Existem games que chamam a atenção principalmente por representarem algo novo em um mercado repleto de velhas fórmulas . Este é o caso de Rock of Ages, jogo desenvolvido pelo estúdio chileno ACE Team. É difícil, aliás, enquadrar Rock of Ages em um gênero em específico, pois ele possui elementos de um “tower offense“, digamos, mas também conta com elementos de um “tower defense”. O jogo também pode ser enquadrado como um título de estratégia em tempo real, como um game de ação e, se você o jogar, é bem capaz de conseguir encontrar outros gêneros nos quais ele possa ser enquadrado. Mas, digamos que eu prefira apreciar o conjunto, como um todo, e posso dizer que Rock of Ages é fantástico.

A princípio tudo é simples. Dois castelos devem se enfrentar batendo um na porta do outro, cada um utilizando bolas que podem variar em relação ao elemento com o qual são construídas. Complexa é a maneira de jogá-lo e de utilizar todos os recursos que a ACE Team coloca nas mãos do jogador de maneira magistral. A desenvolvedora chilena, aliás, também é responsável por outro jogo sensacional: Zeno Clash, o qual é uma verdadeira viagem por um mundo surreal repleto de perigos e criaturas estranhas.

Rock of Ages, entretanto, toma como premissa básica o mito de Sísifo. Uma animação inicial mostrando Sísifo sofrendo enquanto tenta subir a montanha empurrando a pedra ao mesmo tempo em que outros personagens o irritam e chegam até a espetá-lo (tudo de maneira muito engraçada) é o início de tudo, digamos. Vale lembrar que você pode escolher diversos personagens para jogar, além de Sísifo. Agamenon, Leônidas, de Esparta, Justiniano, Vlad Tepes (isto mesmo, o famoso “Conde Drácula”), Leonardo da Vinci, e mais alguns outros. Você também os enfrentará, no jogo.

A bola também pode ter sua face alterada. Você pode escolher dentre algumas opções: “sphere of fear”, “Lion”, “Angry God”, e mais algumas outras. É tudo muito divertido, apesar do lado estratégico do jogo, o qual é bem forte. A física do jogo também é muito interessante, e você sente plenamente o aumento ou redução de velocidade da bola, conforme as elevações ou declives, e vale lembrar também que a bola começa a perder massa, conforme se choca contra torres de defesa inimigas, por exemplo.Rajadas de vento também podem ser um grande problema, principalmente quando você está próximo a desfiladeiros. A destrutibilidade da bola, aliás, é muito legal. Você observa a mesma se despedaçando aos poucos, conforme os danos que vai sofrendo, e ir ficando menor. É claro que uma bola menor sempre causará menores danos ao inimigo.

Jogar Rock of Ages é uma experiência única e muito interessante. Ao mesmo tempo você tem de se preocupar com a defesa e com o ataque. Logo após atingir os portões do inimigo (você pode observar o nível de danos do mesmo em um mostrador exibido no canto inferior direito da tela), uma nova bola deve ser construída. Isto demanda um certo tempo, entretanto, e é justamente este tempo que você deve utilizar para posicionar suas defesas, as quais vão desde simples torres que permanecem fixas em um lugar até catapultas posicionadas dentro de seu castelo, passando por barreiras explosivas, catapultas que podem ser posicionadas em qualquer lugar e até mesmo “soldados bovinos” que perseguem a bola inimiga dentro de seu raio de ação. As catapultas que você posiciona no campo de batalha podem ser giradas, e você pode, assim, determinar para qual posição elas atirarão. O alcance das mesmas também pode ser visualizado, para melhor orientar o jogador.

É um tanto estranho, entretanto, o fato de que suas defesas na maioria das vezes são incapazes de deter o avanço inimigo ou, pelo menos, de causar empecilhos ou danos suficientes, mesmo com os devidos upgrades. É preciso que você, principalmente levando este fato em consideração, mantenha-se de certa forma “afinado” com os ataques do castelo inimigo. Se atrasar e cuidar de suas defesas enquanto o inimigo avança, por exemplo, quase sempre resulta em desastre. O ideal é sempre tentar atacar enquanto o inimigo está atacando, e em contra-partida cuidar da defesa enquanto o inimigo faz o mesmo. Aliás, quando você perceber que tanto sua energia vital quanto a do inimigo estão baixas, é bom correr e não se deter a detalhes como destruição de construções, por exemplo. Nestas situações, corra o mais rápido possível para bater nos portões inimigos e vencer o jogo antes que ele chegue até o seu castelo.

O caminho que leva de um castelo a outro é sempre irregular. Cheios de curvas, espaços apertados com abismos dos dois lados, escadas, pedras no caminho e construções posicionadas no caminho, etc. Existem até mesmo elefantes (ou mamutes, não sei) que atrapalham bastante, pois investem contra sua bola com toda força e podem até mesmo jogá-la penhasco abaixo. Quando sua bola cai, aliás, uma mão enorme desce dos céus e a coloca novamente na área de jogo. Não percebi, aliás, dano algum na bola quando ela cai nestes abismos, o que, em minha opinião, deveria acontecer. Não é difícil, também, encontrar estátuas gigantescas pelo caminho, as quais podem, muitas vezes, atrapalhar bastante o controle da bola, principalmente quando a “energia vital de sua porta” está no mínimo, o inimigo avança com furor e você está desesperado.

É muito bacana o fato de ser possível ativar um pequeno visor que permanece, caso você assim deseje, no canto superior direito da tela. Este visor mostra a movimentação da bola inimiga. Você também é notificado quando o inimigo começa a rolar, para aumentar ainda mais a tensão. Em relação às bolas, existem alguns tipos diferentes, e cada um deles causará maior ou menor dano às portas do castelo inimigo. Bolas de fogo, bolas com envoltório de aço, bolas que podem voar, etc. É importante lembrar que para construir bolas e manter suas defesas é preciso obter ouro. E este é obtido através da destruição de construções, de unidades inimigas, das batidas nos portões do castelo inimigo, etc. A bola até consegue pular, olhe só que bacana.

Rock of Ages é um jogo realmente diferente e interessantíssimo e divertido. O momento em que você finalmente destrói os portões de algum inimigo é extremamente hilário. Ao som de um dos trechos do Requiem de Mozart (Dies Irae), você tem de passar com sua bola por cima do inimigo, do personagem contra o qual estava lutando. E, antes disso, ele dá gritos bem histéricos. É um momento muito hilário.

Tudo em Rock of Ages prima pela grandeza. A bola é enorme, os portões dos castelos são enormes, o próprio cenário em si parece passar esta impressão ao jogador através de um céu muito bonito e que no entanto parece estar bem próximo, das construções gigantes que se encontra pelo caminho, etc. Cada cutscene em Rock of Ages, aliás, é capaz de fazer qualquer pessoa soltar boas gargalhadas, dado o comportamento dos personagens, seus murmúrios, seus gritos, etc. Vale lembrar que tanto durante estas cutscenes quanto durante o momento em que você encontra o inimigo, passando até mesmo pelo “passeio” com sua bola, você se depara com personagens que parecem serem feitos de recortes, mesmo sendo o jogo totalmente em 3D. É algo muito bacana, e que ajuda a tornar o clima do jogo mais engraçado e também surreal.

Durante a construção de sua bola, você pode inclusive ativar a visão aérea para ter uma idéia melhor do campo de jogo e, assim, posicionar melhor suas defesas. Vale lembrar que o inimigo avança contra suas defesas e também sofre na mãos das mesmas (mas não tanto quanto deveria), e o mesmo ocorre com você (aí sim o “bicho pega”). Cada unidade de defesa pode sofrer upgrades, e tudo isto, é claro, requer ouro. É importante ressaltar também que existem determinadas construções e vasos gigantes posicionados bem na beirada de enormes penhascos. Eles estão ali, creio eu, para aumentar o desafio. São “iscas”, digamos. É claro que qualquer pessoa tentará destruí-los, e a chance de cair é muito grande, portanto, todo cuidado é pouco.

Existem alguns chefões em Rock of Ages. Entretanto, eles não são tão desafiadores quanto o resto do gameplay como um todo. Acredito que a presença de chefes mais “difíceis” teria aumentado ainda mais a diversão e o prazer proporcionados pelo título da ACE Team, principalmente se considerarmos a mistura de gêneros que ele apresenta. Na versão de Rock of Ages que joguei (Xbox 360), consegui também, infelizmente, presenciar um estranho bug. A bola do inimigo permaneceu por 3 “rounds” consecutivos parada rente a um muro, indo para frente e para trás, dando-me a chance de vencer muito facilmente. Isto, entretanto, pode ser corrigido facilmente pelos desenvolvedores, se é que se trata mesmo de um bug.

Rock of Ages coloca o jogador para viajar através de cinco períodos da história da arte clássica, e tudo isto é acompanhado por uma sensacional trilha sonora totalmente de acordo com o período em questão. A diversão fornecida pelo título é enorme, assim como os desafios. Custando apenas 10 dólares, Rock of Ages é um título quase que obrigatório. Existe também um modo multiplayer, em Rock of Ages, mas não consegui encontrar nenhuma partida disponível. Existe também o modo de jogo “Time Trial”, e o “SkeeBoulder”, onde o objetivo é destruir o maior número possível de alvos. Em relação ao multiplayer, é possível jogar contra um amigo em tela dividida, o que é muito legal. O game também será lançado para PC, no próximo dia 7 de Setembro, através do Steam, e para o PS3, até o final de Setembro.

Conclusão

Rock of Ages mistura “tower defense”, “tower offense”, ação e estratégia em tempo real com belos gráficos e muito humor, e consegue entregar ao jogador uma experiência única e inesquecível. Títulos como este são raros no mercado, e devem ser aproveitados ao máximo. A importância de Rock of Ages, aliás, está também no fato do game entregar algo “fresco” e muito diferente ao jogador.

Nota

9/10

Ficha Técnica

Título: Rock of Ages
Gênero: Ação / Estratégia
Desenvolvedora: ACE Team
Publisher: Atlus
Data de lançamento: 31 de Agosto de 2011
Plataformas: PC / Xbox 360 / Playstation 3 (Steam, Xbox Live, PSN)
Versão analisada: Xbox 360

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