Section 8: Prejudice foi lançado em 20 de Abril de 2011 para o Xbox 360, através da Xbox Live, e em 04 de Maio para PC. Trata-se da sequência de Section 8, jogo lançado em 2009. Diferentemente de seu antecessor, Section 8: Prejudice foi lançado através de distribuição digital. Isto ajudou bastante o game em diversos aspectos, e creio que a TimeGate Studios, a desenvolvedora, acertou em cheio ao tomar esta decisão.

Section 8: Prejudice é o representante, digamos assim, de uma série de games que foi transportada do modelo de distribuição “normal”, em caixa, para a distribuição digital. E o jogo nos apresenta uma campanha sólida e interessante, um multiplayer divertidíssimo e gráficos muito mais bonitos do que os de seu antecessor. Um novo modo de jogo já foi desbloqueado para Prejudice, com a devida atuação da comunidade de jogadores, e a TimeGate Studios parece mesmo ter em mente fortalecer cada vez mais a comunidade em torno de seu último lançamento. Ainda hoje teremos novidades em relação a Section 8.

O título continua a história de seu antecessor, e o protagonista continua sendo Alexander Corde, agora promovido a capitão. Todo o background de Section 8: Prejudice, e também de Section 8, tem como início, digamos assim, no esgotamento dos recursos naturais do planeta Terra e na busca da humanidade por recursos em outros planetas. Prejudice mostra a continuação da luta entre a Arm of Orion e a 8ª Infantaria Blindada.

A Arm of Orion, aliás, possui como “comandantes supremos” os Spears, soldados poderosos e modificados geneticamente que tiveram origem muitos anos antes dos acontecimentos em Section 8. Os Spears foram criados para combater e eliminar toda e qualquer ameaça à expansão galática terrestre. O grande problema é que a modificação genética trouxe consequências extremamente maléficas para os tais soldados, e eles meio que enlouqueceram e sofreram mudanças físicas horríveis. É claro que eles agora possuem ódio mortal de quem os traiu, e a  8ª Infantaria está no caminho deles. O líder dos Spears é o General Salvador, criatura poderosa, rancorosa e, como não poderia deixar de ser, feia.

Comparando-se Section 8: Prejudice com seu antecessor, percebe-se claramente que temos em mãos um game muito melhor. Ainda utilizando a Unreal Engine 3, a TimeGate conseguiu criar um game dotado de gráficos muito bonitos. Algumas paisagens e cenários chegam a nos tirar o fôlego, e detalhes como, por exemplo, folhas caindo das árvores, a névoa gelada “passeando”, rasteira, o visor do capacete do protagonista, bem como sua arma, apresentando traços de gelo em ambientes gelados, são fantásticos. É sensacional também o novo modo de descida das Dropships.

Durante as decidas em Prejudice você tem visão em terceira pessoa, o que aumenta a beleza do momento e torna a impressão de velocidade extrema mais realista ainda. Quando os “freios” são acionados, então, é impossível não desejar que aqueles breves momentos durassem mais um pouco. O jogo também conta com diversos e variados cenários, e o jogador poderá combater em planetas vulcânicos, paisagens geladas, desertos, áreas repletas de vegetação, etc.

A desenvolvedora realmente nos entregou um game bem mais aprimorado. Mais bonito e mais gostoso de se jogar. A campanha de Section 8: Prejudice é uma delícia. Estou sendo sincero. Trata-se de um game que não nos causa raiva em momento algum. É um jogo fácil, é claro, e até mesmo a batalha contra o último “boss” é bem fácil. Entretanto, não enxergo este detalhe como algo negativo, pois Prejudice é um game “leve”, no tocante ao seu modo solo. Leve no sentido de não exigir muito do jogador. Leve ao apresentar ao gamer gráficos muitas vezes fantásticos sem no entanto exigir que o gamer seja um verdadeiro especialista em jogos de tiro em primeira pessoa.

O jogo começa no planeta Atlas, com uma espécie de tutorial jogável onde você aprende as novidades em relação aos controles em uma espécie de demonstração a alguns novatos. Logo em seguida, a pedido do engenheiro Graves, você demonstra o “Overdrive” aos novatos. O “Overdrive” é aquela supervelocidade atingida pelo Alex Corde após alguns minutos correndo, através da qual, aliás, consegue-se enxergar o protagonista em terceira pessoa.

A mecânica de jogo é sensacional, e está muito de acordo com aquilo que eu disse acima, a respeito do game ser “leve”. Os controles respondem muito bem, também, e dentro de poucos minutos você já estará dominando tudo o que é necessário para sair combatendo. A perseguição que o Corde, o Comandante Thorne e o Sargento Matthews empreendem até um remoto e gelado planeta é fantástica. Ali eles se deparam com algo que, literalmente, é de arrepiar, algo que fará com que o General Stone tome diversas e necessárias medidas, as quais envolvem, é claro, a atuação do protagonista e seu grupo.

Section 8: Prejudice apresenta uma certa variedade de missões. As tradicionais missões onde você deve “hackear” terminais ou ativar/desativar mecanismos continuam lá. Mas aqui também existem missões de cobertura, onde você, munido de um rifle de precisão, deverá cobrir seu companheiro enquanto este realiza alguma ação importante. Também existem missões onde você e mais um companheiro de equipe deverão agir em conjunto. Por exemplo: um protege o outro, enquanto este realiza alguma ação, como a desativação de algum dispositivo, por exemplo.

Isto acrescenta enorme variedade ao gameplay, e faz com que o jogo se torne muito mais interessante, pois mesmo jogando sua campanha, a atuação dos outros personagens controlados pela IA é importantíssima, em muitos momentos. Também existem missões de escolta, onde, por exemplo, você poderá escoltar algum veículo importante durante um certo trajeto. Vale destacar também a atuação do Graves, em órbita, enquanto vocês estão em terra no planeta gelado. Só jogando mesmo para ver o quão é bacana.

Apesar de não trazer nenhuma inovação ao gênero de jogo ao qual pertence, Section 8: Prejudice é um bom FPS futurista. O game também permite que os jogadores comandem alguns veículos bem interessantes, como uma espécie de “motocicleta voadora” muito rápida, tanques, mechs, etc. Aliás, comandar o tanque é uma tarefa hercúlea.  Além da dirigibilidade do veículo não ajudar muito, é possível trocar de lugar com seus companheiros e, assim, controlar diversas armas do blindado. É claro que ao sair da “cadeira do motorista” o tanque ficará parado, mas é muito bacana ir assumindo o controle das outras armas do tanque. Este é o ponto positivo do tanque.

Isto permite que, enquanto utilizando o tanque, você aborde as mais diferentes situações de maneiras diferentes. Trata-se de uma vantagem enorme, apesar da dificuldade de dirigir o veículo. Sensacional, também, é observar que, enquanto você dirige o tanque, seus companheiros de equipe controlados pela inteligência artificial do game estão lá, realizando seu trabalho. Mísseis e tiros são disparados sem o seu controle, contra os inimigos, e isto é uma ajuda que, ninguém pode negar, é fantástica.

Aliás, nunca é demais lembrar que, assim como Section 8, Section 8: Prejudice conta com ação constante. Apesar da “leveza”, o jogo também apresenta personagens bem carismáticos e marcantes. Salvador, por exemplo, o líder dos Spears, menciona que quer ver “rios de sangue“. A TimeGate conseguiu aprimorar bastante a narrativa da série, e além disso, o Salvador tenta desmotivar sua equipe através de uma certa “campanha psicológica” via rádio.

O armamento também é algo com o qual é muito legal de se lidar, neste game. Cada arma possui diversos tipos de munição, e você pode definir tudo isto nos já conhecidos Supply Depots. Rifles, machine guns, pistolas, lançadores de foguetes, etc, podem ser equipados com diversos tipos de munição.

Cada tipo de munição, por sua vez, possui características únicas: nível de alcance, nível de danos, projéteis explosivos, maiores danos a veículos ou a pessoas, etc. É muito bacana brincar com as diversas configurações disponíveis para criar a sua própria, totalmente personalizada, incluindo acessórios adicionais, como por exemplo a “repair tool”, ferramenta extremamente útil que permite que você cure a si mesmo, seus companheiros e inclusive realize reparos em máquinas, torres de defesa e veículos. Só tome cuidado para não curar um inimigo. 🙂

Aliás, uma das novidades em Section 8: Prejudice é o fato dos inimigos também contarem com Supply Depots. Em diversas batalhas, aliás, você pode observar os inimigos fazendo uso dos mesmos e também se curando, uns aos outros. Isto torna alguns combates um tanto quanto difíceis. Existem também alguns momentos dramáticos no game, os quais ajudam a incrementar a experiência em um título que, a princípio, se imagina ser composto apenas de tiroteios infindáveis. Isto não é verdade.

O árido planeta de New Madrid é palco de alguns acontecimentos bem marcantes no jogo. Aliás, a forma como New Madrid é mantido habitável acaba por se transformar em um possível risco para sua população. Isto é algo com o qual Alexander Corde e seu grupo terão de lidar.

Uma das coisas que mais me chamaram a atenção em Prejudice é o aspecto da água, elemento que sempre presto bastante atenção em todos os games que jogo. E, em minha opinião, foi realizado um belíssimo trabalho neste quesito. A água, nos poucos momentos em que podemos observá-la, possui um aspecto muito bonito e reflexivo, sendo mais bonita do que em muitos outros “grandes” games existentes por aí. A iluminação também é sensacional, e nos permite observar cenas belíssimas, em alguns momentos.

Armamento não convencional (ou será que é?) também faz parte dos planos dos Spears, e isto tem como alvo seres que nada têm a ver com o ódio de Salvador. Salvador carrega grande raiva dentro de si, e isto faz do mesmo um personagem bem marcante desde o momento em que ele aparece no jogo. Diversas cutscenes mostram a selvageria e o medo inspirados pelo líder Spear.

Um problema existe, entretanto, no jogo: missões de ativação e desativação de máquinas, “hackear” terminais, etc, acabam cansando no decorrer do tempo. O que ajuda bastante a diminuir este cansaço, porém, é a maior variedade de missões e a ação frenética do jogo.

A TimeGate certamente tentou entregar via download a mesma experiência, quem sabe, que um dito título “maior e/ou em caixa” poderia proporcionar. Rótulos e classificações deste tipo são um tanto quanto variáveis, e mesmo Section 8: Prejudice não possuindo uma enorme densidade, digamos, trata-se de um jogo que pode muito bem concorrer com diversos outros lançamentos “maiores”. Considero Section 8: Prejudice, por exemplo, muito melhor do que Brink. Tanto no quesito “singleplayer” quanto no quesito “multiplayer”.

Outros modos de jogo

A TimeGate provavelmente pensou em Section 8: Prejudice como um título mais focado no multiplayer. Sua campanha pode ser finalizada em cerca de 5 – 6 horas. Depois disso, existem 3 modos multiplayer divertidíssimos, incluindo o novo modo Assault. As partidas multiplayer podem suportar até 40 jogadores, vale ressaltar. Em “Conquest”, ambas as equipes devem tentar conquistar o máximo de pontos possíveis no campo de batalha.

Swarm é um modo cooperativo onde você e sua equipe deverão lutar contra os membros da Arm of Orion. O novo modo Assault trata de conquistas territoriais. Duas equipes lutarão, e ganhará aquela que conseguir capturar todos os pontos de controle no menor tempo possível.

Conclusão

Section 8: Prejudice oferece, por apenas US$ 14,99, uma experiência muito bacana. O game conta com belos gráficos, momentos interessantíssimos, ação incessante e um inimigo que chega a ser detestável. Bons ingredientes para um bom jogo. Trata-se de um game que pode fornecer muitas horas de diversão de qualidade, pois terminada a campanha, o jogador tem em mãos um multiplayer bem estruturado e desafiador.

Ficha Técnica

Título: Section 8: Prejudice
Gênero: Ação / FPS
Desenvolvedora: TimeGate Studios
Distribuidora: TimeGate Studios
Data de lançamento: 20 de Abril de 2011 / 04 de Maio de 2011
Plataformas: PC / Xbox 360
Versão analisada: PC

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