Hydrophobia, game da Dark Energy Digital, é um título único. Um game que faz uso de uma engine desenvolvida por sua própria criadora. Trata-se da HydroEngine, a qual tem por objetivo fornecer o máximo de realismo à água e aos líquidos em geral. Hydrophobia é um XBLA que foi aguardado com muita ansiedade, principalmente devido a esta questão da água, pois recriar este elemento em um game é uma das tarefas mais difíceis com as quais se deparam as desenvolvedoras de games.

Daí a criação de uma engine voltada especificamente para esta finalidade, e daí termos em mãos um game que é único, especial e, a princípio, estranho. Não ruim, por favor, me entendam bem. Ele é diferente, o gameplay é diferente, a maneira como utilizamos as armas e a forma como se dá a própria movimentação da personagem enquanto na água são todos fatores diretamente influenciados pela água, a qual está presente em abundância no título. Aliás, se você tem medo de água, é bem possível que se sinta mal ao jogar Hydrophobia. Ok, estou exagerando, mas você irá se deparar com muita, muita água, neste jogo.

História

Em Hydrophobia você encarna uma personagem chamada Kate Wilson. Uma engenheira de sistemas meio insegura que de repente se vê às voltas com problemas com os quais jamais havia sonhado em sua vida. A própria introdução do game, a qual na verdade é um sonho da própria Kate, nos dá uma pequena mostra subjetiva do que está por vir. É aterrorizante.

Kate trabalha com um cara chamado Scoot. Na verdade, Scoot é seu chefe, e possui uma voz um tanto quanto irritante. Engraçada, porém irritante. Ele fornece diversas informações úteis à Kate, as quais são de extrema valia principalmente no início do game, quando o navio Queen of the World sofre um ataque terrorista bem no meio de sua festa de aniversário de 10 anos. Este ataque, aliás, é o início do gameplay própriamente dito. Ele representa o início da trama.

O Queen of the World é uma espécie de cidade flutuante. É um navio gigantesco que foi construído devido à superpopulação mundial. É uma espécie de cidade flutuante que tem por objetivo manter seus habitantes alheios a todos os problemas que assolam o mundo, e que conta com diversos interesses por trás de sua construção e manutenção. É claro que com isto em mente, fica fácil deduzir “quem”, “como” e “porque” todas aquelas pessoas abandonaram a vida em terra firme para viver em uma verdadeira fortaleza flutuante, que perambula pelos oceanos da terra. Aliás, fica fácil deduzir que somente pessoas bem dotadas financeiramente vivem no Queen of the World.

Existem algumas facções terroristas no game, e uma delas é a Maltusiana. O ataque inicial ao gigantesco navio pega todos de surpresa, e a Kate em um elevador. A partir daí começa toda a intrincada e empolgante história que colocará a Kate no centro da narrativa, fazendo com que ela tenha de abandonar seus medos para enfrentar inimigos armados e perigosos, que não hesitam de forma alguma em disparar muitos tiros quando necessário.

Algumas partes do Queen of the World me lembraram da Citadel, de Mass Effect, e vale também lembrar que, sendo Hydrophobia um game que possui um foco enorme no elemento “água”, é muito difícil andar por muitos metros sem se deparar com poças, áreas inundadas, “lagos artificiais” formados pela explosão de alguma porta e/ou sistema de contenção, etc.

É óbvio que muito da história de Hydrophobia poderia ser aplicado aos dias atuais e/ou a um futuro bem próximo, pois quase que diariamente tomamos conhecimento dos efeitos nefastos da agressão humana contra o meio ambiente. Se somarmos a isto o fator “superpopulação”, é muito provável que possamos imaginar não um Queen of the World, mas vários.

A mensagem que os terroristas inserem nos sistemas no navio, e que passa a ser exibida constantemente em todos os monitores, dispensa tradução e comentários, aliás: “Save the world, Kill yourself‘”. Existem motivações políticas que acompanham todo o desenrolar da trama, e ajudam a tornar tudo muito mais interessante.

Jogabilidade

A jogabilidade de Hydrophobia é um pouco complexa e, como eu já disse no início deste review, tudo poderá ser influenciado pela água e até mesmo pela quantidade deste elemento presente onde você está. É claro que existe sempre um muito bem vindo indicador em tela, o qual indica a direção e a distância que falta ser percorrida até o seu objetivo. Existe também um fantástico mapa, o qual pode ser visualizado tanto em 2D quanto em 3D, e que ajuda muito na movimentação pelo navio e na realização das diversas tarefas designadas à pobre Kate. O mapa também pode ser girado, você pode utilizar zoom, afastando ou aproximando a câmera, e todos os objetivos são exibidos no mesmo.

A influência da água é sentida onde quer que você esteja, esteja você totalmente submerso, com água pela cintura ou caminhando em corredores por onde existem canos arrebentados esguichando água para todos os lados. A própria protagonista tenta se proteger da água automaticamente, nestes momentos, colocando os braços sobre os olhos, por exemplo.

Todos os comandos vão sendo informados através de uma espécie de tutorial in-game, que vai lhe fornecendo aos poucos, conforme a necessidade, todo o mapeamento dos botões, funções e movimentos possíveis. Lembre-se sempre da água, e do fato de que ela influencia todo e qualquer movimento que você realizar. Isto também se aplica à utilização de armas de fogo, vale lembrar.

Jogando Hydrophobia

Jogar Hydrophobia é uma experiência e tanto. O foco dado à água e a própria história do game são bastante impressionantes, apesar da água em si não o ser (comentarei mais a este respeito adiante). A água reage conforme o personagem se movimenta de forma bastante interessante, e a física funciona de maneira quase perfeita. Você sente a dificuldade de caminhar com a água pela cintura, e pode de repente ser derrubado se abrir uma porta cujo lado oposto estiver totalmente tomado pela água.

A água pode ser tanto sua amiga quanto inimiga. Você pode também utilizar o nível em elevação do local onde se encontra para atingir determinados objetivos localizados em pontos mais altos, e vale ressaltar que mergulhar é uma experiência notável. A movimentação da Kate é muito fluída, a visualização da água fica muito bonita, enquanto você está submerso, etc. A experiência de jogar Hydrophobia é um tanto quanto diferente, principalmente pelo fato de que não se trata de um shooter convencional. A partir do momento em que Kate obtém uma pistola, tudo se torna mais interessante.

Esta pistola, inicialmente carregada apenas com uma espécie de carga sônica, pode até matar. Ela pode, também, desencadear verdadeiras reações em cadeia, dependendo do que e como você acerta, bem como da distância. Você estando totalmente submerso ou não também influencia no momento, e a física aqui é bem apurada. Vale ressaltar que três descargas sônicas completamente “cheias” matam qualquer um, portanto, olha aqui a dica. 🙂

A diferença entre as cargas sônicas e o restante da munição que você poderá encontrar e utilizar é que estas últimas não são infinitas. Portanto, use-as com parcimônia.

Gráficos e trilha sonora

Confesso que a água em Hydrophobia me decepcionou um pouco. Esperava muito mais, depois de ouvir e acompanhar todo o hype a respeito do jogo e da HydroEngine. É claro que existem momentos impressionantes, mas estes ficam restritos ao elemento água, em si. Os gráficos de Hydrophobia não são nada surpreendentes, e chego até a dizer que os personagens, principalmente, poderiam ter sido melhor modelados. Não se vê um sincronismo labial perfeito quando a Kate fala, por exemplo, e o próprio ambiente carece de detalhes e refinamentos que se observa em outros XBLA’s.

É claro que sou partidário da máxima que diz que “gráficos não são tudo em um game”, mas confesso que esperava bem mais de Hydrophobia. Claro, os efeitos de luz são fantásticos. Superfícies metálicas e vidro, bem como o piso, dependendo de seu tipo, refletem a luz de maneira soberba. O fogo, entretanto, quando aparece em cena, por exemplo, não convence muito, enquanto em contrapartida as enxurradas são extremamente convincentes dentro do contexto, sem considerarmos a água em si.

Acho que faltou um pouco mais de polimento em um título que tem a água como foco. Não que isto tire a graça do game, nem tampouco atrapalhe a jogabilidade e/ou a diversão: mas eu esperava por mais realismo e mais interação. A trilha sonora não é nada surpreendente e cumpre o seu papel. Confesso que joguei Hydrophobia tão focado em seus gráficos que esta passou meio que despercebida por mim. É claro que ela não é nada ruim, muito pelo contrário, mas também não chega a ser algo digno de nota. Ela está lá como coadjuvante, e só.

Conclusão

Hydrophobia, apesar do hype, não conseguiu trazer o realismo que esperávamos ao elemento água. Trata-se, entretanto, de um game que possui pontos altos e baixos e deve ser apreciado “pelo conjunto”. O game não é um shooter convencional, de qualquer forma, e é bem interessante quando nos esquecemos de seus problemas e/ou das enormes expectativas que possuíamos em relação à HydroEngine e da suposta revolução que ela iria causar.

Ficha Técnica

Título: Hydrophobia
Gênero: shooter / ação
Desenvolvedora: Dark Energy Digital
Distribuidora: Dark Energy Digital
Data de lançamento: 29 de Setembro de 2010
Plataformas: Xbox 360
Versão analisada: Xbox 360

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