É muito bacana quando temos a oportunidade de jogar e analisar um game desenvolvido por brasileiros. Desta vez, trata-se de Razor2: Hidden Skies, jogo desenvolvido pela desenvolvedora gaúcha Invent4 Entertainment. Razor2: Hidden Skies pertence a um gênero de jogo que eu gosto muito, desde criança. Trata-se de um shmup divertidíssimo que abusa do fator “enorme quantidade de inimigos em tela”, principalmente quando você se depara com os chefes de cada fase.

Razor2: Hidden Skies representa uma bela presença no Steam, com preview das missões mencionando locais do território brasileiro. É verdadeiramente uma pena que o game não tenha, entretanto, explorado mais a fundo esta questão, e retratado de alguma forma cenários de nosso país, pois o que se vê em tela é um verdadeiro show sci-fi que em nada lembra o Brasil.

De qualquer forma, o game é muito bonito, a Invent4 realizou um belo trabalho e não podemos deixar de enaltecer o valor que o lançamento de um game brasileiro no Steam, maior site de distribuição digital de games da atualidade, representa.

Jogabilidade

Não é difícil jogarmos Razor2: Hidden Skies. Quer dizer, não é difícil controlarmos a nave e suas armas primária e secundária, por exemplo. O difícil é o gameplay em si. O fato de que existem muitos tiros, mísseis e outros elementos “danosos” à sua nave existentes na tela, os quais estão presentes sempre em grande quantidade, como nos velhos games de nave old school. Se você jogou Xevious e tantos outros títulos do “passado dos games”, vai perceber que o título da Invent4 utiliza a velha e maravilhosa fórmula de games de nave com muitos inimigos em tela, muitos tiros “perambulando” pela tela e chefes enormes e difíceis, e eleva tudo isto a um patamar muito interessante, com gráficos muito bonitos e jogabilidade, no entando, extremamente simples.

Existem powerups que podem ser coletados durante o jogo, e basicamente os controles são os seguintes: “Z” para atirar com sua arma primária, “X” para atirar com sua arma secundária, “V” para alterar sua arma primária e “C” para alterar os slots das armas. Simples assim. Através das setas do teclado você movimenta a nave.

Jogando Razor2: Hidden Skies

Digamos que jogar este game de nave seja muito divertido. E difícil. Existem 3 níveis de dificuldade (easy, medium e hard), e mesmo no “easy” o desafio é grande. Na “Garage“, você pode alterar suas armas primária e secundária, e também realizar upgrade nas mesmas. Novos ítens também podem ser instalados, desde que você possua créditos suficientes. Você também pode, aqui, realizar melhorias no seu escudo, bem como adquirir novos, e mais poderosos, consequentemente.

Ao jogar o game da Invent4 é impossível não sentirmos uma ponta de nostalgia e, ao mesmo tempo, nos impressionarmos. Todos os elementos daqueles velhos games de nave que jogávamos em nosso velho Atari, SNES, Mega Drive, etc, estão lá: grande quantidade de inimigos em tela, necessidade de se esquivar constantemente, chefes ao final de cada fase, todos eles contando com a ajuda de seus asseclas, powerups, etc. A questão é que em Razor2: Hidden Skies tudo isto está em alta definição. Os gráficos ajudam bastante a passar uma impressão de ficção científica extrema.

Cada chefe demanda muito trabalho, e você tem de eliminar todos os seus “pontos vitais” até derrubá-lo. Existem inimigos localizados em terra, como tanques, por exemplo, e os já esperados inimigos aéreos, que são eles também bem letais, caso você não tome cuidado. A grande sacada da Invent4, em minha opinião, foi lançar um game de nave com belos gráficos e alto nível de desafio, algo meio que em falta, hoje em dia.

O game peca, entretanto, pela ausência de uma opção que nos permita escolher o idioma de Camões, algo que, em minha opinião, seria muito bacana de vermos em um game desenvolvido por brasileiros. É claro que o foco da empresa não é apenas o Brasil. Aliás, é claro que o foco principal é o mercado “externo”. Entretanto, contarmos com nosso próprio idioma em Razor2: Hidden Skies seria ao mesmo tempo um “adicional necessário” muito interessante, e também representaria um agrado aos gamers brasileiros. Fica aqui a dica, quem sabe, para que a Invent4 pense nisto. Não é nada difícil, em minha opinião.

Algo muito positivo é o ganho dos créditos, em cada nível, os quais podem ser gastos na “loja”, entre um nível e outro, para melhorar sua nave e tornar, digamos, o desafio mais fácil. Adicione armas secundárias, realize upgrades, melhore sua arma primária, compre upgrades para sua arma principal, e gaste seus créditos. Mas não se esqueça de que eles não são infinitos. 🙂

Gráficos e trilha sonora

Razor2: Hidden Skies conta com gráficos muito bonitos, e os efeitos das explosões, dos tiros, de todas as armas são muito bem feitos. Uma das coisas que, acredito eu, a Invent4 deveria mudar, pois é algo que atrapalha um pouco quando estamos jogando, é o clarão amarelado que toma conta de toda a tela quando coletamos algum ítem no game. Ele é bem rápido, mas em momentos de movimentação intensa e tiros para tudo quanto é lado, ele chega a nos fazer perder o foco e a visão dos inimigos e dos tiros. Isto poderia não ser eliminado, mas a intensidade do clarão poderia, digamos, ser reduzida.

Os gráficos são muito competentes, e enquanto em jogo você consegue ter uma exata noção da altura. Você voa em um nível bem alto, entretanto, e jamais baterá em prédios, pontes, construções as mais diversas, etc. Mas a noção ref. à diferença de altura entre você e estes ítens, e entre eles próprios, é percebida de uma maneira fantástica. Achei, entretanto, que os inimigos poderiam ser mais variados e que tanto eles quanto a própria nave poderiam ser mais detalhados. A visão que se tem da nave enquanto na “Garage” nos faz imaginar que veremos uma belíssima nave quando jogarmos, mas isto, entretanto, não ocorre.

Nossa nave no game, apesar de se movimentar de maneira bem fluída, não possui um nível de detalhamento muito alto, e o mesmo ocorre em relação às naves inimigas. O mesmo ocorre com os chefes: eles são enormes, e chegam a assustar, mas não são bonitos a ponto de nos impressionar.

Já em relação à trilha sonora: ela é LINDÍSSIMA. Totalmente orquestral e com a presença de um coro fantástico que ajuda a criar um clima épico perfeito para o game. Ainda vou perguntar para o pessoal da Invent4 quem é o compositor da trilha sonora, pois ela é algo totalmente inusitado em um game deste gênero.

Conclusão

Razor2: Hidden Skies é um belo e divertido Shoot them up, que deve ser apreciado por quem gosta de shooters tendo naves como “protagonistas”. Um game brasileiro que, apesar de um ou outro problema, representa um fantástico lançamento e merece ser jogado até o final com cada detalhe apreciado com o merecido cuidado.

Ficha

Título: Razor2: Hidden Skies
Gênero: Ação/Shooter
Desenvolvedora: Invent4 Entertainment
Distribuidora: Strategy First
Data de lançamento: 19 de Julho de 2010
Plataformas: PC (através do Steam)

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