Eu falei com [minha] assessoria legal e me sinto confortável de que a ação da Sony contra mim não possui qualquer base“. Esta foi uma das frases ditas pelo hacker GeoHot à BBC, ao comentar sobre a recente ação judicial aberta contra ele e o grupo failOverflow pela Sony. Pelo menos aparentemente, o cara está tranquilo. Tudo isto se deve à recente descoberta e divulgação da root key do Playstation 3, o que abre as portas para que a pirataria entre de “mala e cuia” no console da gigante japonesa.

GeoHot, inclusive, disponibilizou em seu site todos os documentos que recebeu do tribunal, e a Sony quer a sua prisão, bem como a de todos os membros do grupo failOverflow. GeoHot se diz desapontado com as ações da Sony, e eu mesmo sinto que a empresa está partindo para caminhos meio que “esquisitos”, no mínimo. A empresa chegou a dizer que iria inutilizar remotamente todos os PS3 alterados, e é claro que isto é meio que uma faca de 2 gumes. Além de ser uma solução extremamente radical e que atrairá sobre a empresa uma enorme carga negativa, nada impede que os “pirateiros” continuem utilizando seus consoles modificados: basta que eles não se conectem à PSN.

Não estou aqui discutindo a legitimidade ou não desta ação que a Sony pode vir a tomar. O que discuto é sua eficácia e sua segurança, principalmente. Todos sabem que eu sou contra a pirataria, mas em minha opinião, a partir do momento em que alguém compra um bem, ele é seu. Se o usuário decide infringir qualquer cláusula contida em algum hipotético termo de uso que acompanha determinado aparelho ou serviço, como o Playstation 3 e a PSN, por exemplo, ele deve arcar com as consequências deste ato, é claro. Não creio que o Playstation 3 acompanhe qualquer tipo de documento dizendo que, caso o hardware ou o software nele contidos sejam modificados, a fabricante terá o direito de inutilizar o aparelho. Se alguém, por exemplo, decide jogar um PS3 travado contra a parede, o problema é dele também, por exemplo.

No mínimo, acredito que a ação correta a ser tomada deva ser a mesma tomada pela Microsoft, em caso de modificação no hardware do Xbox 360: o banimento do console da Xbox Live. No caso do PS3, da PSN. Além disso, todos devem se lembrar do ApocaliPS3, e eu tenho cá minhas dúvidas se nenhum usuário com console travado, totalmente dentro da legalidade, seria punido indevidamente. Falhas acontecem, como todos sabem.

Acredito que a Sony está agindo de forma desesperada, e bato nesta tecla mais uma vez: ela deveria contratar logo o GeoHot e o pessoal do failOverflow para tentar corrigir as brechas de segurança de seu console (ou do futuro hardware) e trabalhar na prevenção de futuros problemas semelhantes. A Sony pode sair com sua imagem bem machucada desta história toda, infelizmente, mesmo não tendo culpa alguma do ocorrido, e mesmo estando com toda a razão.

Ocorre que pirataria é sempre um assunto espinhoso, e por mais que tentemos lidar com a mesma de maneira calma e sensata, é muito fácil vermos ânimos exaltados e pessoas achando “pêlo em ovo”. O destravamento do PS3 é um crime? Sem dúvida. Mas se a Sony não tomar cuidado, pode acabar tendo de gastar muito dinheiro e tendo muita dor de cabeça.

(Via: Joystiq)

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