não é só o final que é ruim, é toda uma expectativa gerada que foi simplesmente descartada.

    Cadê o exército de Racnis ajudando a Shepard? Pra mim uma das maiores expectativas do jogo era saber como minha decisão de matar ou deixar a rainha fugir no ME1 iria influenciar o desfecho do jogo. E no final, ter matado ou ter deixado ela viver não muda praticamente nada, com aquela lorota de que os Reapers criaram uma rainha Racni.

    E a decisão de destruir ou não a base dos Collectors no ME2? No ME3, mesmo tendo destruído a base, o Human Reaper está lá firme e forte na base da Cerberus. Então não fez sentido nenhum ter tomado a decisão.

    Apesar dos baldes de água fria, eu também gostei muito do jogo. É um jogo sensacional, independente das expectativas criadas e não cumpridas. Eu já desconfiava que seria mesmo impossível fechar a saga de formas muito distintas com tantas escolhas abertas durante os 3 jogos, mas pelo menos eu esperava que as principais teriam um papel importante no desfecho. Ou no fundinho, acreditava que a equipe que me surpreendeu tanto no ME1 e no ME2 fariam o quase impossível: Realmente fechar a saga com todas as influências das decisões tomadas no decorrer dos jogos influenciando todo o final.

    De longe ainda é a melhor franquia que já joguei em toda minha vida. Riquíssima, inteligente, bem articulada, caprichada… é um deleite jogá-la quantas vezes nosso tempo corrido nos permitir. Mas faltou muito para eu poder chegar aqui é falar: o jogo é perfeito. Eu daria nota 10 fácil, pois como o Marcos disse e concordo plenamente, não vai ser 20 minutinhos de final que vai estragar toda uma saga de horas e horas. Vamos dizer um 9.99 pra não puxar muita sardinha.

    Parabéns pela análise, Marcos. Como sempre você pega muito bem o espírito dos jogos e a passa muito bem para os leitores.

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    • @Vitor,

      Ah, com certeza faltou, Vitor. Olha, nem tenho certeza se a BioWare não teria mesmo capacidade de finalizar com estilo. Me parece mais que tiveram pressa, talvez devido à EA. De qualquer forma, adorei o jogo, e não vai ser o final ruim que vai estragar toda a experiência que ele proporciona, isoladamente. E se considerarmos os outros 2, então, é impossível sermos imparciais.

      Quando à raínha Racni, também não engoli muito aquilo não. Fico me perguntando o que virá a partir de agora, em relação à franquia. Cada vez mais sinto que vão lançar um Mass Effect MMO, o que eu não gostaria de ver.

      Grande abraço! :)

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  3. Marcos, eu sinceramente não me preocupo mais com os rumos da franquia não. Eu queria que a trilogia original ficasse perfeita. Afinal, foi o que a Bioware nos prometeu: Uma trilogia perfeita. Pronto, cumpriram com o acordo! Heheheheheh! Agora o que vão fazer mais pra frente para tentar lucrar o máximo com a franquia, aí já é a parte comercial do negócio, deixa eles racharem de ganhar $$$! Afinal, eles merecem.

    O multiplayer pra mim é uma babaquice sem tamanho no jogo. Nem vejo que tem aquilo. Descobri aqui nos seus artigos que ela influencia naquele esquema de “Galaxy at War”. Depois disso, até achei mais interessante… Você joga o multiplayer como sendo parte da resistência contra os Reapers, paralelo à Shepard articulando em como destruí-los. A ideia foi boa (claro, vindo dos gênios que criaram a franquia), mas o que me incomoda é o esforço despendido para isso que deveria ter sido focado no jogo em si.

    Abraço!

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    • @Vitor,

      Olha, eu me preocupo no sentido de, de repente, virar um MMO. Gente vai jogar sem nem saber nada a respeito do universo da série. Não todos, é claro, mas muita gente. Agora, é fogo. Quanto a isso, não podemos fazer nada, mesmo. Bom que a trilogia já foi encerrada, e nós aproveitamos ao máximo.

      O multiplayer até que é legal, levando em consideração o Galaxy at War e o fator diversão descompromissada. Mas acho que só. Não me dediquei muito a ele, até agora, e realmente: o pessoal poderia ter usado o trabalho despendido nessa parte em outras áreas. Um final melhor, por exemplo…hehehe

      Grande abraço! :)

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  4. como joga???

    Reply
    • @dankg,

      Então, amigo, você pode comprar para PC, para PS3 ou para Xbox 360. :)

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  5. algem sabe?????????????

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