O primeiro The Evil Within foi um jogo e tanto. Um survival horror digno de nota e de marcar presença na wishlist de qualquer fã do gênero. O título, lançado em 2014, oferece muitos sustos e um banho de sangue aos jogadores mais corajosos. Tudo, em TEW, é escancarado: as mortes, os monstros, o sangue – o horror quase escapa da tela, como as gotas de sangue que pingam dos corpos espalhados aos montes pelos cenários.

The Evil Within 2 chegou em Outubro passado, esbanjando criatividade e apresentando uma série de melhorias em relação ao primeiro capítulo da série. Novamente como protagonista temos Sebastian Castellanos, agora um ex-policial devastado pela morte de sua filha e de sua esposa. Sebastian novamente deverá adentrar o horripilante mundo do STEM e aí encarar os desafios mais sinistros, os oponentes mais aterrorizantes.

The Evil Within 2

Mas, espere aí: eu disse que Lily, a filha de Sebastian, havia morrido, certo? Pois bem, não é bem assim: o ex-policial acaba descobrindo que sua filha não morreu, e aí está a premissa para The Evil Within 2. Tudo no jogo girará em torno disto, primordialmente: na busca de Sebastian pela pequena menininha, dentro do STEM.

O jogo começa com uma espécie de “sonho jogável”, no qual o protagonista acaba perdendo sua filha. Logo a seguir, a agente Juli Kidman, da sinistra organização Mobius, aparece no bar em que Sebastian está afogando as mágoas e oferece a ele a chance de resgatar sua adorada filha. Segundo Kidman, Lily está viva mas corre perigo de vida, e Sebastian deverá então partir em sua busca.

The Evil Within 2

Ficha técnica

Título: The Evil Within 2

Gênero: horror

Desenvolvedora: Tango Gameworks

Publisher: Bethesda Softworks

Data de lançamento: 12 de Outubro de 2017

Plataformas: Xbox One, PlayStation 4, PC

Versão analisada: PC

Tal busca envolve, novamente, o envolvimento com o sistema STEM. E o que é o STEM, você pode estar se perguntando? Trata-se de uma espécie de Matrix (uma Matrix de pesadelos, que fique bem claro). A máquina conecta indivíduos distintos, mentes distintas, e simula ambientes inteiros e complexos. É assim que tudo aconteceu no primeiro título da franquia, e é assim que tudo acontece aqui, a começar pela anteriormente pacata cidade de Union. Pessoas reais estão conectadas ao STEM – milhares delas. Elas estão vivendo em Union, e também testemunham a decadência pela qual passa a pequena cidade (um experimento, na verdade).

Sebastian deve se conectar ao STEM e partir em busca de Lily, em uma jornada repleta de sustos e pavores. Union, aliás, oferece ao jogador algo inexistente no primeiro jogo: um mundo aberto para exploração. Você pode se mover livremente por suas ruas e vielas, entrar em diversos edifícios e casas, além de bares, e aí coletar itens para crafting, munição, equipamento, ervas e diversos outros itens.

The Evil Within 2

Esta é uma novidade e tanto em relação ao primeiro The Evil Within, o qual era muito mais linear, muito mais fechado. Obviamente, a novidade tem um preço: as áreas abertas oferecem menos sustos, apesar das ruas estarem repletas de monstros os mais diversos. Acontece que é muito mais fácil nos assustarmos com ambientes sinistros, escuros e fechados (com ou sem a presença de jumpscares) do que com amplas áreas abertas onde muitas vezes temos de gastar toda a nossa stamina, à exaustão.

Em diversos momentos, durante a exploração de Union (e você retorna à cidade várias vezes), percebemos que a tensão vai embora, que o medo desaparece, que o horror meio que é diluído. Aqui, o jogo meio que lembra um Resident Evil, ou até mesmo um Left 4 Dead,  valendo também a pena observar que existe até mesmo um monstro em TEW que cospe ácido no jogador. É realmente uma pena.

A Tango Gameworks meio que “errou a mão”, aí, mas isto não significa que temos um jogo ruim em mãos. Pelo contrário: não faltam momentos tensos nem tampouco criaturas assustadoras para enfrentar. Não faltam também fases mais lineares, mais “fechadas”, que impedem a exploração e conduzem o jogador em uma única e horrenda direção.

The Evil Within 2

Ainda falando em relação às melhorias, TEW2 trás um sistema de crafting. Através dele, podemos fabricar uma série de elementos, incluindo munição para a pistola e para a escopeta, virotes para a besta, medkits e injeções de cura. O jogador deve ficar atento ao cenário e coletar tudo o que puder: pólvora, plantas, pregos, pedaços de canos, gel verde e gel vermelho.

Ah, e sim: agora existe um novo tipo de gel, o vermelho, capaz de desbloquear novos tipos de habilidades dentro da árvore de habilidades de Sebastian Castellanos. Os upgrades desta vez são realizados em uma cadeira de rodas, mas o jogador conta novamente com a assistência da estranha enfermeira que meio que assombrava o velho hospital do primeiro jogo – ela está mais falante, desta vez, entretanto.

The Evil Within 2

Voltando ao crafting, vale lembrar que é possível fabricar balas, cartuchos e flechas para a besta à qualquer momento. Sim, fora das bancadas. Digamos que você acabou de gastar toda a sua munição contra algumas criaturas horrendas: é possível colocar o jogo em pausa e fabricar mais balas ou o que quer que seja, desde que você conte com as devidas matérias primas. Observe que, entretanto, a fabricação de itens fora das bancadas consome mais matéria-prima do que o necessário. Utilize a opção por sua conta e risco, mas venhamos e convenhamos: esta é uma novidade muito bem vinda.

The Evil Within 2

Lily foi utilizada pela Mobius como uma espécie de núcleo do sistema STEM. Acontece que, com o decorrer do tempo, algo acabou dando errado, incluindo outros personagens em busca da garota, como por exemplo os sinistros Stefano e padre Theodore Wallace. Estes, além de uma mulher bastante conhecida do protagonista, são alguns dos seres com os quais lidaremos durante o gameplay, valendo também a pena lembrar que durante tudo isto o corpo físico de Sebastian permanece, imóvel, nas instalações da Mobius, conectado a um novo e aprimorado sistema STEM.

Com os problemas enfrentados pelo núcleo, aliás, tudo começou a se degradar. A cidade de Union, por exemplo, entrou em colapso: ao perambular por ela, podemos observar pedaços de chão literalmente arrancados e flutuando no céu. Buracos enormes aparecem pelas ruas, além disso, os quais impedem, naturalmente, a passagem do personagem principal.

The Evil Within 2

Houve também uma equipe da Mobius que se perdeu em Union, e Sebastian deverá procurar e fazer contato com seus membros (um deles, aliás, protagoniza, ali pelo capítulo 10 ou 11, um momento muito bacana e que envolve muito fogo). É claro que se pararmos para pensar nesse lado meio “Matrix” de The Evil Within (1 e 2), todo aquele horror perde um pouco o foco, afinal de contas, estamos lidando com “simulações”, com “recriações” ou, no mínimo, com coisas que não existem no mundo real (pelo menos, não no mundo em que o corpo físico de Sebastian se encontra).

O jogo, no entanto, surpreende, e bastante. Não se esqueça de economizar munição, sempre. Além de escassa, você acabará gastando muito mais do que deveria (ou gostaria) caso parta para o combate. O jogo agora conta com um sistema de cobertura melhorado (algo que critiquei no primeiro), mas não espere por nada muito elaborado: não é possível, por exemplo, nos movimentarmos fluida e rapidamente de um ponto de cobertura a outro. Mas agora, além de andar agachado, Sebastian é capaz de permanecer realmente escondido, apoiado, atrás de portas, muretas, carros e diversos outros elementos (o próprio jogo sinaliza os momentos em que a entrada no modo de cobertura é possível).

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Castellanos também conta com uma sala própria, agora, na qual é possível a visualização de slides que coletamos nos cenários (os quais sempre acrescentam algo à história). Em tal sala, o ex-policial também pode acessar o espelho e, assim, realizar os devidos upgrades com a ajuda da famosa enfermeira. Na sala de upgrades também é possível salvar o jogo, vale lembrar, e o mesmo vale para os refúgios. Ah, sim, aqui temos outro elemento inexistente no primeiro The Evil Within: refúgios. Trata-se de salas seguras nas quais contamos com diversas facilidades: salvamento do jogo, café para recuperação da saúde, munição, bancada para crafting, etc. Existem diversos refúgios, espalhados através de Union e também em diversos outros locais.

Os gráficos do game estão muito bonitos. A Tango Gameworks utiliza uma engine própria, a STEM Engine, e os gráficos são muito bonitos. Em alguns momentos, os efeitos de iluminação são bastante surpreendentes (repare nas fases dominadas pelo Padre Theodore, com aquele monte de velas e fogo), e The Evil Within 2 conta também com texturas de primeira e cutscenes interessantíssimas, além de bonitas. Aliás, digna de nota é a chuva, em The Evil Within 2: percebemos claramente como a roupa do personagem principal vai ficando cada vez mais molhada, pouco a pouco (em Union).

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O clima de horror do jogo não é o mesmo do primeiro capítulo da franquia. Infelizmente, a desenvolvedora acabou transformando grande parte do gameplay em uma mescla de Resident Evil com Left 4 Dead (vemos pitadas de Silent Hill aqui e ali, também, é claro). Não que o jogo seja ruim, não é isso. Acontece que, apenas, muito potencial para cenários aterrorizantes foi desperdiçado.

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Em determinadas fases, você acaba sendo obrigado a partir para o ataque. Momentos em que a ação furtiva acaba não funcionando, devido ao design das fases, dos cenários, por exemplo. E aí, o festival de balas acaba destruindo o clima de tensão, e você acaba relaxando na cadeira, afrouxando os músculos, ficando mais tranquilo e saindo do estado de alerta. É uma pena.

É uma pena que todo aquele horror visceral do primeiro título, também, tenha meio que desaparecido: The Evil Within 2 não nos “brinda” com um banho de sangue, com vísceras em grande quantidade, com aquela sensação de pesadelo constante. Pelo menos, não em grande parte do tempo, e não em doses muito altas. Acabaram privilegiando mais um jogo estilo survival horror que ficou maior que seu antecessor em duração, em mecânicas interessantes, em gráficos e em relação ao enredo, porém menor no quesito “horror”.

The Evil Within 2

Existem bons momentos de terror, entretanto, e estes se dão justamente nas fases mais lineares, onde não temos muito campo para exploração. Um telefone que toca, em meio à escuridão, em um ambiente opressor – ao atendermos, apenas uma risada sinistra do outro lado. Entendeu? Momentos assim, em minha opinião, deveriam ser tônicas nesta sequência.

A ação furtiva, aqui, é bastante importante: acredite, você não pode gastar munição sem pensar. Ela é sempre escassa. Além disso, em determinadas fases, existe uma quantidade enorme de inimigos soltos, em diversos pontos. Abordá-los silenciosamente é a melhor opção (quando possível) – você não gasta balas, não sofre danos desnecessários e não alerta mais inimigos. O modo de eliminar inimigos em modo stealth, aliás, permanece o mesmo: com uma faca, por trás, silenciosamente.

The Evil Within 2

The Evil Within 2 é um ótimo jogo. Maior que seu antecessor em diversos elementos. Melhor, também. Ele apenas não oferece a mesma experiência visceral, o mesmo mergulho em cenários de pesadelo, em lugares horripilantes ao extremo repletos de sangue e corpos putrefatos. O jogo é excelente, porém, e deve ser apreciado pelos amantes de títulos do gênero.

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