RAGE é o mais recente lançamento da lendária  id Software, empresa que pode também ser considerada como a criadora do gênero FPS. Aliás, empresa também responsável por jogos e séries que todo jogador já deve ter no mínimo ouvido falar: Wolfenstein, Quake e Doom. A  id Software, aliás, tem como um de seus fundadores o também lendário programador John Carmack, e RAGE foi desenvolvido com a utilização da engine id Tech 5. Esta engine, aliás, juntamente com a tecnologia Mega Texture, é responsável por gráficos simplesmente espetaculares.

É bem verdade que RAGE sofreu bastante quando de seu lançamento, e os problemas ocorreram principalmente em sua versão para PC. Quem comprou a versão para PC do título recebeu diversas sugestões para atualizações constantes dos drivers de sua placa de vídeo, e os problemas oriundos, talvez, de algum tipo de incompatibilidade entre a id Tech 5 e as mais diversas placas de vídeo existentes no mercado causaram muitos sofrimentos aos PC gamers. Texturas lavadas, “texture Popping”, “screen tearing”, etc. Tudo isto foi experimentado por quem optou pela versão para PC de RAGE, e a id Software parou de lançar patches para o game, estranhamente, em 08 de Outubro de 2011.

Mas talvez grande parte dos problemas que mencionei acima já tenham sido resolvidos. Posso dizer que após alguns patches lançados pela empresa e alguns updates no driver de minha placa de vídeo, consegui jogar RAGE sem problema algum em relação à sua parte gráfica. Pude apreciar todo o espetáculo visual que o jogo tem a oferecer, além de seu gameplay divertidíssimo.

RAGE oferece ao jogador uma história ambientada em um mundo pós-apocalíptico. Após a queda de um asteroide chamado Apophis, o qual causou a quase extinção da raça humana. A animação introdutória do jogo, aliás, é belíssima, e mostra o impacto do asteroide na Terra, após sua pequena trombada com a Lua. Apesar da destruição causada, Apophis trouxe consigo um material chamado Feltrite, o qual, além de extremamente valioso e servir a diversas finalidades não muito pacifistas e moralmente aceitáveis, também serve para o desenvolvimento de munição (não que isto também seja algo “da paz”, é claro) e armaduras mais fortes.

Alguns grupos de bandidos conseguem até mesmo combinar Feltrite com outros elementos, e existem verdadeiros complexos destinados a refinar e tirar o máximo proveito do material. Você emerge de sua câmara criogênica (Omega 5) em uma arca metálica e fria e, assim que as portas se abrem, você se depara com um mundo, apesar de devastado, belíssimo e extremamente convidativo. Estas arcas faziam parte de um plano para reorganizar o mundo e reerguer a humanidade após a desgraça. É claro que este plano não deu certo, e esta é a premissa para as aventuras propostas pelo jogo.

Você é um soldado sem nome que, após sair de sua “Ark”, é salvo das mãos de um mutante por um cara chamado Dan Hagar, chefe de uma espécie de grupo que tenta se manter unido e se defender dos mutantes e das gangues de bandidos. Aliás, RAGE oferecerá ao jogador 3 tipos de inimigos: mutantes, extremamente rápidos porém fracos (a princípio), bandidos pertencentes a diferentes gangues e soldados da “Authority”, os quais são extremamente bem equipados. A “Authority”, aliás, é uma espécie de organização militar que passou a controlar a Terra após a queda de Apophis, e possui um interesse muito especial em qualquer sobrevivente de uma arca, e conta até com uma espécie de “quartel general”, chamado Capital Prime.

Infelizmente me decepcionei um pouco com RAGE em relação à liberdade proporcionada ao jogador. Este pode perambular pelas “Wastelands”, é claro, e até mesmo receber side quests de vários NPC’s. É sempre bom tentar conversar com todos. Mas, as missões em RAGE se resumem a ataques a bases de bandidos, resgatar algo ou alguém, desativar dispositivos, dirigir até algum local distante, levar suprimentos para alguma cidade, etc. É claro que tudo isto é repleto de momentos de intenso combate, e o jogador poderá experimentar tiroteios verdadeiramente empolgantes.

Entretanto, não existe um “mundo aberto”, em RAGE. Não há muito o que se fazer fora das cidades e assentamentos, além das missões primárias e secundárias que nos são fornecidas. Obviamente RAGE consegue prender o jogador com seus gráficos maravilhosos. É interessante como as “Wastelands” podem ser variadas e oferecerem experiências diferentes. Em “Eastern Wasteland”, por exemplo, há uma mudança radical na paisagem. Esta se torna mais escura e triste, porém mantém as texturas belíssimas e os cenários estonteantes.

Seja andando ou à bordo de um dos diversos veículos que você poderá dirigir, o espetáculo é sempre surpreendente. A poeira é levada pelo vento de forma tão sensacional que é muito capaz de você passar diversos momentos olhando para este “simples detalhe”. Escarpas enormes e amedrontadoras proporcionam ao mesmo tempo susto e deleite, e em todas as “Wastelands” existem drones da “Authority” vigiando, vale lembrar.

Dirigir pelas estradas poeirentas do mundo de RAGE é uma experiência e tanto, principalmente porque infalivelmente você encontrará bandidos motorizados pelo caminho, e aí, então, combates veiculares sensacionais serão iniciados. É sempre bom, portanto, comprar munição para seus veículos e também repará-los, nas garagens que você ganha, por exemplo, em Wellspring ou em Subway Town, a base da Resistência. Você passa a fazer parte da Resistência, é claro, vale lembrar.

Este novo jogo da id Software proporciona ao jogador diversas opções no tocante ao armamento, inclusive com a possibilidade de utilizar diversos tipos de munição para cada arma. No decorrer do jogo, as armas que você vai recebendo vão ficando armazenadas em seu inventário, e você pode carregar até 4 para utilização imediata. Mas também pode, a qualquer momento, acessar seu inventário e realizar as mudanças que bem desejar.

Lança-foguetes, metralhadoras, um “crossbow”, rifles sniper e de assalto, pistolas, shotguns e até mesmo a poderosíssima “Authority Pulse Cannon” farão parte do seu arsenal, sendo que cada uma destas armas poderá utilizar munições bem interessantes, e a troca do tipo de munição também pode ser realizada durante a loucura dos tiroteios. Com as “Killbursts”, por exemplo, para a Settler Pistol, você descarrega o tambor inteiro em menos de um segundo. As “Feltrite AR Rounds”, para o rifle de assalto, possuem maior poder de penetração em armaduras, e a “Pulse Shot”, para a shotgun, dispara projéteis envoltos por uma carga eletromagnética.

As opções são inúmeras, e o efeito no corpo dos inimigos é sempre diferente, principalmente no caso de munições que utilizem algum tipo de energia. O crossbow possui setas eletrificadas e até mesmo setas que dão ao jogador controle temporário sobre os alvos. Trata-se da munição “Mind Control Bolt”, e o controle temporário sobre o inimigo durará até que ele exploda.

São bacanas, também, os carrinhos de controle remoto explosivos. Algumas missões requerem a utilização dos mesmos, os quais podem entrar em locais inacessíveis ao protagonista, mas é possível também causar grande destruição em meio a um grupo de bandidos, mediante a utilização deste “brinquedo”. O jogador também poderá utilizar bumerangues com lâminas, os quais são extremamente úteis ao lidar com mutantes ou outros inimigos que não estejam utilizando nenhum tipo de traje de combate, por exemplo, e granadas normais e EMP. Aliás, você recebe seus primeiros bumerangues de uma mulher chamada Loosum Hagar, a qual te convida para um jogo de tiro ao alvo com bumerangues.

Diversos objetos que você encontra em suas andanças também podem ser combinados e transformados em armas ou em itens para a recuperação de sua energia vital, por exemplo (muitos também podem ser vendidos). Isto se dá através do menu “Engineering”, o qual inclusive lista a quantidade necessária de cada item para a construção do “projeto”.

A trama de RAGE, apesar de não ser muito profunda, principalmente pela falta de ligação entre você e os demais personagens (aliás, nem o seu próprio nome é conhecido), é interessante. A queda do asteroide, o “Ark project”, a antecipação da desgraça pelos cientistas e a criação de uma enorme rede para a posterior tentativa de reerguer a humanidade, e os próprios efeitos causados pela queda de Apophis, direta ou indiretamente, muitos deles intimamente ligados com a “Authority”, são elementos bem intrigantes, principalmente conforme avançamos no jogo.

Existem também alguns problemas nesta trama, justamente pelo fato de que o protagonista acaba tomando conhecimento com a Resistência de forma um pouco tardia, em minha opinião, e nem quando isto acontece são formados laços de amizade ou de simpatia. Você é simplesmente um soldado enviado em missões perigosas, e se retornar vivo receberá alguns parabéns ou novos veículos/armas. Nada mais.

É claro que também não poderíamos esperar muito mais neste sentido em um game como RAGE, onde o maior apelo está no elemento FPS e na excelência gráfica. De qualquer forma, o enredo de RAGE é muito mais interessante que o de Battlefield 3 e outros tantos lançamentos recentes. Mas chega um momento em que a falta de variedade nas missões chega a cansar o jogador, e nestes momentos, a solidez do FPS que temos em mãos, juntamente com seu visual maravilhoso, representam sempre motivos adicionais para seguirmos adiante. De qualquer forma, esperava um RAGE mais variado no quesito “enredo”. Muitas vezes parece que estamos em mais um jogo que nos apresenta outro “corredor de guerra”, o qual nos impede de olhar para os lados.

Em cada cidade ou assentamento também é possível participar de corridas com a finalidade de realizar upgrades em seus veículos. Em determinadas missões, aliás, existem pré-requisitos. Em Subway Town, por exemplo, o chefão do lugar, Redstone, só deixa você partir em direção a uma determinada missão após você ganhar um veículo mais poderoso em uma corrida. Isto é necessário, pois as terras sem lei de RAGE estão repletas de bandidos motorizados que farão de tudo para destruí-lo.

Os combates veiculares chegam muitas vezes a empolgar bastante, principalmente devido à possibilidade de utilizar metralhadoras, mísseis e outros tipos de armas em seu veículo, além do fato de terrenos irregulares proporcionarem grandes oportunidades para saltos mirabolantes. Todos os veículos também contam com uma espécie de modo turbo, aliás, o qual faz com que sua velocidade aumente tremendamente. O efeito aplicado neste momento, uma espécie de “motion blur”, aliás, é fantástico.

Enquanto nas “Wastelands”, é possível sentir a desolação e a frieza de um mundo que sofreu um grande desastre de forma sonora e gráfica. Os belíssimos gráficos retratam um ambiente nada acolhedor, e o vento parece conter memórias moribundas de um passado há muito esquecido. A beleza do mundo de RAGE fora das cidades e outros locais fechados é enorme, e a impressão de vastidão que o jogador sente é enorme. Tudo isto torna o jogo sempre bonito e instigante, e aparentes restos de cidades antigas podem até mesmo serem visualizados, ao longe, o que aumenta ainda mais a impressão de tristeza e nostalgia “sem sentido”.

Este é mais um jogo que  não causou decepção após o grande hype, sendo um dos mais aguardados de 2011. Pelo menos, nenhuma decepção ao ponto de vermos em RAGE um jogo ruim. Trata-se, pelo contrário, de mais um belo título lançado este ano. RAGE consegue surpreender e agradar a qualquer jogador que aprecie um bom FPS. Está tudo lá: ausência de sistema de cobertura, jogabilidade sólida, ótima quantidade de armas e munições, inimigos e áreas de jogo bem diversificados, proporcionando tiroteios bem movimentados e diferentes, e gráficos, ressaltando mais uma vez, simplesmente fora de série.

Existem diversos grupos de bandidos que controlam determinados territórios, e entrar em cada um destes territórios é sempre perigoso. É interessante também perceber em cada cidade/assentamento inimigo alguns esforços no sentido de melhorar a vida dos habitantes. Velhas máquinas postas novamente em funcionamento, além de engenhocas estranhas, geradores a pleno vapor, etc. Tudo isto, é claro, contrasta com a maior degradação que observamos em alguns outros locais, como em Dead City, por exemplo.

Os inimigos também são muito interessantes. Mutantes são rápidos demais, porém morrem com um tiro apenas, dependendo da arma utilizada. Em determinadas fortalezas inimigas, é possível perceber um bandido avisando ao outro a respeito de sua presença, e a IA dos inimigos é sensacional. Eles conseguem até mesmo surpreender o jogador com verdadeiras estratégias de ataque. Você pode ser surpreendido, algumas vezes, por algum “desgarrado” que resolveu chegar até você através de um caminho diferente. Não existe também uma “receita de bolo” para tentarmos prever a maneira como os bandidos e soldados da “Authority” se movimentarão: você pode morrer, por exemplo, reviver, e ao chegar no mesmo trecho encontrar uma situação totalmente diferente.

Cada local (menos os hostis, é claro), conta com lojas e bares. Você pode comprar suprimentos os mais diversos: munição, armas, upgrades para as armas e para sua armadura, etc. O dinheiro você pode recolher de cadáveres, ganhar em corridas ou até mesmo completando missões. Também existem alguns minigames em RAGE que podem lhe render algum dinheiro. Um deles é o “Tombstones”, o qual é uma espécie de jogo de dados cujo tabuleiro conta com hologramas representando o protagonista e 4 mutantes.

Cada rodada pode render tiros ou não. Ganhando tiros (crosshairs), você pode disparar contra os mutantes a quantidade ganha, enquanto os restantes continuam avançando. Se você não conseguir matar todos os mutantes antes que eles cheguem até você, o jogo acaba. É interessante também o fato como você passa de um simples “nada” a alguém, digamos, digno de honrarias, conforme vai cumprindo cada missão com sucesso.

Em Wellspring, é notória a mudança na maneira como as pessoas passam a te tratar. Quando você chega, é tratado com indiferença e ouve reclamações ao se aproximar de estranhos. Quando começa a realizar coisas em prol do local, ouve “Olás!”, “Como vai?”, etc, de várias pessoas, só devido ao fato de se aproximar delas. Algumas até te pedem perdão caso esbarrem em você.

O jogo RAGE HD, lançado para iPhone e iPad, aliás, também está presente em RAGE, de certa forma. Trata-se do “Mutant Bash TV”, um programa de televisão que coloca pessoas para combaterem mutantes a troco de dinheiro. Esta é uma das coisas estranhas e/ou aberrações que se tornaram meio que comuns em um jogo que retrata um mundo após uma catástrofe global. Talvez toda esta aberração não seja de todo incomum, e RAGE nada mais faça do que, de certa forma, expor algumas mazelas de nosso dia a dia, pois hoje em dia mesmo vivemos topando com coisas tão ou mais aterradoras, aqui ou ali.

A parte sonora de RAGE é fantástica. Tanto sua trilha sonora, a qual consegue fazer com que um tiroteio seja mais empolgante que o outro, até sons como, por exemplo, o barulho dos tiros, os motores dos carros carros, a dublagem, etc. Aliás, cada arma que é disparada mostra que os desenvolvedores não se preocuparam somente com a parte gráfica do game. O som é extremamente realista, bem como o “tranco” de cada uma delas.

Só achei o final de RAGE fácil demais, em comparação com outros momentos não tão cruciais do game. É claro que é um final belíssimo, mas nossa missão final não faz jus às belíssimas animações que são visualizadas após nossa “cartada final”, nem tampouco ao que elas representam. De qualquer forma, RAGE é um FPS que deve ser apreciado por todo fã do gênero, principalmente porque não é todo dia que vemos a id Software lançando um novo jogo.

Outros modos de jogo

Em RAGE, é possível disputar combates veiculares online, além de partidas cooperativas. Os combates veiculares contra inimigos reais são sempre muito interessantes, e as “experiências FPS cooperativas” são também muito bacanas, apesar de eu preferir o singleplayer.

Conclusão

RAGE, apesar de seus problemas iniciais e de seu enredo não muito profundo, é um FPS de altíssima qualidade. Ele poderia ser bem melhor, é claro, principalmente quando nos lembramos de quem o desenvolveu e de que ele está em desenvolvimento desde 2007. Ele consegue, entretanto, divertir e empolgar o jogador, apesar de não apresentar inovação alguma, e a presença de combates entre veículos ajuda bastante. Se você gosta de First Person Shooters, RAGE pode ser um jogo esplêndido, para você.

Nota

8.5/10

Ficha Técnica

Título: RAGE
Gênero: FPS / Ação
Desenvolvedora: id Software
Publisher:  Bethesda Softworks
MSRP: US$ 59,99
Data de lançamento: 04 de Outubro de 2011
Plataformas: Xbox 360 / Playstation 3 / PC
Versão analisada: PC

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