The Council foi crescendo em escopo e em beleza conforme seus episódios eram lançados. Éramos apresentados a personagens interessantes, a uma trama que realmente valia a pena ser apreciada, e também a mecânicas extremamente inovadoras e únicas.

Mas a desenvolvedora Big Bad Wolf conseguiu, infelizmente, entregar o quinto e último episódio the The Council, Checkmate, em um estado verdadeiramente lastimável. Até parece que foram jogados fora todos aqueles elementos que fizeram com que o jogo lançado de forma episódica fosse tão surpreendente.

The Council - Episode 5: Checkmate

Mas vamos por partes. Louis de Richet tem agora plena consciência (desde Burning Bridges, aliás) de que é também um demônio. Mais ainda: ele é filho de Lorde Mortimer, o anfitrião que recebe todos os convidados muito mais do que ilustres em sua misteriosa mansão.

É uma pena que o enredo de The Council – Episode 5: Checkmate tenha sido praticamente, pelo que tudo indica, criado às pressas, sem qualquer cuidado, sem qualquer esmero, sem qualquer interesse em deixar o jogador feliz por ter jogado um título verdadeiramente digno de nota.

The Council - Episode 5: Checkmate

É mais ou menos como se tivéssemos jogado um primeiro ótimo jogo, e logo depois tenhamos jogado mais 3 sequências também ótimos. Ao final de tudo, porém, somos apresentados a uma conclusão que nada agrega, em nada nos lembra daquele “peso pesado da narrativa” com o qual estávamos acostumados até então.

Faltam oportunidades de diálogo, em The Council – Episode 5: Checkmate, e mesmo quando estes ocorrem, não existe profundidade, não existem muitas revelações bombásticas, e não existe nenhum tipo de “liga”, de fator motivador, que consiga fazer com que o jogador mantenha o interesse e o entusiasmo. São poucos, os diálogos, aliás.

The Council - Episode 5: Checkmate

Pior ainda: somos apresentados a dois puzzles que nada agregam ao jogo em si, e que poderiam muito bem terem sido apresentado na forma de diálogos, diálogos estes, todos sabemos, com suas devidas consequências. E puzzles em um game como este, como eu já disse diversas vezes, atrapalham bastante a atmosfera. Atrapalham bastante a atmosfera de algo tão focado na narrativa, em escolhas, em diálogos profundos e repletos de opções. Eles funcionam como “quebras”, no sentido em que removem toda e qualquer imersão que o jogador estava porventura experimentando.

The Council - Episode 5: Checkmate

Não que Checkmate seja de todo ruim. Ele ainda possui lá seus bons momentos, momentos em que somos expostos às verdadeiras intenções (maléficas) daqueles que considerávamos amigos. Momentos chocantes em que descobrimos, quem sabe, que aquele(s) em quem confiamos grande parte do tempo é(são) verdadeiro(s) traidor(es).

É importante deixar bem claro que o final do jogo não será o mesmo para todos. Dependendo do modo de agir do jogador, das escolhas que ele faz, de seu modo de ação, diferentes finais podem ser apresentados, e estes serão então mais ou menos empolgantes.

The Council - Episode 5: Checkmate

Também é importante acrescentar que diferentes acontecimentos, cenas, cutscenes e momentos são apresentados, dependendo da maneira como conduzimos o jogo, dependendo daquilo que respondemos durante os diálogos, durante nossas conversas com os habitantes provisórios da ilha de Mortimer. Este é um ponto extremamente positivo do jogo, devo dizer.

Algumas mecânicas, também, foram introduzidas no jogo de forma muito tardia. Sendo um demônio, Louis pode ler as mentes das pessoas, e eu creio sinceramente que existiriam mil e uma maneiras de apresentar esta possibilidade ao jogador sem no entanto expor a verdadeira natureza do protagonista desde o início. Ele, aliás, sofria de diversos sangramentos nasais, e também experimentava vários momentos em que literalmente saía de seu corpo e era até mesmo capaz de acompanhar a conversa de outras pessoas, em diferentes locais da mansão.

É importante também deixar claro que o The Council não trata os demônios da maneira com a qual estamos acostumados. Não se trata de demônios no sentido bíblico, apesar da Bíblia ser mencionada e utilizada em diversos momentos do gameplay (inclusive em puzzles). Os demônios em The Council são seres além da compreensão humana. São seres que a ciência não consegue explicar. O jogo dá indícios de que eles são, na verdade, uma espécie de criatura bastante diferente dos humanos, mas não os apresenta como maus em essência. Pelo contrário: existem até demônios bons e leais (como o próprio Louis), e que chegam até a proteger àqueles que amam e/ou prezam bastante.

The Council - Episode 5: Checkmate

Mas este último episódio de The Council me deixou com um gosto amargo na boca. Ele é curto, além disso, e pode se tornar extremamente enfadonho quando nos damos conta de que um de seus puzzles pode levar algum tempo para ser resolvido, tempo este que teria sido melhor gasto em narrativa, em uma boa história, em diálogos interessantes, em opções, em decisões, em debates. No uso dos elementos de RPG. E por aí vai.

Checkmate tem lá seus bons momentos, como disse acima. Existe todo um clima de conspiração no ar, e após a divisão que ocorreu no episódio 4, onde tivemos de optar entre seguir Sir Gregory Holm ou Lorde Mortimer (com todas as consequências desta escolha sendo apresentadas daí em diante, para o bem ou para o mal), novos interesses vêm à tona. O destino de algumas nações encontra-se nas mãos do conselho convocado por Mortimer, e é óbvio que sua natureza “demoníaca” faz com que tudo seja mais fácil, com que tudo seja resolvido, muitas vezes, através de métodos não convencionais e/ou honestos.

Temos também traições, no episódio 5 de The Council, e um momento em que Louis de Richet visita o mundo dos espíritos. Sim, o ocultismo continua sendo um elemento bem presente no jogo, e isto representa um ponto extremamente positivo, pois ajuda a criar todo um clima de mistério em torno dos elementos que envolvem a ilha onde tudo acontece.

The Council - Episode 5: Checkmate

No entanto, o jogo chega a um final insosso, sem graça. Toda a narrativa, pelo que parece, foi relegada a segundo plano, pela Big Bad Wolf, e parece que o estúdio apenas cumpriu com o seu papel em finalizar a trama. Em entregar o jogo completo, conforme o prometido. Finalizar, diga-se de passagem, de uma maneira totalmente inesperada (pelo menos por mim), se esquecendo, quem sabe, de que até o quarto episódio tudo ia muito bem, e tínhamos realmente uma espetacular mistura entre RPG e adventure.

É uma pena. É uma pena que um jogo tão bom tenha sido finalizado desta maneira, sem qualquer cuidado. Não existem muitas conversas interessantes, tempo demais é gasto em puzzles desnecessários, e tudo acaba degringolando até um final verdadeiramente esquecível.

Este final, aliás, mostra os resultados que os sobreviventes da ilha de Mortimer obtiveram em seus respectivos países de origem. Ele cita a ascensão de Napoleão Bonaparte, por exemplo, e também cita aqueles que caíram em desgraça, seja por seus próprios atos, seja devido às ações do Conselho na ilha.

The Council - Episode 5: Checkmate

Enfim, The Council – Episode 5: Checkmate é uma experiência totalmente decepcionante, principalmente se levarmos em consideração tudo aquilo de bom, de excelente, que estávamos experimentando até agora, nos episódios anteriores.

Se você não se importa em adquirir bons games que tenham “apenas” um final ruim, como Deliver Us The Moon: Fortuna, por exemplo, pode adquirir sem medo. Mas conhecendo, agora, o final, eu recomendaria que você ficasse longe de The Council. Infelizmente.

Ficha técnica

Título: The Council – Episode 5: Checkmate

Gênero: aventura, RPG

Desenvolvedora: Big Bad Wolf

Publisher: Focus Home Interactive

Data de lançamento: 04 de Dezembro/2018 para quem possui o season pass, e 06/12/2018 para os demais

Plataformas: Xbox One, PlayStation 4, PC

Versão analisada: PC

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