(Review/Análise) Deus Ex: Human Revolution

Deus Ex: Human Revolution foi um dos games que aguardei com mais ansiedade em 2011. O título, para minha felicidade, não me decepcionou. Ele é belíssimo. Trata-se de um jogo que desde seu início prende o jogador de uma tal maneira que é, sinceramente, difícil não finalizá-lo ou deixar de jogá-lo por um grande período de tempo. O protagonista de Deus Ex: Human Revolution é Adam Jensen, personagem de “fala mansa” e controlada mesmo em momentos de grande tensão.

Não que Adam não sinta e expresse raiva e outros sentimentos similares, mas sua voz, de alguma forma, sempre causa uma impressão diferente e/ou reduz o impacto da situação. Isto é muito interessante e representa uma das facetas mais sensacionais do personagem, pois vê-lo confrontando ou eliminando algum odiado inimigo enquanto sua rouca voz não expressa toda a força e o impacto do momento faz com que enxerguemos o personagem como alguém forte e dono de um auto-controle estupendo. Aliás, vale destacar aqui o nome do ator Elias Toufexis, o profissional que deu voz a Adam Jensen. Elias já trabalhou em diversos games e filmes. Em Assassin’s Creed: Brotherhood, por exemplo, ele dublou o personagem Federico Auditore da Firenze.

O protagonista de Deus Ex: Human Revolution é um ex-membro da SWAT de Detroit, o qual acabou saindo da corporação após uma operação mal sucedida, onde o mesmo relutou em dar a ordem para atirarem em um jovem criminoso “augmented”. A incumbência passou para seu companheiro Wayne Haas, e o resultado foram diversos protestos violentos na cidade. Jensen, logo após deixar a SWAT, entrou para o ramo da segurança privada, e foi parar, então, na Sarif Industries, onde se tornou o chefe de segurança da empresa.

A história ocorre em 2027, e o game começa com alguns figurões discutindo a respeito de uma nova e fantástica descoberta da Sarif Industries, empresa cujo CEO, David Sarif, proporcionará, no decorrer do gameplay, diversos momentos suspeitos ao jogador. Após um breve hiato, entretanto, a empresa sofre um ataque terrorista durante o qual diversas baixas ocorrem. Isto inclui alguém muito caro a Jensen: a cientista Megan Reed, chefe de pesquisas neuro-científicas sobre as “augmentations”. Ela trabalhava em algo muito importante, aliás. Durante o ataque, um Jensen ainda totalmente humano caminha pelos corredores da Sarif Industries e se depara com grande destruição.

O chefe de segurança se depara com diversas pessoas mortas pelo chão, e chega inclusive a observar, do outro lado de um vidro, um grande e poderoso ciborgue matando dois cientistas. Não demora muito tempo para que Jensen seja ele próprio atacado pelos terroristas. Quem o destroça, literalmente, é um dos comandantes dos terroristas, chamado Jaron Namir. É muito interessante prestar atenção em Namir, pois ele proporcionará uma experiência desafiadora e interessante, mais adiante.

Namir deixa Adam Jensen às portas da morte. O chefe de segurança da Sarif Industries sofreu danos severos, e além disso, embora não fosse necessário, o protagonista acabou tendo todos os seus membros substituídos por próteses. Isto ocorreu mediante ordem de David Sarif, e em concordância com termos presentes no contrato de trabalho de Jensen. Adam se tornou, sem querer, um ser extremamente forte e que, muitas vezes, durante o gameplay, demonstra não estar à vontade com sua situação.

Em outras, entretanto, ele se mostra bem confiante e parece aceitar seus “poderes” de forma plena. Observar o lado psicológico de Adam Jensen é extremamente prazeroso, do começo ao fim de Deus Ex: Human Revolution, este prelúdio da série Deux Ex lançado em 2011 felizmente para os consoles da Microsoft, da Sony e também para PC, versão esta que utilizei para analisar o jogo. Jensen parece possuir em sua mente grande parte dos sentimentos conflitantes que rondam o mundo futurista onde ocorre o jogo.

O título da Square Enix nos apresenta a um mundo futurista extremamente coeso. Grandes corporações fazem uso de técnicas muitas vezes ilícitas para chegarem a seus objetivos, e isto inclui tanto a Sarif Industries quanto sua concorrente chinesa Tai Yong Medical, empresa que possui como líder uma mulher chamada ZhaoYun Ru, a qual conduz sua corporação fazendo grande uso das tais técnicas ilícitas. Achei bem interessante, aliás, ter encontrado no prédio da Tai Yong, após “hackear” alguns terminais, uma lista contendo uma relação de alvos que continha uma empresa brasileira, a “Advanced Cybernetics PLC”.

É digno de nota também o fato como Deus Ex: Human Revolution apresenta uma espécie de preconceito vigente entre a sociedade “não melhorada”, em geral. Seres humanos “augmented” são vistos quase sempre como ameaça pelos “normais”, e em muitos momentos do gameplay o jogador pode ser obrigado a fugir ou encarar uma luta devido a este simples motivo. Trata-se de uma espécie de transposição para o futuro, com modificações, é claro, de diversos preconceitos ainda hoje existentes.

É claro que a origem de tais preconceitos podem não ser as mesmas, mas suas consequências são muito similares, senão piores. Grande medo paira sobre as cabeças dos que não possuem nenhuma melhoria cibernética, em relação aos que as possuem. Os “augmented” são muitas vezes vistos como aberrações, e existem até mesmo grupos contrários à tecnologia desenvolvida pela Sarif Industries, por exemplo. Um destes é a “Purity First”, cujo líder, Zeke Sanders, ironicamente chegou a possuir uma prótese no passado. Outro destes grupos é a “Humanity Front”, liderada pelos médicos Isaias Sandoval e William Taggart. Isaias, aliás, possui um irmão que recebeu um implante, e o processo não correu muito bem, resultando em um acontecimento bem desagradável.

Em relação a Sanders, da  “Purity First”, é interessante mencionar que o personagem apresenta ao jogador uma das primeiras oportunidades de escolha no jogo, e vale ressaltar que toda e qualquer escolha é importante e terá seu respectivo retorno, imediato ou futuro. O futuro demonstrado em Human Revolution, apesar de ser bem diferente do momento que vivemos agora, conta com muitos vícios (em diversos sentidos) e mazelas que hoje se fazem presentes em nossa sociedade. Clínicas chamadas LIMB funcionam como um verdadeiro “mercado de melhorias físicas”, sendo possível até mesmo adquirir as cirurgias e parcelar o pagamento.

Receber uma prótese, um implante, etc, também não é um processo lá muito seguro e livre de riscos. Há o risco de rejeição, e existe uma droga utilizada nestes casos, chamada Neuropozyne. Usuários chegam a se tornarem viciados, e Adam pode até mesmo se deparar com um verdadeiro mercado negro de Neuropozyne. Ou seja, talvez Deus Ex: Human Revolution nos mostre um futuro não tão assim impossível. Grande rancor entre diferentes grupos sociais e/ou etnias, organizações capitalistas sem respeito algum pelo ser humano, tecnologia a serviço do egoísmo e uma humanidade que parece se sentir deslocada em meio a um mundo em constante mudança. Tudo isto é facilmente perceptível nos dias de hoje.

Uma das mais notáveis características do jogo é a possibilidade de abordarmos qualquer situação da forma que bem entendermos. Aqui entram, é claro, as “augmentations” que vamos adquirindo durante o gameplay, as quais, aliás, podem receber upgrades os mais diversos e “cobrem” várias partes/elementos do corpo de Adam. Lembre-se de gastar bem seus “Praxis kits”, aliás, os quais permitem a implementação de diversas melhorias de forma bem rápida. Cada “augmentation” ou upgrade, entretanto, requer um determinado número de “Praxis kits”, portanto, você pode montar uma estratégia de forma tal a economizar alguns kits para adquirir uma melhoria significativa e mais cara, a qual fará grande diferença em sua maneira de jogar.

Existe uma tela para o gerenciamento de suas “augmentations”, e existem 7 áreas do corpo de Jensen que podem receber “novidades”. A tela de gerenciamento de  “augmentations” conta com as seguintes sessões: “cranium augmentations”, “torso augmentations”, “arm augmentations”, “eye augmentations”, “back augmentations”, “skin augmentations” e “leg augmentations”. Você precisa determinar como deseja jogar Deus Ex: Human Revolution e então realizar as melhorias necessárias em seu corpo.

Vale lembrar que o título é extremamente desafiador. Além disso, para a alegria daqueles que estão cansados de títulos que duram no máximo 4-6 horas, lembro que este game dura muito mais do que isso. Ele é bem longo, e oferece uma experiência extremamente imersiva. Voltando às “augmentations”, digamos que é essencial, no decorrer do gameplay, incrementar suas habilidades de “hacking” até o nível máximo (5). Pois em caso contrário você será impossibilitado de abrir diversas portas, cofres e “hackear” diversos computadores onde este nível de habilidade é requerido.

Aliás, Jensen terá de conviver com a necessidade de “hackear” diversos dispositivos o tempo todo. E o processo é bem complexo. A princípio pode ser que muitos jogadores com ele se assustem, mas aos poucos tudo vai se tornando bem intuitivo. Cada servidor/dispositivo a ser “hackeado” conta com diversos “nós” que devem ser capturados antes que o jogador consiga chegar aos “registros” (itens em formato de globos). Tudo se inicia em uma porta I/O do equipamento, e existem “pontes” que levam de um “node” a outro, as quais podem ser unidirecionais ou bidirecionais.

Cada “nó” possui um nível de risco, digamos. É possível que a rede detecte sua tentativa de invasão e contra-ataque. Neste caso, você ainda pode tentar continuar o processo, agindo de forma rápida, ou então utilizando vírus, worms e alguns outros tipos de malwares que pode obter durante o jogo. Trata-se de um dos melhores sistemas de “hacking” que já vi em um jogo eletrônico. Depois de algumas horas de gameplay, é bem provável que você sinta enorme desejo de “hackear”.

Independentemente da maneira como você escolhe abordar cada situação em Deus Ex: Human Revolution, é importante ressaltar que o “modo rambo” não é nada interessante neste título. Assim agindo, você será morto muito facilmente. A ação “stealth” é quase que uma obrigatoriedade no título, a não ser que o jogador seja muito experiente e invista muito em “augmentations” que fortaleçam seu corpo, que melhorem sua mira, sua capacidade energética, etc.

Em minha opinião, existem algumas “augmentations” essenciais. A “Social Enhancer”, por exemplo, é um implante craniano que é extremamente útil em conversações, ajudando o protagonista a, digamos, entender os NPC’s e, de certa forma, conduzir a conversação de maneira tal a dizer o que o outro deseja ouvir. O “Radar System” também é muito importante, e o Infolink permite que você mantenha conversações com seus companheiros. Um dos personagens com os quais você mais conversará, aliás, é Francis Pritchard, chefe da segurança eletrônica da Sarif Industries.

Upgrades no “Stealth Enhancer” também são sempre bem vind0s, bem como no “Sentinel RX Health System”, cujo nome já diz tudo. Adam, de certa maneira, é uma máquina, e como tal, precisa de energia. Melhorar o “Sarif Series 8 Energy Converter” é ótimo, seja para garantir células de energia extra, seja para aumentar seu tempo de recarga. O Typhoon Explosive System deve, em minha opinião, ser adquirido e atualizado ao máximo. Trata-se de uma “augmentation” que lança cargas explosivas em um arco de 360 graus, e que possui um alcance de 8 metros. O Typhoon Explosive System pode salvar sua vida muitas vezes, e à partir do nível 2, ele consegue até mesmo destruir os chatos robôs que patrulham diversas áreas do jogo, em diversos locais.

O “Cybernetic Arm Prosthesis” faz com que o Adam seja capaz de mover objetos, e conforme vai sendo atualizado, vai fornecendo mais força a seus braços, permitindo que ele mova objetos mais pesados e até mesmo destrua paredes. A “Smart Vision” permite que o jogador enxergue através de paredes, e a “Dermal Armor, bem, o nome é meio que óbvio. Uma “augmentation” que não pode deixar de ser adquirida e utilizada é a “cloak system”, através da qual você permanece invisível enquanto a energia durar. As vantagens deste sistema são inúmeras, e muitas vezes sua vida poderá depender da ativação do “modo invisível”.

É claro que dei aqui apenas alguns exemplos, e cada jogador deve melhorar o corpo de seu personagem conforme vai “sentindo o jogo” e os desafios que ele oferece. Deus Ex: Human Revolution conta com boas pitadas de RPG, ao permitir que o personagem seja evoluído e ao fornecer diversos momentos em que devemos escolher uma entre diversas ações, respostas, etc. Diversos NPC’s durante o jogo, aliás, podem fornecer side-quests ao gamer, as quais, entretanto, são perdidas (caso não tenham sido finalizadas) assim que a missão principal atual é finalizada.

É sempre importante jogar observando todas as informações exibidas em tela. De nada adianta se aproximar sorrateiramente de um soldado inimigo por trás para nocauteá-lo ou matá-lo de maneira cinematográfica se você não possui pelo menos uma célula de energia carregada. Aliás, tais ataques são fenomenais e violentos. Isto é, quando você escolhe matar o alvo. Quando não, você apenas o nocauteia. É importante também lembrar que nocautear um inimigo provoca menos barulho do que matá-lo, e muitas vezes você pode alertar a segurança se matar alguém, o que acabará colocando todos os guardas em alerta e tornando sua vida bem difícil.

Após iniciado um evento onde os guardas estão todos em alerta máximo (hostile, no mapa), dura um determinado tempo até que a situação mude para “alarmed”. Após isto, você ainda terá de amargar cerca de 70 segundos com os guardas semi-alertas. Portanto, pense bem, sempre, antes de escolher entre matar ou simplesmente dar um soco em alguém. Vale lembrar também que é sempre de extrema importância esconder os corpos, pois corpos largados pelo chão farão com que os guardas que os encontrarem soem o alarme. Além disso, os guardas conseguem perceber sua movimentação de forma muito fácil se você correr ou andar normalmente. É sempre bom andar agachado, quando próximo aos mesmos.

A inteligência artificial em Deus Ex: Human Revolution é muito boa. É sempre possível ser visto por um guarda desatento quanto você tenta atacá-lo em silêncio, por trás. Ele pode, de repente, notar algo estranho e se virar. Ao correr, mesmo utilizando o “cloak system”, os guardas conseguem ouvir o barulho e mencionam o fato, uns para os outros. Diferentes tipos de soldados, com diferentes tipos de armaduras, fazem com que a utilização de diversas armas seja necessária conforme o inimigo a ser enfrentado.

Uma simples bobeada, saindo do sistema de cobertura por breves segundos (sistema este que é muito bom), por exemplo, pode fazer com que robôs ou soldados, mesmo que não o vejam perfeitamente, naquele momento, notem a movimentação de relance e, então, passem a procurar por problemas. Ouvir os comentários dos guardas é sempre interessante, aliás.

O gerenciamento de energia deve ser realizado de maneira bem cautelosa, também. Os ataques sorrateiros, o “cloak system” e o “Typhoon Explosive System”, por exemplo, consomem energia. Existem itens consumíveis que você pode coletar durante o gameplay e, assim, recarregar suas baterias. Mas a disponibilidade dos mesmos não é grande, portanto, cautela.

É fantástico o modo como Deus Ex: Human Revolution coloca o jogador no meio de uma trama repleta de reviravoltas, com empresas que possuem motivações obscuras, personagens cujas verdadeiras intenções nunca ficam claras, e situações onde Adam terá até mesmo de realizar atos deploráveis. A ideia de que as “augmentations” nada mais são do que um processo que simplesmente “desbloqueia” potencial já presente no DNA humano também está presente na trama e, de certa forma, não deixa de, também, apresentar um panorama que pode ser comparado com muito do que se vê nos dias atuais. Veja, por exemplo, as pesquisas com as células tronco, que ainda enfrentam grande resistência por grande parte de nossa sociedade.

O jogo apresenta de forma plausível, aliás, uma espécie de “documentário hipotético futurista capturado em uma máquina do tempo hipotética” a respeito de como pode, ou poderia ser, o futuro da humanidade. O jogo também pode levantar diversas discussões éticas e morais, principalmente quando levamos em consideração as “augmentations” e o impacto que elas possuem na sociedade como um todo (no futuro) e em seus usuários, muitos dos quais podem, realmente, fazem uso das mesmas para finalidades nada lícitas e/ou moralmente aceitáveis. Até mesmo popstars “augmented” podem ser vistas no título, como por exemplo a nigeriana Ny’ashia akim, bem como prostitutas chinesas sendo forçadas a receber “augmentations” para, digamos, aprimorar os serviços que oferecem.

Reviravoltas, conspirações e surpresas, aliás (além de escolhas), estão presentes em Deus Ex: Human Revolution do começo ao fim. Em uma de suas primeiras missões, David Sarif dá ao protagonista a oportunidade de agir de forma letal ou não letal. Ele permite inclusive que Adam escolha a arma, neste momento. Trata-se de um jogo extremamente variado e rico, onde seu personagem também pode ser evoluído através de pontos de experiência ganhos durante o gameplay.

O título é um tanto quanto linear, mas há sempre grande espaço para improvisações, caminhos alternativos e exploração. Você pode entrar em salas abertas ou forçar sua entrada “hackeando” as fechaduras, e então procurar por e-books que fornecem informações sobre os acontecimentos atuais, munição, armas, “Praxis kits”, créditos, etc. É possível também evitar locais fortemente guardados entrando em dutos de ventilação.

O gameplay acontece em 4 locais: Detroit, Hengsha, uma belíssima ilha próxima a Xangai, na China, que conta com os serviços de segurança da Belltower Associates, Montreal, no Canadá e Panchaea, uma instalação localizada no Oceano Ártico. Todos estes locais são belíssimos e contam com um clima cyberpunk fantástico. A piloto Faridah Malik é quem leva Jensen a estes locais na grande maioria das vezes.

Os gráficos de Deus Ex: Human Revolution não são, digamos, maravilhosos, mas são extremamente bonitos e cumprem bem o seu papel. A paleta de cores utilizada é bem interessante, e podemos observar uma predominância de laranja e cinza bem grande, o que ajuda a aumentar o clima futurista do jogo e reforçar a tecnologia com a qual nos deparamos.

Em diversos momentos do gameplay é possível nos depararmos com objetos, construções e paisagens que fazem valer a pena parar e observar por alguns minutos. Infelizmente, entretanto, a animação facial dos personagens não é das melhores, e acredito que um game deste porte deveria contar com este “elemento” de forma muito mais aprimorada. A parte gráfica do game é muito boa, mas não é nada especial, digamos.

Entretanto, os méritos do jogo são inúmeros. Suas escolhas, não somente durante diálogos, definirão a experiência que você obterá. Tiroteios ou ataques silenciosos? Sussurros ou gritos? O jogador decide. Em Deus Ex: Human Revolution podemos até mesmo “travar conhecimento” com uma grande inteligência artificial, a qual lidera uma organização ligada à mídia chamada “Picus Group”. Computadores quânticos também fazem parte da trama de forma fantástica.

Momentos em que chegamos a duvidar de pessoas em quem confiamos também são bem frequentes no jogo, e muitas vezes conseguimos até mesmo obter explicações destas pessoas, explicações estas que, algumas vezes, não convencem muito. Temos, entretanto, a chance de escolher as respostas e atitudes, nestes momentos. Tais respostas e atitudes, como já se sabe, se desdobrarão em eventos diferentes.

O próprio Jensen chega a ser sabotado, em determinada parte do gameplay. Esta sabotagem causa grandes problemas ao protagonista em um momento crucial do jogo, e a forma como a “porta” foi aberta parecia totalmente livre de riscos, quando tal ocorreu. Um dos personagens chaves no jogo é Hugh Darrow, e ao final do jogo você saberá porque estou dizendo isto. Hugh realiza algumas ações que destoam muito daquilo que se entende como “bem”, apesar de claramente percebermos que suas motivações são bem diferentes.

Jensen também conta com a ajuda de um chefe da máfia chinesa, e tem, durante o game, dentre outras, uma surpresa que representa uma verdadeira reviravolta na trama. Digamos que esta descoberta faz com que ele passe ainda mais a enxergar as coisas de forma extremamente pessoal. E até mesmo no final do jogo Jensen tem de fazer escolhas bem difíceis.

Conclusão

Deus Ex: Human Revolution é um dos melhores jogos de 2011. O título conta com uma trama extremamente envolvente, personagens e organizações misteriosos, e deixa nas mãos do jogador diversas escolhas que afetarão o desenrolar da trama de maneira magistral. As “augmentations” são ao mesmo tempo premissa para desgraças e meio de resolução de problemas. Sua fantástica trilha sonora ajuda a conduzir o jogador com mão de ferro durante o jogo inteiro, o qual é realmente imperdível.

Nota

9.5/10

Ficha Técnica

Título: Deus Ex: Human Revolution
Gênero: Ação / FPS / RPG
Desenvolvedora: Eidos Montreal
Publisher: Square Enix
Data de lançamento: 23 de Agosto de 2011
Plataformas: PC / Xbox 360 / Playstation 3
Versão analisada: PC

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6 Comments

  1. Sem duvida um super jogo espero compra-lo algum dia desses

    Reply
    • @Otávio Chiquito,

      Jogaço. Realmente imperdível. Você não vai se arrepender, Otávio. :)

      Reply
  2. Foi você quem tirou as screenshots? Porque aparecem os comandos para Xbox nelas se o jogo foi testado no PC?

    Reply
    • @Hawk,

      Então, Hawk, é que o Human Revolution possui suporte a gamepad. Então, usei o controle do Xbox 360 no PC. Por isso aparecerem os comandos. Eu quem tirei essas screenshots, sim. :)

      Reply
  3. Bela análise. Comecei a jogar Deus Ex exatamente hoje. Coincidentemente, estou lendo o “Neuromancer”, do Willian Gibson, livro que exerce grande influência no universo do jogo. Aliás, para quem gostou ou estiver gostando do jogo em virtude da história, sugiro que leia o livro do Gibson. Acho que esse jogo merecia muito mais atenção do que a que tem recebido por aí. Vou ficar atento às suas dicas de evolução do personagem. Quero o Adam com as potencialidades stealth bem maximizadas. Deus ex mostra que há vida inteligente no mundo dos fps. Coisa rara hoje em dia.

    Reply
    • @Pablo Henrique,

      Obrigado, Pablo! :)

      Nossa, o jogo é sensacional. Vou procurar por esse livro que você mencionou, aliás. Human Revolution foi um dos melhores de 2011. Ainda estou me segurando pra jogar o DLC Missing Link, justamente por medo de “acabar logo” com a experiência, mesmo sabendo que posso jogar tudo novamente.

      Eu achei que ele não recebeu a atenção que merecia, também. O jogo merecia muito mais exposição. Você pode abordar uma mesma situação de diversas maneiras, e se resolver partir pro caminho “atirar em tudo que se move” vai ter muito, mas muito trabalho mesmo…rsrsrsrs

      Estou esperando que o novo Syndicate siga por esse caminho, também, depois de algumas coisas que li a respeito. Jogos assim deveriam ser lançados com mais frequência. Seja bem vindo, meu caro! :)

      Reply

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