Warhammer 40,000: Space Marine, ou WH40k: Space Marine, é um jogo ambientado no universo Warhammer 40,000, da Games Workshop. O jogo apresenta algumas semelhanças com Gears of War, exceto pela total ausência de um sistema de cobertura. Aliás, isto o torna muito interessante, pois a violência é sempre extrema e não existe necessidade alguma, pelo menos para quem quer se divertir bastante, da presença de tal sistema.

Warhammer 40,000: Space Marine é um game com perspectiva em terceira pessoa, cujo protagonista é o Capitão Titus. Titus conta com outros dois soldados como companheiros: o relutante Leandros e o sempre leal Sargento Sidonus, mas em diversos momentos do gameplay o jogador se verá sozinho. Os Space Marines têm a missão, no título, de proteger a humanidade. Esta se encontra espalhada por diversos planetas, e sofre ataques constantes dos Orcs e de outras criaturas horrendas. Até mesmo as Forças do Caos, por exemplo, entrarão em cena no jogo.

Toda a história ocorre no planeta Graia, planeta este repleto de instalações industriais e que conta com visuais muito bonitos. Graia é um dos inúmeros “Forge Worlds”, mundos controlados pelos “Adeptus Mechanicus”, os quais adoram uma divindade que eles mesmos chamam de “Machine God”, ou “Omnissiah”. Os Forge Worlds são mundos extremamente importantes. Para a humanidade, também. Eles fornecem equipamentos os mais diversos, bem como armamentos, veículos e outros itens relacionados, ao império.

Justamente este planeta, Graia, sofreu uma invasão orc, liderada pelo Warboss Grimskull. Esta é a premissa para cinco capítulos e 18 missões repletas de ação, muito sangue, vísceras, desmembramentos e orcs sendo literalmente explodidos, cortados ao meio e mortos de diversas maneiras diferentes. Warhammer 40,000: Space Marine não poupa o jogador da visão do sangue, o qual literalmente explode na tela, principalmente quando você ataca algum inimigo até o ponto de deixá-lo exausto. Aí, então, você pode realizar um ataque finalizador e matar a criatura de maneiras extremamente brutais.

A ação neste título da Relic Entertainment já começa a partir dos primeiros momentos de gameplay. A Nave do Titus sofre problemas e ele tem de descer à superfície com a ajuda de jetpacks, sozinho, e com orcs já aguardando sua chegada. Um dos elementos mais interessantes no jogo é o modo através do qual você regenera sua energia vital. Não existem medkits nem tampouco sua energia se regenera automaticamente. Você se recupera matando. Sim, matando. Mais precisamente, deixando o inimigo exausto e então finalizando-o, como disse acima. Quanto mais matar, mais rapidamente verá sua energia vital se recuperar.

Aliás, isto provoca algumas situações um tanto quanto inusitadas. Muitas vezes você pode estar prestes a morrer e sabe que, para evitar que isto ocorra, terá de se lançar ao combate com rapidez, fúria e destreza. Tais situações podem ocorrer muito frequentemente, e fornecer momentos muito divertidos e intensos.

O Titus também conta com uma habilidade muito interessante. Trata-se do “Fury mode”, através do qual o personagem brilha em um tom amarelado, se torna mais poderoso e recupera energia vital através de qualquer morte que venha a provocar entre os inimigos, seja utilizando suas armas de fogo ou seu machado, moto-serra, etc. Trata-se de um ciclo infinito, aliás: para que o medidor do “Fury Mode” seja preenchido e você possa então utilizar a habilidade, você deve matar. É uma ótima estratégia guardar a fúria para quando sua energia vital estiver baixa, pois ela será o caminho mais rápido para se regenerar completamente. Achei este sistema “mata-regenera-mata” sensacional. Um incentivo a mais para promover a carnificina.

Titus utiliza diversas armas no decorrer do gameplay, desde pistolas até armas de plasma, rifles de precisão, granadas, etc: Bolter, Stalker Bolter e o Vengeance Launcher, por exemplo. Esta última é muito interessante, aliás, pois lança cargas explosivas que podem se aderir a metais e às armaduras inimigas. Como as cargas não explodem de imediato, você p0de utilizar um simples orc para levar a destruição a uma dezena de outros.

Existem também outras armas, como por exemplo a MK III Sunfury Plasma Pistol, a qual dispara cargas de energia bem poderosas, mas possui o inconveniente de sobreaquecer muito rapidamente, a Melta Gun (poderosíssima) e a Astartes Man-Portable Lascannon, um rifle laser com mira de precisão.

Titus também utiliza outros tipos de armas, como uma moto-serra, um machado e um martelo gigante. Este tipo de armamento é indispensável, e proporciona os melhores momentos em combate. Titus também utiliza, em determinadas fases, um jetpack, o qual além de permitir que ele realize pequenos saltos, também oferece a possibilidade de “descer com tudo” em grupos de inimigos e matá-los de maneira devastadora, chegando até mesmo a arrebentar o chão.

Warhammer 40,000: Space Marine conta com visuais muito bonitos, apesar de não haver grande variação nos cenários. Isto é até compreensível se levarmos em consideração que estamos em um “mundo industrial”. Tudo em Graia prima pela grandeza. Escadarias enormes podem conduzir a instalações repletas de máquinas imensas que fazem com que os Space Marines pareçam formigas. Os Space Marines também conhecem, no planeta, um membro da Inquisição Imperial. Trata-se de Lorde Drogan, o qual proporcionará grandes surpresas no decorrer do gameplay.

As Forças do Caos também terão de ser combatidas por Titus e seus companheiros, e vale destacar que a brecha para a entrada de tais forças, lideradas pelo Lorde Nemeroth, foi aberta através de um grande engodo. Nemeroth trás consigo uma enorme horda de Demônios do Caos e também inúmeros “Chaos Space Marines”. Existe no planeta um robo gigantesco, também, o qual representará papel importantíssimo no final do game. Este robô, aliás, é ativado por uma energia cuja origem é considerada herética pelo império e pelos inquisidores. Isto tudo resultará em um final surpreendente. Ao jogar, preste atenção no Drogan e nas menções ao seu Psychic Scourge, também.

O título é bem linear. Não que este fator seja sempre negativo, mas em diversos momentos a ação se torna um pouco cansativa. Matar orcs e demônios de formas as mais diversas é sempre divertido. Mas não há grande variedade em relação às missões e aos inimigos, e apesar dos gráficos do game serem muito bonitos, muitas vezes observamos as mesmas belezas ou belezas similares. Cenários bem parecidos se repetem diversas vezes. Existem momentos, também, principalmente quando você está finalizando um inimigo, em que ele pode atravessar a parede. A ocorrência deste problema é mínima, entretanto.

Existem situações engraçadas no jogo, também. O modo como o Titus destrói uma nave orc logo no início, apontando seus canhões contra sua própria torre de comando é extremamente engraçada, principalmente devido à reação dos inimigos. O gameplay também é permeado de diversos momentos onde fica clara a honra e a força do Titus. Ele e seu grupo ajudam os soldados que ainda resistem no planeta, e o fazem de maneira tal que a própria 2ª Tenente Mira, a qual está no comando de tudo, chega a se surpreender com o trabalho realizados pelos “fuzileiros espaciais”.

Momentos em que belíssimas construções podem ser vistas ou devem ser destruídas não faltam, também, e estes são sempre muito bacanas. O gigantesco domo controlado pelos orcs, o qual abriga um enorme canhão, é belíssimo de se observar e fornece momentos de ação intensa ao grupo dos Space Marines. Um dos achievements de Warhammer 40,000: Space Marine se chama “success is measured in blood”. Acredito que a tradução aqui seja desnecessária, e isto mostra bem o espírito do game.

Banhos de sangue ocorrem a todo momento, sendo que a própria armadura do Titus frequentemente fica extremamente vermelha. Diversas e interessantes frases de efeito são proferidas pelo protagonista antes de morrer (caso ocorra), aliás. Estas frases também estão muitas vezes presentes nas extremamente rápidas telas de loading. Leia algumas delas:

– Se vale a pena realizar um trabalho, vale a pena morrer por ele;

– Sirva o emperador hoje. Amanhã você pode estar morto;

– Nós não conhecemos o medo;

– É melhor morrer pelo imperador do que viver por si mesmo;

– O sangue dos mártires é a semente do império;

– O dever só acaba na morte;

– Melhor um corpo mutilado que uma mente corrompida;

– Nunca esquecer. Nunca perdoar;

– E diversos outros.

Estas frases fornecem uma pequena amostra do espírito do jogo, da personalidade do Titus e dos Space Marines, e também servem para dizer, de certa forma, que este é um título onde temos como personagens principais guerreiros indômitos, leais e que farão de tudo para chegarem ao seu objetivo. Claro, com a ajuda do jogador.

Personagens que “mexem com o que não deveriam” também estão presentes no gameplay, sendo que suas ações provocam acontecimentos desastrosos. A lealdade e a confiança também são postas à prova, algumas vezes, vale lembrar. Diversos “atrativos adicionais” também fazem parte de Warhammer 40,000: Space Marine, como por exemplo os Bomb Squigs. São pequenas criaturas comandadas pelos inimigos que, quando chegam perto de você, simplesmente explodem. Você pode ouvir o rugido das mesmas assim que elas começam a correr, entretanto, e pode “detoná-las” à distância, enquanto ainda se encontram perto dos orcs. É muito divertido.

Servo-skull’s, drones em forma de caveiras, também podem ser coletados em diversos locais. Eles contêm gravações realizadas por diversos personagens, e ajudam a fornecer detalhes da história que poderiam passar despercebidos. Até mesmo uma equipe de Blood Ravens se junta aos Space Marines no final. O final, aliás, é extremamente interessante. Bonito mesmo. Só é uma pena que a batalha ocorra dentro de um Quick Time Event (QTE).

Conclusão

Warhammer 40,000: Space Marine é um ótimo jogo. Seus belos gráficos ajudam a tornar a ação e a matança de orcs ainda mais divertida, e sua campanha não é muito curta, o que representa um ponto a mais em tempos de jogos de pouca duração. Rápido, furioso e com a presença de um protagonista notável, este game pode muito bem servir de porta de entrada para o universo Warhammer 40,000.

Nota

8/10

Ficha Técnica

Título: Warhammer 40,000: Space Marine
Gênero: Ação / Tiro em terceira pessoa
Desenvolvedora: Relic Entertainment
Publisher: THQ
Data de lançamento: 06 de Setembro de 2011
Plataformas: PC / Xbox 360 / Playstation 3
Versão analisada: PC

Poderá gostar também

Pin It on Pinterest