Max and the Magic Marker é um game para PC espetacular. Um título que mistura plataforma, puzzle e física apurada de uma forma muito interessante. O indie game, desenvolvido pela dinamarquesa Press Play, foi lançado em Março de 2010, sendo vendido somente através do site da própria desenvolvedora até seu lançamento no Steam, no dia 12 de Maio de 2010.

Max and the Magic Marker recebeu nota 7/10 no IGN (particularmente, acho que ele merecia uma nota bem maior) e foi um dos ganhadores do Independent Games Festival (IGF) 2010. O título da Press Play é mais um daqueles games que possui um fator replay bem alto, devido à presença do “pincel atômico”, digamos, que o protagonista, o pequeno Max, utiliza, e à possibilidade de se resolver os mais diversos puzzles das mais diversas maneiras. O game todo, aliás, passa a impressão de algo saído da mente de uma criança. É claro que isto é proposital, dada a história do título, e muito bem vindo.

Trata-se de um game, como eu disse acima, que mistura plataforma e puzzle com uma física muito bem desenvolvida. Isto sem falar no fato de que a presença do pincel/caneta e todas as coisas mirabolantes que você pode realizar com o mesmo transformam este indie game em algo totalmente único e repleto de diversão. Aliás, é impossível jogar Max and the Magic Marker e não notar semelhanças com o também excelente Crayon Physics Deluxe.  Max também foi lançado na WiiWare, onde custa 1000 Wii Points.

História

Max é um garotinho que, certo diz, recebeu uma estranha caneta pelo correio. Nada acompanhava a caneta. Max resolveu usar logo o “brinquedo” que havia recebido, e começou a desenhar. Assim que desenhou um monstro, ele viu que tudo, inclusive o próprio monstro (chamado no game de Mustacho), ganhou vida. Tudo meio que começou a sair fora do controle, e o Max, preocupado, resolveu desenhar a si próprio no mesmo desenho onde o monstro estava, e imediatamente “entrou” no desenho.

Assim começa o jogo, e a partir daí, você terá de percorrer 15 níveis, distribuídos em 3 mundos diferentes, e usar bastante a cabeça para resolver os diversos puzzles apresentados pelo game. A caneta mágica é um dos grandes atrativos do game, a qual permite que você desenhe o que desejar, desde blocos até escadas, passando por gangorras onde você sobe em uma das pontas, desenha um quadrado logo acima da outra ponta e, quando este despenca, você é jogado para o alto. As possibilidades são inúmeras.

A História de Max and the Magic Marker gira em torno da corrida de Max atrás do Mustacho, o qual aparece com bastante frequência no game, principalmente roubando a tinta da caneta mágica.

Jogabilidade

A jogabilidade de Max and the Magic Marker é super fácil de se aprender, e dentro de poucos minutos você já estará dominando todos os controles do game. Para movimentar o Max, utilize as setas do teclado ou as teclas W, A, S, D. Mantendo o SHIFT esquerdo pressionado enquanto anda, você consegue empurrar objetos, como caixas, por exemplo, e pressionando a barra de espaço, você entra no mundo imaginário de Max, e todo o game, então, fica “congelado”.

Este recurso é muito interessante pois, por exemplo, permite que você realize coisas que seriam impossíveis no modo normal. Por exemplo, desenhe uma caixa e suba na mesma. Pule, com o W, e imediatamente pressione a barra de espaços, para entrar no modo imaginário e “pausar” o game. Tudo permanecerá congelado, inclusive o Max, no meio do pulo. Isto permitirá que você desenhe outra caixa sobre a outra préviamente desenhada, e assim que você pressionar novamente a barra de espaço, você cairá, porém, já sobre a caixa que se encontra sobre a anterior. E assim por diante.

É possível realizar uma série de ações e desenhos diferentes, alternando entre os modos “imaginário” e “normal”, no game. Enquanto no modo imaginário, você também pode desenhar o que bem entender, e tudo se tornará real e respeitará a física do game quando você voltar a modo normal. Subir uma montanha íngreme, por exemplo, se torna bem fácil através da utilização da caneta mágica e da alternância entre os modos “normal” e “imaginário”. Inicie construindo uma escada no modo normal, vá até o ponto mais alto, pule e entre no modo imaginário com o Max ainda no ar, utilize o botão direito de seu mouse para recuperar a tinta gasta na escada (a qual voltará para a caneta), desenhe uma estrutura que permaneça pendurada em alguma saliência da montanha e ao mesmo tempo envolva o Max e volte ao modo normal. O max estará, então, seguro dentro estrutura que você desenhou, e você poderá ir repetindo estes últimos procedimentos até atingir o pico.

A caneta mágica não possui tinta infinita: você precisa coletar pequenas bolas contendo tinta laranja para encher seu reservatório, e o nível de tinta disponível pode ser facilmente observado, pois a caneta, além de ser controlada com o mouse, fica sempre visível na tela, e seu reservatório é transparente.  Aliás, a caneta é bem bonita, diga-se de passagem.

Ande, pule, empurre objetos, desenhe (mantendo o botão esquerdo do mouse pressionado) e apague seus desenhos, para recuperar a tinta (sugando a mesma, mantendo o botão direito do mouse pressionado com a caneta posicionada sobre qualquer desenho) e resolva os puzzles: estes são os rudimentos básicos para progredir em Max and the Magic Marker.

Jogando Max and the Magic Marker

Jogar Max and the Magic Marker é uma delícia. Minha sobrinha de 8 anos esteve em minha casa estes dias e adorou o game. Me deu até dicas, diga-se de passagem. 🙂 O game possui uma aura alegre, apesar do monstro chamado Mustacho (o qual também é muito engraçado), e tudo remete à infância, pois, temos de nos lembrar de que estamos jogando um game onde o protagonista é um menininho. Estamos jogando a “sua história”.

Existem diversos elementos que cativam, neste belíssimo trabalho da Press Play. Os inimigos com os quais você se deparará não são muito variados, entretanto. Eles se parecem com pequenas gotas roxas (bem mal encarados, por sinal), e você pode desenhar caixas ou bolas na parte superior da tela e deixá-las despencar sobre eles, para matá-los.

Em determinados momentos você se deparará com puzzles e/ou situações aparentemente impossíveis de serem resolvidos. Mas para tudo há um jeito, em Max and the Magic Marker, e o acesso ao mundo imaginário do Max está ali, a um pulo, para fornecer ajuda nestas situações aparentemente insolúveis.

Existem alguns objetos no game que você precisa coletar, os quais valem pontos. Trata-se de pequenas bolas amareladas e cintilantes, e também pequenas bolas pretas (mais raras). Muitas vezes, estes itens estão localizados em lugares de difícil acesso, e aí você terá de utilizar a caneta mágica, acessar o mundo imaginário, desenhar engenhocas as mais diversas e/ou escadas, etc, a fim de coletá-los. Até com uma espécie de “chuva ácida” você irá “se encontrar”, chuva esta que cai de uma núvem escura bem sinistra. Construir uma espécie de guarda-chuva ou cobertura para proteger o Max, neste momento, é uma boa pedida.

Os checkpoints são localizados bem próximos um do outro, no game. O grande problema é que infalivelmente, a cada checkpoint, o Mustacho aparece e rouba toda a tinta da sua caneta, dando até uma risada bem sinistra. 🙂 Vulcões que lançam rochas mortíferas, fogo, água, baleias com seus esguichos d’água, etc: com tudo isto, e muito mais, você terá de lidar em Max and the Magic Marker.

As primeiras fases são bem fáceis, e você consegue superá-las sem muitas dificuldades e sem a necessidade de construção de objetos complexos. Mas o game vai se tornando bem desafiador, no decorrer do gameplay, e aí, sua cabeça e tudo aquilo que você aprendeu em Crayon Physics Deluxe, And Yet It Moves, World of Goo, Super Mario, e tantos outros puzzles e games de plataforma, terá de ser posto em prática.

Não é difícil se encontrar em situações aparentemente sem saída, neste game. Muitas vezes, a própria “porta de saída” de muitas das fases está localizada em lugares que realmente “parecem” ser inalcançáveis. É preciso, nestes momentos, parar e pensar bem, analisando toda a situação, os elementos presentes na tela, a quantidade de tinta que você possui, e sofrer um pouco para encontrar a solução, a qual, certamente, existe.

Nas primeiras fases existem pequenas criaturas verdes que dão dicas. Durante o caminho, você também encontrará placas com desenhos sugerindo possíveis soluções para os problemas que estão se aproximando. E, além disso, entre uma fase e outra, durante os loadings, o game dá algumas sugestões, através de desenhos aparentemente desenhados pelo próprio Max, para a solução de alguns puzzles.

Física

A física em Max and the Magic Marker é muito apurada. Tudo aquilo que você constrói está sob os ditâmes da mesma. Construa uma cobertura em volta do Max e corra em direção à chuva sem tomar cuidado, muito rapidamente, e a tal cobertura tombará e você levará um banho mortal.

Construa uma escada mal feita, sem respeitar as inclinações do terreno, etc, e observe o pequeno garoto despencando. Construa escadas com degraus muito altos e o Max simplesmente não conseguirá subir. Muitas vezes você precisará construir blocos sobre blocos, pulando, acessando o mundo imaginário, desenhando, voltando ao mundo normal, etc. Dependendo do formato, da inclinação e do tamanho de cada um dos blocos, toda a estrutura pode vir abaixo, seja por um movimento descuidado ou por uma rocha lançada por um vulcão.

Você também pode construir pontes, e se não tomar cuidado e pular diretamente sobre elas, poderá fazer com que elas “caiam no buraco”. É claro que nestes casos o game é muito “gentil”, e lhe devolve a tinta gasta. Rampas muito inclinadas certamente serão inúteis, e se você cair de uma formação de blocos sobrepostos que porventura tenha construído e tentar subir na mesma novamente, dependendo de como a tal formação foi construída, tudo virá abaixo.

Existem alguns “elevadores” em Max and the Magic Marker, os quais possuem dois cestos. Você sobe em um e deve desenhar um “peso” no outro, para que este desça e o que você se encontra suba. Desenhe um bloco muito pequeno e nada acontecerá, e a velocidade da subida sempre será proporcional ao peso/tamanho do bloco que você jogar no outro cesto/contra-peso. Até uma “bala humana” você pode virar, sendo lançado por um canhão. 🙂

Existem inúmeras estruturas e mecanismos que podem ser construídos em Max and the Magic Marker: o único limite é a sua imaginação. Como sempre, em games deste tipo, existem inúmeras maneiras de resolvermos um único puzzle, o que, certamente, aumenta bastante o fator replay destes títulos.

Gráficos e trilha sonora

Os gráficos de Max and the Magic Marker são muito bonitos. Parecem, realmente, terem saído da mente de uma criança. A ambientação toda do game reflete esta idéia. O game possui muitos elementos que certamente podem agradar a adultos e crianças. Os adultos, em especial, certamente apreciarão o game devido aos puzzles e à possibilidade de construir os mais diversos mecanismos/estruturas/objetos, utilizá-los e verem os mesmos sofrerem os efeitos da física presente no game.

Quando você morre e o game é reiniciado, o Max é “redesenhado” e você escuta até o barulho do lápis, rabiscando o papel. Este efeito é muito bonito e super divertido. O Max, aliás, acompanha com a cabeça toda a movimentação da caneta mágica, quando parado, e o game possui gráficos muito coloridos e “clean”, digamos, bem de acordo com sua temática.

A própria tela inicial do game e os menus são muito bonitos. Você pode visualizar cada um dos três mundos, e navegar por todas as cinco fases de cada um deles, conforme as vai finalizando. A trilha sonora é muito engraçada, e é impossível não dar risada mesmo quando você está se matando para resolver determinado puzzle. A impressão que o conjunto gráficos + trilha sonora passa, em Max and the Magic Marker, é de pura diversão e alegria.

Desenhar e recuperar a tinta dos desenhos que você não precisa mais é algo muito bonito de se ver e ouvir:  enquanto desenhando, um barulho bem característico pode ser ouvido, e os traços são sempre rústicos. Ao sugar a tinta dos desenhos não mais necessários, um característico barulho de sucção pode ser ouvido, e você pode inclusive observar a tinta sendo reintroduzida na caneta. Trata-se de um game muito bonito que, sem possuir gráficos mirabolantes ou “ultra-mega-power-super” fantásticos, cativa pela beleza do conjunto.

Extras

Existem alguns extras bem interessantes que você vai liberando no decorrer do jogo. Não vou mencioná-los aqui para não estragar a surpresa. Mas vale ressaltar que são todos muito legais.

Finalizando

Max and the Magic Marker é um daqueles games que você não consegue largar enquanto não finalizar. Quem gosta de physics-based games encontrará neste título da Press Play uma ótima opção, principalmente pela fusão de diversos gêneros em um único game. Bonito, divertido, cheio de surpresas e repleto de desafios: Max and the Magic Marker é um game que, com certeza, representa uma sensacional adição à coleção de qualquer gamer.

O game custa US$ 20,00, tanto no Steam quanto no site da desenvolvedora, e se você o comprar, certamente serão 20 dólares muito bem gastos. 🙂 E se você desejar, ainda pode jogar a demo do game no seu próprio navegador.

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