Sniper: Ghost Warrior, título desenvolvido pela City Interactive, foi lançado para PC e Xbox 360. Trata-se de um título que possui bons e maus momentos mas que, no entanto, falha de forma gritante ao deixar de lado, em muitas ocasiões, seu elemento principal, digamos. Ele falha ao se transformar, em grande parte do gameplay, em mais um FPS. Em mais um game de guerra com muitas similaridades com Modern Warfare 2 e Battlefield: Bad Company 2, por exemplo.

Para um game que possui “sniper” no nome, e cujo intento seria proporcionar a verdadeira experiência de um atirador de elite ao gamer, Sniper: Ghost Warrior acaba caindo na mesmice, e infelizmente os momentos ruins sobrepujam os bons. É claro que trata-se de um game divertido, e quando você tem de utilizar toda a sua perícia como atirador de elite as coisas ficam melhores ainda. Pena que a desenvolvedora meio que se esqueceu de focar neste ponto. Tivesse a City Interactive feito isto, e teríamos um game realmente fantástico no mercado.

História

O enredo de Sniper: Ghost Warrior é repleto de clichês e referências às grandes franquias da “área” de FPS’s de guerra. Não que isto impeça game algum de ser bom ou de se tornar um sucesso. O problema é quando isto não é bem feito. No jogo, você “encarna” dois personagens diferentes, assumindo o controle dos dois em momentos distintos da história. Toda a história se passa em um fictício país sul americano chamado Truena, o qual está sob o controle de um ditador, chamado General Vasquez.

Você passa o game inteiro atrás do Vasquez, de certa forma, e sua primeira missão tendo como objetivo a morte do General falha e provoca acontecimentos que repercutirão negativamente no desenrolar da história toda. Infelizmente não existem detalhes que mereçam ser destacados no tocante à história de Sniper: Ghost Warrior, e até mesmo a interação entre você e os demais personagens do jogo é fraca. Nenhum laço de amizade é formado e/ou demonstrado, e você não se sente parte de um grupo, nem quando ataca uma base inimiga em companhia de mais 2 soldados, pois cada um faz o que quer e pouco se importa com os outros.

Jogabilidade

A jogabilidade, no quesito “FPS”, é simples ao extremo. Se você já jogou qualquer First Person Shooter no PC ou no Xbox 360 em sua vida, se adaptará muito facilmente. O destaque fica por conta do manuseio dos rifles de precisão. Aqui, sim, está o quesito onde a City Interactive deveria ter dado mais ênfase, e se tivesse feito isto, proporcionando mais elementos “stealth” e mais doses de missões onde o gamer pudesse  agir exclusivamente como um atirador de elite, teríamos um game fantástico em mãos. Até mesmo o lado “stealth” do game possui falhas, pois você pode ser encontrado mesmo quando perfeitamente escondido. É como se os NPC’s “adivinhassem” (na verdade é isto mesmo) onde você está, com algum sexto-sentido super especial.

O controle do rifle é muito difícil, e diversos fatores influenciam no disparo. Até mesmo a questão da sua situação emocional no momento influencia e torna a experiência mais ou menos fácil. Tente mirar em algum inimigo à distância após uma louca subida de um morro e verá que a empreitada é muito difícil, pois sua respiração descontrolada atrapalha bastante a mira.

A questão da jogabilidade de Sniper: Ghost Warrior está diretamente ligada com o gameplay em si, pois em 90% das situações você utilizará seu rifle de precisão, mesmo em momentos onde o mesmo não é “diretamente” necessário. Ocorre que além das missões “FPS like” que o título nos apresenta, existem momentos onde você caminha pela selva, por exemplo, e as únicas armas que carrega são facas, uma pistola e o rifle. É claro, portanto, que este último será a escolha mais acertada, mesmo que você não utilize sua mira. Sua mira, aliás, pode ser ajustada através do botão de scroll do mouse.

O personagem também se cansa, e começa a arfar, após um tempo correndo. Deixe-o descansar, quando isto ocorrer, pois se for preciso utilizar seu rifle logo em seguida o “trabalho” será um verdadeiro inferno. É interessante (infelizmente) destacar o fato de que o título possui problemas no tocante à movimentação do personagem. Você muitas vezes fica preso em locais os mais estranhos possíveis, sem nenhuma razão aparente (é um bug), tendo então de reiniciar a missão. Mesmo com os devidos patches aplicados, o problema permanece.

Jogando Sniper: Ghost Warrior

Posso dizer que podemos dividir Sniper: Ghost Warrior em dois games: um onde você não joga como um atirador de elite e outro onde você entra na pela do atirador de elite. Esta última experiência é o que define o que há de bom em Sniper: Ghost Warrior, e ela proporciona momentos maravilhosos.

Não espere facilidade ao lidar com o seu rifle, principalmente quando você tem de dar uma de “camper” e aguardar o momento certo pelo tiro. Ao acionar a mira do rifle você ouve sua respiração, visualiza um marcador que exibe seus batimentos cardíacos, e tudo isto influencia, é claro, na ação. O rifle balança em seus braços, ao sabor de sua respiração, e isto se reflete na mira, é claro.

O fato de você estar deitado, agachado ou em pé também influencia no tiro, e até mesmo a velocidade do vento pode te atrapalhar. Muitas vezes o local certo para atirar não é indicado pelo crosshair. Ele pode, dependendo do seu stress no momento, do vento, etc, ser indicado por um pequeno círculo vermelho exibido quando você mira.

Você pode ser agraciado (e isto acontece inúmeras vezes) com belas animações quando mata alguém. Tais animações, belíssimas e muito impactantes, mostram a bala saindo do cano do rifle, em câmera lenta, e sofrem mudanças no ângulo de visão, mostrando então a direção da bala, finalizando com o alvo sendo atingido, com toda a explosão de sangue que acompanha tais momentos.

Trata-se de algo que ajuda bastante durante o game, principalmente quando você se sente entediado em uma missão “não sniper”, pois até mesmo durante missões “normais” estas animações ocorrem, e os momentos em que elas ocorrem são escolhidos aleatóriamente pela máquina. É claro que headshots têm mais chances de provocarem tais belos acontecimentos.

Em suma, Sniper: Ghost Warrior é bom enquanto se mantém preso àquilo ao qual imaginamos que ele deveria se manter: a experiência de lidarmos com um rifle de precisão, de sermos atiradores de elite. Fora disso, ele perde feio para muitos FPS’s de guerra dos dias atuais, pois não consegue animar de forma alguma quando “nestes momentos”. Aliás, digamos que ele se perde em meio a um emaranhado de clichês. E, além de tudo, o game possui falhas gritantes na IA: consegui explodir a cabeça de um soldado inimigo, à distância, e o cara que estava a seu lado, cerca de 1 metro, nem se mexeu. Foi como se ele nada tivesse visto.

Gráficos e trilha sonora

Os gráficos de Sniper: Ghost Warrior são competentes em muitos momentos. Durante o jogo você se depara com paisagens deslumbrantes em meio à selva, e até mesmo ruínas antigas de alguma civilização ancestral que viveu naqueles locais podem ser visualizadas.

O sol, principalmente quando você olha para ele diretamente, consegue ofuscar, e seu reflexo nas árvores, chão e folhas é muito bem feito. As animações que mencionei acima, as quais mostram a bala saindo do cano de seu rifle e acompanham seu caminho até o alvo, são belíssimas e representam momentos verdadeiramente épicos.

Entretanto, existem falhas. A textura da vegetação em alguns momentos assume um aspecto meio que “lavado”, e é terrível a maneira como ela é insensível a você. Você, ao caminhar agachado em meio à grama alta, observa seu corpo inteiro e até mesmo sua arma, literalmente atravessando as plantas. Estas, também, não se movem conforme você passa.

Existem também momentos em que tudo “explode”. Ao se aproximar de um grupo de folhagens (lembrando que o game se passa em grande parte em meio à selva, ou em locais repletos de vegetação), você consegue enxergar polígonos enormes. É algo meio bizarro, e fico me perguntando como deixaram isto passar.

A trilha sonora não é lá muito empolgante. Chega a ser enjoativa, apesar de em alguns momentos se transformar em algo muito bonito. Isto não posso negar. Pena que, mais uma vez, tais bons momentos são breves.

Conclusão

Sniper: Ghost Warrior possui bons momentos, mas estes são sobrepujados por falhas que chegam a causar cansaço. Você será um verdadeiro guerreiro se conseguir finalizar o game. Entretanto, o título é muito interessante pela experiência que nos proporciona com os rifles de precisão. É uma verdadeira pena que este aspecto não tenha sido melhor explorado. Quem sabe em uma sequência, não? 🙂

Ficha Técnica

Título: Sniper: Ghost Warrior
Gênero: Ação / FPS
Desenvolvedora: City Interactive
Distribuidora: City Interactive
Data de lançamento: 25 de Maio de 2010
Plataformas: PC / Xbox 360
Versão analisada: PC

Poderá gostar também

Pin It on Pinterest