(Review) Sniper: Ghost Warrior 2 – Mais Sniper e menos Rambo

Sniper: Ghost Warrior 2

Jogos de ação furtiva podem agradar e/ou decepcionar os jogadores por diversos motivos. Pessoas desavisadas podem, quem sabe, se assustarem com a enorme dificuldade de alguns representantes do gênero. E uma das piores situações que podem acontecer quando lidamos com este tipo de jogo é sermos obrigados a deixar as sombras e agir abertamente, eliminando inimigos sem medo de por outros sermos vistos, e distribuindo tiros para todos os lados. Ou seja, situações em que o tal stealth game se transforma em outra coisa.

Talvez uma das franquias mais famosas do gênero seja Metal Gear, de Hideo Kojima. Podemos mencionar outros jogos e séries, é claro, como por exemplo Thief, Hitman (cujo último capítulo, Hitman: Absolution, já foi analisado aqui no XboxPlus), Tom Clancy’s Splinter Cell, Mark of the Ninja, o (infelizmente) desconhecido Shadow Harvest: Phantom OpsDynamite Jack e Dishonored (todos os links anteriores levarão você até reviews já publicados aqui no XBP).

Sniper: Ghost Warrior 2

Games de ação furtiva possuem fãs ardorosos e também pessoas que nem suportam neles ouvir falar. Isto é natural e, afinal de contas, temos de aceitar o fato de que nem todos os jogadores de videogame gostam de, por exemplo, esperar vários segundos (ou minutos), os quais chegam a parecer uma verdadeira eternidade, até que “aquela tal oportunidade de ouro” surja. Até que aquele momento único para o tiro certeiro apareça. Até que inimigos fortemente armados passem tranquilamente enquanto nosso personagem se esconde atrás de folhagens. E quem aprecia o estilo geralmente gosta da experiência em sua plenitude.

Quem gosta do estilo, sempre está atrás de novidades, de bons títulos. A polonesa City Interactive realizou uma incursão no “terreno dos stealth games” em 2010, com Sniper: Ghost Warrior. Uma incursão no “terreno dos jogos de sniper”. A princípio, pensou-se que o jogo nos colocaria no papel de um atirador de elite e permitiria que experimentássemos todas as tensões, frustrações, medos e, claro, todos os prazeres de se lidar com um rifle de precisão e eliminar alvos à distância, utilizando bastante paciência, cautela e técnica.

Sniper: Ghost Warrior 2

Fomos colocados neste papel. Sim. Porém, de uma maneira que não está lá muito de acordo nem com o nome do jogo (pelo menos não em sua totalidade). Aquele título foi mais um FPS no mercado. Um shooter genérico em que os interessantes “momentos stealth” que deveriam ser a cereja do bolo acabaram sendo massacrados por situações em que tínhamos de encarar tiroteios abertos, utilização de “armas barulhentas”, etc. Sem falar em inúmeros e chatos bugs.

Os tais guerreiros-fantasma foram transformados em Rambos, e por mais bacana que fossem as missões na surdina, estas acabaram sendo prejudicadas. Faltou foco ao que realmente interessava. Faltou esmero. Podíamos (e podemos, claro) ser detectados e/ou morrer sob fogo inimigo mesmo enquanto estávamos total e perfeitamente escondidos. A IA do jogo também não era das melhores, e situações verdadeiramente ridículas podiam acontecer.

De qualquer forma, vamos ao que interessa. Em 2013 a City Interactive lançou Sniper: Ghost Warrior 2, e aqui a empresa fez bem mais bonito (mas ainda não acertou totalmente). A sequência nos coloca na pele de um único personagem, ao contrário do jogo de 2010. No papel do Capitão Cole Anderson, que trabalha na área de segurança privada, participamos de missões nas Filipinas, na Bósnia e no Tibete.

Sniper: Ghost Warrior 2

O enredo de Sniper: Ghost Warrior 2 também não é nenhum primor, mas é mais interessante e bem bolado que o do jogo anterior da série. Temos algumas reviravoltas bem legais, também. Podemos acompanhar até mesmo um conflito entre o personagem principal e seus superiores, os quais enxergam mais valor na missão e em seu objetivo que na vida dos soldados da equipe que, de uma forma ou outra, trabalham com Anderson.

Sniper: Ghost Warrior 2

Também temos companheiros no jogo, companheiros que além de nos ajudarem também fornecem ao título aquela ligação emocional entre os personagens que foi totalmente deixada de lado em 2010. O agente Diaz é nosso spotter mais importante, mas também não podemos nos esquecer de Carl Maddox, cujas “aparições” são rápidas porém marcantes.

Os vilões do jogo também são mais interessantes e dignos de nota, como Merinov, por exemplo. Também nos deparamos com soldados oprimindo a população, em meio aos escombros de Sarajevo (esta missão tem a ver com genocídio, aliás), e durante o jogo inteiro nosso objetivo é correr atrás de uma arma química que pode acabar caindo em mãos erradas. Sim, espere por clichês, também.

Sniper: Ghost Warrior 2

Vale ressaltar que o jogo faz uso da CryENGINE 3, da Crytek. Mas não espere por gráficos do mesmo nível da série Crysis, mesmo jogando no PC e com “tudo no máximo”. Não temos aqui os mesmos valores de produção. Aliás, vale ressaltar que em diversos momentos podemos observar texturas de péssima qualidade, sem contar com o fato de que a animação facial beira o ridículo. E o mesmo baixo nível de qualidade está presente nas cutscenes do jogo, infelizmente.

A City Interactive certamente escolheu uma engine fantástica, mas o abandono da Chrome Engine 4, da também polonesa Techland (Dead Island), em prol da CryENGINE 3, não fez com que um espetáculo visual nos fosse apresentado. Uma ferramenta de primeira não produz um material de primeiríssima qualidade se o artesão não for extremamente experiente, e infelizmente, este é o caso, aqui.

Sniper: Ghost Warrior 2

Mas eu gostei de Sniper: Ghost Warrior 2. Por que? Porque para quem gosta de ação furtiva, de manusear rifles de precisão em um jogo eletrônico, de desligar o “modo Rambo”, este jogo é o que há. Ele nos entrega justamente a “experiência sniper” que seu antecessor deveria nos ter entregue. Ele nos entrega, também, uma boa “experiência sniper”, independente do jogo anterior da franquia. Aqui, sair das sombras pode representar morte em pouquíssimos segundos. A inteligência artificial dos inimigos é mais refinada.

Eles podem flanquear você. Permaneça em uma posição por muito tempo, comece a matar rapidamente com seu poderoso rifle e se esqueça do que o rodeia: você poderá ser surpreendido algumas vezes por um único inimigo que se destacou e veio te procurar. Caso você se dê conta a tempo, poderá acompanhar toda a movimentação em seu radar. Um sniper inimigo também pode matá-lo com um único tiro: em determinadas situações, basta levantar a cabeça um pouquinho só.

Também podemos ser salvos, vez ou outra, por nosso spotter. Em um destes momentos só fui me dar conta do que havia acontecido quando ouvi o som de disparos e percebi que Maddox havia eliminado um cara que, claro, estava prestes a atirar em mim. Isto aconteceu em Sarajevo.

Sniper: Ghost Warrior 2

Sniper: Ghost Warrior 2 é extremamente linear, e em alguns momentos pode se tornar cansativo. Grande parte do jogo segue um “script” meio batido. O esquema “corre – esconde – observa – mira – atira – espera abaixar a poeira – corre novamente – esconde – repete” é fortíssimo,  não se pode negar, mas mesmo assim, a ação furtiva consegue prender o jogador e fazer com que ele avance até o final. Claro, não se trata de um jogo que conta com um fator replay alto. Você pode até jogá-lo novamente, mas é bom esperar algum tempo.

Seu companheiro também fornece informações valiosas, durante o gameplay. Através dele você pode ficar sabendo onde está determinado atirador que você já sabe que existe, devido aos disparos, mas que ainda não identificou visualmente. Informações precisas são passadas a você: “sniper na torre esquerda, terceiro piso, tantos metros de distância, tantos metros de altura”, etc.

Achei muito bacana também a maneira como o jogo força o jogador a utilizar o rifle de precisão durante a maior parte do tempo. Você pode até sacar sua pistola, mas não existem motivos para isto, e se você correr em busca de tais motivos descobrirá que a morte pode vir muito rápido.

Sniper: Ghost Warrior 2

Os soldados inimigos não desperdiçam balas e a energia vital do protagonista não é lá aquelas coisas. É também bacana enviar inimigos para o além furtivamente através da utilização de uma faca, sorrateiramente. A pistola? Bem, digamos que durante a campanha inteira disparei uns 3 ou quatro tiros com ela, no máximo, incluindo uma determinada missão em que nosso rifle é perdido e temos de ir em busca dele.

Agir em sincronia com nosso spotter também é bastante interessante, bem como receber instruções via rádio para interromper toda e qualquer ação, pois problemas foram detectados. Também é digna de nota a melhoria na inteligência artificial dos inimigos. No jogo anterior da série eu fui capaz de estourar os miolos de um “pobre coitado” enquanto seu companheiro ao lado nem se mexeu. Em Sniper: Ghost Warrior 2 o buraco é mais embaixo.

Temos realmente de eliminar os alvos sem que outros assistam ao espetáculo. A direção para a qual os inimigos no campo de batalha estão olhando também é indicada em nosso radar, e tudo isto, em conjunto com os binóculos, a visão noturna e o zoom do rifle, nos proporciona recursos de sobra para agirmos com cautela e precisão (matar dois alvos com uma bala só é o que há, por falar nisso).

Sniper: Ghost Warrior 2

Distrações também podem ser utilizadas. Tiros em paredes e tanques de combustível podem ser usados para limpar o caminho. Diversas missões nos colocam para “limpar” determinadas áreas, sendo que muitas delas possuem a presença de outros atiradores de elite que não hesitarão em nos mandar para o beleléu.

Cole Anderson também se cansa, e muito. Se corrermos bastante e chegarmos a um local seguro a partir do qual temos de eliminar uma série de alvos, somos quase que forçados a aguardar algum tempo. Os batimentos cardíacos do protagonista podem ser acompanhados, aliás, através do próprio HUD, e sua respiração cansada é facilmente ouvida. Atirar após momentos de grande stress pode ser um desafio e tanto (e até mesmo representar nosso fim – podemos ser detectados, mirar fica difícil e, bem, você já sabe).

Sniper: Ghost Warrior 2

Também podemos experimentar algumas missões durante as quais temos de fornecer cobertura a equipes que se encontram no campo de batalha, no chão, eliminando o maior número possível de ameaças a fim de tornar seu caminho mais fácil. E espere por situações desesperadoras, também. Situações onde você deverá agir com enorme rapidez e precisão, e durante as quais somente uma bala deverá ser gasta. Se tal projétil for gasto em vão, sua vida acabou.

O pessoal da equipe de Anderson também fornece, em determinados momentos, instruções relativas ao melhor momento para o disparo. É interessante notar que, apesar destas ordens fornecerem o caminho mais fácil, elas não são obrigatórias. Nestes casos, você pode optar por alguma outra solução, e ouvir até mesmo uma frase muito bacana pelo rádio: “I see you have an alternate plan. Proceed” (Vejo que você tem um plano alternativo. Continue).

Sniper: Ghost Warrior 2

O lado furtivo de Sniper: Ghost Warrior 2 também está presente na maneira como você lida com os alvos. Corpos caídos podem ser encontrados, e a partir daí, alarmes podem soar e sua posição antes segura pode receber uma chuva de balas fatal e assustadora. Algo muito bacana em um “jogo de snipers” é o momento dos disparos. Ou, até, o próprio disparo em si, bem como o momento em que o alvo é eliminado.

Sniper Elite V2 nos trouxe aquela fantástica câmera que acompanha a trajetória da bala e nos fornece uma visão em Raio X do corpo do inimigo, destacando os estragos causados pelo projétil. Mas, infelizmente, por mais que a killcam de Sniper: Ghost Warrior 2 seja bacana, e também tenha lá seus bons momentos, ela é aparentemente mais do mesmo.

Sniper: Ghost Warrior 2

Não vi diferença alguma entre a killcam desta sequência e a de seu antecessor. Pena, pois este detalhe provoca no jogador uma enorme satisfação, e é capaz de fazer com que muita gente se esforce bastante para conseguir “o tiro perfeito”. E, como sabemos, isto também ajuda bastante a fazer com que este tipo de jogo receba elogios, não é?

Conclusão

Sniper: Ghost Warrior 2 é um bom jogo de ação furtiva. Quem procura um bom “jogo sniper” certamente terá aqui bons momentos de diversão. Ele tem lá seus problemas, entretanto. Problemas que, apesar de não serem tão graves quanto os de seu antecessor, não podem ser ignorados. A City Interactive tentou, mais uma vez.

Desta vez ela se saiu melhor. Muito melhor. Se o jogo vale a pena? Depende. Se você é “fã doente” do gênero, e é capaz de se esquecer de probleminhas tais como, por exemplo, texturas em baixa resolução (além dos outros que citei acima), pode comprar. Em caso contrário, talvez seja interessante aguardar por uma boa promoção. Se possível, fique com a versão para PC. E, mais uma vez: “quem sabe em uma sequência” a City Interactive não se saia melhor?

Ficha técnica

Título: Sniper: Ghost Warrior 2
Gênero: Ação / FPS
Desenvolvedora: City Interactive
Distribuidora: City Interactive
Data de lançamento: 12 de Março de 2013
Plataformas: PC / Playstation 3 / Xbox 360
Versão analisada: PC

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