(Review) Metal Gear Rising: Revengeance – PC

Aquilo que conhecemos hoje como Metal Gear Rising: Revengeance foi primeiramente demonstrado por Hideo Kojima durante a E3 2009. O projeto, que chegou a ser conhecido como Metal Gear Solid: Rising, faz parte de uma das mais icônicas franquias de jogos eletrônicos de todos os tempos.

Passou por períodos conturbados de desenvolvimento na Kojima Productions e finalmente a Platinum Games (Bayonetta, Vanquish ) entrou na área, em 2011, sendo que o jogo foi finalmente lançado em 19 de Fevereiro de 2013, para Xbox 360 e Playstation 3.

Metal Gear Rising: Revengeance

Felizmente, apesar do atraso (quase um ano), Metal Gear Rising: Revengeance chegou ao PC, acompanhado de todos os DLCs lançados anteriormente para os consoles (Jetstream, Blade Wolf e VR Missions); também podemos desfrutar da resolução de 1920 x 1080. Os eventos em Revengeance acontecem após aqueles de Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots. O protagonista é o ciborgue Raiden e a ação stealth foi aqui deixada de lado (salvo algumas exceções) em detrimento da ação desenfreada, de carne, metal e concreto sendo fatiados, de combates frenéticos e muita ação e adrenalina.

Ficha técnica

Título: Metal Gear Rising: Revengeance

Gênero: Ação em terceira pessoa

Desenvolvedora: Platinum Games / Kojima Productions

Publisher: Konami

Data de lançamento: 19 de Fevereiro de 2013 (consoles) / 09 de Janeiro de 2014 (PC)

Plataformas: PC, Xbox 360, Playstation 3

Versão analisada: PC

Metal Gear Rising: Revengeance

Raiden é membro de uma EMP (Empresa Militar Privada), e o jogador, no início, tem a missão de proteger o primeiro ministro de uma nação africana. Tudo começa a dar errado muito rapidamente, a missão falha e Raiden acaba levando uma bela de uma surra de um personagem que, particularmente, me deixou uma impressão fortíssima quase que durante a trama inteira, o também ciborgue Jetstream Sam.

Metal Gear Rising: Revengeance tem pouco ou quase nenhum espaço para ação furtiva, e após o desastre inicial que deixa Raiden em um estado lastimável, o ciborgue volta à ação com um corpo reconstruído, novos e melhores implantes e muita vontade de caçar aqueles que assassinaram seu patrão e quase o mataram.

A narrativa é densa. Personagens interessantíssimos nos brindam com situações e frases memoráveis, muitas vezes fazendo referência ao passado de Raiden, e vários, inesquecíveis e desafiadores chefes tentam bloquear nossa passagem. São sempre “combates à velocidade da luz”, cheios de provocações (diversos clichês, também), algumas QTEs e muitas, muitas “espadadas”. E em Metal Gear Rising: Revengeance podemos ativar o “modo Katana”, é essencial lembrar.

Metal Gear Rising: Revengeance

Basicamente, ao assim fazermos, parece que tudo foi colocado em câmera lenta, menos o protagonista (obviamente, o que ocorre é que a velocidade deste último aumentou bastante). Enquanto no modo Katana, podemos fatiar nossos inimigos em dezenas, centenas de pedaços. Não só nossos inimigos, diga-se de passagem.

Vários elementos presentes nos cenários podem sentir o gosto do aço que manejamos: tanques de guerra podem ser partidos em pedaços (um contador, inclusive, é exibido em tela, com o número de pedaços). O concreto que sustenta viadutos sobre os quais robôs enormes nos ameaçam pode ser também fatiado.

Metal Gear Rising: Revengeance

Contêineres, rochas, árvores, estruturas metálicas, helicópteros, etc: a lista é imensa, e pode-se inclusive dizer que um dos grandes prazeres proporcionados por este jogo é justamente este: fatiar, em “câmera lenta” ou não. Fatiar. Estripar. Destroçar corpor, cibernéticos ou não. Despedaçar equipamentos, veículos, estruturas, abrir caminho cortando portões de aço ao meio. O novo corpo de Raiden também pode obter energia a partir dos inimigos que vão sendo abatidos, e aqui entra em cena também o modo Katana.

Ao cortarmos justamente as áreas certas dos ciborgues que enfrentamos (procedimento que deve ser imediatamente seguido pelo pressionar da tecla certa), podemos deles extrair energia (algo azul e que se parece com uma espinha dorsal é removido e então esmagado pelo Raiden –  para nossa própria reparação).

Ou seja, Raiden pode se recuperar enquanto mata e, acredite, é essencial dominar esta técnica o quanto antes, até mesmo porque enfraquecer os inimigos e realizar este procedimento faz também com que os combates sejam mais rápidos, ou melhor, faz com que os inimigos durem menos, o que, claro, resulta em vantagens óbvias.

Metal_Gear_Rising-Revengeance_03

Comentei mais acima sobre o fato de Metal Gear Rising: Revengeance não ser um jogo de ação furtiva. Mas, ainda assim, podemos agir furtivamente em alguns momentos, nos escondendo em caixas ou barris, burlando detectores laser e câmeras de segurança. Podemos assassinar inimigos silenciosamente, por trás, ou sobre eles nos lançado com a espada sedenta: nestes momentos, espere por uma chuva de sangue e por uma interessantíssima animação.

Nem tudo são flores, entretanto. Há um grande problema em Metal Gear Rising: Revengeance, e ele está relacionado à câmera do jogo. Em vários momentos, principalmente quando acionamos o modo Katana, a câmera fica “maluca”. Ela, digamos, aponta para onde não deveria, perdendo o foco naquilo que interessa e muitas vezes fazendo com que aquele ciborgue maldito que estávamos tentando fatiar com tanto gosto escape e/ou nos atinja com tudo.

São momentos bem complicados, que podem atrapalhar bastante e fazer com que percamos a paciência, principalmente em combates importantes, contra um dos diversos bosses do game. A câmera pode começar a focar, automaticamente e sem qualquer razão aparente, por exemplo, na parte inferior da tela, logo após iniciarmos o fatiamento da parte superior de algum inimigo. Já deu para imaginar o quão desastroso isto pode ser, não é, principalmente se estivermos cercados?

Vale também destacar, infelizmente, a “IA ninja superpoderosa” de alguns inimigos. Tudo bem, muitos deles são robôs, ciborgues, etc. É de se esperar que lidemos, aqui, com criaturas dotadas de sentidos aguçados, sensores mirabolantes, e por aí vai.

Mas em determinados momentos esta “super detecção” irrita. Acredito que a Platinum Games meio que errou a mão, aí. Um exagero? Creio que sim. Somos detectados a metros e metros de distância, estando fora de campos de visão, de quaisquer detectores e/ou sensores (mesmo após confirmarmos que tudo está OK, através de nossa “visão especial” em infravermelho).

Metal Gear Rising: Revengeance

As mecânicas do jogo também não oferecem espaço para modos de jogar mais lentos. A cadência é sempre acelerada, Raiden teima em correr, pular, saltar, realizar piruetas (a própria corrida Ninja é um exemplo disto – mediante tal recurso, uma série de saltos, deslizes, pulos, esquivas e outros movimentos estratégicos são automáticos, bastando manter-se pressionado um único botão), e o resultado é que, realmente, a ação não para, mesmo contra a nossa vontade.

Além disso, existe pouco espaço para exploração, em Metal Gear Rising: Revengeance, e quando, por exemplo, encontramos uma sala escondida contendo munição para nossas armas extras ou pedaços de nanopasta para regeneração, somos surpreendidos por um exército de robôs bípedes e cigorgues nos atacando por todos os lados.

Metal Gear Rising: Revengeance

Apesar disto, temos aqui, com certeza, um grande jogo. Temos personagens muito carismáticos (incluindo o próprio Raiden, que no decorrer do jogo acaba se tornando mais violento enquanto embarca em uma espécie de busca pessoal por justiça, deixando de lado inclusive algumas limitações auto-impostas) e uma história bastante interessante, que conta até mesmo com algumas reviravoltas de cair o queixo.

Raiden teve um passado bastante complicado, e a transformação que o personagem sofre durante sua jornada em Revengeance é notável: ele fica mais frio, forte e insensível, dependendo de quem está em sua frente (Jack the Ripper voltou, ele chega a dizer).

Temos também boas doses de humor (impossível não dar risada com o Raiden de Sombrero, na missão no México). Também é impossível não nos emocionarmos com a história do pequeno George, encontrado no meio dos esgotos.

Ética, personalidades movidas por algo mais (e mais perigoso) que ganância, futuro e organizações sombrios também fazem parte da trama. Isto sem falar em grupos interessados em desestabilizar diversas regiões do mundo e fomentar guerras (até mesmo o 11 de Setembro é utilizado como comparação com um determinado evento planejado). Grupos que, claro, têm todo um interesse em fornecer os devidos “suprimentos” posteriores.

Metal Gear Rising: Revengeance

E quando o personagem principal se depara com evidências mais do que suficientes para ligar a organização rival Desperado Enforcement com o tráfico de órgãos, o cenário fica ainda mais assustador. Tal cenário e seus desdobramentos acaba sendo o principal fator motivador de Raiden, daí em diante. O Ninja sente que precisa impedir as atrocidades que estão por vir, e aí, então, tudo fica muito mais “vermelho”.

Metal Gear Rising: Revengeance

Durante o gameplay podemos realizar diversos upgrades no corpo do protagonista, melhorando, por exemplo, sua resistência e sua capacidade de absorção de eletrólitos nos momentos em que fatia seus inimigos. Tudo isto é adquirido com PB (Pontos de Batalha), e para ganhar tais pontos, tudo o que precisamos fazer é justamente retalhar robôs, ciborgues e quaisquer outros oponentes.

Também podemos carregar e utilizar duas armas em combate, a principal, geralmente a poderosíssima Katana, e uma secundária (no controle do Xbox 360, acionada com o Y). Ambas podem receber vários upgrades, e se tornarem ainda mais destruidoras, e não é difícil imaginar que este “conjunto” é capaz de resultar em espetáculos violentíssimos e durante os quais pedaços voam para todos os lados e o sangue espirra na tela.

Ainda temos um “combate final” memorável, o qual começa com um chefe gigantesco. Tal combate só não foi melhor devido ao uso excessivo de QTEs, as quais, dependendo da situação, podem acabar com a imersão e/ou se tornarem cansativas. Mas repare que eu inseri “combate final” entre aspas: sim, tem mais, ali, e justamente este “mais” (e tudo o mais a partir daí) é o que faz com que o final de  Metal Gear Rising: Revengeance seja sensacional.

Metal Gear Rising: Revengeance

Conclusão

Metal Gear Rising: Revengeance, apesar de fazer parte da renomada franquia criada por Hideo Kojima, possui pouco espaço para ação furtiva. Entretanto, o título ganha força justamente quando nos damos conta de sua proposta. Quando percebemos que a ação, ali, não deve acontecer nas sombras. Que metal e concreto devem ser fatiados. Que inimigos devem ser estripados sem cerimônia. Raiden evolui enquanto personagem de forma espetacular durante o gameplay, e os discursos filosóficos que recheiam a trama são capazes de nos surpreender bastante. Fatie. Corra. Lute. À velocidade (ou quase) da luz.

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[Editado] OBS: fica aqui meu agradecimento a meu sobrinho Marcelo, pelas dicas valiosíssimas durante o gameplay. 😉

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2 Comments

  1. Parabéns pelo review, Marcos!

    Cheguei a jogar apenas a demo de MGR, apesar de preferir os jogos furtivos da franquia, não pude deixar de notar que ele carrega o humor do Kojima (há uma parte em que um robô diz possuir uma inteligência muito superior a dos humanos, coisa e tal… o Raiden diz: “Ah é? Então me diga: Qual o sentido da vida?” hahahah)

    Só achei ele meio “smash button”, mas isso é tipo dos jogos deste gênero. Agora que está no PC, devo jogá-lo no futuro, quando tiver uma boa promoção do Steam! 🙂

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    • Valeu Diego!

      Então, é mesmo. Bastante humor. Essa parte com o Blade Wolf é muito engraçada. Aliás, a versão PC saiu com os DLCs do Jetstream e do lobo. Jogar como o lobo é bem divertido. 😀

      Agora estou começando a encarar o Castlevania: Lords of Shadows. Vamos ver.

      Reply

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