Men of War: Assault Squad é um game de estratégia em tempo real (RTS, ou Real Time Strategy) que, sinceramente, pode afugentar quem nunca jogou um título de estratégia na vida, principalmente aqueles não baseados em turnos. Trata-se de um título pertencente à série Men of War. Assault Squad, na verdade, é uma expansão “stand-alone”, a qual não requer, entretanto, o game principal para jogar. Eu iria mais longe e diria que trata-se de um game completo. Full. Aliás, não encontrei nenhum site de distribuição digital vendendo-o como um DLC, e não entendi bem a razão pela qual o press release da destribuidora 1C Company o citou desta forma. Mas tudo bem. 🙂

Desenvolvido pela Digitalmindsoft, Men of War: Assault Squad é um título de estratégia com “E” maiúsculo e, em minha opinião, vale cada um dos US$ 34,99 por ele cobrados. O jogo conta com gráficos belíssimos que fazem com que você, frequentemente, caia na tentação de aproximar o zoom ao máximo, para observar toda a “beleza do campo de batalha”. Isto, é claro, tem um certo custo: o game é um tanto quanto pesado, e requer uma máquina “parruda” para que você possa apreciá-lo em toda a sua magnitude gráfica.

Vale lembrar também que estou jogando o game sem nunca ter jogado nenhum outro título da série, portanto, me perdoem por qualquer falha que eu porventura cometer. Mas logo de inicio gostaria de dizer que o game é impressionante. Trata-se de um título onde existem dois modos de jogo: “Skirmish” (singleplayer) e o Multiplayer. Aliás, o foco em Men of War: Assault Squad é o multiplayer, o que torna cada partida realmente única. E inesquecível.

No modo “Skirmish” contamos com 15 mapas, nos quais podemos controlar até cinco países que participaram da segunda guerra mundial (Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, Rússia e Japão). Vale ressaltar que é a primeira “aparição” do Japão em um game da série. Já no modo multiplayer, podemos participar de batalhas cooperativas contra a inteligência artificial do game ou contra outros jogadores. O modo multiplayer conta com 32 mapas, distribuídos por alguns modos de jogo, e é possível participarmos de partidas com até 16 jogadores simultâneamente.

O objetivo do modo “Skirmish” é controlar sucessivos pontos estratégicos. Para isto, é claro, você terá de utilizar muita estratégia e cautela, uma vez que a inteligência artificial do game é extremamente bem desenvolvida. Um dos recursos mais bacanas do game é o “controle direto”. Você pode simplesmente selecionar uma unidade qualquer do seu exército, ativar o controle direto para a mesma e sair controlando-a normalmente, através do mouse + teclas W, A, S, D. Isto pode representar, é claro, tanto uma ajuda quanto um desastre: depende do que você tem em mente e de como irá controlar o soldado que tem nas mãos. É possível, através do controle direto, realizar algumas ações furtivas (mas cuidadosas, lembre-se) e tornar as coisas mais fáceis para o restante do seu batalhão.

Através do controle dos pontos estratégicos, no modo “Skirmish”, você vai ganhando pontos que lhe fornecem acesso a novos tipos de unidades e equipamentos. Cada unidade, em Men of War: Assault Squad, possui nome, patente e ocupação, bem como é possível obter acesso ao tipo de armamento que a mesma utiliza (e até realizar mudanças neste aspecto). Você pode possuir em seu batalhão um tenente médico, por exemplo, o qual pode ser acionado para curar membros cuja energia vital esteja baixa. É claro que você mesmo pode curar os soldados. Existem as duas formas: use a que melhor se adequar à situação.

Você também conta, vale ressaltar, com unidades Sniper, as quais também são bastante úteis em ações que requerem furtividade e/ou precisão. Ao inspecionar veículos, construções e outros itens do cenário que não estejam sob o controle do inimigo, você pode de repente se deparar com recursos, recursos estes, é claro, que podem ser incorporados ao seu inventário. Armamento, etc. Esse tipo de coisa. Você pode gerenciar recursos, também, mas o game permite que esta parte fique no automático, o que acaba facilitando a vida do jogador.

A progressão é muito interessante, pois paulatinamente você, além de sentir aquele “gostinho de guerra” bem realista, vai desbloqueando unidades extras tais como jipes, caminhões, etc. De repente, um caminhão pode ser posicionado de forma tal a servir de escudo para que seus soldados possam então atirar com toda a segurança contra o inimigo.

Aos poucos, também, você vai recebendo mais unidades. Reforços, digamos. A princípio eles são controlados pela própria inteligência artificial do jogo. Vejo isto como uma forma de ajuda, uma vez que, geralmente, quando recebemos reforços, é porque as coisas vão mal. O controle sobre as unidades é tanto, que, individualmente ou em grupo, você pode alterar a postura dos soldados. Coloque-os de pé, faça-os ficar de joelhos ou então deixe-os deitados. Tudo isto visa fornecer um maior controle estratégico ao jogador, e aumenta ainda mais as possibilidades do jogo no tocante às formas de abordagem do inimigo.

Aliás, por falar em controles, vale ressaltar que os controles e comandos de Men of War: Assault Squad são fáceis e intuitivos. A dificuldade fica por conta de cada partida e dos oponentes (reais ou não). Existe inclusive uma barra localizada no canto inferior da tela para a qual você pode simplesmente arrastar os botões/comandos/controles que desejar, e dispô-los da forma que bem entender. A interface do game se adapta perfeitamente ao jogador, e assim, ajuda a diminuir a curva de aprendizado.

Você pode também ressaltar diversos ítens dispostos no cenário, através de botões específicos, e até mesmo cadáveres presentes no campo de batalha podem ser, assim, melhor visualizados. Estão disponíveis diversas opções de ataque, incluindo ataques melee. É muito interessante a maneira como o game identifica o tipo das unidades de seu exército presentes no campo, através de práticos mostradores localizados no canto direito. Infantaria, suporte, veículos pesados, etc.

O realismo é tão grande neste game que você pode se surpreender, em momentos de desespero, ao chamar um caminhão ou um jipe (ou outro suporte qualquer), por exemplo, e ter de amargar alguns segundos até que ele chegue ao local em que você se encontra. Isto vale para qualquer outro tipo de unidade. É claro que isto, além de fornecer mais realismo à situação, também força o jogador a buscar por maneiras de se proteger melhor e, consequentemente, melhorar sua estratégia.

Espere por enormes dificuldades, conforme vai progredindo no game. Cada veículo, como um tanque, por exemplo, possui um determinado nível de resistência, e isto também está relacionado com o armamento com o qual você está atacando este hipotético veículo inimigo. Não espere destruir um tanque de guerra inimigo com um simples e pobre soldado empunhando um rifle de precisão. Você pode utilizar morteiros, aliar uma saraivada de balas de um grupo de soldados, lançar granadas, etc. Todas as unidades, inimigas ou não, sofrem danos paulatinamente conforme são atingidas, e isto pode ser percebido claramente. Tudo isto permite que sintamos, realmente, uma verdadeira sensação de estarmos combatendo em um campo de guerra real, e não em um mero jogo eletrônico.

O multiplayer de Men of War: Assault Squad é muito divertido e empolgante. O único problema, para mim, foi encontrar partidas das quais pudesse realmente participar. Sempre enfrentei grande demora, devido à latência, principalmente. Se no modo multiplayer você jogar partidas cooperativas, espere combater a mesma inteligência artificial poderosa e inclemente do modo “Skirmish”. O multiplayer de Assault Squad, aliás, conta com diversos modos de jogo (Assault Zones, Combat, Skirmish e Frontlines). É possível jogar tanto via LAN quanto via internet.

Vale ressaltar que o “direct control” também está presente quando jogamos partidas multiplayer, o que aumenta fantasticamente a diversão e, também, a necessidade de cautela. O cenário é destrutível (para minha alegria), e agora, falando sobre a parte gráfica de Assault Squad, é impossível não deixar o queixo cair, principalmente se você “jogar com tudo no máximo”. É possível observar com incrível nível de detalhes a folhagem balançando ao sabor do vendo, a marca dos pneus deixados na terra pelos mais diversos veículos, a poeira sendo levantada, a chuva caindo com força no chão ou na água (formando, aqui, aqueles característicos círculos concêntricos que vão se dispersando aos poucos), o clarão dos tiros sendo disparados, e muitos outros detalhes que, caso eu fosse enumerar, geraria uma lista enorme. Cada construção, também, é um show à parte.

A riqueza de detalhes em cada cenário realmente impressiona, desde a neve até velhas cidades, passando por montanhas, cenários atravessados por linhas ferroviárias, fazendas, desertos, cidades, etc. Cada ítem que você observar no cenário possuirá grande nível de detalhes, os quais são mais perceptíveis no nível máximo de zoom, é claro.

Dois anos depois de Men of War, a Digitalmindsoft e a 1C Company nos entregam uma verdadeira obra prima. Um game que, além de suas enormes qualidades gráficas, possui um enorme fator replay, tanto devido à sua forte inteligência artificial quanto ao fator multiplayer. É claro que, infelizmente, o foco no multiplayer acaba por representar um certo entrave quando não conseguimos encontrar uma partida disponível (o que acontece com frequência – pelo menos por enquanto e aqui no Brasil). Mas o modo “Skirmish” não deixa de representar um fantástico campo de batalha onde podemos “nos perder” por muito tempo.

Conclusão

Men of War: Assault Squad é um jogo de estratégia para quem realmente aprecia o gênero e gosta de “se perder” em meio a pequenos detalhes que podem representar grande diferença no resultado final. Belíssimos gráficos e uma interface extremamente acessível e bem desenvolvida ajudam o jogador a sentir o “real sabor da guerra”. Men of War: Assault Squad é um dos melhores RTS’s ambientados na segunda grande guerra, na atualidade.

Ficha técnica

Título: Men of War: Assault Squad
Gênero: Estratégia em tempo real (RTS)
Desenvolvedora: Digitalmindsoft
Distribuidora: 1C Company
Data de lançamento: 25 de Fevereiro de 2011
Plataformas: PC
Versão analisada: PC

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