O espaço realmente é frio. Escuro. Solitário. Hostil. Esta certeza cresce cada vez mais dentro de mim, sessão após sessão de Elite: Dangerous. Mas aquele Comandante que mal sabia aterrissar uma Sidewinder agora ficou mais esperto, digamos.

Posso dizer que já viajei bastante, também, e que pouco a pouco pego mais gosto pelo comércio, pelas entregas de uma estação a outra, pelos “fretes”. Pelo jogo como um todo, é claro. É bem verdade que, na imensidão do espaço, mesmo ferramentas construídas para nos auxiliar a encontrar as melhores rotas falham, principalmente com novas versões do jogo sendo lançadas com frequência.

O título deste artigo tem a ver com um retorno. O retorno de meu personagem, CMDR Nyhone Maulerant. Não à Terra, não ao Sistema Solar, como pode parecer a princípio. Mas sim aos sistemas nos quais comecei. Nos quais me deparei com minha primeira nave espacial, onde aprendi a pilotá-la, onde comecei a tomar gosto por rotas comerciais e afins.

Um retorno aos sistemas onde comecei a jogar Elite: Dangerous. Uma casa? Talvez, mesmo que temporária. Uma casa gigantesca, diga-se de passagem. É uma jornada, obviamente, que tem apenas o objetivo de diversão. De tentar algum tipo de planejamento dentro do game. Uma jornada, quem sabe, desnecessária? Depende. Mas ela já foi iniciada e com certeza será finalizada. Estou me divertindo muito, enquanto isso. E sei que isso vai continuar.

Elite: Dangerous

Tudo começou, para mim, na famosa estação Azeban City, no sistema de Eranin. Elite: Dangerous, para mim, começou aí. Uma estação do tipo Coriolis, a partir da qual fiz uma série de viagens para Azeban Orbital e também para Eranin 4 Survey. Isto até descobrir uma boa rota comercial envolvendo os sistemas de Aulin e Styx.

Fiz algum dinheiro, aí, comprei minha primeira Hauler, apropriada para transporte de cargas, e então vieram os wipes. Mais de um. Perdemos dinheiro, naves, etc. Faz parte do processo, a Frontier Developments já havia nos deixado cientes, etc. Mas é algo sempre bem triste. Ah, sim, também em Styx dei meus primeiros passos na mineração, em cinturões de asteroides, após as devidas alterações em minha nave.

Mas o último dos wipes me deixou “longe de casa”. Bem longe. Fui parar em um sistema estelar chamado Aiabiko, em uma estação chamada Treshchov Port. Novamente, com uma Sidewinder. Básica. Comecei então, novamente, minha vida de “caminhoneiro espacial”. Lembro-me de que o primeiro trabalho foi uma simples entrega para Hui Mines, em um sistema chamado Ciguru. Distância do salto: 5.98Ly. “Rapidinho”.

Elite: Dangerous

De Hui Mines parti para o sistema de Chemaku, e antes de chegar em uma estação espacial chamada Lawson Station, sofri uma tentativa de interdição por parte de um outro jogador, um outro comandante. Consegui fugir, mas achei importante ressaltar isto aqui dado o que falarei a seguir, nos próximos parágrafos.

Outro dia, nova sessão de gameplay. Saltei para o sistema de Yarigui e pousei em uma estação chamada Salgari Hub. Daí parti para outro sistema, chamado Psamathe, e pousei em uma estação chamada Witt Gateway. Uma estação industrial, digamos, ou melhor, cuja economia é focada na indústria. Aí fiz uma entrega oriunda de Salgari Hub que me rendeu 10 mil e poucos CR. Nada mal.

E aqui começa o meu retorno. Ou melhor, aqui começou a crescer em mim o desejo de voltar aos sistemas onde comecei a jogar Elite: Dangerous. Decidi retornar a Eranin, e uma olhada rápida no mapa da galáxia me fez perceber que eu teria que realizar diversos saltos. Eu estava a mais ou menos 65-70 anos-luz de meu objetivo, vale lembrar.

E não consegui encontrar uma ferramenta interna ou externa para traçar uma rota adequada. As que existem estão passando por um processo de atualização, devido aos vários e recentes updates que o jogo sofreu, e assim sendo, estou traçando as rotas manualmente, o que pode acabar levando a erros, claro (o que já aconteceu).

Elite: Dangerous

Mas quando você se dá conta da imensidão do “mapa” da galáxia e da própria galáxia, e quando percebe que sua nave pode ter sua autonomia comprometida devido a uma série de fatores, incluindo power plant, distribuidor de energia, carga, massa, etc, você começa a jogar com muito mais atenção e até mesmo a rejeitar determinadas missões. Claro, isto tudo pode ser resumido em: o espaço é infinito. Ou, a imensidão do espaço é intimidadora. E como eu gosto disso!

Novo dia (aqui na terra), nova sessão de gameplay. Aqui fiz meu maior progresso desde que iniciei minha jornada de retorno, e agora estou a “apenas” 19,85 anos-luz distante de Eranin. Vale lembrar que minha nave atual, uma Hauler, pode realizar saltos no hiperespaço de no máximo 9-10 anos-luz, cada um.

Elite: Dangerous

Desta vez visitei diversos sistemas diferentes. Passei por alguns sem sequer aterrissar em estação alguma. Em outros percebi que não havia vivalma. Nada de estações, nada de civilização. Nada.  Apenas o espaço, as estrelas, o infinito. Foi a partir daqui também que comecei a perceber que outro provável caminho para mim em Elite: Dangerous seja o de explorador. Escaneei diversas estrelas, antes exibidas em meus radares como “desconhecidas”, e depois vendi tais dados à Universal Cartographics.

Elite: Dangerous

Não entendi ainda muito bem como são definidos os preços dos dados, pois se em algumas transações vendi dados por meros 612CR, em outras consegui mais de 5000CR, em um único “pacote”. Estou vendo que trabalhar com exploração pode ser também algo bem lucrativo, além de delicioso.

Bem, saí de Witt Gateway (sistema de Psamathe) decidido a retornar a Eranin. Já sabia a distância, e fui tentando escolher os melhores caminhos no decorrer da jornada.

Esta última série de viagens, de saltos, realizada ontem, me proporcionou enorme prazer. Foi bastante solitária, também. Não me deparei com comandante algum, com jogador algum. Ninguém tentou me dar interdiction. Eu, minha nave, o gélido espaço sideral, estrelas e mais estrelas, alguns NPCS e “estações robotizadas”: estes foram os protagonistas desta pequena história.

Elite: Dangerous pode ser um jogo bastante solitário. E isto não é algo negativo, veja bem, é apenas um reflexo de sua natureza, afinal, estamos imersos em algo imenso, onde até mesmo as comunicações são limitadas. Estamos no espaço, sozinhos, e aterrissando em estações diferentes, com economias diferentes, muitas vezes você encontrará apenas máquinas ou, na melhor (ou pior, depende) das hipóteses, NPCs.

Elite: Dangerous

Voltemos à jornada de retorno. De Psamathe saltei para o sistema de Tripu. Daí parti para LHS 3746, e então para LTT 18506. Aqui comecei a encher meu banco de dados com informações para vender à Universal Cartographics. Saltei de LTT 18506 para LHS 6354. Mais dados decorrentes de um escaneamento para vender depois. Uma estrela. Uma linda estrela classe M, uma anã vermelha.

“Pulei”, então, para um sistema com um nome bastante estranho: Nandjirii. Encontrei aí algo que me maravilhou, um sistema binário. Duas lindas estrelas, as quais foram devidamente escaneadas para, claro, serem vendidas em forma de dados de navegação ao pessoal da Universal Cartographics.

Meus sistemas me informaram tratar-se de Nandjirii A e Nandjirii B, uma estrela vermelha classe M e uma anã marrom classe L, respectivamente. Fiquei aí por um bom tempo, observando as duas, tão próximas pareciam de mim estar. Tão maravilhosas. Aquele “corredor” entre elas parecendo me convidar a um pequeno salto. Mais uma das maravilhas de Elite: Dangerous.

Bastante relutante, abandonei as duas irmãs gigantes e saltei então para NLTT 44050. Um sistema que me fez sentir alguns calafrios. Não o sistema estelar em si, mas, talvez, minha falta de cuidado ao aí chegar. Os sistemas da nave acusaram sobreaquecimento tão logo saí do hiperespaço, próximo demais a NLTT 44050 A, uma anã vermelha classe M.

Tive de manobrar rapidamente, tentando escapar do perigo, e cheguei até a realizar alterações na distribuição de energia da Hauler, com um medo quase irracional. Faíscas surgiram no painel, comecei a ouvir estalos e a notar pequenos pontos de fumaça. Reduzi bastante a velocidade, e já comecei a consultar os mapas desesperadamente, em busca de algum porto seguro.

Elite: Dangerous

Exploração dando dinheiro

Parece que aquela solidão toda estava começando a me afetar. Mas, claro, não tome isto como algo negativo: muito pelo contrário. Isto é imersão. Estava eu tão imerso no jogo, em sua atmosfera, naquele espaço imenso e desconhecido, naquela solidão toda, que este medo foi algo impossível de refrear. Poucos títulos conseguem provocar tais sensações, ultimamente. E isto, claro, é ótimo. Mas eu estava afetado, com certeza.

Comecei então a me dar conta de que precisava encontrar algum “porto espacial”, alguma estação. Para reabastecer, para efetuar reparos, e também para descansar um pouco. Saltei para um sistema “morto”. Infelizmente não me recordo de seu nome, nem tampouco o anotei. Mas aí não havia nada além de vácuo e corpos celestes.

Nada de vida, nada de estações. Nada de combustível. Estava tudo, digamos, “vazio”. Fui então para o sistema de Apala, e pousei em Wilson City. Reabasteci minha nave, realizei os devidos reparos, vendi cerda de 3000 CR em dados de navegação e fui embora.

Elite: Dangerous

Rumo a um novo sistema. Rumo a Cephei Sector RI-T B3-2. Mais descobertas, outra anã vermelha. Rapidamente saltei para Col 285 Sector CX-Y B15-5 e escaneei outra estrela, a Col 285 Sector CX-Y B15-5 A, mais uma anã vermelha.

Próximo sistema: LAWD 86. Nova descoberta, uma lindíssima anã branca, LAWD 86 A. Também aqui “coloquei em ponto morto” e fiquei parado, boquiaberto, observando a beleza que tinha diante de mim. A luz que vinha em minha direção, a vontade de chegar mais perto. Sensacional.

Quase sem coragem de abandonar a linda anã branca e desejando ardentemente que algo no jogo me mostrasse seu passado ou seu futuro (conceitos bastante relativos, claro), sua explosão em uma supernova, talvez (o que significaria minha destruição, é claro), acelerei. Acelerei e girei. Os propulsores da Hauler com aquele chiado característico me lembrando, felizmente, que eu tinha que sair dali, que Eranin me aguardava.

Cheguei ao sistema de Bhotega: outra descoberta espetacular. Outro sistema binário. Mais dados  recolhidos em meu banco de dados para vender posteriormente. Bhotega A e Bhotega B: fantásticas. Dois convites quase irresistíveis para desligar tudo e ficar apenas observando. Mas continuei. Resisti e continuei.

Ainda no mesmo sistema, fui até Savitskaya Ring, estação onde ganhei algum dinheiro com os dados que havia recolhido até então. Apenas um dos “pacotes” me rendeu mais de 5.000CR, o que, claro, me deixou bem feliz (se bem que triste, ao mesmo tempo, pois estou longe de conseguir o dinheiro necessário para uma Cobra, por exemplo – sem contar com o fantasma do possível último wipe).

Elite: Dangerous

Novo salto, nova descoberta, previsão de rendimentos futuros. Descobri, no sistema de Taranis, uma estrela pertencente à classe K, e em LDS 1503A,  após novo salto, outra bela anã vermelha.

Novos saltos, novos sistemas, novas descobertas, previsão de ganhos futuros: LHS 140, LHS 3297, e… ponto final. Em partes. Chegando em LHS 3297 planejei o que faria em seguida. Iria para o sistema de Ross 1057. Rota definida, “problema ajustado”.

Os sistemas da nave me avisaram a respeito do fato de que o sistema em questão, “Ross 1057”, era inatingível. Naquele momento, daquele jeito. Ele estava dentro de minha capacidade de salto atual, mas havia um problema: “havia uma estrela no caminho”. Ele estava “obscurecido”. A estrela estava bem no meio, da rota. Lá mesmo em LHS 3297.

Não entendo até agora como e nem porque tentei “forçar a barra”, mas o fato é que me coloquei em maus lençóis. Sobreaquecimento, estalos, fumaça, etc. Desta vez, tudo foi pior: fogo, muita fumaça e… Boooom. Minha nave explodiu: sorte que eu tinha seguro. Voltei então a Savitskaya Ring, agora mais resoluto ainda e disposto a fazer tudo certo, e refiz todo o processo, todo o caminho. Cheguei então, finalmente, a Ross 1057.

Passei por mais alguns sistemas bem interessantes (Pi-Fang, DN Draconis e LHS 417), no caminho escaneei uma anã marrom, e finalmente parei em Gernhardt Camp, outra estação do tipo Coriolis, dentro de LHS 417. Fiquei por aqui. Estou lá. Eranin está cada vez mais próximo.

E Elite: Dangerous fica cada vez mais “perigoso”: imersivo, gigantesco, capaz de me agradar de diversas maneiras e, creio, muito capaz de agradar a diversos tipos de jogadores, com diferentes expectativas, de várias maneiras. Um jogo e tanto. Mundo aberto? Universo aberto.

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