Muitas desenvolvedoras e distribuidoras de games estão começando a olhar com muito carinho para o “modelo de negócios free-to-play”. O esquema aqui é oferecer o game de graça e lucrar com as microtransações “in-game”. O pessoal da Turbine anunciou, há poucos dias atrás, que o faturamento do MMORPG Lord of The Rings Online triplicou após terem adotado tal política para o título. A Cryptic Studios acaba de anunciar a mesma coisa em relação ao seu Champions Online.

Agora é a vez da Zombie Studios adotar a mesma política para seu próximo lançamento, e olha que não estamos falando de nenhum MMO. Pelo menos, não por enquanto. Todos devem se lembrar do FPS futurista Blacklight: Tango Down, vendido através da Xbox Live Arcade, da PSN e em sites como o Steam, o Direct2Drive, etc. Bom, o game e a crítica não se deram muito bem, e eu mesmo confesso que me decepcionei bastante com Tango Down. Trata-se de um título bonito, muito bonito. Mas você joga constantemente se perguntando o “porquê” daquilo tudo. Falta, digamos, personalidade, ao jogo. Faltam atrativos que nos mantenham jogando, além dos belos gráficos.

Em uma jogada extremamente estratégica, a Zombie Studios parece estar tentando corrigir seus erros de uma forma um tanto quanto inusitada, e porque não, amigável, e anuncia que a sequência de Blacklight: Tango Down, a qual se chamará simplesmente Blacklight, será gratuita. O game será distribuído gratuitamente e a empresa “fará dinheiro” através da venda de conteúdo premium.

Free-to-play é o modelo na Ásia. Está explodindo na China, crescendo rápido na Europa e emergindo aqui no Facebook e games para dispositivos iOS“, diz Mark Long, CEO da Zombie Studios. Dentre as novidades, a desenvolvedora menciona a inclusão de mechs jogáveis, o que pode ser bem interessante, dada a característica futurista do jogo.

Talvez estejamos chegando a um ponto um tanto quanto interessante na indústria dos games, o qual não deixa de me preocupar, também. É claro que jamais teremos um “universo gamer” somente contendo títulos “free-to-play”. Longe de mim sequer tentar imaginar tal coisa. Mas não deixa de ser curioso e preocupante o fato de podermos vir a receber no mercado verdadeiras levas (além dos já existentes) de games gratuitos onde os jogadores terão de pagar para adquirirem armas, armaduras, poções especiais e outros ítens in-game, de forma tal a se sobressaírem entre a grande massa de jogadores.

Por outro lado, já que é possível que esta tendência cresça bastante, poderia este modelo criar uma certa “separação negativa” entre os jogadores, fazendo com que os não pagantes se sintam de alguma forma inferiorizados? Será que as desenvolvedoras conseguirão criar e manter um balanceamento adequado entre as duas “classes” de jogadores? Aliás, como gerenciar-se este fato?

Hoje temos, no campo dos MMORPG’s pagos, por exemplo, o fenômeno World of Warcraft, cuja mensalidade custa US$ 15,00. Estamos falando do MMORPG mais famoso e com certeza mais jogado no mundo. Vem aí também outro título semelhante que também promete fazer muito barulho, com a cobrança de mensalidades semelhantes às de WoW: Rift. Mas aí eu me pergunto: na área dos games online, qual dos dois modelos se sairá melhor? Aquele dos títulos onde se deve pagar uma mensalidade para jogar ou aquele dos títulos onde se deve pagar por ítens virtuais?

A Zombie Studios ainda não divulgou a data de lançamento de Blacklight, aliás.

(Via: Gamasutra)

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