Desenvolvido pela Klei Entertainment e distribuído pela EA, Shank é um título muito interessante e disponível para PC, Playstation 3 e Xbox 360. Trata-se de um game cujo protagonista, o qual dá nome ao título, lembra bastante o personagem Samurai Jack, do animador Genndy Tartakovsky. Shank é um game de ação, ou melhor, pancadaria, em 2D, o que faz dele um título muito especial, principalmente pelo estilo gráfico. Toda a parte gráfica de Shank é em estilo cartoon, com cenários pintados à mão, o que ajuda a dar aquele toque especial ao título.

O grandalhão Shank fazia parte de um grupo de mercenários conhecido como “A Família”. Ocorre que ele foi traído, e agora luta contra aqueles que outrora eram seus amigos, em busca de sua amada, a qual foi raptada pelo mesmo grupo. A história não é muito profunda nem tampouco é a ela dada muita ênfase durante o gameplay, o que de certa forma ajuda a manter a atenção do jogador naquilo que realmente importa: as lutas, os combos, etc.

Shank é um game no melhor estilo “Streets of Rage”. É um game em 2D, onde o personagem caminha alguns metros, pára para enfrentar alguns inimigos, prossegue mais um pouco, enfrenta mais alguns inimigos, prossegue, etc. Isto se repete até que o chefe de cada fase seja encontrado, momento então em que os pontos fracos deste devem ser explorados, visando o sucesso. É aquela velha fórmula que muitos de nós vimos bastante em títulos da geração 8 e 16 bits, sob uma roupagem muito moderna, interessante e bonita.

O game, apesar de seu estilo gráfico, conta com bastante violência, e grande parte dela é “oferecida” pelo próprio protagonista. Shank é um brutamontes violento que pode carregar um verdadeiro arsenal consigo, incluindo armas brancas como facas e espadas e até mesmo moto-serras, metralhadoras e revólveres. O game não poupa os olhos do jogador da visão de sangue, e inimigos sendo dilacerados pelas facas do Shank é o que se mais vê durante o gameplay.

Durante o gameplay, em alguns momentos você pode escalar paredes com a ajuda de suas lâminas. Em outros você pode escorregar por postes, e em outros você pode se movimentar pendurado em cordas. Toda a ação, entretanto, ocorre basicamente na horizontal, o que reforça o lado 2D do game e o transforma em um título moderno que nos lembra de muitos jogos “old school”.

Digamos que se Quentin Tarantino fizesse um game, este seria como Shank. O título conta com violência extrema, a qual só não é muito impactante devido ao estilo “cartunizado” de seus gráficos. É possível ao Shank executar uma série de golpes em sequência, o que vai incrementando um medidor de combos. Existem 3 slots, digamos, para armas. Um deles é ocupado por armas de fogo, o que significa que você pode desencadear ataques que misturam balas e facadas, e formar combos avassaladores. Entretanto, estas sequências podem também ser rapidamente interrompidas, e aí, o medidor é reiniciado.

O Shank pode, por exemplo, empunhar duas pistolas ao mesmo tempo, cruzar os braços e atirar para os dois lados, ao mesmo tempo, atingindo inimigos vindo em duas direções. Ele também pode saltar sobre um inimigo e desferir contra o mesmo uma série de ataques com a faca, por exemplo. Durante estes ataques, caso não seja impedido, o Shank também pode dar uma pausa na surra e dar alguns tiros contra os inimigos que estão em volta. Na verdade o personagem consegue realizar uma série de movimentos diferentes, e até mesmo saltar enquanto atira ou “prender os inimigos no ar” com uma sequência de disparos é possível.

É claro que tudo isto é mais facilmente realizável se você utilizar um joystiq, mesmo jogando no PC, e o próprio jogo fornece este alerta logo no início. Os gráficos do título são muito bonitos, e os personagens possuem um ar caricato que ajuda a diminuir um pouco qualquer possível impacto causado pela violência do game. Em determinados momentos tamanho enfoque é dado ao protagonista e às suas ações que tudo o que está ao fundo sofre um efeito muito interessante de desfoque. Isto torna o momento bem mais impactante. Todos os personagens são grandões e/ou então mau encarados, e o lado “underground” do game fica ainda mais evidente quando você se encontra com os chefes.

Shank pode se esquivar dos inimigos, o que ajuda bastante “quando a coisa aperta”, ou seja, quando você se vê cercado por mercenários gigantes ou ladrões extremamente rápidos. Até mesmo contra cães Shank deve ocasionalmente lutar, e estes podem derrubar o protagonista no chão, inclusive.

Jogar Shank é muito divertido, apesar da ação em alguns momentos se tornar um pouco repetitiva, pois não existem grandes variações no tocante a como destruir os inimigos e/ou os chefes. Vale destacar que a morte de qualquer chefe de fase sempre é bem violenta, e as animações que ilustram tais momentos não tentam esconder este fato de forma alguma. Muito pelo contrário: toda a violência fica ainda mais em evidência.

Mas Shank é um game divertido, que de certa forma nos lembra dos velhos tempos. Muitos inimigos em tela, pancadaria “comendo solta”, combos, várias armas, e chefes tentando impedir o nosso acesso à próxima fase. O título da Klei Entertainment conta até com uma fase muito interessante que se passa sobre um trem em movimento. O Shank pode entrar no trem e também ir para o teto do mesmo, deixando que você experimente a sensação de velocidade e a adrenalina de lutar e cair em cima de vagões se movendo à todo vapor.

Dentre os movimentos que o Shank pode executar, os quais são inúmeros, um que é muito interessante é o tiro com a shotgun, por sobre o ombro, de costas. Existem momentos também onde a ação ocorre em lugares escuros, em meio à penumbra. É muito bonita, nestas ocasiões, a maneira como os disparos de suas armas de fogo iluminam momentâneamente o local. Os efeitos de iluminação também são fantásticos: você consegue observar todas as nuances de cor conforme se aproxima ou se afasta de certos pontos iluminados.

Não pense que em Shank você enfrentará somente homens. Existem mulheres, em meio aos inimigos, inclusive a Cassandra, velha conhecida do Shank que possui um assunto bem particular para tratar com ele. A Cassandra, aliás, é uma das chefes, vale ressaltar. A dificuldade do game é crescente, e cresce bastante. 🙂 Não pense que sua vida será fácil. Os inimigos não poupam esforços para te derrubar, e em muitos momentos você se verá cercado, tendo de lidar com inimigos pesadões, mercenários rápidos e armados com facas ou espadas e outros assassinos empunhando metralhadoras.

Uma boa estratégia é encadear um ataque atrás do outro, alternando as diversas armas que você possui, de fogo ou não, para ao mesmo tempo abrir caminho e, conforme os combos, ir liberando as diversas “concept arts”, as quais depois podem ser acessadas através do menu principal do game.

A trilha sonora do título possui um ar meio que de faroeste. Passa uma impressão de desolação bem grande, a qual ajuda a fornecer aquela impresssão de que o gigante Shank está realmente sozinho enfrentando um exército de homens violentos que não pensarão duas vezes antes de lhe “tirar o couro”.

Alguns dos inimigos deixam armas de fogo superpoderosas quando morrem. Você pode utilizá-las por um tempo, mas elas logo serão perdidas caso você tenha de, por exemplo, pular. Digamos que são armas temporárias para utilização em momentos de grande risco e por pouco tempo. O simples fato de selecionar outra lâmina no seu inventário faz com que você simplesmente largue tais armas.

Os controles não são muito precisos quando estamos lidando com armas de fogo, entretanto. Em alguns momentos você simplesmente quer mirar à frente e o personagem aponta os dois revólveres para cima. O inverso também ocorre, e é preciso, nestes momentos, meio que “refazer os passos” e mirar novamente. E sempre rapidamente, pois os inimigos são incansáveis.

Conclusão

Shank é um título imperdível para quem aprecia games com jogabilidade simples e ação frenética. Violento e bonito, consegue cativar o jogador e oferecer um conjunto divertido e repleto de referências a games “old school”. Recomendadíssimo. 🙂

Ficha Técnica

Título: Shank
Gênero: Ação
Desenvolvedora: Klei Entertainment
Distribuidora: Electronic Arts
Data de lançamento: 24/08/2010
Plataformas: PC, Xbox 360 e Playstation 3
Versão analisada: PC

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