(Review) Wolfenstein: The New Order – o velho e o novo se dão muito bem

Wolfenstein: The New Order é o mais novo título da famosa franquia da id software, o primeiro lançado depois do Wolfenstein de 2009, da Raven Software. Desenvolvido pela Machine Games, empresa formada por ex-membros da Starbreeze Studios (Syndicate, The Chronicles of Riddick, The Darkness), o jogo faz uso da engine Id Tech 5, a mesma de RAGE. E, como em RAGE, também fomos “agraciados” pelo problema das texturas que demoram para carregar, principalmente quando movimentamos a câmera de maneira brusca.

Este parece ser um problema da própria Id Tech 5, e ao contrario do que aconteceu com RAGE, não consegui resolvê-lo de maneira alguma. Não encontrei nenhum workaround. Nenhum arquivo de configuração ajudou. Nada. Mas vamos ao jogo. Wolfenstein: The New Order nos mostra, como o próprio nome já deixa claro, uma Nova Ordem. Uma Nova Ordem Mundial.

Wolfenstein: The New Order

O jogo é ambientado em uma realidade alternativa. Uma espécie de versão paralela dos anos 60. Os Estados Unidos, aqui, foram arrasados por um ataque nuclear, os nazistas ganharam a Segunda Guerra Mundial e passaram a dominar o mundo inteiro. A máquina de guerra nazista é fortíssima e conta com soldados muito bem equipados, armas de alta tecnologia, robôs, mechs, drones e uma grande variedade de bestas metálicas, além de aviões que se parecem bastante com caças modernos (sem falar em helicópteros).

Tudo isto tem a ver, ou melhor, tem origem, nas pesquisas e criações de uma antiquíssima sociedade secreta chamada Da’at Yichud. Tal sociedade é detentora de um conhecimento avançadíssimo, construiu coisas fantásticas, e os nazistas obtiveram acesso a um de seus locais secretos, roubando, então, armas e segredos que foram a partir de então utilizados não somente para ganhar a guerra, mas também para manter o poder, após a vitória.

Ficha técnica

Título: Wolfenstein: The New Order

Gênero: Ação / Tiro em primeira pessoa

Desenvolvedora: Machine Games

Publisher: Bethesda Softworks

Data de lançamento: 20 de Maio de 2014

Plataformas: PC / PS3 / PS4 / Xbox 360 / Xbox One

Versão analisada: PC

 Wolfenstein: The New Order

Como protagonista, temos mais uma vez o herói B.J. Blazkowicz, e o jogador, no comando, tem como missão acabar com o domínio nazista, juntamente com a Resistência. A história começa com um ataque ao castelo do cientista Wilhelm “Deathshead” Strasse, local que é revisitado mais adiante, já no final, novamente para um ataque a este mesmo personagem.

Durante o primeiro ataque, o qual não terminou bem, Blazkowicz é atingido na cabeça e acaba indo parar em um sanatório na Polônia. Lá ele permanece em um estado catatônico durante 14 anos (e tem contato com Anya Oliwa a partir daí), tempo este suficiente para a elevação do Terceiro Reich a um estado de potência mundial.

 Wolfenstein: The New Order

A única potência, digamos, com influência direta, irrestrita e impiedosa à sociedade como um todo, em todos os aspectos. Os alemães nazistas difundem pelo mundo todos os seus ideais de supremacia da raça Ariana, sendo que até mesmo grupos musicais famosos são obrigados a mudar de nome e a cantar em alemão.

Diferenças

A princípio nada parece diferente neste shooter dotado de gráficos belíssimos. Mas conforme o tempo passa, após o despertar de Blazkowicz e sua fuga do sanatório, com Anya, somos expostos a uma série de elementos interessantes. Wolfenstein: The New Order é um FPS, por exemplo, no qual não existe regeneração de vida automática. Ou melhor, existe e não existe.

Explico: a saúde do personagem se regenera sempre em vinte pontos, mas o máximo jamais é atingido a não ser que você colete algum kit de regeneração. Ou seja, se sua saúde estiver em 28, você pode aguardar um pouco em algum local seguro, e ela chegará a 48. Mas é só. Para se recuperar totalmente, é preciso buscar por medkits espalhados pelo cenário.

 Wolfenstein: The New Order

O jogo também oferece oportunidades para mais de um tipo de abordagem. Quem aprecia ação furtiva poderá assassinar nazistas com facas, silenciosamente, e quem gosta de “detonar” terá armamento, munição e uma grande variedade de inimigos sedentos por sangue.

 Wolfenstein: The New Order

É como se a Machine Games tivesse optado por uma mescla de mecânicas e design que ao mesmo tempo homenageia e evolui tudo o que vimos nos jogos anteriores da série. É uma mistura de velhos e novos elementos, uma junção do antigo com o novo.

O game conta até com um easter egg que nos fornece acesso a um modo de jogo chamado Nightmare. Tal modo de jogo nada mais é que o antigo Wolfenstein (acessível através de um velho colchão no quartel general da Resistência):

Wolfenstein

A inteligência artificial em Wolfenstein: The New Order é bastante competente, apesar de alguns excessos. Em diversas situações soldados inimigos me flanquearam e me fizeram sair da segurança de onde eu estava lançando granadas enquanto permaneciam em seus locais seguros.

Por várias vezes fui obrigado a correr em meio aos tiros inimigos, quase morrendo, em busca de segurança, pois o local onde eu estava foi demolido à bala ou literalmente “furado” por armamento de alta tecnologia (como o extremamente útil Laser KraftWerk que o jogador também tem em seu arsenal).

 Wolfenstein: The New Order

Em vários momentos também me vi ameaçado pelos Supersoldaten de Deathshead, na linha de frente, enquanto unidades mais fracas mantinham fogo cerrado tentando impedir minha movimentação e a consequente busca por mais munição e kits de primeiros socorros.

Os últimos sons de um soldado sendo executado também podem chamar a atenção de algum outro, principalmente se ele estiver olhando na direção do protagonista e estiver próximo. O jogo também conta com cenários destrutíveis, portanto, colunas de concreto, por exemplo, podem ser destruídas com a utilização do calibre certo, e esta é uma beleza e uma “ferramenta” que pode ser utilizada tanto por Blasko quanto pelos inimigos.

 Wolfenstein: The New Order

Apesar de ser um jogo linear, o novo Wolfenstein ainda assim oferece algum espaço para improvisação e para utilização de atalhos. O Laser Cutter (que pode ser atualizado para o Laser KraftWerk – aliás, isto me lembra do grande grupo alemão de música eletrônica), conta com dois modos de uso (aliás, quase todas as armas no jogo contam com dois modos de tiro). Enquanto um deles dispara rajadas energéticas, o outro é um “cortador” de alta tecnologia, permitindo que o jogador corte arame e determinadas portas metálicas que fornecem acesso a dutos.

 Wolfenstein: The New Order

Através de tais dutos podemos chegar ao mesmo local através de rotas diferentes, além de, claro, surpreender soldados nazistas e até mesmo executá-los. Todo cuidado é pouco durante a movimentação furtiva, porém. Comandantes devem ser eliminados o quanto antes e em silêncio, pois em caso contrário farão com que o alarme soe e uma quantidade enorme de inimigos chegará ao local, incluindo os robôs super poderosos.

Soldados também são capazes de ouvir nossos passos, dependendo da distância e de como estamos nos movimentando (correndo, agachados, andando, etc), e quanto mais “bandeira” o jogador der, mais fácil e rapidamente será detectado. Entretanto, existem situações em que toda esta competência da IA do jogo é demais. Em que ela é elevada a extremos que acabam prejudicando o gameplay: nazistas que enxergam Blazkowicz através das paredes, em situações onde você tem certeza de que não se expôs. Tiros começam a pipocar e você não entende o que houve.

 Wolfenstein: The New Order

Isto acontece com uma certa frequência, e acaba desapontando um pouco, principalmente se o jogador optar pela ação stealth, a qual é claramente uma opção em diversos momentos. Wolfenstein: The New Order também possui gráficos muito bonitos, e apesar do problema com texture pop-in, as texturas também são muito bonitas após carregadas completamente.

Temos uma grande variedade de cenários, e o jogador acaba também sendo enviado à Lua, durante o gameplay, sem contar com diversas missões debaixo d’água, incluindo a devida utilização de trajes ou veículos subaquáticos. Momentos na vertical também são bem interessantes e desafiadores, além de mostrarem visuais bem diferentes, como a escalada ao castelo de Deathshead, por exemplo, quando temos de atirar em soldados que vão aparecendo em janelas.

 Wolfenstein: The New Order

O General Deathshead, por falar nisso, é também o personagem que dá início a uma espécie de linha divisória na trama. Devido a ele temos também de lidar com robôs “equipados” com cérebros. Cérebros humanos. Bem, em determinado momento, no castelo do vilão, Blasko é forçado a realizar uma escolha. Ele é obrigado a escolher um companheiro, o qual viverá, sendo que o outro será, então, deixado nas mãos do cientista louco.

 Wolfenstein: The New Order

A partir daí, percebemos que o jogo conta com duas linhas do tempo, cada uma com suas respectivas perks. É interessante ressaltar, também, que a timeline deixada de lado, ou seja, aquela que não foi escolhido por Blazkowicz, é liberada após finalizarmos o jogo pela primeira vez, juntamente com suas perks e variações.

Obviamente, a tal escolha é do tipo “quem vive e quem morre”. Isto provoca mudanças no clima da campanha, além de algumas alterações na maneira de jogar. Por exemplo, um dos escolhidos faz com que seja inserida na timeline do jogador a perk que permite ao personagem principal lidar com fiação elétrica e, assim, desbloquear portas, elevadores e vários outros equipamentos elétricos. Já a outra escolha libera, dentre outras, a habilidade de lockpicking.

 Wolfenstein: The New Order

Não se trata de nada drástico, mas temos de levar em consideração também o fato de que este é um título exclusivamente singleplayer, com uma excelente e nada curta campanha. A MachineGames conseguiu entregar um trabalho com uma história interessantíssima e personagens muito bem construídos.

Anya, Fergus, Frau Engel, Wyatt, Caroline, Hans, Klaus, Max, Deathshead: todos personagens capazes de provocar no jogador os mais diversos sentimentos. Ódio, paixão, amizade, aversão, estranheza. Wolfenstein: The New Order é um FPS no qual conseguimos firmar vínculos com vários de seus diversos personagens, daí as alterações no clima da campanha após a escolha que mencionei acima serem ainda assim importantes. Motivo para um novo playthrough? Eu diria que sim.

Os personagens têm um passado, tem uma história. Notas de texto e de áudio ajudam a complementar o enredo, e por falar nisso, não deixe de buscar e ler (ou ouvir) os diários de Ramona, irmã de Anya. Sua história é trágica e tocante, e não, não podemos dizer que ela possui um final feliz.

Falando a respeito do armamento, creio que faltou uma maior variedade de armas à nossa disposição. Mesmo com os dois modos de tiro, mesmo com a possibilidade de empunharmos uma arma em cada mão (quase todas). Ao vermos toda aquela tecnologia sendo utilizada pelos nazistas, esperamos que nossa “roda de armas” vá recebendo diversos e diferentes brinquedos, mesmo com a possibilidade de realizarmos upgrades nos que já temos. Faltou variedade, é o que penso. E o mesmo pode ser dito a respeito dos chefes, infelizmente, sem contar que eles não representam lá grandes desafios.

 Wolfenstein: The New Order

Há, é claro, um rifle de precisão cujo modo secundário dispara rajadas de energia. Há o rifle de assalto que pode receber um lançador de foguetes, via upgrade. Há a munição secundária shrapnel, para a shotgun, a qual ricocheteia em superfícies não destrutíveis e, assim, é capaz de atingir mais inimigos e mais vezes. Mas, infelizmente, não há uma grande variedade de armas, em si, o que é uma pena.

Wolfenstein: The New Order também conta com momentos e frases engraçados. O próprio Blazkowicz vez ou outra mostra seu lado badass, o qual não deixa de ser também engraçado. Uma cena, em especial, me chamou a atenção. Ao abrir uma porta, um daqueles cães robô aparece de repente. Um outro soldado, neste mesmo momento, grita: “- Ei cachorrinho” – e lança uma granada em sua direção. O resultado você pode adivinhar, e é algo bastante engraçado.

 Wolfenstein: The New Order

A luta de B.J. Blazkowicz e da Resistência contra os nazistas é ferrenha e repleta de bons momentos. Momentos com bastante ação e uma ótima trilha sonora, composta por Michael John Gordon (e disponível no iTunes, por exemplo). E, além dos inimigos óbvios, também percebemos que a propaganda nazista acaba por “indocrinar” muitas pessoas.

A população, o povo em geral, está já tão acostumado com a dominação dos alemães nazistas, que muitas coisas acabam sendo aceitas. Muitas anormalidades acabam sendo vistas como algo normal, e os opositores do regime são chamados de terroristas e degenerados, em jornais, na televisão, e por aí vai. O jogo nos oferece também uma visita (repleta de objetivos) a um campo de concentração, visita esta que permite que o jogador controle uma espécie de mech – missão muito legal, por falar nisso.

 Wolfenstein: The New Order

Conclusão

A Machine Games conseguiu criar um excelente shooter, com um enredo sensacional e repleto de ação. Misturando elementos old-school e diversas novidades interessantes e que funcionam muito bem, Wolfenstein: The New Order é um título que não pode faltar na coleção de quem aprecia o gênero. A realidade alternativa na qual ele insere o jogador é, além de tudo, extremamente convidativa. Dar cabo daqueles odiosos inimigos: tal necessidade cresce com uma velocidade assustadora em nossa mente, assim que iniciamos a campanha.

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4 Comments

  1. Ainda tenho aqui o Return to Castle Wolfenstein (pc), joguei muito o 3D no Super Nintendo e esse vai ser minha próxima compra pro X360. Confesso que depois da incrível merda que foi Sindicate, fiquei meio desconfiado da Starbreeze, mas seu review renovou a esperança.

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    • Nossa, bons tempos Márcio. Mas dá uma chance ao The New Order. 😀

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      • E não estou me arrependendo, 4 DVDs, um de instalação e 3 de gameplay, senti falta da música do Return CW e queria gráficos melhores, mas mesmo assim dou nota 8,5

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        • Fala Marcio! Pegou pra qual plataforma? 🙂

          Jogão, né? Já chegou na parte em que desbloqueia a timeline, ou melhor, em que você escolhe?

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