(Review) Shatter: um indie game que você precisa jogar

Shatter é um indie game desenvolvido pela Sidhe, um estúdio de desenvolvimento de games localizado na Nova Zelândia que possui em seu catálogo uma série de outros games, dentre XBLA’s, games para Playstation 3, Wii, PC, etc. Shatter aproveita a idéia de antigos games como Arkanoid e Breakout, e mais recentemente DX-Ball, dentre inúmeros outros games no estilo “Breakout”, e eleva a coisa toda a um novo patamar.

Shatter não é simplesmente um game onde você precisa rebater bolas dos mais diversos tipos a fim de destruir blocos localizados na tela. Sim, você vai precisar destruir blocos espalhados pela tela, porém, Shatter possui inúmeros elementos extras e inovações, os quais o transformam em um game único. Shatter é um daqueles games que prendem o jogador. É um game que faz com que você se esqueça do tempo e passe horas em frente ao computador, se divertindo como nos velhos tempos porém através de um game com uma roupagem extremamente moderna.

O game foi lançado para PC e  também para o Playstation 3, na PSN. Sua versão para PC custa US$ 9,99 no Steam, e o jogo recebeu nota 9/10 no IGN. Isto sem contar com o fato de que foi um dos finalistas no IGF (Independent Games Festival) 2010.

Inovações

Shatter introduziu uma série de inovações em um nicho de games onde, aparentemente, nada mais havia a ser feito. E a Sidhe conseguiu desenvolver um game magistral. Shatter é meio que um physics-based game, pois toda a ação ocorre em uma espécie de arena cujos limites são “elásticos”, e quando a bola toca nos mesmos, ela é rebatida de forma muito realista, um efeito muito legal pode ser visualizado nos tais limites, e a bola toma direções diferentes dependendo do ângulo e da posição em que ela toca em seu “dispositivo rebatedor”, digamos.

Mas isto não seria nada muito diferente daquilo a que estamos acostumados se não existisse a presença de duas forças extremamente úteis em Shatter, as quais podem ser utilizadas pelo jogador à vontade. Você pode, através dos botões direito e esquerdo do mouse, lançar ondas de repulsão ou atração, respectivamente. Ou seja, não somente o seu “paddle” é utilizado para rebater a bola: você tambem pode controlá-la através destas duas forças, atraindo-a e repelindo-a sem limites, e quanto mais você se especializar na utilização deste recurso, melhor e mais fácil se tornará o game.

É possível, através da ação combinada das duas forças acima mencionadas, dirigir a bola para um ponto específico da tela. Digamos, por exemplo, que você já tenha destruído quase todos os blocos da tela, e só reste um: através das tais ondas, você consegue perfeitamente, com cuidado e precisão, atingir o bloco remanescente, combinando os dois tipos de forças.

Além disso, cada bloco destruído deixa fragmentos (representados por pequenos itens azuis que se parecem com a letra S). Tais fragmentos servem para fornecer energia ao seu paddle, energia esta que pode ser utilizada em um escudo de energia ou então para disparar uma rajada de tiros muito útil.

Existe um medidor de energia localizado no canto superior esquerdo da tela, o qual vai sendo esvaziado ou enchido conforme você utiliza a energia ou recolhe fragmentos. O escudo de energia é muito útil naqueles momentos em que a bola vem em sua direção e no ponto onde ela deverá tocar seu paddle existe um bloco se movimentando e/ou parado, o qual destruirá o seu dispositivo caso toque nele. Neste caso, basta segurar o SHIFT direito e mover seu paddle para a posição necessária: você rebaterá a bola e não sofrerá nenhum dano. Vale ressaltar que toda a energia obtida em uma fase é armazenada, e pode ser utilizada na fase seguinte. E assim por diante.

A rajada de tiros só pode ser utilizada quando o medidor de energia está cheio (momento em que ele começa a pulsar). A partir daí, basta pressionar o CTRL direito, e os tiros serão disparados, até que o medidor de energia seja esvaziado. Além disso, durante a rajada, o jogo entra em câmera lenta, o que é muito útil em diversas situações, principalmente quando você está enfrentando os chefes de cada fase. Sim, existem chefes, e falarei a respeito deles logo mais abaixo. :)

Você pode também utilizar a força de atração de seu paddle para recolher fragmentos, power-ups e vidas extras, por exemplo. Basta manter o botão esquerdo do mouse pressionado e observar seu “dispositivo rebatedor”, ou paddle, atrair pra si tudo o que está solto pela tela. Mas cuidado: em algumas fases existem blocos soltos e/ou em movimento constante, e você pode também acidentalmente atraí-los e acabar com sua vida. Portanto, é preciso dosar muito bem a utilização destes recursos. É muito interessante, aliás, observar as forças de atração e repulsão em ação: você consegue enxergar as ondas de energia viajando e se propagando pela tela.

Utilize a atração, a repulsão, a rajada de tiros e o escudo da melhor maneira possível, sempre pensando adiante, e você obterá sucesso em Shatter.

Story Mode e os mundos de Shatter

Shatter apresenta 10 mundos ao jogador, no modo principal, o “Story Mode”. É preciso “zerar” cada um dos mundos para conseguir acesso ao próximo. Cada um deles possui uma ambientação diferente, e oferece 7 fases. Ao final das sete fases, ou waves, o jogador deve enfrentar e vencer um chefe/boss, e caso obtenha sucesso, é levado até uma fase bônus, na qual conta apenas com seu paddle (nada de forças especiais, escudo, tiros, etc) para lidar com 3 bolas ao mesmo tempo. Nestas fases bônus, conforme o tempo passa, as bolas vão ficando mais rápidas, e você deve ser muito ágil para conseguir o máximo de pontos possível. Se você deixar todas as 3 bolas se “perderem”, acabou a fase bônus.

Em todas as fases e mundos de Shatter você se depara com telas com diferentes posicionamentos. Existem telas onde os blocos permanecem na parte superior e o seu paddle na parte inferior, existem telas onde os blocos destrutíveis ficam do lado direito e o seu paddle “trabalha” na vertical, posicionado do lado esquerdo, e existem telas circulares, onde os blocos estão posicionados na parte superior e o paddle se movimenta também de forma “circular”.

A dificuldade se torna especialmente grande em fases onde existem blocos que também utilizam energia de repulsão: nestes casos, é necessário um grande controle sobre as forças de atração e repulsão de seu paddle para atingí-los. Existem fases, também, onde os blocos literalmente vem em sua direção, e caso o peguem desprevenido, o destruirão. Você pode se defender de diversas maneiras diferentes: repelindo os tais blocos, utilizando o seu escudo ou fugindo dos mesmos.

Você verá também diversos tipos de “formações”, digamos, com blocos funcionando como pivôs e uma cadeia de outros blocos presos a eles e balançando. Caso você destrua o pivô, toda a formação despencará em sua direção, e aí você terá de se safar utilizando os diversos recursos que o game coloca à sua disposição.

Chefes

Shatter também possui chefes. A cada 7 waves, um chefe é apresentado. Você precisa destruí-lo para desbloquear o mundo seguinte. Cada chefe possui níveis de dificuldade e peculiaridades diferentes. Alguns devem ser destruídos ao poucos, e o caminho para seus pontos vitais deve ser desobstruído.

É o caso do “Over Reactor”, por exemplo, onde você deve utilizar sua força de atração para que ele gire e exponha seu ponto fraco. O último chefe, então, chamado “Bad Bat is Back”, utiliza as mesmas armas que você: ele emite constantemente uma rajada de energia que repele sua bola. É o mais difícil de todos, tanto é que foi deixado para o final.

A presença de chefes em um game como Shatter é algo, em minha opinião, fantástico, pois transforma o game em algo muito mais divertido, e faz com que ele se torne muito mais desafiador e diferente.

Gráficos e trilha sonora

Os gráficos de Shatter são belíssimos. As “arenas”, ou seja, os locais onde ocorre toda a ação, são representadas por retângulos, quadrado ou círculos transparentes, rodeados por uma espécie de “elástico luminoso azul”, e por trás deles podemos enxergar todo um belo e bem construído cenário, no qual podemos observar construções futurísticas e até mesmo itens em constante movimento. O cuidado com a parte gráfica foi tão grande que, conforme a bola é rebatida pelo seu paddle, você pode observar um pequeno indicador no local onde ela irá bater.

O próprio paddle é muito bem construído, e os efeitos que ocorrem quando você destrói algum bloco são muito bonitos. Os fragmentos pululam pela tela de uma maneira muito interessante, e se você utiliza sua força de atração para coletá-los, o “fluxo” que pode ser observado é algo muito bonito de se ver.

Blocos de diferentes cores e tamanhos, formações as mais diversas, menus muito bonitos e ágeis, etc: tudo isto faz de Shatter um game além de divertido, super agradável e bonito. A trilha sonora, então, é extremamente cativante, e consegue marcar presença sem no entanto atrapalhar o gameplay. Tanto é que foi disponibilizada para venda, separadamente, tamanha sua qualidade.

Finalizando

Shatter possui, além do Story Mode, 6 outros modos de jogo, incluindo um modo co-op para dois jogadores, no mesmo computador. Trata-se de um game que, em minha opinião, deve ser jogado por todos os gamers que apreciam diversão, jogabilidade simples, mecânicas de jogo inovadoras e belos gráficos.

Shatter é um “must have”, um incrível e divertido game que, com certeza, proporcionará muitas horas de diversão a quem o comprar. Por US$ 9,99 você “leva para casa” 70 fases divertidíssimas, isto sem contar com os modos de jogo adicionais. Enfim: Shatter é estupendo! :)

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4 Comments

  1. Quando vi esse jogo no youtube ele me conquistou logo nos primeiros segundos por causa da trilha sonora. Fantástica!

    Reply
    • Ele é sensacional, Wanderson. Um game que vale muito a pena comprar. Eu recomendo muito. :)

      Obrigado pela visita!

      Reply
  2. Sim, desde que também vi, já tinha gostado do game, gosto de games assim como esse.

    Reply
    • @Ed Junior,

      É um jogo muito bom, amigo. Adoro esse estilo de jogo. Me faz lembrar de Arkanoid e tantos outros similares que foram lançados, como DX-Ball, por exemplo. :)

      Reply

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