Estamos vivendo em uma época na qual raro é o dia em que não ouvimos falar a respeito do lançamento de algum novo game. Durante este mês, aliás, por exemplo, foram lançados Red Faction: Armageddon, da Volition, Operation Flashpoint: Red River, da Codemasters, Trainz Simulator 12, da N3V Games, Duke Nukem Forever, da Gearbox, Duels of the Planeswalkers 2012, da Stainless Games, Pride of Nations, da Paradox, Alice: Madness Returns, da Spicy Horse, Dungeon Siege III, da Obsidian, F.E.A.R. 3, da Day 1 Studios e mais uma série de outros “games menores”, indie games, etc.

Trata-se de um verdadeiro bombardeio, durante o qual somos expostos a títulos dos mais diversos gêneros e observamos então, quem sabe, nosso instinto consumista ser ligado, muitas vezes com enorme desepero. Muitas vezes, até, chega-se a cometer verdadeiras loucuras e muitos gamers chegam a, literalmente, “entrar no vermelho”, tudo para manter este nosso hobby que, para alguns, pode até mesmo já ter se transformado em outra coisa. Até em trabalho.

Às vezes me pego pensando na lista de jogos que possuo no Steam e na quantidade dos que nunca joguei, finalizei ou sequer instalei. A indústria de games, incluindo-se aqui pequenas, médias e grandes distribuidoras, desenvolvedoras e lojas, está criando uma cultura consumista e, de certa forma, opressora, em determinados momentos. A distribuição digital ainda contribui mais ainda para fazer com que compras sejam realizadas em momentos onde, em sua ausência, o jogador aguardaria mais um pouco. É muito fácil: viu, gostou, pagou, baixou. Agora, jogar são “outros quinhentos”.

Muitas vezes fico imaginando se algum dia terei como jogar todos os meus jogos. O simples fato de se comprar, por exemplo, vários lançamentos, acaba ocasionando uma verdadeira “sobrecarga gamer”, no sentido em que somos expostos a gêneros, situações, gameplays, mecânicas e narrativas diferentes, quesitos que podem muitas vezes, em nossas cabeças, se misturarem e nos levarem a, ou não prestar muita atenção naquilo que estamos fazendo em frente a nossos consoles ou PC’s, ou então a nos deixar de tal forma cansados que podemos simplesmente abandonar um jogo temporariamente. Em outros tempos, cheguei a deixar de jogar por uma semana e meia, mais ou menos.

Muitos jogadores acabam ficando, também, desesperados. Pois suas filas de games para jogar podem já estar enormes, promoções aparecem constantemente e os indivíduos acabam muitas vezes comprando por impulso ou para aproveitar o bom preço, e este ciclo vai se repetindo indefinidamente, sem que, talvez, nem um único título tenha sido finalizado. Quem seria o culpado desta situação?

Conheço muitas pessoas que compram lançamentos pelo simples fato de se tratar de um lançamento, mesmo não tendo finalizado os títulos anteriores da franquia, por exemplo. Muitos até mesmo compram durante a pré-venda. Seria o caso de nos policiarmos mais e só comprarmos aquilo que realmente precisamos, ou seja, jogos que realmente iremos jogar imediatamente? Mas aí como conciliar a necessidade com a oportunidade?

Um game vendido hoje por 5 dólares, em promoção, pode demorar muito tempo para ter seu preço reduzido, e o comprador, caso tenha perdido a promoção, sentirá também enorme frustração. Ou seja, a frustração de não jogar algo que se possui é transferida para a situação de não possuir algo que se desejaria jogar. Esqueçamos dos fatores “tempo”, “disponibilidade”, etc. Temos aqui duas situações conflitantes que resultam em um certo desespero, da mesma forma que a existência das “listas infindáveis de games não jogados”.

Franquias anuais nem podem ser consideradas culpadas, se é que existe um culpado nisto tudo, pois as publishers e desenvolvedoras querem desenvolver e vender, enquanto o jogador quer “consumir”. As franquias anuais hoje em dia são superadas facilmente pela enorme quantidade de jogos que são lançados sobre as nossas cabeças todos os meses, com o apoio de seus respectivos hypes que se iniciam muito tempo antes da “release date”.

Estamos vivendo um momento em que a indústria de jogos se tornou gigante, e como tal, gigante é a sua movimentação e gigantes são os resultados, benéficos ou não, que ela pode produzir. Quem acompanha o mercado de games bem de perto sabe que tudo o que eu disse acima é apenas a ponta do iceberg, digamos. E que dizer então dos MMO’s e a capacidade/necessidade imensa de imersão que eles requerem?

Será que teremos de pensar de forma mais seletiva e planejarmos nossas compras de jogos de forma tal a não nos prejudicarmos? E será que não somos nós mesmos os culpados pela sobrecarga que o tal “bombardeio de games” pode nos causar, uma vez que compramos por livre e expontânea vontade? O grande problema é que um jogo exposto é muito mais tentador que um tênis em uma vitrine. Games são obras de arte interativas, e o apelo que possuem é enorme. O que você pensa disto tudo?

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