Ultimamente temos observado o lançamento de alguns jogos que tentam trazer de volta aqueles bons e velhos tempos dos antigos First Person Shooters, onde o jogador tinha de suar a camisa e lutar contra inimigos os mais diversos sem toda a parafernália de ajuda que existe nos FPSs e TPSs atuais, como por exemplo sistema de cobertura, regeneração automática de energia vital, doses calculadas de inimigos em cada fase, etc.

Serious Sam 3: BFE, da Croteam, é um destes jogos. Ele pertence a uma série que já possui cerca de uma década de existência, e que chegou a receber remakes em HD (Serious Sam HD: The First Encounter e Serious Sam HD: The Second Encounter). Serious Sam 3: BFE, entretanto, é um título que não deixou as raízes da franquia de lado. Os desafios continuam grandes, o protagonista, Sam “Serious” Stone, continua sendo um brutamontes de poucas palavras e arma sempre em punho, e os inimigos estão presentes quase que o tempo todo, e quase sempre em grande quantidade.  Ação stealth, então? Esqueça.

Serious Sam 3: BFE mostra acontecimentos anteriores a Serious Sam: The First Encounter. Trata-se de uma espécie de prólogo. O jogo é ambientado no Egito, e nele o jogador lidará com hordas de inimigos alienígenas enviados pelo também alienígena e misterioso inimigo Mental. O título inicia com uma bela animação, a qual exibe a descoberta de um artefato que, apesar de parecer muito antigo, demonstra ser dotado de grande tecnologia. Esta mesma animação também cita a invasão alienígena, e a partir daí o jogador já é transportado diretamente para o Egito, para a missão “Summer in Cairo”, durante a qual Sam acaba entrando em ação não exatamente da maneira planejada.

Vale destacar também o cuidado que a Croteam teve com o protagonista: além dos belos trabalhos de dublagem e modelagem, o Sam que vemos, controlamos e ouvimos novamente é um cara durão, forte, violento, e que solta uma ou outra piadinha de vez em quando. Ele também possui grandes dificuldades em receber e seguir conselhos ou ordens, e um dos momentos mais loucos do game é quando ele simplesmente explode um grande e belíssimo monumento para acessar um portal localizado embaixo do mesmo.

Ele não teve muita paciência para aguardar alguma possível segunda alternativa que poderia ter sido sugerida pela sua companheira de equipe, Quinn. A resposta do Sam à “bronca” é a seguinte: que mandem a fatura para ele. São momentos verdadeiramente surreais e que mostram que a franquia Serious Sam continua firme, forte e nada séria, fornecendo ação ininterrupta e muitos momentos engraçados, além de inimigos para “dar e vender”.

O forte da franquia, aliás, não é seu enredo. Isto acontece com Serious Sam 3: BFE, também. Aliás, quem precisa de história quando uma horda assustadora de alienígenas está em seu encalço, te forçando a correr sem parar e disparar sua arma como louco, ao mesmo tempo em que seus olhos buscam por mais medkits, munição e pontos “quase seguros”?

Logo no início do game o jogador terá de encarar uma fêmea Gnaar e poderá inclusive arrancar um de seus olhos. Arrancar olhos e cabeças, aliás, é uma das “habilidades” do gentil protagonista de Serious Sam 3: BFE, diga-se de passagem. Trata-se de um jogo onde a ação é extremamente frenética, onde muitas missões e momentos chegam a causar desespero no jogador, devido à enorme quantidade de inimigos em tela, os quais atiram e correm de encontro ao jogador como loucos.

Pode-se dizer que a “inteligência artificial” dos inimigos é forte no tocante à “requisição de reforços”. Não espere por ações táticas por parte deles, nem tampouco por nenhuma movimentação mais refinada, mas espere por muitos deles. Muitos. E não somente a quantidade de inimigos representa um perigo, mas também sua ferocidade é extremamente perigosa. A dificuldade aqui se encontra em lidar com vários tipos de inimigos ao mesmo tempo, em grande quantidade, e se desviar de bombas, tiros, ataques corpo a corpo e bolas de ferro que são lançadas, por exemplo.

Isto em ambientes enormes que contam com grande espaço para que o jogador corra como maluco. Como não existe regeneração automática de energia vital, o jogador muitas vezes também terá de se arriscar em busca de medkits, além de munição e outros itens, os quais muitas vezes se encontram distantes um do outro.

Por falar em inimigos, eles variam em tamanho, força, quantidade e tipo de ataque/arma. Um dos que causam mais bagunça é o “Beheaded Kamikaze”. Trata-se de um grandalhão sem cabeça que corre como louco de encontro ao protagonista, segurando um explosivo em cada mão, os quais são detonados tão logo ele se aproxime do Sam. Como se não bastasse o alto risco que este inimigo representa, ele também causa grande apreensão devido aos altos gritos que emite continuamente, enquanto não for morto. A tensão psicológica aqui é grande, também, e os suicidas sempre andam em bandos. Bom, quase todos os inimigos em Serious Sam 3: BFE andam em bandos, mas estes últimos promovem uma loucura ainda maior.

Podemos dizer que Serious Sam 3: BFE conta com inimigos para todos os gostos e calibres de armas. Temos aranhas, pequenas e grandes, que cospem veneno. Temos escorpiões gigantes. Temos o gigante “Sirian Werebull”. Temos inimigos mais fracos que utilizam armas de fogo convencionais e esqueletos ambulantes extremamente rápidos que lançam bolas de ferro. Temos até mesmo inimigos híbridos, como por exemplo um que consegue se unir a um helicóptero. Temos até mesmo alienígenas voadores que podem ser muito perigosos, os quais aparecem justamente antes do início de uma das fases mais difíceis do game, a “Under the Iron Cloud”.

Nesta fase, o jogador é o alvo de grande quantidade e variedade de inimigos, inclusive os já citados “Beheaded Kamikaze”. Uma das grandes vantagens aqui, entretanto, é utilizar estes corredores explosivos a seu favor. Atire em um deles que esteja próximo a outros da mesma espécie, e uma grande reação em cadeia será iniciada, matando não só os kamikazes, nas todos os outros inimigos que estiverem por perto. Outro elemento que torna esta fase muito desafiadora é a presença de uma espaçonave que sobrevoa o local e lança constantes ondas de inimigos, além de raios energéticos. O gamer deve destruí-la e também sobreviver à enorme quantidade de ameaças em terra. Tarefa muito difícil, é claro, pois tiros vêm do ar e da terra, e os “Beheaded Kamikazes” tornam tudo pior ainda.

Serious Sam 3: BFE conta também com alguns objetos destrutíveis nos cenários. Algumas caixas de madeira, portas, etc. Grande quantidade de sangue pode ser visualizada durante o gameplay, e este sangue inclusive chega a atingir o protagonista e sua arma. É uma pena que sua aparência não seja tão real, entretanto. A Croteam não teve, aqui, o mesmo cuidado que teve com outros aspectos gráficos do jogo.

Mas o título é muito bonito. Prédios e outros tipos de construções, por exemplo, chegam a impressionar bastante, devido ao seu alto grau de realismo. O sol é refletido na areia do deserto e nas paredes e objetos metálicos de maneira soberba, e os personagens também são extremamente convincentes: todos foram muito bem modelados. Já o mesmo não pode ser dito do armamento: a maioria das armas do jogo são feias. Seu design é extremamente pobre, salvo algumas exceções, e em relação ao rifle de assalto, por exemplo, mal percebemos os tiros sendo disparados e o tranco da arma.

O som dos disparos desta arma, também, são tristemente sem graça. Esta arma em especial parece um brinquedo, apesar de ser extremamente útil. Serious Sam 3: BFE também conta com bastante humor. Sam solta piadinhas de vez em quando. Em determinado momento ele chega a dizer “- Honey, I’m home“, logo após explodir uma ponte. Diálogos engraçados via rádio, com sua equipe, também acontecem.

Por exemplo: o celular de um certo personagem que o Sam buscava toca. O próprio Sam o atende. A pessoa do outro lado responde e o Sam diz que o personagem em questão morreu. Esta tal pessoa, a Quinn, ainda pergunta ao Sam se ele pegou o celular do finado. Ele responde então, de forma extremamente cínica, se não seria justamente aquele celular que ele está utilizando para falar com ela, e para o qual ela mesmo ligou. É um momento muito engraçado.

Aliás, a Quinn vive reclamando da pouca paciência e da brutalidade do Sam. Ela reclama que ele prefere explodir tudo, partir para a violência, etc. Mas ele não seria o protagonista deste game se agisse de forma diferente, não é? É claro que estas discussões servem para tornar o jogo também engraçado. Elas funcionam como mais um elemento que pode divertir bastante os jogadores, unindo humor com ação frenética e combates sangrentos.

A tensão e a ação presentes em quase todos os momentos do jogo são tão grandes e se tornam tão comuns que, em determinado momento, dentro de uma espécie de templo, o Sam reclama da quietude e do fato de ninguém ter tentado matá-lo nos últimos minutos. A verdade é que o jogo realmente não poupa o jogador de combates e muita correria. O dedo deve ser colado no gatilho, e os olhos devem olhar sempre para todas as direções, pois o perigo pode vir de qualquer lugar.

Um dos grandes problemas de Serious Sam 3: BFE, entretanto, está relacionado ao seu visual. Explicando melhor: não existe uma grande variedade de cenários, construções, etc. Muitas vezes você tem a impressão de já ter passado por determinado local, apesar de já se encontrar em uma outra missão. Talvez isto seja devido ao fato do jogo se passar no Egito, não sei, mas bem que a Croteam poderia ter explorado melhor o interior de templos e construções típicas, por exemplo. Aliás, acredito até que haveria muito mais para se mostrar em um jogo como este, ambientado em uma terra como o Egito.

Vários embates diferentes ocorrem ou no mesmo cenário ou em cenários diferentes que, no entanto, lembram bastante fases pelas quais já passamos. Além disso, apesar de não parecer, Serious Sam 3: BFE, título desenvolvido com a proprietária Serious Engine 3.5, é um título bastante pesado. Muitos jogadores que possuem máquinas que atendam aos requisitos recomendados para o jogo talvez tenham de se embrenhar nas diversas opções de configuração oferecidas pelo título, a fim de realizar os devidos ajustes e obter um bom equilíbrio entre performance e qualidade.

Mesmo com tudo isto, não é difícil observar-se travamentos, screen tearing, e outros problemas. Isto ocorreu comigo em SS3, na mesma máquina onde rodei Battlefield 3 perfeitamente, sem que nenhum problema semelhante ocorresse neste último. O problema ocorre com mais frequência quando a quantidade de inimigos em tela aumenta “assustadoramente”. Mas fique tranquilo, isto não chega a atrapalhar a diversão e não ocorre com muita frequência, e o game conta com diversas opções para que o jogador possa fazer com que ele rode melhor, como já disse acima.

De qualquer forma, Serious Sam 3: BFE é um ótimo jogo. A Croteam soube como criar outro jogo fantástico para quem está cansado dos atuais shooters militares que contam com recursos que, para muitas pessoas, podem representar uma facilidade desnecessária. Serious Sam 3: BFE (ou Serious Sam 3: Before First Encounter = Antes do Primeiro Encontro) é um jogo de certa forma nostálgico. É como se tivéssemos um FPS “das antigas” em mãos, revestido de uma capa sensacional de modernidade, apesar de algumas falhas.

Vale ressaltar também que o Sam não conta com mapas ou radares. Isto ao mesmo tempo é interessante, pois força o jogador a explorar os ambientes e muitas vezes encontrar coisas muito bacanas, e ao mesmo tempo representa um problema, pois muita gente pode até mesmo se sentir perdida em meio a um emaranhado de vielas, ruas e casas, chegando a passar diversas vezes pelo mesmo local sem que nada indique sequer o que deve ser feito. Mas talvez eu é que esteja sendo chato, aqui. Old school, não é?

Outros modos de jogo

Serious Sam 3: BFE conta com suporte a partidas cooperativas e multiplayer online. No multiplayer, existem diversos modos de jogo diferentes, como por exemplo os já conhecidos deathmatch, capture the flag, etc, para até 16 jogadores, e a mesma loucura que se observa no modo campanha do jogo pode ser aqui observada (senão maior). Até quatro jogadores também podem jogar partidas multiplayer ou co-op em tela dividida, vale ressaltar.

Para um jogador apenas, além da campanha, também existe o modo survival. É extremamente divertido, e também muito frenético. Aqui, o jogador deve tentar permanecer vivo. O máximo de tempo que conseguir.

Conclusão

Serious Sam 3: BFE é um título que verdadeiramente apresenta ao jogador um FPS dotado de um coração old-school e uma capa extremamente moderna. A essência da franquia foi mantida pela Croteam, e o jogo é totalmente indicado a quem aprecia um jogo eletrônico que conta com ação ininterrupta, combates e situações insanos e muita adrenalina. Serious Sam 3: BFE conta com 12 fases repletas de loucura e diversão.

Nota

8.5/10

Ficha Técnica

Título: Serious Sam 3: BFE
Gênero: Ação / FPS
Desenvolvedora:  Croteam
Publisher:  Devolver Digital
MSRP: US$ 39,99
Data de lançamento: 22 de Novembro de 2011
Plataformas: PC
Versão analisada: PC

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