Não sei se este tipo de coisa costuma ocorrer com muita frequência, e/ou se é algo que ocorre (se for o caso) com mais frequência fora da indústria de jogos eletrônicos. Só o que sei é que trata-se de algo realmente curioso e espetacular. Markus Persson, também conhecido como Notch, quer ajudar o game designer Tim Schafer a desenvolver Psychonauts 2.

Markus Persson é o famoso e milionário criador de Minecraft, e pode-se dizer que ele entrou para o restrito grupo dos que possuem muitíssimo dinheiro justamente devido a seu fenomenal jogo sandbox, o qual já vendeu milhões e milhões de cópias. Tim Schafer, por sua vez, é o fundador da Double Fine Productions, e já trabalhou em diversos games, como por exemplo Costume Quest, Stacking, Brutal Legend e Psychonauts.

Psychonauts foi lançado em 2005, e é um título muito bacana. Schafer recentemente disse que “as publishers estão com medo de novas IPs“, e ainda afirmou que um dos desafios enfrentados pela Double Fine sempre foi conseguir fazer com que uma publisher investisse milhões de dólares em um novo jogo.

Os problemas do game designer norte americano, entretanto, podem ser resolvidos, pelo menos parcialmente, devido à ajuda de um desenvolvedor independente. Markus Persson publicou em seu Twitter uma frase que dispensa tradução. Tim Schafer, por sua vez, se mostrou interessado.

A partir daí, pelo que parece, as discussões se iniciaram fora do Twitter, e a Double Fine anunciou: “Tim e Markus estão conversando. Quem sabe o que pode acontecer“? O que salta aos olhos aqui não é nem tanto o possível lançamento de Psychonauts 2, mas sim o fato de um desenvolvedor independente oferecer ajuda a alguém como Tim Schafer e este a aceitar.

Aliás, nem mesmo este é o elemento principal, aqui. O mais sensacional disto tudo é o fato de que os papéis foram invertidos. O (supostamente) menor está ajudando o (também supostamente) maior. Alguém que criou sozinho um game que é um sucesso mundial ofereceu ajuda a um famoso game designer.

Se Psychonauts 2 será lançado ou não, ninguém sabe. Se ele será lançado com a ajuda do criador de Minecraft, também ninguém sabe, por enquanto. Mas uma grande barreira foi aqui quebrada. Enquanto grandes publishers têm medo de investir em novidades e preferem repetir velhas fórmulas todos os anos, os menores (com grande ressalvas neste ponto) não possuem este medo.

Enquanto a THQ vai mal das pernas e Brian Farrell reduz seu salário pela metade, o “mundo dos independentes” está repleto de novas ideias e pode se dar ao luxo de oferecer ajuda a quem bem entender. O problema não está no fato de uma desenvolvedora trabalhar ou não com uma pequena ou grande publisher. O problema está no fato de que muitas publishers têm muito medo de novidades, e não desejam jamais sair de suas zonas de conforto.

Tal doença não é compartilhada por muita gente, é claro, e temos aqui, no recém iniciado relacionamento de Tim Schafer e Markus Persson um grande exemplo disto. Talvez a indústria de jogos eletrônicos comece a mudar sua maneira danosa de agir em relação aos jogadores (pelo menos em grande parte) quando ações como esta começarem a se tornar comuns. Talvez o mundo dos games não esteja perdido, e talvez a festa que muitas empresas promovem com DLCs caça-niqueis e desnecessários comece a sofrer alguns golpes.

Tudo pode acontecer neste nosso mundo, inclusive a transformação (mesmo que demorada) de uma indústria voraz em outra mais comedida e respeitosa. Vamos ver qual será o resultado desta conversa entre o criador de Psychonauts e o criador de Minecraft.

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