O prazer de jogar um título de ação furtiva pode ser imenso, principalmente se você gostar da sensação de agir como um “anjo da morte nas sombras” e entrar com tudo na pele do personagem, encarando todos os desafios apresentados como se eles fossem, quem sabe, ameaças à sua própria vida.

O prazer proporcionado pelo ato (em um jogo eletrônico, que fique bem claro 😉 ) de eliminar alvos sem que eles sequer percebam o início do conjunto de ações que os levará à morte pode fazer com que joguemos uma mesma missão inúmeras vezes, motivados apenas pelo desejo de fazer melhor, de atirar melhor, de agir com mais letalidade.

Utilizar armas brancas em silêncio, em meio à escuridão, ou então pistolas equipadas com silenciadores, é algo já até que comum neste gênero. Mas “brindes” como, por exemplo, pequenas cutscenes que exibem a morte dos inimigos de maneira cinematográfica nunca são demais.

Eles nos encantam. Podem fazer com que a produção de adrenalina em nosso organismo chegue a níveis assustadores. E funcionam como elementos motivadores, claro. E o melhor de tudo: nós gostamos disso. Bem, pelo menos quem aprecia franquias como Hitman, Deus Ex, Metal Gear, Thief, etc.

Tom Clancy's Splinter Cell: Blacklist

E, claro, não podemos nos esquecer da espetacular série Splinter Cell, da Ubisoft, cujo último lançamento, Splinter Cell: Blacklist, deve ser jogado obrigatoriamente por qualquer pessoa que aprecie ação stealth. O sucessor de Splinter Cell: Conviction nos apresenta agora um protagonista mais “poderoso”.

O novo Sam Fisher agora está no comando de um grupo de operações especiais. Um novo grupo, o Fourth Echelon, o qual tem por objetivo lutar contra um grupo de terroristas conhecido como The Engineers (Os Engenheiros). A ameaça, agora, é global, e o ex-membro do Third Echelon tem de lidar com um líder terrorista (Majid Sadiq) que já foi membro do MI6, o Serviço Secreto Britânico (lembra do James Bond?).

Tom Clancy's Splinter Cell: Blacklist

Sadiq sabe muito bem o que faz, e é tão experiente (ou quase) quanto Sam. Temos aqui também um grupo terrorista (The Engineers) que inicia uma operação chamada “Blacklist”, através da qual promete  ataques periódicos a alvos que sejam de interesse dos norte americanos (alvos importantes, estejam eles localizados ou não dentro da terra do Tio Sam) caso os Estados Unidos não retirem suas tropas e/ou interrompam ações militares em diversos países no mundo. Claro, aqui temos diversos clichês, mas nem por isso o valor do jogo (enorme) deve ser diminuído. Bem, Sam e seu grupo devem salvar o mundo.

O Fourth Echelon tem de entrar em ação e, através de missões nos quatro cantos do mundo, a ameaça tem de ser combatida. Os terroristas devem ser eliminados. Sam, Briggs, Grim e Charlie Cole são os personagens principais desta trama.

Ficha técnica

Título: Tom Clancy’s Splinter Cell: Blacklist

Gênero: Ação furtiva em terceira pessoa

Desenvolvedora: Ubisoft Toronto

Publisher: Ubisoft

Data de lançamento: 20 de Agosto de 2013

Plataformas: PC / Xbox 360 / Playstation 3

Versão analisada: PC

Para a surpresa de muita gente (principalmente se levarmos em consideração o ódio de Sam e o que sabemos a respeito deste personagem através de Splinter Cell: Conviction – Grim chega a temer pela vida do cara, nas mãos de Sam, em dado momento), até o criminoso Andriy Kobin se transforma em um aliado do 4th Echelon, com direito a participação em momentos cruciais e aparição em momentos “happy-happy” no final da campanha. É, as coisas mudam.

Tom Clancy's Splinter Cell: Blacklist

Chego a dizer que Splinter Cell: Blacklist é o título mais ambicioso, corajoso e surpreendente da série, até o momento. Não bastasse o protagonista ter sofrido um “upgrade” enorme (de alguém caçado e com a reputação abalada no início de Conviction para líder de uma equipe importante em Blacklist), o jogo em si conta com novidades muito interessantes. O recurso Active Sprint, por falar nisso, é bem útil, ao permitir que fujamos rapidamente utilizando apenas um botão. Observar o personagem realizando saltos e outros movimentos de forma rápida e fluida é também muito bonito.

Ao contrário de outros jogos da franquia, aqui somos recompensados se agirmos de maneiras diferentes. Explicando melhor: apesar da ação furtiva ser sempre o melhor (e mais difícil) caminho, Blacklist nos dá grande liberdade de ação, e recebemos inclusive prêmios os mais diversos ao nos enquadrarmos em determinadas “categorias”.

Tom Clancy's Splinter Cell: Blacklist

“Ghost”, “Panther” e “Assault”. Ao final de cada missão você sempre será apresentado a telas que exibirão o seu desempenho conforme os parâmetros que definem cada um destes estilos. Você pode até mesmo repetir uma mesma missão para fazer tudo de maneira diferente e assim também receber mais dinheiro. E, sim: Sam Fisher recebe dinheiro ao final de cada missão, e com tal dinheiro pode comprar novas armas, upgrades, gadgets, roupas de combate, etc.

Basicamente, para agir totalmente de acordo (e receber os devidos pontos) com o estilo “Ghost” você deve ser um fantasma. Agir totalmente nas sombras, evitar confrontos o máximo possível e fazer de tudo para deixar os inimigos vivos e sem noção de sua presença. Este é o estilo que, digamos, estaria mais de acordo com a proposta de um título de ação stealth, não é? Pode ser também o estilo mais recompensador para muitos jogadores, e o mais difícil.

Tom Clancy's Splinter Cell: Blacklist

Já para se adequar ao estilo “Panther” você pode agir um pouco mais tranquilamente. Elimine alvos, mas sempre silenciosamente e sem alertar inimigos próximos. Esconda corpos. Aqui também temos um leque enorme de possibilidades. Dois inimigos conversando calmamente, por exemplo, um ao lado do outro, sendo que um deles pode ser capturado com vida (algo não obrigatório) para que você receba alguns trocados a mais, podem levar você a pensar em um grande número de estratégias.

Tom Clancy's Splinter Cell: Blacklist

Utilizar o ambiente a seu favor também é uma boa ideia. Atalhos, caminhar sorrateiramente por dutos de ventilação, e até mesmo se esconder em algum lugar escuro e chamar a atenção de terroristas próximos com assobios ou sussurros para então matá-los sorrateiramente quando eles chegarem ao alcance são algumas ideias. Digamos que para ser “Panther” em Tom Clancy’s Splinter Cell: Blacklist basta matar furtivamente e manter-se nas sombras.

Já o estilo “Assault” não requer do jogador nada mais do que “partir para cima de tudo e de todos”. O velho “modo rambo”. Mas cuidado: estamos falando de um jogo de ação furtiva, e este modo de agir pode fazer com que sua vida dentro do game se transforme em um inferno.

É possível, claro, se sair bem de diversas situações utilizando metralhadoras barulhentas e participando de tiroteios frenéticos, mas o jogo é cruel, neste quesito, e você poderá encontrar a morte muito rapidamente caso não tenha em mãos os equipamentos e as armas necessários (sem falar na agilidade, etc).

Estamos falando aqui a respeito de algo que, na verdade, representa alguns conceitos dentro do jogo. Você não será penalizado se eliminar todos os inimigos, nem tampouco se matar alguns e outros não. É possível combinar livremente diversas táticas, carregar consigo granadas de fragmentação e gás sonífero, utilizar tudo isto em uma mesma missão e se sair muito bem. Ao final da mesma você verá um relatório detalhado a respeito de seu desempenho, e ficará sabendo se durante a maior parte do tempo agiu como um fantasma, uma pantera ou um furacão.

É inegável e louvável, também, o esforço que a Ubisoft realizou no sentido de integrar os modos online e offline do jogo. Em Splinter Cell: Blacklist temos um avião (Paladin) que funciona como base para o Fourth Echelon. Dentro deste avião podemos perambular livremente, e em sua sala principal temos o SMI (Strategic Mission Interface), através do qual podemos acessar missões da campanha, missões cooperativas, o modo competitivo online Spies vs Mercs, que retorna em grande estilo (e com novidades, através do Spies vs Mercs Blacklist, mediante o qual até oito pessoas podem jogar ao mesmo tempo, divididas em duas equipes de 4), e também ficar por dentro de desafios diários.

Tom Clancy's Splinter Cell: Blacklist

Vale lembrar que grande parte das missões cooperativas pode ser jogada também em modo solo, e todas elas estão ligadas à campanha principal, de alguma maneira, nos apresentando objetivos e alvos em vários locais do mundo que estão ligados aos Engenheiros e/ou que a eles fornecem apoio.

Apesar de não ser obrigatório concluir tais missões, devo dizer que mesmo sozinho, jogá-las é muito bacana. Somos levados a cenários diferentes, inimigos diferentes, propostas diferentes e também ganhamos dinheiro, o qual pode ser investido em upgrades que podem ser utilizados no multiplayer, na campanha e, claro, nestas “missões secundárias”.

Além disso, temos missões fornecidas por cada um dos 3 membros restantes do Fourth Echelon (Isaac Briggs, Anna Grímsdóttir e Charlie Cole). Sem falar nas missões do Kobin, “membro temporário” do Fourth Echelon ou, no mínimo, “passageiro” do Paladin.

Charlie nos leva a missões durante as quais temos de enfrentar sucessivas hordas de inimigos. Estudar bem os mapas (algumas vezes grandes e cheios de oportunidades para nos esgueirarmos) é essencial, sendo que após um determinado tempo a oportunidade de extração nos é oferecida (podemos também continuar jogando e ganhando dinheiro).

Tom Clancy's Splinter Cell: Blacklist

Já as missões fornecidas pela bela Grim são talvez as mais simples. Tudo o que temos de fazer é invadir diversas instalações inimigas em vários pontos do mundo, sempre, claro, nos mantendo nas sombras. As missões fornecidas por Briggs devem ser obrigatoriamente jogadas com outra pessoa, e nelas temos de agir de maneira coordenada. A dificuldade aqui é maior, até mesmo porque muitas vezes ficamos emperrados devido ao modo de agir do nosso “companheiro”.

E as missões do nosso agora amigo Kobin são muito legais, também. Nelas a informação pode muitas vezes estar em jogo, e obtê-la nos rende alguns trunfos, além de dinheiro. Somos colocados em “contato” com velhos amigos do criminoso, e também podemos receber bônus caso cumpramos certos objetivos, como por exemplo, permanecer o tempo todo sem sermos detectados.

Tom Clancy's Splinter Cell: Blacklist

Tudo isto pode ser acessado diretamente através da interface do SMI, claro, mas também podemos andar pelo Paladin, conversar com os personagens necessários e então, a partir daí, receber as devidas instruções e iniciar a missão. Esta modificação fornece uma sensação de integração e interatividade enorme. É como se realmente estivéssemos participando apenas da “main quest” mesmo enquanto fazemos “side-quests”. Todos os modos de jogo estão interligados e fazem parte de um sistema único de economia e customização.

Tom Clancy's Splinter Cell: Blacklist

Interagir com membros da equipe ao invés de acessar menus insossos: isto torna a experiência como um todo mais coesa, mais única, mais forte, pois até mesmo informações muito interessantes nos são passadas durante tais conversas. E podemos também realizar upgrades no avião que funciona como quartel-general, sendo que todos estes upgrades vão gerar benefícios em um ou outro momento, seja nos dando um número maior de slots para loadouts, seja no aumento da resistência do personagem principal. Splinter Cell: Blacklist também permite que joguemos como outro personagem, em algumas missões. Em determinadas fases somos colocados na pele do ex-agente da CIA Isaac Briggs, e aí, a perspectiva muda de terceira para primeira pessoa.

Tom Clancy's Splinter Cell: Blacklist

Charlie é o especialista em computação do Fourth Echelon. O hacker. O cara que cria novidades tecnológicas, e nosso contato quando desejamos adquirir armas novas, upgrades, melhorias as mais diversas e roupas que melhorem os quesitos “furtividade” ou “blindagem”, por exemplo. E pode ficar tranquilo, para tudo isto não existem microtransações absurdas: basta utilizarmos o dinheiro que ganhamos dentro do próprio jogo, finalizando missões, cumprindo objetivos, etc.

A quantidade de personalização que podemos aplicar ao protagonista, àquilo que ele carrega consigo, é enorme. Gadgets, roupas, armas, granadas, etc. Kobin inclusive fornece acesso a um arsenal muito interessante, oriundo do mercado negro. Os famosos óculos do Sam podem receber melhorias espetaculares, incluindo visão colorida.

Tom Clancy's Splinter Cell: Blacklist

Rastreamento de pegadas também faz parte da lista, e armas podem ser personalizadas de formas legais demais, sendo que sempre podemos visualizar o impacto que a adição de um determinado item terá na mesma, como por exemplo redução ou aumento no coice ou no nível de ruído. Temos um grande número de armas. Diversas categorias. Podemos comprá-las, alterar vários de seus elementos, adicionar miras, torná-las melhores.

Tom Clancy's Splinter Cell: Blacklist

Até mesmo a compra de cores novas para os óculos pode ser interessante, aqui. Isto porque não temos de gastar dinheiro de verdade com tais vantagens cosméticas, e observar o personagem com um “look” diferente em uma outra missão sempre é bacana, principalmente se lembrarmos que o retorno a fases anteriores é sempre possível e recomendável, e que uma luz azul ou vermelha faz uma grande diferença no escuro, mesmo que isto tenha propósitos meramente decorativos.

Tom Clancy's Splinter Cell: Blacklist

Nem tudo são flores, entretanto. Os gráficos de Splinter Cell: Blacklist são bonitos. Muito, diga-se de passagem. Mas poderiam ser melhores. Apesar de, por exemplo, termos ali belos efeitos de iluminação e sombras, temos uma série de texturas ruins e modelos cuja beleza, cujo nível de detalhes, ficam a desejar. No entanto, é impossível olharmos para Sam Fisher sem nos surpreendermos com a beleza do personagem. Estranho, não?

E se olharmos para outros jogos desenvolvidos com a Unreal Engine 3, jogos recentes e/ou não muito antigos, também, como BioShock InfiniteBulletstorm e Dishonored, nos perguntamos o porquê de a Ubisoft não ter utilizado o mesmo motor gráfico que utilizou em Assassin’s Creed III, por exemplo.

Além disso, podemos passar por situações um tanto quanto estranhas e frustrantes, durante o jogo. Situações que envolvem problemas com a inteligência artificial. Sabemos que estamos totalmente “escondidos” quando as luzes do nosso traje se acendem (nas cores que escolhemos previamente, comprando ou ganhando). Isto ajuda bastante, claro.

Tom Clancy's Splinter Cell: Blacklist

E sabemos, em vários momentos, que é impossível um soldado inimigo nos ver, tanto devido à configuração do ambiente quanto devido ao fato de estarmos totalmente no meio das sombras. No entanto, não são poucas as vezes em que somos detectados, mesmo assim. Mesmo sem fazer barulho algum, mesmo sem mexer um dedo. Nestes casos, alertas são soados, naturalmente, o inimigo em questão vem em nosso encalço e podemos ir para o beleléu muito rapidamente.

Já passei por algumas situações bem estranhas, também, que envolveram a morte de alvos próximos. Um deles, no caso, estava de frente para o outro (um controlador de drones). Minha intenção era abatê-los rapidamente com a pistola, sem usar o recurso “Mark & Execute”.

Bem, qual não foi minha surpresa ao matar um deles e perceber que o outro, olhando para o (agora) defunto nem se mexeu? Obviamente, estes são detalhes que podem até ser totalmente desconsiderados, principalmente se levarmos em consideração a grande quantidade de conteúdo contida no pacote e a maneira como o fator replay foi aumentado consideravelmente. Mas estes detalhes não passam batido, claro.

Tom Clancy's Splinter Cell: Blacklist

Também achei fraca a atuação de Eric Johnson como a voz de Sam  Fisher. Deu saudades do veterano Michael Ironside, da maneira como o Fisher era capaz de algumas tiradas cínicas. O Sam Fisher de Eric Johnson soa sério demais. Durão demais, e o pior de tudo é que, se pensarmos bem, isto até combina com o personagem. Mas talvez esta seja uma cisma boba de um fã antigo da franquia. Senti falta também de algo muito bacana que foi introduzido em Splinter Cell: Conviction: os interrogatórios (eu adoraria ter interrogado o Sadiq). Mas tudo bem.

Vale também lembrar que o jogo conta com legendas em português do Brasil. Mais um ponto para a Ubisoft. E não somente isto: também é possível ativarmos a dublagem em português do Brasil.

Conclusão

Tom Clancy’s Splinter Cell: Blacklist é um grande jogo de ação stealth, capaz de agradar até mesmo a quem jogou poucos títulos do gênero. O jogador pode utilizar diversos tipos de abordagem e é até mesmo gentilmente convidado a revisitar missões anteriores para tentar uma nova estratégia. O jogo conta com grande quantidade de conteúdo, e tudo isto está integrado, faz parte de um conjunto que não deixa explícito (o que é ótimo) onde termina o singleplayer e onde começa o multiplayer.

E seu final, aliás, conta com um enorme gancho para uma continuação, tanto devido a uma frase quanto devido a um certo resultado obtido a partir de um dos momentos em que exercemos no jogo a Fifth Freedom. Se você procura uma boa história de espionagem, muita ação, e gosta de jogos que te deixam livre para finalizar uma mesma missão de várias maneiras, não perca tempo.

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