(Review) Saints Row IV – Um enorme parque de diversões virtual

Jogos de mundo aberto são muitas vezes fascinantes e perigosos. A oportunidade de imergirmos em um universo virtual repleto de atividades, onde sempre há o que se fazer, em um ambiente onde nos é fornecida enorme liberdade (sendo que algumas vezes temos poderes ilimitados) é algo muito chamativo. Muitos jogadores podem até mesmo chegar ao ponto de relegar suas “vidas reais” a segundo plano, enquanto em tais jogos permanecem ativos por horas e horas a fio (ou dias).

Jogadores “fuçadores”, então, podem até mesmo se verem em maus lençóis, dependendo do enredo do jogo em questão, da proposta, das mecânicas e do nível de liberdade ofertado pelo título. No caso de Saints Row IV, vale ressaltar que gozamos de enorme liberdade e temos muito, muito o que fazer. E é aí que mora o perigo (ou não). O game é SENSACIONAL, já vou avisando.

Saints Row IV

Não posso negar que estou morrendo de vontade de jogar Grand Theft Auto V, e o jogo só não está em minhas mãos ainda porque não foi lançado para minha plataforma preferida, o PC. Existe esperança, entretanto, e temos muitos motivos para sermos otimistas.

Mas também não posso negar que um outro jogo de mundo aberto tem me divertido bastante, nos últimos tempos. Saints Row IV é um enorme parque de diversões virtual, lançado para os consoles da Sony, da Microsoft e, felizmente, para PC.

Com Saints Row: The Third a Volition provou que era capaz de sair totalmente da sombra de GTA. De criar algo novo, único, dotado de personalidade própria. Saints Row: The Third deixou de lado a seriedade e nos entregou um parque de diversões virtual capaz de nos entreter por muito tempo.

Saints Row IV

Ficha técnica

Título: Saints Row IV

Gênero: Ação / Aventura – em terceira pessoa

Desenvolvedora: Volition

Publisher: Deep Silver

Data de lançamento: 20 de Agosto de 2013

Plataformas: PC / Xbox 360 / Playstation 3

Versão analisada: PC

E com o último título da franquia, Saints Row IV, a Volition deixou bem claro que de agora em diante o que importa é a bagunça, o deboche, a sátira, o absurdo, o nonsense. O que importa, no mais recente título da série, é a diversão.

Não importa nem mesmo se você presta atenção ou não no enredo (apesar de que eu recomendo firmemente que você o faça, até mesmo para “pescar” diversas pérolas): jogue do seu jeito, como quiser, quando quiser, encarando todos os desafios como uma grande brincadeira.

Saints Row IV

A história nem faz muito sentido, aqui, até mesmo porque tudo foi construído de maneira tal a fazer com que o jogador teste todos os limites da simulação onde está inserido, inclusive através de missões principais e secundárias (além de diversas outras atividades extras). Ah, sim, a simulação.

Saints Row IV

Você começa o jogo como o presidente dos Estados Unidos da América. Uma evolução e tanto, não? De chefão da gangue dos Third Street Saints a presidente da nação mais poderosa do mundo. Após um curto passeio pela Casa Branca, aliens começam a tocar o terror. Eles “chegam chegando”, mesmo.

Sob o comando do hilário Imperador Zinyak (o qual possui um sotaque britânico que torna tudo mais interessante ainda – vale lembrar também que em determinado momento o cara chega a citar um trecho bem grande de Macbeth), o império Zin invade a terra.

Saints Row IV

A cidade de Steelport na qual o protagonista é “jogado” logo depois é, na verdade, uma simulação (lembra de Matrix?). A partir daí é aberto um leque enorme para possibilidades as mais absurdas possíveis, e o melhor de tudo é que todas elas são deliciosas.

Tomando como premissa o fato de estarmos dentro de uma simulação, a Volition criou todas as condições para que o personagem principal possuísse poderes especiais, os quais ele vai adquirindo ao longo do tempo, conforme vai completando diferentes missões. Morrer? Ah, você pode até morrer, nas mão vai ser “apenas” por pular de um arranha-céu.

Obviamente, existe ainda um mundo real. Pensando bem, é melhor falar a respeito de um universo real, e é justamente aqui que nossos “capangas” permanecem, dentro de uma enorme espaçonave. A existência desta nave, bem como a necessidade de a utilizarmos como uma espécie de quartel general, está totalmente explicada dentro da narrativa. Levando em consideração, obviamente, a lógica maluca do jogo.

Saints Row IV

E aqui entra mais uma referência divertida: existem pontos em Steelport que permitem que você se teletransporte para a nave (e vice-versa). Chegue nela, ande pelos corredores, observe sua saída da máquina, etc: é impossível não nos lembrarmos de Mass Effect e do Shepard.

Saints Row IV

Steelport, esta simulada pelos alienígenas, também está um pouco diferente daquela que conhecemos. Repleta de referências ao império Zin e ao próprio Zinyak, através de outdoors, semáforos, placas, patrulhas armadas e mais uma série de elementos, somos lembrados a todo momento que algo ali está errado. Que algumas coisas não batem. E que bom.

A utilização de carros, motos, aviões e, claro, VTOLs, continua sendo possível em Saints Row IV. Como todo bom sandbox que se preze, o game nos oferece uma gama enorme de veículos e meios de locomoção, todos prontos para serem comprados (ou roubados).

Para muita gente, pode ser até que estes não façam muito sentido, mais. Digo isto pensando nos super poderes que vamos adquirindo dentro do jogo, e uma rápida olhada no Super Sprint, por exemplo, faz com que percebamos que qualquer veículo terrestre é desnecessário (podemos correr a velocidades alucinantes).

Saints Row IV

Combinando o Super Sprint com o Super Jump, aliás, também pode ser que a utilização de helicópteros, aviões e VTOLs se torne desnecessária, principalmente conforme o jogador vai realizando upgrades. Mas é claro: o charme de uma máquina como o VTOL Void pode ser irresistível. Você se verá desprezando seus super poderes em diversos momentos apenas para pilotar este “brinquedinho”. E outros, inúmeros outros.

E também esqueça qualquer tipo de demora quando for preciso solicitar qualquer veículo de sua garagem. Esqueça os capangas que levavam o veículo até você. Aliás, esqueça também das garagens. Basta solicitar qualquer veículo através do telefone e ele se materializa na sua frente. Simples e rápido.

Saints Row IV

Como levar a sério um jogo no qual, durante um tiroteio, você ouve um moribundo pedindo para que você diga à mulher dele que ele… tinha outra mulher?!? 🙂 Como levar a sério um game onde o protagonista pode desestabilizar a simulação na qual se encontra inserido justamente fazendo aquilo que mais adora (xingando tudo e todos, atirando contra policiais – que na verdade, naquele momento, são alienígenas – fazendo barulho, causando desordem?

Saints Row IV

Como levar a sério um título onde você, pilotando uma nave alienígena enquanto escapa dos Zins, ouve algo como “What Is Love”, do Haddaway? E se um de seus capangas (Keith David, Vice-Presidente) lhe dizer em determinado momento que enquanto os aliens tocavam o terror o que ele queria mesmo era jogar Dead Island (ele já estava jogando por 12 horas quando o ataque começou)?

Não tem como levarmos isto tudo a sério, e Saints Row IV parece realmente fazer de tudo para que o jogador o encare desta forma.

Saints Row IV

Tudo no jogo foi criado para nos manter focados não na história, a qual pode até mesmo passar despercebida por muita gente. O que temos aqui é um game onde o esculacho é elevado às suas últimas consequências. Ok, existe um objetivo.

Bem, existem vários. O “Presidente dos EUA”, você, deve salvar Steelport (pelo menos na teoria). Ele deve salvar o mundo. Ele deve derrotar Zinyak e seu império. Mas tudo isto é relegado a segundo plano durante o bombardeio de missões com objetivos ridículos e engraçados que realizamos.

Kinzie troca farpas com Zinyak pelo rádio, e este diálogo termina com a garota saindo vencedora e ouvindo um sensacional “– Touché” do imperador. O próprio protagonista tem diálogos absurdos e extremamente engraçados com a ex-agente do FBI.

Nestes momentos, Kinzie não tem medo algum de atacar a inteligência do chefe da gangue Third Street Saints (se é que ele possui alguma). A variedade de missões que nos é entregue é imensa, e muitas delas fazem referências a outros filmes, para melhorar mais ainda as coisas. É impossível não nos lembrarmos de TRON ao pilotarmos aquela moto em uma das missões que tem por objetivo resgatar o hacker Matt Miller.

E, pouco antes disso, nosso “herói” ainda agradece à Kinzie por estar no ciberespaço e não ter sido transformado em uma privada (se você jogou Saints Row: The Third e se divertiu com sua enorme variedade de missões, certamente vai se lembrar desta transformação bizarra.

Saints Row IV

Bizarro, aliás, é o próprio ataque alienígena à terra. Bizarro é o chefão dos alienígenas, um cara que até chega a parecer gente fina, em diversos momentos, além de engraçado ao extremo e mentiroso. Em dado momento ele oferece ao “presidente” uma escolha.

Duas portas, uma vermelha e outra azul, são exibidas. Cada uma leva a resultados diferentes, e um dos resultados pode inclusive fazer com que tudo fique bem. Err… pelo menos a princípio, e depende também do ponto de vista e da escolha que o jogador fará.

O absurdo também atinge Killbane, líder da gangue dos Luchadores que em Saints Row: The Third chegou a dar uma entrevista, afirmando não ser um criminoso. Tal absurdo vem através de aventuras em texto, com gráficos no melhor estilo 8 bits, e trata-se de algo absurdamente gostoso de se jogar.

Saints Row IV

Pois é, quando anunciaram a (antes) expansão Enter The Dominatrix não pensei que as coisas chegariam a este ponto. Não pensei que realmente faríamos parte de uma simulação, e que alienígenas fariam parte do “enredo” de uma forma tão bacana. Como eu disse na ocasião, a “falta de seriedade é levada a sério“. Ela foi, ela é. Isto pode ser perfeitamente aplicável a Saints Row: The Third, mas com Saints Row IV a Volition foi além.

O jogo anterior da série abriu o caminho para algo mais insano. Para mais maluquices. Para mais zoeira. Ele pode até ser encarado como um experimento, como uma tentativa de conferir qual seria a recepção dos fãs. E pelo que temos visto, ela tem sido, desde então, a melhor possível. Se em The Third o absurdo era possível, em Saints Row IV ele é necessário.

Não podemos deixar de usar nossos super poderes, e quando começamos, mais vontade temos de utilizá-los. Outros modos de jogar podem ser encontrados por diversos tipos de jogadores. Pegar um jatinho até o próximo objetivo, correr de forma alucinada ou chamar um VTOL? Fazer inimigos dançarem até morrer ou utilizar o Stomp para fazer o chão tremer e fazer tudo ir pelos ares? Despachar todo mundo para sabe-se lá onde através de uma arma de abdução?

Saints Row IV

Matar um alienígena para coletar HP ou sugar suas vidas através do Telekinesis com o elemento “Life Steal” ativo? Lançar um foguete ou uma rajada de gelo com o Blast, para derrubar uma nave Zin? Permanecer por minutos (ou horas) em uma loja de roupas, tentando criar o visual mais maluco possível, ou participar de atividades que exigem que você se lance contra carros e obstáculos a fim de ganhar pontos? Aliás, em relação à telecinese, não deixe de conferir as atividades que exigem que você lance carros, objetos e pessoas dentro de portais suspensos.

Ah, e sim. Super poderes contam também com diversos níveis de upgrades, e podem também funcionar com vários elementos ativos. O Blast pode, por exemplo, liberar rajadas de fogo, de gelo ou de controle mental. O jogador decide.

Praticamente não existem limites, e a sacada da “Steelport simulada” foi demais. Foi algo muito, muito bem bolado mesmo, abrindo mais ainda as portas e também justificando toda esta loucura. Comprar lojas para expandir seus domínios? Nada disso: basta “hackear” suas portas (códigos maliciosos também devem ser eliminados pelo protagonista, e um deles assume a forma de um – novamente – vaso sanitário). Atividades “Ufo Mayhem”? Diversão pura e garantida.

Isto sem contar com as inúmeras piadas ditas pelos personagens. Com frases que ouvimos das pessoas nas ruas. Com o protagonista gritando algo como “- Eu sou espetacular” conforme pratica maluquices. Com uma IA que quer um corpo para “morar”. Com os novos veículos, incluindo um mech que você pilota durante uma missão cujo alvo a ser resgatado está peladão. Ah, também não podemos nos esquecer dos zumbis.

Saints Row IV

Os gráficos estão bonitos. Pelo que parece, foi utilizada a mesma engine do título antecessor, aliás. Temos gráficos bonitos, nada espetaculares, mas perfeitamente aceitáveis. Os controles também foram mantidos quase que inalterados, e fico me perguntando o que mais virá pela frente. Qual caminho irá a Volition tomar. Espero que a franquia continue nestes trilhos malucos. Dentro deste gigantesco parque de diversões de onde retira, de tempos em tempos, mais atrações para nos divertir.

Afinal, quem não tem cão caça com GAT. 😉

Conclusão

Saints Row IV é uma grande brincadeira. Um jogo sandbox que deixa de lado qualquer seriedade e apresenta ao jogador um universo espetacular e maluco ao extremo que, no entanto, se encontra perfeitamente justificado se levarmos em consideração a narrativa (ou pedaços dela).

O que temos aqui é um enorme parque de diversões virtual, repleto de referências à cultura pop, cheio de personagens hilários e de situações insanas. Se você procura um jogo para jogar sem pressa, para relaxar e para dar muitas risadas, compre já. Este é um must have.

Poderá gostar também

2 Comments

  1. Eu quero muito esse jogo na steam, só estou esperando uma promoção enquanto me mato no Borderlands 2 outro must have !!!

    Reply
    • @Otávio Rover Chiquito,

      O jogo é excelente, Otavio. E se você jogou o The Third, então, fica melhor ainda. Você percebe a evolução na zoeira…heheeh 😀

      Reply

Trackbacks/Pingbacks

  1. GTA V: um pequeno apanhado de informações e o início da imersão - […] milhões, e continua vendendo muito, muito bem (pobre Saints Row IV que perdeu posições – um jogo muito bom,…
  2. Rockstar dará dinheiro (de mentira) aos jogadores de GTA V online - […] Agora quero ver o lançamento de GTA V para PC. Enquanto isso, fica aqui um conselho: “quem não tem…
  3. Deep Silver sobre a pirataria: “Nós ignoramos” - […] muito mais interessante. E simples. Questionado sobre como a empresa, dona de franquias como Saints Row, Metro e Dead…
  4. 2013 a 2014: mudanças, problemas, ano novo, vida e XboxPlus - […] também a obra prima BioShock Infinite, a zoeira infinita de Saints Row IV, o final sensacional da saga do…

Submit a Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Pin It on Pinterest