No mercado já há cerca de 2 anos (tendo saído da fase beta no último dia 23 de Outubro), Gwent: The Witcher Card Game é um jogo de cartas da CD Projekt RED, originário de The Witcher 3, RPG no qual podíamos jogá-lo para passar o tempo, em tavernas e em diversos outros locais. Thronebreaker: The Witcher Tales é o segundo spin-off lançado pela desenvolvedora polonesa dentro do universo de Geralt de Rivia, e trata-se de um produto bastante peculiar, além de interessante e carismático.

A princípio, o jogo deveria ter sido incorporado em Gwent, como um modo campanha. Mas felizmente o estúdio resolveu lançá-lo como um produto separado dada a grandiosidade de seu escopo e a variedade de detalhes, elementos e mecânicas nele presentes.

Thronebreaker: The Witcher Tales

É até um tanto quanto difícil encaixar o jogo em apenas um gênero, uma vez que ele nos oferece um amálgama de elementos e mecânicas diferentes, todos unidos, obviamente, pelo card game Gwent, este um concorrente direto de títulos como Hearthstone: Heroes of Warcraft, da Blizzard, e Magic: The Gathering.

Thronebreaker: The Witcher Tales foi lançado inicialmente para PC, exclusivamente através do GOG. Ele também será lançado para PlayStation 4 e Xbox One, no próximo dia 4 de dezembro. O jogo nos apresenta uma mistura de RPG, exploração, estratégia, gerenciamento e, é claro, jogo de cartas.

Controlamos, no novo título da CD Projekt RED, a rainha Meve, soberana dos reinos de Lyria e Rívia. A trama acontece antes do primeiro The Witcher, e o enredo do jogo também tem origem, obviamente, na obra de Andrzej Sapkowski.

Thronebreaker: The Witcher Tales

Após um extenso tutorial, o qual nos apresenta as complicadas (e algumas vezes brutais) regras do jogo, Meve combate então o poderoso Império Nilfgaardiano, e após sofrer uma grande traição entre os seus, é obrigada a fugir de Lyria para não ser morta. A rainha cujo trono foi usurpado sai então em busca de ajuda, visando reunir homens o suficiente para montar um novo exército, recuperar sua terra e derrotar o exército de Nilfgaard, o qual já avançou o suficiente para causar grandes estragos.

Os lados RPG, estratégia e gerenciamento de Thronebreaker: The Witcher Tales se faz presente em vários momentos. Temos que gerenciar recursos e recrutar soldados para nosso exército (soldados estes que, na verdade, são cards de Gwent), temos que aprimorar várias instalações em nosso acampamento de guerra, como por exemplo a oficina, que destrava melhorias em diversas outras construções (à partir de tais melhorias, podemos gastar menos ouro em diversas tarefas, podemos desbloquear novas cartas/soldados, podemos aprimorar a própria rainha e também podemos criar e gerenciar um campo de treino para que nossos soldados melhorem em combate), e também somos obrigados a realizar diversas escolhas morais, as quais são capazes de afetar a própria história e resultarem em consequências a médio e a longo prazo.

Thronebreaker: The Witcher Tales

O jogo conta com mapas enormes, e é uma pena que não existam melhores formas de nos localizarmos nele, ou de pelo menos nos orientarmos. Não há como definir marcadores, por exemplo, portanto, temos de abrir o mapa (M) à todo instante para conferir se estamos indo mesmo no caminho certo, e isto é um tanto quanto problemático quando percebemos a enorme variedade de caminhos e atalhos que existem. Algo que ajuda bastante, aqui, são os pontos de viagem rápida que vamos destravando conforme exploramos, mas para utilizá-los é preciso, é claro, ter por eles passado pelo menos uma vez.

Todo o gameplay em Thronebreaker: The Witcher Tales é repleto de surpresas. Nem preciso dizer que cada batalha, cada luta, cada puzzle, cada combate contra monstros, é realizado através de duelos de Gwent, jogo que teve suas mecânicas um pouco alteradas a fim de tornar o gameplay mais palatável.

Mas nem por isso espere por batalhas fáceis: cada duelo será realmente um osso duro de roer, mas felizmente existe uma opção que permite a Meve pular as tais batalhas. Ou melhor, podemos pular as derrotas, quando estas surgirem, ganhando então o duelo automaticamente, o que garante então maior foco na narrativa.

Thronebreaker: The Witcher Tales

Ao explorarmos o mundo do jogo, com seus belos gráficos cartunescos, podemos realizar uma série de ações. Podemos conversar com vários NPCs, podemos encarar missões secundárias, e podemos também encarar desmoronamentos de rochas, os quais também são, pasme, resolvidos na forma de um duelo de Gwent de uma única rodada, durante o qual somos então obrigados a destruir as rochas com nossas cartas.

As cartas ficaram lindíssimas. Todas ricamente ilustradas, e algumas contam inclusive com belas animações e efeitos especiais, o que dá um charme todo especial no momento dos duelos. Meve é uma soberana, por sua vez, destemida, forte, que não hesita em chamar sobre si qualquer responsabilidade.

Thronebreaker: The Witcher Tales

Todo o jogo é narrado por um contador de histórias, com uma linguagem pomposa que cai muito bem em um título deste gênero. Pomposos também são os diálogos entre os personagens e Meve, e espere por muito, muito diálogo.

Fica também aqui um grande destaque para o belo trabalho de localização: Thronebreaker: The Witcher Tales conta não apenas com legendas em português do Brasil, mas também com um ótimo trabalho de dublagem em pt-BR (é possível também deixar o áudio original, em inglês, e contar com as legendas em português). O contador de histórias, aliás, consegue deixar tudo com um ar ainda mais grandioso, utilizando grande eloquência durante suas falas.

Thronebreaker: The Witcher Tales

Há também uma enorme quantidade de diálogo entre Meve e seus aliados e inimigos, sendo que tudo isto ajuda bastante o jogador a entender melhor a história na qual está inserido. As escolhas, que mencionei acima, também são capazes de sentenciar personagens à morte ou de poupá-los, de deixá-los com a moral alta ou baixa.

A moral do exército, além disso, pode ser conferida sempre através de um ícone localizado no canto superior esquerdo da tela, e ela também é influenciada pelas decisões de Meve. Moral alta ou baixa resulta em pontos extras (ou não) durante os embates, e também é possível aumentá-la através de oferendas em altares espalhados pelos quatro cantos do mundo do jogo.

É errôneo considerar Thronebreaker: The Witcher Tales como um mero jogo de cartas. Ele é muito mais que isso, e eu diria até que o jogo de cartas Gwent está ali mais como um “auxílio”, mais como uma maneira de diversificar o gameplay, como um enorme extra, como uma belíssima sacada da desenvolvedora.

O jogo se sustenta por si só, mesmo à parte das batalhas de cartas, até mesmo porque elas podem ser puladas pelos jogadores que assim desejarem, com as respectivas vitórias automaticamente concedidas a Meve.

Thronebreaker: The Witcher Tales

O jogo é um RPG completo, com exploração, com elementos de microgerenciamento, com toneladas de diálogos e muito espaço para exploração, além de várias e várias escolhas morais que podem ser feitas pela rainha de Lyria e Rívia. Ele se sustenta por si só, e mesmo que você nunca tenha jogado Gwent em sua vida, pode experimentá-lo sem qualquer sombra de medo.

Através das mudanças feitas, o baralho trabalha com grande sinergia entre todas as cartas, e tudo transcorre de maneira fluida. Utilizar as cartas, os baralhos (ou decks), não é nenhum bicho de sete cabeças, apesar de que no início muitos jogadores podem se sentir um tanto quanto amedrontados com todas as novidades. É notável, aliás, o modo como todas as cartas interagem entre si, com animações belíssimas e acontecimentos inúmeros que muitas vezes podem escapar dos olhos dos jogadores menos atentos.

Com um tabuleiro simplificado e maior facilidade no tocante ao posicionamento de cartas, tudo transcorre mais tranquilamente, sendo que muitas batalhas, aliás, duram apenas uma única rodada (ao invés das 3 tradicionais – para ganhar, você precisa vencer pelo menos 2), dependendo da situação em questão. Muitas delas, também, possuem objetivos específicos, como por exemplo a destruição da barricada de rochas já acima mencionada.

Thronebreaker: The Witcher Tales

Toda a montagem dos baralhos é feita no acampamento, o qual você pode erguer à qualquer momento. Tudo é bastante simples e autoexplicativo, e você perceberá bem rapidamente que a CD Projekt RED quis criar algo que fosse capaz de entreter não apenas os fãs de Gwent, mas também atrair uma grande parcela de jogadores não familiarizados com o card game (apesar de que os fãs também são muitíssimo bem vindos).

Vale lembrar que também existem diversas cartas especiais espalhadas pelo mundo de Thronebreaker: The Witcher Tales, as quais podem ser obtidas então através de missões paralelas, tais como, por exemplo, ajuda a aldeões que estão em apuros e sob ataque de Carniçais ou outros monstros.

Thronebreaker: The Witcher Tales

É digno de nota, entretanto, o fato de como os mapas parecem vazios, por vezes, livres de qualquer ponto que desperte o interesse do jogador, mesmo a rainha sendo obrigada a coletar ouro, madeira e recrutar soldados para seu exército. Estas tarefas todas, infelizmente, acabam caindo na mesmice e cansando, após algum tempo.

Por outro lado, digna de nota, também, é a história contada por Thronebreaker, repleta de traição, de momentos épicos e de combates empolgantes, tudo isto entremeado pelas falas do narrador/contador de história e pelos diálogos que enriquecem ainda mais o jogo. Também vale a pena destacar as belíssimas animações e cutscenes que entremeiam os vários momentos do jogo, sempre contando mais, sempre mostrando mais a respeito dos personagens, dos acontecimentos do mundo e da própria história em si. Sempre, aliás, com a atuação magnífica do contador de histórias.

Thronebreaker: The Witcher Tales

A CD Projekt RED acertou a mão mais uma vez, nos entregando um jogo completo, rico em detalhes, com uma trama profunda e imersiva, e não apenas tentando nos empurrar outro card game goela abaixo, o que se mostrou, de fato, uma grande decisão.

Assim, o jogo é capaz de atrair qualquer tipo de jogador, mesmo aqueles não acostumados com o jogo de cartas ou que nunca jogaram nenhum The Witcher na vida: a história se sustenta por si só. E se somarmos a tudo isto o esquema de diálogos com suas respectivas escolhas e consequências, temos um RPG em mãos que é capaz de nos divertir por horas e horas a fio.

Obs: o jogo leva mais de 20 horas para ser finalizado, vale ressaltar. Bem mais, aliás, se você resolver explorar tudo o que há para ser explorado, fazer todas as sidequests, etc.

Ficha técnica

Título: Thronebreaker: The Witcher Tales

Gênero: RPG, card game

Desenvolvedora: CD Projekt RED

Publisher: CD Projekt RED

Data de lançamento: 23 de outubro de 2018 (PC) / 4 de dezembro de 2018 (PlayStation 4 e Xbox One)

Plataformas: PC, PlayStation 4, Xbox One

Versão analisada: PC

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