(Review) “Tropico 4″ e DLC “Tropico 4: Modern Times”

Review "Tropico 4" e "Tropico 4: Modern Times"

Já fazia um bom tempo que eu não colocava minhas mãos em um título da série Tropico, e Tropico 4 foi uma grata surpresa. Isto sem falar no DLC ”Tropico 4: Modern Times“, lançado há pouco tempo atrás. Este review vai ser um pouco diferente. Vou analisar tanto o jogo principal quanto o DLC acima mencionado, o qual é muito bacana.

Estamos aqui falando a respeito de um game que oferece boas doses de simulação e estratégia. E altíssimas doses de humor, também, o que já é algo característico da franquia, como sabemos. No papel de El Presidente, governante…bem, ditador da ilha de Tropico, o jogador enfrentará dificuldades as mais diversas e terá de lidar com interesses e problemas externos e internos.

Até mesmo vulcões, vazamentos de óleo, tornados e tsunamis podem “dar as caras” na bela ilha, e provocarem diversos tipos de estragos. Estragos que terão de contar, é claro, com a boa vontade do jogador/governante para serem consertados. A passagem de um tornado pela ilha, aliás, é impressionante. O céu escurece, tudo assume um ar funesto, e pode-se observar todo o “belo espetáculo” à partir de vários ângulos diferentes.

Tropico 4

Isto sem falar no clima da ilha. De repente você está jogando, cuidando de seus afazeres como ditador, e uma chuva torrencial pode desabar, com o devido acompanhamento de relâmpagos, nuvens escuras e belos efeitos sonoros. Logo em seguida, aliás, um belíssimo sol pode surgir em meio às nuvens e acabar com qualquer possível tristeza causada pela chuvarada. Tropico 4 é complexo, mas delicioso de se jogar.

Ele também obriga o jogador, é claro, a cuidar do gerenciamento da ilha. Economia, segurança, política, recursos, educação, habitação e diplomacia são alguns dos itens com os quais devemos nos preocupar constantemente no jogo. O relacionamento com potências estrangeiras é muito importante, também, e pode inclusive ser motivo de desavenças com as diversas facções existentes no jogo.

Tropico 4

Ocorre que o título conta com 8 facções: comunistas, capitalistas, religiosos, militaristas, intelectuais, ambientalistas, legalistas e nacionalistas. Representantes de cada um destes grupos sempre entram em contato com El Presidente, apresentando reclamações, solicitações, etc. É interessante, sempre, manter todos eles com pelo menos 40-50% de respeito em relação ao seu regime, pois em caso contrário diversos problemas podem ocorrer.

Religiosos podem reclamar devido à presença de pubs e cabarés, ambientalistas podem não gostar da construção de minas, e militares podem até mesmo se voltarem contra você, caso, por exemplo, bases suficientes não sejam construídas ou seus salários sejam muito baixos.

Gerenciar esta “república das bananas” é algo simplesmente fantástico. O número de situações insólitas com as quais o jogador pode se deparar, aliás, é enorme. E cada jogo, cada partida, pode possuir durações diferentes, dependendo das habilidades do jogador e da maneira com a qual ele lida com as mais diversas situações. Este não é um simulador / city building game comum. O próprio El Presidente é um belo exemplo disto.

Ele pode não pensar duas vezes no momento de “alimentar” sua conta na Suíça com dinheiro que seria destinado ao tesouro. Ele não pensa duas vezes no momento de subornar quem quer que seja. Ele também não pensa muito quando se trata de “dar um jeito” em algum elemento que está prejudicando seu governo e/ou sua imagem. Isto transforma Tropico 4 em um jogo muito interessante e que pode até mesmo agradar àqueles que se sentem intimidados por outros simuladores que envolvem a construção e o gerenciamento de cidades.

As ilhas do jogo, por falar nisto, são bem maiores do que aquelas que encontramos nos títulos anteriores da série, o que acaba aumentando a necessidade de pensamento estratégico e rapidez na resolução de problemas pois, neste título, “jacaré que dorme de toca vira bolsa”. O relacionamento com potências estrangeiras também é bem mais profundo neste último título da franquia, sendo que os Estados Unidos e a URSS estão no topo, digamos.

Mas o jogador também deverá se relacionar com a União Européia, com a China e com países do Oriente Médio. Estes, aliás, podem até mesmo se sentirem ofendidos caso você construa muitas igrejas católicas na ilha. Mensagens de diversos tipos e origens, internas e externas, não param de pipocar na tela, fazendo com que o jogo seja extremamente dinâmico e dando ao jogador a oportunidade de se envolver em uma miscelânea de assuntos e atividades diferentes.

Tropico 4

Logo no início da campanha o jogador pode escolher um dentre vários avatares pré-configurados ou então criar o seu, totalmente personalizado, incluindo um passado, a história de como ocorreu sua chegada ao poder e alguns traços característicos de sua personalidade. O relacionamento de El Presidente com cada uma das 8 facções da ilha e com países estrangeiros é totalmente interligado. O respeito que as facções possuem em relação a você pode também ser influenciado/alterado através de diversas medidas.

O trabalho de transformar a ilha em uma grande potência pode ser bem difícil devido a estes fatores, dentre outros. Nacionalistas não apreciam muito a chegada de grande quantidade de imigrantes, e sempre reclamam, dizendo que eles irão ocupar postos de trabalho que seriam dos nativos. Greves podem ser tratadas de diversas maneiras: você pode aumentar o salário dos trabalhadores, oferecer ajuda temporária ou até mesmo ordenar a morte de alguns deles, como exemplo.

Tudo isto provocará reações diferentes de cada uma das facções, e seu devotado assessor Penultimo estará sempre ali, te fornecendo conselhos extremamente úteis. É necessário também manter a população da ilha feliz, e para isto, diversas opções de lazer devem estar disponíveis, sem esquecer, é claro, da alimentação. O Almanac permite que o jogador obtenha um panorama de tudo o que acontece na ilha.

Número de cidadãos, receitas, despesas, dados relativos a exportações e importações, necessidades/requisições de cada uma das facções, informações a respeito de cada uma das potências estrangeiras, etc. Grande parte destes itens pode também ser apresentado em um gráfico, tornando assim a visualização dos dados mais simples e objetiva.

Tropico 4

Construções devem obedecer a certas regras, também. Fazendas, por exemplo, devem ser construídas em terreno apropriado, e minas devem ser construída em locais onde exista grande quantidade de recursos. Tudo isto pode ser consultado facilmente através dos overlays. Aqui, o jogador pode conferir quais são as regiões mais propícias para a plantação de banana, café e tabaco, por exemplo. O mesmo ocorre com recursos naturais: ferro, ouro, sal, etc.

A situação de diversos locais da ilha também pode ser aqui consultada: níveis de poluição, zonas que sofrerão mais no caso de tsunamis, regiões onde existe o perigo de erupções vulcânicas, etc. Ou seja: é preciso prestar bastante atenção a todos estes detalhes e então utilizar os dados obtidos de forma tal a construir e gerenciar o estado de maneira tal a aumentar as probabilidades de êxito e reduzir o número de fracassos.

Tropico 4

Promover o turismo também é uma ótima maneira de fazer com que os caixas inchem, e hotéis e aeroportos são parte essencial deste esquema. É necessário também contar com um ministério. Trata-se do pessoal que “traduzirá as palavras de El Presidente em leis”, digamos. Ministros podem ser escolhidos dentre cidadãos da própria ilha, ou então você pode (há um custo para isto, entretanto) trazer pessoal mais gabaritado de fora.

Na prática, a presença de ministros é uma espécie de pré-requisito para que você seja capaz de emitir decretos relacionados às suas áreas de atuação. A campanha de Tropico 4 começa em 1950, e as missões possuem mais relação entre si do que em Tropico 3. Digamos que existe uma espécie de linha narrativa, mesmo que mínima (e mesmo que não necessária aqui), que mantém o interesse do jogador ainda mais alto.

A URSS e os EUA enviam ajudas financeiras frequentes, mas esta ajuda pode até mesmo ser eliminada caso você caia no desagrado de uma das duas potências, ou caso sua economia entre no vermelho. A picaretagem também anda solta pela ilha. É possível, por exemplo, superfaturar obras e enviar um percentual extra para sua conta na Suíça. O fato de que os interesses de uma determinada facção podem entrar em conflito com os das outras ou até mesmo com os seus também é muito interessante. Os capitalistas, por exemplo, não estão nem aí se faltar comida para o povo. Eles estão muito mais interessados, por exemplo, na produção de tabaco, para exportação.

Tomar partido em delicadas situações internacionais, que poderão fazer com que você ganhe a inimizade de alguns países e a amizade de outros, também é algo presente no jogo (e muito divertido). Taiwan, por exemplo, deve ser livre ou deve pertencer aos chineses? Você pode opinar. Optando pela liberdade de Taiwan, você perde pontos com a China, e ao dizer que você apoia uma Taiwan pertencente aos chineses você acaba perdendo pontos com os Estados Unidos.

Tropico 4

Tentativas de assassinato também podem ocorrer, e nestes casos você pode usar a polícia secreta para rastrear o assassino, culpar a URSS ou até mesmo realizar um pronunciamento para acalmar a população. Claro, culpar uma potência estrangeira pode contribuir para que a ilha seja invadida e/ou para que você perca mais alguns pontos de respeito com ela.

As eleições em Tropico 4 são um show à parte. Tanto você quanto seu adversário participam de uma verdadeira corrida presidencial. E com direito a falcatruas e tudo. Você pode receber dinheiro de governos estrangeiros para financiar sua campanha (pode, também, enviar parte deste dinheiro – ou todo ele – para sua conta na Suíça), pode tentar influenciar a população através do lançamento de medidas amigáveis e que têm por objetivo apenas ganhar mais votos, e pode inclusive decidir o que será prometido e dito em seu discurso. Bem, perder uma eleição também significa fim de jogo.

Tropico 4

Tropico 4: Modern Times

O pacote de expansão Tropico 4: Modern Times permite que a ilha de El Presidente chegue até os tempos modernos. Até mesmo o envio de naves ao espaço é possível, através desta expansão, e existe inclusive uma linha do tempo que mostra quais tecnologias e tipos de construções serão liberadas, e o ano em que isto ocorrerá.

Prédios mais modernos e novos recursos fazem parte de Tropico 4: Modern Times. El Presidente esteve em férias durante um ano, e seu fiel assessor Penultimo ficou tomando conta de tudo. Protestos e conflitos em diversas partes do mundo foram iniciados (sem falar no caos em Tropico) e, é claro, o famoso governante retorna com tudo, com uma imensa vontade de fazer com que sua ilha prospere. Não, El Presidente não está nem um pouco amedrontado, muito pelo contrário. Esta expansão também traz uma interessante campanha com 12 missões, vale lembrar.

Existe até mesmo uma organização chamada “The Conclave“, a qual, é claro, deseja instaurar o caos no mundo. Novos decretos e novas construções também poderão ajudar o jogador a trazer a ilha para a modernidade. A construção de sistemas de transporte mais modernos, como metrô, por exemplo, também pode aumentar o respeito da população em relação a seu presidente. Isto sem falar nos benefícios indiretos deste respeito, é claro.

Digamos que Tropico 4: Modern Times é um extra e tanto para o game principal. Novas dificuldades foram introduzidas de maneira fantástica, aliás. Novas centrais de energia requerem mão de obra mais especializada, o que significa maiores custos. Mesmo sendo facilmente perceptível que alguns dos mapas de Modern Times são os mesmos (com algumas melhorias) do jogo principal, não podemos dizer que a expansão seja insossa. Muito pelo contrário.

Tropico 4: Modern Times

O conjunto de novidades e melhorias que ela apresenta pode facilmente divertir e empolgar mesmo em cenários já conhecidos. Muitos desafios, entretanto, são bem similares aos de Tropico 4, o que pode desapontar alguns jogadores. De qualquer forma, eventos aleatórios podem também ajudar a aliviar um pouco este problema, e fazer com que uma partida nem sempre seja igual à outra. Aliás, isto é bem difícil de ocorrer.

Outros modos de jogo

Tanto o game principal quanto sua expansão contam com os Challenges. O jogador começa com um mapa base e, a partir daí, o edita como bem desejar, criando sua própria experiência personalizada, a qual pode ser inclusive compartilhada. Defina a localização de minérios e outros tipos de recursos, realize alterações no terreno, insira novos tipos de construções, defina o ano de início do desafio, decore o terreno com diversos tipos de vegetação e especifique a sequência de ações e missões que será apresentada ao jogador do seu desafio. Ou seja, crie o seu próprio jogo. Não se esqueça, é claro, de testá-lo antes de compartilhá-lo.

Você também pode, é claro, baixar desafios criados por outros jogadores e experimentar suas visões de jogo, digamos. É muito interessante, e trata-se de algo que aumenta bastante o fator replay do game. O modo sandbox também é fantástico. O jogador pode ajustar diversos parâmetros logo no início e então “brincar” à vontade. Criar a ilha dos seus sonhos, quem sabe.

Conclusão

Tropico 4 e sua expansão Tropico 4: Modern Times representam um verdadeiro must have para quem gosta de simuladores, jogos de estratégia e de construção e gerenciamento de cidades. Não podemos nos esquecer do grande humor presente tanto em um quanto em outro título, aliás, o que acaba tornando-os algo muito mais leve do que outros jogos pertencentes ao mesmo gênero.

Mesmo sem diferenças enormes em relação a seu antecessor, Tropico 4 é uma boa pedida se você gosta da franquia ou se deseja encarar um jogo onde uma sessão pode durar alguns minutos ou algumas horas (ou dias). Estamos falando de um jogo e de um DLC que praticamente não possuem prazo de validade, e que podem oferecer ao jogador diversão de altíssima qualidade por muito tempo.

Nota

Tropico 4

9.5/10

Tropico 4: Modern Times

9/10

Ficha Técnica Tropico 4

Gênero: Estratégia / Simulação
Desenvolvedora: Haemimont Games
Publisher: Kalypso Media
MSRP: US$ 39,99
Data de lançamento: 30 de Agosto de 2011 (PC) / Outubro de 2011 (Xbox 360)
Plataformas: PC / Xbox 360
Versão analisada: PC

Ficha Técnica Tropico 4: Modern Times

Gênero: Estratégia / Simulação
Desenvolvedora: Haemimont Games
Publisher: Kalypso Media
MSRP: US$ 19,99
Data de lançamento: 22 de Março de 2012
Plataformas: PC / Xbox 360
Versão analisada: PC

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2 Comments

  1. Um tanto velho, mas só vi agora. Tenho esse jogo e algumas das DLCs (ainda não tenho o Modern Times) e acho ele um dos melhores jogos de SIM que já vi. Além do fato dele me dar objetivos que preciso cumprir ANTES de ser deposto, ele tem um humor totalmente nonsense. Muito divertido :)
    E apesar do 4 ser praticamente o 3 com alguns adicionais, ele corrige uma infinidade de bugs que tornavam o terceiro praticamente injogável. Recomendo :)

    Reply
    • @Marcio Neves Machado – RJ/RJ,

      Realmente, a série em si é fantástica, principalmente pela alta dose de humor. Gosto bastante. Os períodos de eleição são muito hilários, por falar nisso. :)

      Reply

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