Sanctum é um game muito especial. Um tower defense que coloca o jogador no campo de batalha, podendo ser chamado, realmente, de um “First Person Shooter Tower Defense”. O título foi desenvolvido pelo estúdio sueco Coffee Stain Studios, e lançado em alguns sites de distribuição digital de games. Por US$ 14,99, Sanctum é um daqueles games que eu costumo dizer que valem muito mais do que custam. Games estilo tower defense careciam de inovação, e Sanctum é um dos lançados ultimamente que ajudou a suprir esta “lacuna”. Sua principal inovação é justamente misturar FPS com tower defense.

Desenvolvido com a Unreal Engine 3, Sanctum apresenta ao jogador 3 mapas: Mine, Bridge e Arc. Cada um destes mapas possuem um determinado número de waves: 20, 25 e 30, respectivamente. Novidades foram prometidas pela desenvolvedora para esta semana, e dentre elas está a presença de um novo mapa. Por enquanto, portanto, o jogo oferece ao jogador 75 waves, no total. Logo no início o jogador é conduzido através de um tutorial, o qual deve ser jogado para um melhor entendimento da jogabilidade e para uma melhor experiência em Sanctum.

A história de Sanctum é simples, e serve como premissa para um “tower defense turbinado” que pode “encher os olhos” dos fãs do gênero. Você é Skye, soldado de elite que deve defender sua cidade, Elysion One, de misteriosos alienígenas. Entretanto, este enredo pouco chamativo não tira o valor e o brilho de Sanctum, um tower defense diferente de qualquer outro existente no mercado.

Como em qualquer outro tower defense, existem os inimigos, os pontos no mapa a partir dos quais eles surgirão, e uma instalação que deve ser defendida. Trata-se do Core, o qual sofre danos quando algum alienígena chega até ele. Você deve fazer de tudo para defender o Core, pois se a energia/saúde do mesmo chegar a 0 (zero), o jogo acaba. Um mostrador exibido constantemente no canto inferior esquerdo mantém você sempre informado a respeito da saúde do Core, aliás.

Sanctum dá ao jogador todo o tempo do mundo para construir suas torres de defesa e planejar sua estratégia. A ação verdadeiramente começa a partir do momento em que você tecla ENTER. Somente a partir daí, então, os inimigos começam a surgir. Uma das grandes sacadas da Coffee Stain Studios foi ter desenvolvido um tower defense no qual tudo acontece em primeira pessoa. Até mesmo a construção das torres de defesa ocorre em primeira pessoa, e você passeia à vontade pelos mapas.

Vale ressaltar que cada torre de defesa deve estar contida em uma “block tower”, uma espécie de container. A construção das “block tower”, bem como das torres, demanda recursos, e você ganha recursos conforme vai vencendo cada wave. Gastá-los é muito simples, mas tome cuidado. Você pode realizar upgrades nas torres e em suas armas, e também pode vender torres (obtendo uma parte do dinheiro investido de volta) para construir novas, caso deseje alterar algo em sua estratégia. Ao vender uma “block tower” você recebe de volta todo o valor investido na mesma.

A construção das torres e das próprias “block towers” representa momentos muito interessantes no game: um holograma demarca a área onde a “block tower” será construída, de acordo com sua mira, e você observa todos os processos de construção em tempo real. É claro que é tudo um pouco rápido, mas é bem interessante e bonito.

É possível construir verdadeiros labirintos para dificultar a vida dos alienígenas. O jogo só não permite que você os impeça de caminhar, é claro, construindo torres de forma tal a impedir totalmente a passagem dos mesmos. Existem diversos tipos de torres, todas podem sofrer upgrades, e você conta com armas bem interessantes. Um rifle de assalto, por exemplo, uma arma que faz com que os inimigos fiquem mais lentos e, assim, sofram mais nas mãos das torres (freeze gun) ou nas suas mãos, e até mesmo um rifle sniper.

Aliás, algo bem interessante em Sanctum é a presença dos Televators. Trata-se de estruturas que tanto servem para que o jogador se teletransporte de um ponto ao outro do mapa, quanto servem como ponto de observação/posicionamento, digamos. A partir do segundo mapa, Bridge, você pode construir Televators, bem como novos tipos de torres, e assim por diante. A dificuldade e as possibilidades vão aumentando conforme você ultrapassa wave após wave e libera novos mapas.

Quando eu disse acima que você tem “todo o tempo do mundo para construir suas torres de defesa e planejar sua estratégia“, é devido à existência da “building phase”. Trata-se da primeira etapa, a qual antecede toda wave, e na qual você vai passear pelo cenário, utilizar os Televators disponíveis para facilitar sua chegada a locais mais longínquos, construir suas torres, preparar suas defesas, definir seus possíveis labirintos e, finalmente, se posicionar no ponto do cenário que achar mais adequado. Não existe um tempo limite para a duração da “building phase”, o que permite que o jogador realmente realize tudo com calma, estratégia e precisão.

Através da tecla TAB, aliás, é possível obter-se uma visão aérea do mapa. Esta visão permite que você tenha uma idéia melhor do cenário, dos locais de onde os aliens surgirão, da distância destes em relação ao Core, etc. Através desta visão aérea, também, você pode clicar em qualquer Televator e para lá ser teleportado. Ela pode ser utilizada tanto durante a “building phase” quanto durante a ação, mesmo. No meio da batalha é possível acessar a visão aérea e se mover rapidamente para outro local do mapa, através dos Televators.

Durante a ação, tudo ocorre de maneira espetacular. Você funciona, em determinados momentos, como apoio às torres, e em determinados momentos, o inverso ocorre, é claro. Muitas vezes, as torres sozinhas podem dar conta do recado, e algo fantástico é matar os aliens através da utilização do rifle de precisão. Para muitos deles, basta um tiro. Durante a ação, com os alienígenas em campo, você pode se movimentar, se teletransportar de um ponto a outro do cenário, pode atirar, e, caso deseje, pode também ficar “plantado” em frente ao Core.

É claro que isto é muito perigoso, dependendo da wave, da quantidade de inimigos e do tipo de alienígenas contidos na mesma (informações a respeito de tudo isto podem obtidas através de práticos mostradores e da enciclopédia). Aliás, vale realmente ressaltar que Sanctum conta com uma enciclopédia que contém informações a respeito de todos os alienígenas que você irá encontrar no jogo. Seus pontos fracos são exibidos, também, os quais você poderá então explorar. Cada torre de defesa também pode variar em relação à quantidade de tiros por minuto, força, alcance, etc. Isto pode ser conferido também no momento da construção.

O alcance de suas defesas nos diversos pontos do mapa pode ser visualizado através de um círculo laranja, o qual é exibido quando você clica em qualquer torre à partir da visão aérea. Em relação aos inimigos, vale ressaltar que cada criatura pode requerer a presença de uma torre diferente, em diferentes partes do cenário. Por exemplo, os Chargers são muito rápidos quando encontram um caminho aberto e reto. Mas perdem velocidade quando têm de mudar de direção. Você deve aproveitar todas estas informações, utilizar o cenário a seu favor, construir torres de acordo com a demanda e, durante a ação, empunhar suas armas e matar o máximo número de aliens possível. É muito divertido.

Todas as armas, em Sanctum, também contam com um modo de tiro secundário. O rifle de assalto, por exemplo, dispara uma bola energética que pode causar bastante danos a um grupo de aliens. Mas não pense, também, que você pode disparar rajadas e mais rajadas sem nenhuma “penalidade”. O armamento pode se sobreaquecer, e neste caso, é preciso esperar um certo tempo até que a arma em questão volte à temperatura normal. Isto representa um perigo se você estiver no meio de uma manada de “Tanks”, por exemplo, pois você, neste “First Person Shooter Tower Defense”, sofre dados quando no campo de batalha.

Apesar de ser algo “trágico”, é muito engraçada a festa que os alienígenas promovem quando conseguem destruir o Core. Eles chegam até a dançar de felicidade. É claro que para o gamer não se trata de nada engraçado, pois este deverá retornar ao último checkpoint. Mas esta é outra peculiaridade interessante de Sanctum, a qual torna o game ainda mais divertido, além de ajudar a aliviar um pouco a tensão.

A beleza de Sanctum começa nos menus e vai até o gameplay. A beleza de Sanctum está impregnada na maneira como o game foi concebido: você está em um jogo que permite que você aja, ao mesmo tempo, como estrategista e como guerreiro. A beleza de Sanctum está em seus gráficos representando paisagens surreais. O título conta com belos gráficos, como eu já disse, e é um tower defense extremamente inovador e diferente. Cada um dos mapas oferece uma configuração diferente no tocante ao spawn point dos aliens, terreno, elementos presentes no cenário, tamanho, etc. Todos estes fatores, é claro, demandarão estratégias diferentes e posicionamentos diferentes enquanto no campo de batalha. Sim, pois aqui as torres matam aliens, mas o gamer também.

Cada um dos 3 mapas iniciais é muito bonito e conta com detalhes bem interessantes, incluindo uma bela cascata. Sanctum não deixou os gamers que gostam de partidas multiplayer de lado, aliás. Confesso que consegui jogar uma única partida cooperativa, mas foi muito divertido. Eu e outra pessoa construindo torres de defesa e combatendo os alienígenas. Muito bacana.

A Coffee Stain Studios realizou um belo trabalho. Sanctum pode ser mais interessante que um simples tower defense, pois o elemento FPS “marca presença” bem forte durante o jogo. Tudo é realizado em primeira pessoa, como eu já disse acima, o que torna a experiência como um todo muito mais vívida. Minha única ressalva aqui vai para os alienígenas: apesar da variedade, eles são pouco detalhados, e sua feiura não está somente no fato de serem “alienígenas feiosos”. Acredito que a desenvolvedora poderia ter tomado um cuidado maior neste quesito. Mas neste caso, isto não apaga o brilho deste game sensacional, e temos de nos lembrar da beleza de Sanctum. Os cenários são misteriosos, repletos de elementos incomuns e muito bonitos.

Conclusão

Sanctum é um jogo que tem tudo para agradar aos fãs de um bom tower defense. Ele também pode servir de “porta de entrada” para quem ainda não é fã do estilo, devido ao “mix” de gêneros. Seus belos gráficos, seu baixo preço e as inovações que ele trouxe consigo fazem dele um dos melhores “tower defense” existentes na atualidade. Sanctum fornece diversão e desafios com muito bom gosto. Recomendadíssimo.

Ficha técnica

Título: Sanctum
Gênero: Tower Defense / Ação
Desenvolvedora: Coffee Stain Studios
Distribuidora: Coffee Stain Studios
Data de lançamento: 15 de Abril de 2011
Plataformas: PC
Versão analisada: PC

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