Pride of Nations é um jogo de estratégia baseado em turnos desenvolvido pela AGEOD (Paradox France) e cuja publisher é a Paradox Interactive. Trata-se realmente de um grande game de estratégia. Em diversos sentidos. A grandiosidade de Pride of Nations está presente até mesmo em sua trilha sonora, composta por música clássica. Ao jogar, você ouvirá trechos de obras de Edward Elgar, Beethoven e diversos outros, além de hinos nacionais. Isto acaba transformando o jogo em um verdadeiro espetáculo áudio-visual.

Pride of Nations é ambientado na era colonial. O gameplay ocorre em um período compreendido entre os séculos 19 e 20. Um período de 70 anos, durante os quais você poderá escolher e liderar uma dentre 8 grandes potências da época, como por exemplo Estados Unidos, Alemanha, França, etc. O jogo é complexo, não vou negar, e à princípio o gamer pode se sentir amedrontado pela enorme quantidade de informações, opções, controles, sistemas e telas presentes no mesmo.

Para ajudar um pouco, existe um tutorial (mas não se anime muito com ele). Durante este tutorial serão explicados os princípios bem básicos do game, mas eu recomendo firmemente que você o jogue. Na verdade, este tutorial não fará com que você aprenda a jogar PON. Ele apenas lhe dará uma leve idéia; o jogo é difícil, sem brincadeira. O que não é de forma alguma um fator negativo. Muito pelo contrário: o nível de simulação e de representação de diversos acontecimentos e elementos históricos é tão grande que não poderia ser de outra forma.

Este título da AGEOD é um fantástico jogo histórico. Trata-se de um game onde o jogador terá de “ir fundo” caso deseje obter o máximo que o mesmo pode oferecer, e apesar do gameplay, independentemente de qual nação você escolher, começar livre de guerras e com tudo indo bem em seu país (indústrias, finanças, etc), é claro que logo logo será necessário começar a lidar com extração de recursos, gerenciamento de finanças, negociações e diplomacia com outras superpotências, etc.

O dinheiro em Pride of Nations é tratado de forma um tanto quanto diferente da forma como é tratado em outros jogos de estratégia. Existe o “state Money” (dinheiro do estado) e o “private capital” (capital privado). Isto se deve ao fato do jogo seguir à risca o “modo de trabalho” da era colonial, e a maneira como até então as indústrias, por exemplo, eram construídas e mantidas com dinheiro do setor privado e os exércitos, por exemplo, eram mantidos com dinheiro do estado.

Produzir é fundamental, em Pride of Nations, e não somente para fins militares. O ciclo de produção de bens pelo estado deve ser sempre observado com enorme cautela, pois é claro que uma superpotência precisa ter meios suficientes para se manter. A população comprará, é claro, e este dinheiro entrará então para os cofres como dinheiro do estado. Mas é óbvio que o povo de seu país não comprará tudo o que você produzir. Aliás, você pode sempre checar o seu estoque, verificar o que poderá ser requisitado no próximo turno e até mesmo conferir o que outras regiões e nações estão vendendo e comprando.

Você consegue inclusive verificar o que vendeu para quem, no tocante ao comércio internacional, e também verificar o que comprou. Todas estas são informações importantíssimas para a boa saúde financeira do estado, o que acabará se refletindo em outras áreas, é claro. Pride of Nations consegue representar perfeitamente a política mundial do período que “cobre”. Vale ressaltar também que o gameplay pode mudar drásticamente conforme a nação que você escolher. Cada uma das 8 nações possui fraquezas e peculiaridades bem distintas.

Algumas nações são mais fáceis de se conduzir do que outras, e você terá de encontrar, talvez, um meio termo que melhor se adapte ao seu estilo de jogo. Existem diversos modos de jogo, ou melhor, de “atuação/visão”, em PON, e em cada um deles você será capaz de trabalhar com diversas ferramentas e acessar inúmeras opções de controle. Existem os modos “industrial/econômico”, “decisões”, “militar” e “colonial”. Em alguns deles você pode ativar sub-modos, como por exemplo o sub-modo “construction mode” dentro do modo “militar”, o qual sai do modo ativo, digamos, no qual você lida diretamente com seu aparato militar, e permite que você construa, modifique, recrute e execute diversas ações “não muito bélicas” no tocante às suas forças armadas.

Pride of Nations é um jogo que também requer muita tática e paciência, e pode até mesmo ser não indicado aos mais apressados. A simulação aqui é levada aos extremos. Nada de arregimentar forças enormes de uma só vez, levá-las através de “mágica” até o inimigo e dar prosseguimento aos embates. Além do aspecto econômico que sempre influencia e pode até mesmo impedir que você organize expedições, tudo deve ser planejado e cada detalhe deve ser observado minunciosamente. A diplomacia também é muito importante em Pride of Nations, e muitas vezes pode fazer com que uma guerra não aconteça. Pelo menos, não durante um certo tempo, dependendo da situação e dos envolvidos.

Delicadeza e atenção extremas devem ser utilizadas também na diplomacia, pois se por um lado você pode, através dela, impedir a ocorrência de conflitos armados, suas ações também podem ocasionar guerras que envolverão diversos outros países. Estamos falando de um jogo muito refinado e que requer atenção aos mínimos detalhes para que a nação em questão obtenha prestígio. Aliás, existe um ranking das nações que contam com mais prestígio, e você deve atingir uma determinada pontuação para ganhar o jogo.

Cada turno dura 15 dias (in-game), e durante este tempo você poderá se dedicar às mais diversas atividades, enquanto observa toda a elegância, o refinamento e a beleza do game como um todo. Desenvolvido com a engine proprietária AGE (Adaptive Game Engine), o título é belíssimo. Conta com telas de loading belíssimas, telas informativas repletas de informações e também elas próprias criadas com muito esmero, e vale lembrar que o gameplay ocorre em um belíssimo mapa-múndi, através do qual você pode viajar à vontade. Posicionando seu cursor sobre determinado país, área, região, construção, unidade, etc, você consegue obter dados detalhados a respeito do mesmo.

Número de habitantes, quantidade de unidades de extração presentes na área, bem como o que está sendo extraído, quantidade de soldados, benefícios já realizados na área, e mais uma infinidade de informações extremamente úteis. No canto inferior esquerdo da tela existe um visor muito interessante que exibe as condições climáticas vigentes no local para o qual o cursor está apontando. Por exemplo, neste momento, ao apontar o cursor para Rudny, na Rússia, obtenho um relatório que me diz que a região está sob neve. Consigo saber também qual o nível de lealdade do respectivo local em relação ao meu país. O visor que mencionei acima é dinânico, e muda automaticamente conforme a região em questão, inclusive exibindo, por exemplo, níveis maiores ou menores de incidência de neve e/ou chuva, por exemplo.

É um desafio e tanto lidar com a economia, as indústrias em geral e o lado militar de seu país de forma tal a manter sua prosperidade, em um jogo que leva a estratégia e o quesito “história” tão a fundo. A quantidade de estatísticas e números que serão apresentados ao jogador é muito grande, e é necessária realmente grande paciência, principalmente para quem nunca jogou um título deste tipo. A própria “lentidão”, digamos, do título, ou seja, a maneira como as coisas transcorrem, simulando bastante, tomadas as devidas proporções, o que aconteceria na vida real, permite que o jogador, por outro lado, escolha por onde quer começar a mudar as coisas em seu país.

Através dos diversos modos que realçam unidades militares, indústrias, construções civis, etc, é possível acessar-se mais facilmente aquilo que realmente interessa no momento. Você conta também com “auxiliares” e diversos relatórios e listas que o ajudarão na árdua tarefa de conduzir e levar o seu país ao topo. Ministério da Guerra, Ministério da Indústria e do Comércio, pesquisas visando novas tecnologias, informações detalhadas a respeito da localização, necessidades e equipamentos de suas tropas, mapas estratégicos, etc. Pride of Nations é realmente grande. Um grande game, que requer grande atenção e grande dedicação. Um grande game que vale bem mais do que aquilo que custa, como costumo dizer. 🙂

Conclusão

Pride of Nations é um jogo complexo, elegante e viciante. O título leva o quesito “estratégia” realmente a sério, e oferece uma profundidade raramente vista em games do gênero. Repleto de detalhes e custando apenas US$ 19,99, PON pode ser adequado ao gamer que gosta de jogos de estratégia baseados em turnos desafiadores e históricos.

Ficha técnica

Título: Pride of Nations
Gênero: Estratégia em turnos
Desenvolvedora: AGEOD (Paradox France)
Distribuidora: Paradox Interactive
Data de lançamento: 07 de Junho de 2011
Plataformas: PC
Versão analisada: PC

Pin It on Pinterest