A história de Mutant Year Zero: Road to Eden se passa em um mundo pós-apocalíptico. A Terra foi devastada por uma grande guerra nuclear, e existe apenas um refúgio para o que sobrou da humanidade, conhecido como Arca, local este que é liderado por alguém conhecido como Ancião.

Os “Antigos”, aqueles que vieram antes (puxa, até parece que estou falando a respeito de Assassin’s Creed), são mencionados pelos protagonistas de Mutant Year Zero: Road to Eden, e nada mais são do que os humanos que acabaram com o mundo como ele era conhecido. Artefatos criados por eles ainda permanecem na terra devastada, conhecida como “A Zona”, e por aí perambulam criaturas conhecidas como Aberrações, que são os inimigos que combatemos no jogo.

Mutant Year Zero: Road to Eden

Existem vários níveis e classes de aberrações, e os personagens principais são mutantes, criaturas com características animalescas. Temos principalmente Dux (um pato) e Bormin (um Javali), os quais fazem parte de um grupo conhecido como Patrulheiros, responsável por explorar o perigoso mundo fora da Arca e retornar com artefatos, suprimentos e tudo o mais que seja reaproveitável e que possa ajudar a Arca a continuar funcionando e sustentando o resquício de humanidade que ali resta.

Mutant Year Zero: Road to Eden é um jogo que mistura ação stealth com estratégia em turnos, principalmente, com alguns elementos de RPG. Nele, muitas coisas nos lembram bastante de XCOM: Enemy Unknown e XCOM 2, principalmente os momentos de combate. Mas não pense que estamos frente a uma cópia pura e simples: o jogo possui seus próprios méritos, suas diferenças e seus diferenciais.

E não se engane: estamos falando a respeito de um título de estratégia em turnos extremamente desafiador. Você irá morrer muitas vezes, terá de reposicionar suas unidades muitas vezes, terá de lidar com heróis caídos em locais distantes, os quais precisarão receber ajuda pois em caso contrário morrerão dentro de 5 turnos, recarregará muitos saves anteriores, passará bastante nervoso e quebrará muito a cabeça para avançar através das diversas missões na Zona.

Mutant Year Zero: Road to Eden

Há uma espécie de mito, em Mutant Year Zero: Road to Eden, o qual é bastante reforçado por Hammon, um engenheiro muito importante que vive na Arca (uma das primeiras missões é justamente sair em busca dele, pois ele desaparece em determinado ponto do gameplay).

Hammon é quem mantém tudo funcionando, é quem cria, quem conserta, quem coloca tudo em seus devidos eixos (incluindo armamento). Mas voltando ao mito, trata-se de um hipotético lugar conhecido como Éden, onde todos viveriam em paz e onde nada do que acontece na Zona teria efeito. Trata-se de outro detalhe bacana do jogo, que acaba por fazer com que o jogador fique ainda mais interessado na trama.

Bem, no jogo, as missões acontecem em meio ao mundo devastado pela guerra, na tal Zona, repleta de locais inóspitos e assustadores, por onde perambulam criaturas realmente perigosas que não pensam duas vezes em nos atacar tão logo de nós tomam conhecimento. Saímos em missão com no máximo três heróis, sendo que podemos alterar a composição de nossa equipe diversas vezes durante o gameplay.

Mutant Year Zero: Road to Eden

Na Arca, existem algumas instalações bem interessantes, incluindo uma que permite que troquemos sucata (que encontramos na Zona e que funciona como uma espécie de moeda, no jogo) por itens diversos, equipamentos e armas novas. Existe também um bar, onde podemos trocar artefatos diversos que encontramos no mundo devastado lá fora por habilidades específicas, e uma oficina, na qual podemos consertar e realizar upgrades em armas e itens diversos presentes em nosso inventário.

Algo bastante interessante no título distribuído pela Funcom é que podemos caminhar livremente pelo mundo devastado, coletando itens, explorando e apreciando belos visuais (os gráficos do jogo são bastante caprichados, vale ressaltar).

Mutant Year Zero: Road to Eden

É um tanto quanto perigoso caminhar na Zona, também, pois podemos topar com inimigos de diferentes tipos, um mais perigoso que o outro. Todos eles possuem uma espécie de raio de detecção, em vermelho, e caso o atravessemos somos automaticamente notados e o combate então começa.

Mas também podemos agir furtivamente, abatendo inimigos aos poucos, um por um, quem sabe, e assim até mesmo evitando que eles chamem reforços. Agir com cautela é essencial, até, eu diria, pois podemos inclusive dar cabo de vários inimigos sem que aqueles que estão ao redor nos detectem (podemos ir dividindo-os, eliminando-os pouco a pouco, matando-os furtivamente, dependendo da situação).

Mutant Year Zero: Road to Eden

Ao nos depararmos com as Aberrações, podemos iniciar emboscadas, e aí o primeiro turno é nosso. Cada uma de nossas unidades (iniciamos com Dux e Bormin, mas ao longo do gameplay podemos ir adquirindo outras) possui dois pontos de ação: esgotados estes, inicia-se então o turno do inimigo (desde que tenhamos sido detectados).

Temos várias armas à nossa disposição, incluindo armas silenciosas que permitem maiores vantagens quando desejamos ação stealth, obviamente. Temos granadas, pistolas, escopetas, kits médicos (tanto para uso da própria unidade que o possui quanto para reviver unidades caídas), e diversas outras armas, incluindo algumas bastante mirabolantes e poderosas.

Enquanto estamos explorando, podemos separar as unidades umas das outras e também reagrupá-las, o que abre muito espaço para estratégias as mais diversas no momento das abordagens, pois podemos posicionar cada um de nossos heróis onde bem entendermos, antes de iniciar uma emboscada. Unidades também podem ser ativadas ou ignoradas, durante cada emboscada, mas as unidades não ativas entram em ação (e no jogo) automaticamente caso sejam detectadas pelo inimigo.

Mutant Year Zero: Road to Eden

Um grande problema do jogo, entretanto, é o fato de que nem sempre nossas chances de acerto condizem com aquilo que observamos em tela, no momento em que miramos em algum inimigo. Por exemplo, não foram poucos os momentos em que eu tinha 75% de chances de acerto e, no entanto, minha unidade errou o tiro.

Mutant Year Zero: Road to Eden

Em outras situações, eu possuía menos chances de acerto e acabei acertando o alvo. Parece que somos relegados a uma espécie de “fator sorte”, aqui, problema este que pode causar bastante dor de cabeça e acabar estragando um pouco a diversão. Cheguei até mesmo a recarregar saves anteriores para repetir o mesmo combate e conferir como este sistema iria se comportar, e me deparei com o mesmo problema, com a mesma incongruência.

As emboscadas podem ser utilizadas de maneira tal a isolar, por exemplo, um ou dois inimigos (muito cuidado com os xamãs, os quais são capazes de chamar reforços), e deles dar cabo bem rapidamente. Podemos “caminhar” aos poucos, abatendo inimigos pouco a pouco, até eliminar todos os existentes em uma determinada zona.

Entretanto, e aí entra aquilo que eu comentei mais acima a respeito do jogo ser bastante desafiador, difícil mesmo, muitas vezes somos cercados por todos os lados por inimigos extremamente poderosos. Por uma grande quantidade deles, até, o que dificulta bastante as coisas, valendo lembrar que também existem unidades inimigas com poderes de cura, o que nos atrapalha bastante.

Mutant Year Zero: Road to Eden

Nossos heróis também sobem de nível, e aí entra o elemento RPG que comentei acima. Eles podem ser evoluídos e receber tanto habilidades ativas quanto passivas. Eles também podem receber diversas mutações, as quais conferem poderes e/ou habilidades distintas a cada um dos deles, fornecendo vantagens únicas quando em combate. Cada personagem, além disso, conta com uma determinada composição de mutações, e é bacana demais o fato de que elas podem ser rearranjadas à qualquer momento, após adquiridas.

De maneira um tanto quanto similar ao que acontece nos últimos XCOM, no momento de cada disparo somos apresentados a uma câmera em terceira pessoa bem próxima, a qual inclusive mostra em câmera lenta os resultados de nossas ações (tudo fica melhor ainda quando conseguimos eliminar o alvo).

Mutant Year Zero: Road to Eden

Vale levar também em consideração o fato de que o jogo considera o tipo de arma e seu alcance, além da distância em que os inimigos se encontram, para determinar se é possível ou não os acertarmos com nossas armas. Elementos como casas, construções diversas, paredes, árvores, rochas e outros também podem dificultar nossa visão ou, por outro lado, servir como cobertura.

É um fato, entretanto, que nem sempre o nível de cobertura indicado por diversos elementos representa a realidade propriamente dita: você pode receber dano mesmo quando lhe foi indicado que a cobertura em questão iria te proteger 100% em relação à direção de onde veio o disparo.

Os diálogos entre os personagens principais também representam um ponto a ser levado em alta consideração, vale ressaltar. Temos bastante informação e conversas muito interessantes, além de certas doses de humor e sarcasmo. O trabalho de dublagem dos personagens também é muito bom, e a trilha sonora possui um quê meio anos 80, com bastante sintetizadores. É muito bacana.

Mutant Year Zero: Road to Eden

Mutant Year Zero: Road to Eden é um ótimo jogo de estratégia em turnos. Ele possui lá os seus problemas, mas estes não estragam a aventura. O único porém talvez seja sua enorme dificuldade, a qual talvez possa afastar jogadores não lá muito acostumados com títulos similares e/ou que preferem se manter distantes de enormes desafios.

Mas se você não se preocupa com isso, gosta de ficção científica, de estratégia em turnos e de jogos ambientados em mundos pós-apocalípticos belamente representados, vá com tudo.

Ficha técnica

Título: Mutant Year Zero: Road to Eden

Gênero: estratégia em turnos

Desenvolvedora: The Bearded Ladies

Publisher: Funcom

Data de lançamento: 04 de Dezembro de 2018

Plataformas: PC, PlayStation 4, Xbox One

Versão analisada: PC

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