XCOM: Enemy Unknown

Gostaria de deixar bem claro desde o início desta análise que, infelizmente, não joguei nenhum dos outros jogos pertencentes à franquia X-COM, a qual começou em meados da década de 90. Ou melhor, não joguei como deveria, e minha experiência com tais títulos se resume a uma ou duas sessões de meia hora, no máximo, de X-Com UFO Defense.

Portanto, este review não foi escrito por um expert na franquia. Talvez este review possa ser comparado ao de Mafia II, pois em ambos expresso minha opinião a respeito de algo totalmente novo para mim. De qualquer forma, XCOM: Enemy Unknown é um jogo de estratégia fabuloso. Um remake que, sem sombra de dúvidas, pode fazer com que muita gente volte seus olhos para as origens da franquia.

XCOM: Enemy Unknown

Um jogo de estratégia em turnos que conseguiu me prender firmemente, por falar nisso. Há tempos eu não jogava um jogo tão interessante pertencente a este gênero, tão profundo e tão viciante. O jogo da Firaxis é um verdadeiro must have para quem aprecia planejamento, tática, gerenciamento de recursos, evolução de unidades, e coisas do tipo.

A história do jogo não é muito original, é claro. Diria até que ela é repleta de clichês. Mas quem precisa de uma história muito elaborada em um jogo como este? Bem, continue lendo. Alienígenas invadem a terra e uma organização muito especial composta por cientistas, engenheiros e soldados de elite recebe então a missão de derrotá-los. Trata-se da XCOM (eXtraterrestrial COMbat), e no game assumimos o papel de seu comandante.

Existe também o Conselho, formado por diversos países. O Conselho é de suma importância no jogo, e também fornece subsídios ao XCOM. Relatórios mensais são exibidos ao jogador, contendo detalhes a respeito do nível de pânico em diversas regiões, do dinheiro que entrará nos caixas, dos países que deixaram o conselho, etc.

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Ocorre que o Conselho, além de ajudar o comandante, também deve, de certa forma, ser por ele ajudado. É uma relação onde ambos se beneficiam. Todos os países membros recebem, uma hora ou outra, a visita dos alienígenas. Abduções ocorrem no mundo inteiro, e a atividade extra-terrestre faz com que o nível de pânico vá aumentando aos poucos. Níveis de pânico muito elevados podem fazer com que nações inteiras se retirem do Conselho, e isto, além de representar menos dinheiro no final do mês, aos poucos vai conduzindo o jogador em direção ao Game Over.

Vale lembrar mais uma vez que XCOM: Enemy Unknown é um jogo de estratégia em turnos. O jogador tem praticamente todo o tempo do mundo para planejar suas ações. Para colocar em prática suas habilidades estratégicas. Para pensar cuidadosamente onde deverá posicionar cada unidade, quais armas e habilidades utilizar, etc. Dependendo da situação, os soldados podem realizar dois movimentos por turno, porém, caso eles se desloquem para locais distantes, os dois “pontos de movimento” serão gastos.

Um dos aspectos mais interessantes do jogo é maneira como ele tenta ligar o jogador a cada um de seus soldados. Ele não somente tenta: ele consegue. Soldados podem (e devem) ser evoluídos. Unidades recebem promoções e vão ganhando mais habilidades, mais especializações, e vão ficando cada vez mais fortes e resistentes. Estas mesmas unidades, quando no campo de batalha, podem também entrar em pânico, gritarem de dor ou se assustarem; uma unidade em pânico, aliás, pode representar um grande perigo.

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Elas podem atacar tanto alienígenas (e, neste caso, matarem alguns deles e se transformarem em “malucos úteis”) quanto seus companheiros de grupo. Elas podem sair de locais seguros e entrarem na linha de tiro do inimigo, e neste caso, caso exista algum alienígena que esteja utilizando o overwatch, ela pode até ser morta de forma impiedosa. Enfim, é muito complicado perder uma unidade.

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Upgrades, patentes, habilidades e nomes (você pode nomeá-las como bem entender) são extinguidos de uma tal maneira que você realmente sente a morte do soldado. Isto sem falar, é claro, no alto valor que um soldado de alta patente possui. Mais forte, mais resistente, mais experiente, etc: perdê-lo representa um impacto e tanto ao grupo, principalmente se você tiver de contratar mais soldados e iniciar seu treinamento ao mesmo tempo em que, por exemplo, se vê obrigado a utilizá-los (fracos) durante as missões. Além disso, existem poderes especiais que as unidades podem utilizar, depois de algum tempo, originários das pesquisas realizadas com material coletado durante as missões.

Vale a pena abrir um pequeno parêntesis aqui: overwatch é uma das inúmeras habilidades que os soldados podem utilizar. Através dela, as unidades abrirão fogo imediatamente contra qualquer inimigo que se mover dentro de seu campo de visão. O overwatch, bem como diversas outras habilidades, é interessante também porque é independente do turno, ou seja, tanto faz se é “a sua vez” ou “a vez dos aliens” jogar. Isto significa, é claro, que os alienígenas também poderão atirar (e matar) durante o turno do jogador, caso a oportunidade surja para alguma de suas unidades em overwatch.

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Outra habilidade passiva, digamos, muito interessante, é a Lightning Reflexes, a qual pode ser utilizada por soldados pertencentes à classe Assault (é, existem classes, em XCOM: Enemy Unknown). Através dela um soldado em movimento pode se desviar automaticamente de um tiro inimigo. Ela é extremamente útil por razões óbvias.

O jogo trabalha com probabilidades, também. Percentuais relativos às chances de acerto e ao nível de danos são exibidos antes de qualquer ação ofensiva. Erros e acertos podem acontecer quando você menos espera. Um tiro pode ser dado como resposta a algo estressante, por um de seus soldados, e tal disparo pode tanto representar o fim de algum alienígena gosmento quanto um gasto inútil de balas (ou energia, dependendo da arma em utilização naquele momento).

A equipe do XCOM recebe constantes chamados de países do mundo todo. Até mesmo com pedidos de materiais você irá se deparar: corpos de alienígenas, armas, recursos, etc. Através do laboratório de pesquisas do Projeto XCOM o jogador pode entregar corpos e artefatos extra-terrestres aos cientistas para as devidas pesquisas, pesquisas que resultarão, claro, em novas tecnologias.

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Novas armas, armaduras e equipamentos os mais diversos que serão capazes, muitas vezes, de fazer grande diferença durante os próximos combates. A Dra. Vahlen chega inclusive a recomendar cautela durante algumas missões, no sentido a evitar danos a qualquer possível material para pesquisa que exista no local. Nestes casos, a utilização de foguetes e granadas é altamente prejudicial.

O Dr. Shen, chefe da engenharia, também não deixa de dar os seus pitacos durante algumas missões, além de fornecer alguns conselhos enquanto o jogador se encontra no quartel general. É bem interessante, aliás, a maneira como os dois se comunicam com as equipes em campo durante as missões, manifestando espanto, interesse, dúvida e medo frente às dificuldades encontradas.

Os UFOS podem ser também combatidos sem que soldados tenham de ser transportados através do VTOL Skyranger. Caças chamados Interceptors podem ser despachados em direção a algum objeto voador não identificado. Combates podem ocorrer, a partir daí, e podemos até mesmo fornecer algumas ordens ao Interceptor em utilização, em tempo real. Caso o ataque seja bem sucedido, uma missão poderá ir até o local da queda para as devidas investigações.

XCOM: Enemy Unknown

Obviamente, existem diversas situações que requerem a presença de uma equipe de soldados do XCOM: países podem pedir socorro, investigações devido a um alto nível de abduções em uma determinada região, resgate de sobreviventes, desativação de bombas, averiguação de naves alienígenas abatidas, resgate de personagens importantes, etc.

O loadout de cada uma de suas unidades pode ser alterado antes que o Skyranger decole, aliás, e assim é possível equipá-las com diversos tipos de armas, sistemas de proteção, medkits e até mesmo dispositivos que nocauteiam extra-terrestres, permitindo assim que eles sejam trazidos vivos, para estudos e, pasmem, interrogatórios (os tais dos Thin Men que o digam).

XCOM: Enemy Unknown

A supremacia alienígena pode ser vista e sentida a todos os momentos, mas o jogador pode dela se aproveitar através das pesquisas. Pesquisas resultam na disponibilidade de itens na “loja” da engenharia, os quais podem ser construídos e, então, equipados por soldados e Interceptors. Tudo isto, entretanto, requer grande planejamento e gerenciamento.

Toda e qualquer construção (e até mesmo pesquisa) requer um determinado número de engenheiros, de cientistas e de recursos. Existem instalações que abrigam mais cientistas, assim como existem instalações que podem ser construídas para que mais engenheiros façam parte do projeto.

O jogador deve prestar atenção a diversos itens. Engenheiros, fornecimento de energia, escavações na base a fim de abrir mais espaço para instalações, Satellite Uplinks para aumentar a eficácia dos satélites e, é claro, dinheiro, dentre diversas outras coisas. E por falar em satélites, vale ressaltar que eles ajudam a reduzir o pânico nos países e/ou continentes sobre os quais se encontram posicionados, além de, claro, ajudarem na detecção de atividade extra-terrestre, o que consequentemente acaba resultando em novas missões.

XCOM: Enemy Unknown

A sala de controle de missões também fornece um panorama interessantíssimo ao jogador, permitindo que ele perceba a passagem dos dias e acompanhe o andamento dos projetos. A interface de XCOM: Enemy Unknown é extremamente descomplicada, e atalhos do teclado (claro, na versão do jogo para PC) facilitam bastante as coisas. Digamos que o jogador é capaz de encontrar rapidamente tudo o que precisa. Tudo está ali, “na cara”. É difícil se perder.

A maneira como o jogo trata as decisões do jogador (e suas respectivas consequências) também é bem impactante. Diversas vezes mais de um país pode solicitar ajuda. Países, por exemplo, com um elevado nível de pânico. Obviamente o jogador poderá escolher apenas um para ajudar. Enquanto o nível de pânico deste felizardo será reduzido, caso a missão seja concluída com sucesso, o contrário acontecerá nos outros dois, e não é preciso pensar por muito tempo para deduzir que estes outros podem estar cada vez mais perto de retirarem seu apoio ao Conselho, o que, é claro, prejudicará o projeto XCOM.

A necessidade de prestar enorme atenção ao campo de batalha e ao posicionamento das unidades é enorme, também. Nunca se sabe de onde surgirá o primeiro inimigo, e a fog of war também ajuda bastante a aumentar o clima de incerteza. Uma aparentemente segura posição pode se revelar desastrosa e provocar a morte rápida de um soldado valioso, por exemplo. Os temíveis Berserkers, por exemplo, podem causar bastante problemas, principalmente em casos assim, e dar cabo de uma unidade fraca antes que o jogador consiga deslocar alguma outra em direção a uma posição que permita a mira.

XCOM: Enemy Unknown

Mas nem tudo é tão previsível, em XCOM: Enemy Unknown: mesmo unidades fracas e/ou que se encontram longe de seu grupo podem se virar sozinhas, algumas vezes, através de reações instintivas e rápidas (além de automáticas) ou até mesmo com o devido controle do jogador. O jogo trabalha com probabilidades e também leva em conta o quão verossímil pode ser determinada ação: se o tal Berserker estiver muito próximo, um tiro à queima-roupa pode tirar o soldado do sufoco.

A inteligência artificial do jogo é sensacional. Observar as unidades alienígenas se movimentando é fantástico. Elas conseguem flanquear com muita facilidade e quase sempre buscam posições a partir das quais os ataques serão fatais (ou quase). Elas também costumam se proteger e se defender de forma bem ferrenha, e não possuem nenhum problema em relação à utilização do overwatch. É claro que elas podem também sofrer ataques de soldados do XCOM que estão em alerta e que podem atacar, neste caso, mesmo fora de seus turnos.

XCOM: Enemy Unknown

Mais alienígenas, robóticos, “naturais” ou geneticamente modificados, também costumam chegar de repente, e muitos deles são um osso bem duro de se roer. A simples movimentação inimiga também é capaz de causar pânico em nossas unidades, o que, é claro, também é uma forma de nos causar danos. Isto sem falar em “aliens cabeçudos”, por exemplo, que podem se entrincheirar em suas próprias naves e obrigar a equipe XCOM inteira a entrar em um território bem perigoso.

Uma situação muito interessante ocorreu comigo, falando nisso. Uma certa unidade sofreu um ataque de uma daquelas terríveis Chryssalids (violentas ao extremo). Ela não morreu, mas entrou em pânico (panicked) e, no desespero, matou sem querer (e felizmente) uma Chryssalid. O aviso de que ela foi promovida surgiu na tela imediatamente.

Tudo isto foi em vão, porém. Infelizmente esta mesma unidade foi morta logo em seguida por outra Chryssalid que se encontrava logo adiante. E mais ainda: este soldado foi morto e mordido, se transformando em uma espécie de zumbi que passou então a atacar os soldados do XCOM. Fantástico não?

Os problemas que encontrei em XCOM: Enemy Unknown não diminuem seu valor nem tampouco a diversão, devo dizer. A câmera não é lá muito amigável: além de carecer de mais níveis de zoom, em alguns momentos ela acaba atrapalhando o jogador por não exibir movimentações dentro de construções, por exemplo (ao invés de tornar tudo transparente, como é o esperado).

Além disso e apesar do último movimento de cada turno, além de cada tiro de suas unidades, por exemplo, ser apresentado através de uma câmera em primeira pessoa, os modelos não são muito detalhados, e os mapas do jogo são meio que repetitivos. Você pode jogar diversas missões e muitas vezes se deparar com cenários e construções que já viu antes, diversas vezes.

XCOM: Enemy Unknown

Parece também que o devido cuidado não foi dado ao multiplayer do título: a impressão que temos é a de estarmos jogando uma espécie de cópia da parcela singleplayer de Enemy Unknown. Isto sem contar com o fato dos alienígenas serem muito mais poderosos, aqui, o que acaba provocando um desequilíbrio muito incômodo.

Mas não posso negar: fui abduzido por XCOM: Enemy Unknown.

Conclusão

XCOM: Enemy Unknown é um dos melhores jogos de estratégia lançados nos últimos tempo. Neste título baseado em turnos, podemos planejar todas as ações com grande cuidado e escolher diversas formas de abordar os inimigos. Você pode até se esquecer totalmente da história do jogo, mas não se esquecerá de suas unidades nem tampouco das desafiadoras missões, missões durante as quais você mesmo poderá chegar a entrar em pânico, juntamente com seus soldados.

Nota

9.5/10

Título: XCOM: Enemy Unknown
Gênero: estratégia
Desenvolvedora: Firaxis Games
Publisher: 2K Games
Data de lançamento: 09 de Outubro de 2012
Plataformas: PC / Xbox 360 / Playstation 3
Versão analisada: PC

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