Sony massacra a Microsoft e vence a guerra de consoles na E3 2013

Atenção: esse post foi escrito por um PC gamer ferrenho (eu!), cujo único console (um Xbox 360) está abandonado há cerca de 2 anos. Esse é um texto a respeito das minhas impressões como potencial consumidor, sobre a guerra dos consoles da nova geração, após acompanhar na íntegra a conferência das duas gigantes, Sony e Microsoft.

Sony E3 2013

A interminável guerra de consoles nem começou pra valer (ao menos nas prateleiras) e já tem um vencedor. Depois de mais de uma década de altos e baixos, a Sony (e seu PlayStation 4) virou a batalha ao seu favor, massacrou a arquirrival Microsoft (e seu Xbox One) e exibiu uma das mais admiráveis vitórias da indústria do entretenimento eletrônico.

Sem fazer grandes mudanças nos serviços, tudo o que a Sony precisou foi de uma pequena, porém valiosa ajuda da sua própria arquirrival. Os anúncios de que o Xbox One não permitirá ao jogador rodar jogos usados (somente pagando uma taxa) ou jogar offline (é preciso que o console seja conectado à internet pelo menos uma vez a cada 24 horas), somado a uma inexplicável obsessão por “melhorar a experiência de assistir TV”, plantaram todos os pregos possíveis no caixão da Microsoft.

A Sony, por sua vez, chegou à Electronic Entertainment Expo 2013 com o martelo na mão e terminou o serviço.

Com o caos instaurado na fanbase da Microsoft, graças a desastrosa reputação que o novo Xbox One ganhou após sua conferência de revelação (que ocorreu algumas semanas atrás), o mundo voltou as atenções para a Sony e como a gigante japonesa faria para aproveitar essa preciosa oportunidade de sufocar a rival antes mesmos dos produtos chegarem ao mercado. Ela não só aproveitou a chance, como também o fez com maestria.

Quando o presidente da Sony Computer Entertainment, Jack Tretton, falou no palco que o PlayStation 4 jamais exigiria uma conexão constante com a internet, o público gritou como se fosse um gol aos 48 do segundo tempo da final de uma Copa do Mundo (veja o vídeo abaixo).

O mesmo se repetiu quando os telões exibiram que trocar jogos de PS4 é tão simples quanto entregá-los na mão de seus amigos. E mais aplausos e gritos, quando Tretton confirmou que não haverá qualquer restrição contra jogos usados. Sem taxas extras, sem políticas abusivas e sem DRMs ridículos. Apenas respeito à autonomia do consumidor.

É interessante e, ao mesmo tempo triste, notar que vivemos em um tempo em que funcionalidades tão simples e tão primordiais são merecedoras de uma longa e ecoante salva de aplausos.

O ápice da conferência da Sony veio mais tarde, no seu encerramento, na exata hora da tão aguardada e especulada revelação do preço de lançamento. Algumas horas antes, a Microsoft finalizou sua conferência marcada por gafes e falhas técnicas estampando US$ 499 na etiqueta de preço do Xbox One. Andrew House, presidente do quadro de diretores da Sony Computer, se disse orgulhoso ao anunciar que o PlayStation 4 chegaria às lojas por US$ 399, uma centena de dólares a menos do que o seu maior concorrente.

Xeque-mate.

Ah sim, o design final do console também foi apresentado. A caixa preta da Sony, felizmente, parece não trazer semelhanças com tocadores de fita VHS ou decodificadores piratas de TV a cabo.

O massacre ainda não terminou por aí. Além da vitória nas funcionalidades e no preço, a conferência da Sony foi considerada bastante superior à da Microsoft. Não só devido às revelações que descrevemos anteriormente, mas na organização e diversidade de conteúdo apresentado.

Enquanto a Microsoft apresentou apenas vídeos de gameplay ensaiado — dois deles precisaram ser reiniciados devido a problemas no áudio e outro exibia, na verdade, uma versão de PC —, a Sony trouxe os desenvolvedores para jogar as demonstrações ao vivo no palco. Enquanto se ouviam os “wow!” vindos da plateia, o impressionante Watch Dogs era exibido nos telões, assim como Assassin’s Creed IV: Black Flag, que também deixou sua marca no palco da Sony.

Enquanto tudo o que a Microsoft falou sobre jogos indies foi que Minecraft poderia agora ser jogado no Xbox, a Sony trouxe ao palco vários desenvolvedores independentes e anunciou o lançamento de mais de uma dúzia de títulos para o seu console (Transitor, Don’t Starve, Oddworld: New & Tasty, Mercenary Kings, Abe’s Odyssey, entre outros).

Enquanto a Microsoft anunciou a distribuição de jogos como brindes para assinantes da Xbox Live Gold, a Sony chamou o CEO da sua divisão de filmes e música para anunciar a produção de conteúdo exclusivo e acesso a todo o catálogo dos serviços Music Unlimited e Video Unlimited, além do Redbox Instant, Flixter e Netflix (que terá novidades), a todos os usuários da PSN Plus.

Sony E3 2013

Enquanto a Microsoft anunciava o fim dos Microsoft Points, a Sony confirmou que a assinatura da PSN Plus, ao custo de menos de US$ 5 mensais (50 dólares anual), será única e estendida a todos os seus dispositivos, incluindo o novo PlayStation 4.

O time da Avalanche Studios, responsável por Just Cause, apresentou Mad Max, adaptação do clássico estrelado por Mel Gibson, durante a conferência. A Bungie, conhecida por Halo, a franquia-chefe do Xbox 360, produzirá Destiny que teve um gameplay de mais de dez minutos apresentado nos telões. The Elder Scrolls: Online também estreará em 2014 no PlayStation 4.

Mais ao final, outra novidade: os usuários de PS4 terão acesso a um serviço de streaming de jogos (semelhante ao OnLive), bancado pela Gaikai.

Ah, e eu já falei que o PlayStation 4 não terá restrição de regiões? Em outras palavras, os jogos rodarão no console independentemente do canto do mundo em que eles foram comprados.

Nem tudo são flores, porém. A Sony deixou a entender que jogadores que não são assinantes da PSN Plus terão acesso somente a jogos single player. A jogatina multiplayer passaria agora a depender de uma assinatura válida no serviço premium da Sony, semelhante ao que a Xbox Live já fazia desde o início. Pena.


Ouch!

O Xbox One tem lançamento previsto para novembro. Já o PlayStation 4 deve sair em algum momento no final deste ano. E o PC… bem, o PC sempre esteve por aí, firme, forte e rindo dessas briguinhas. 😛

E você, de qual lado está?

Artur Carsten

Catarinense, amante da música eletrônica, estudante de medicina e jogador nas inexistentes horas vagas. Ocasionalmente, escreve artigos e coloca em dia a pilha interminável de jogos comprados em promoção no Steam. Já passou pelo Campo Minado, Continue, Guia do PC, Gemind e Oxygen e-Sports.

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10 Comments

  1. Eu não achei tudo isso. Tá todo mundo magoado com a Microsoft, com razão, mas o PS 4 não mostrou muita coisa. Só alfinetou a concorrência!

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    • Bem isso mesmo. a Sony falou o que a gente queria ouvir. E no final, a gente ainda não sabe os contras do PS4, só os prós. E contando só os prós, o PS4 está ganhando.

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  2. Eu ainda bato o pé e o título da matéria , pra mim , em nada condiz com o texto que foi escrito. Massacre, de longe, é a palavra que pra mim descreve o que foi a conferência.
    Como já venho discutindo com alguns amigos e me mantenho na opinião, não poder jogar jogos usados e ter que conectar uma vez ao dia de longe é mérito o suficiente para dizer que um console é melhor do que o outro. Sim, é uma coisa bem chata, não havia necessidade, mas muito tem se falado sobre isso e pouco do console em si. O Xbox one trouxe melhoria no Xbox Live, melhorias no Kinect, os jogos apresentados foram jogos interessantes sim. Dizer que a apresentação dos jogos da sony foi mais sólida é uma questão realmente muito pessoal. Eu particularmente achei que ambos trouxeram novidades em suas bibliotecas.
    Faltou comentar que o jogo Assassin´s Creed também travou no PS4.
    Enfim, eu acho que não foi um massacre. Talvez a microsoft realmente tenha pisado na bola com alguns quanto aos jogos usados e a conexão à internet. Mas dizer que foi um massacre de uma apresentação sobre a outra? Não acho. Acho que ambas mostraram as características de seus produtos e pronto.
    Não defendo a Microsoft, longe disso, só que eu ainda não consigo ver o porque de tanto ódio por trás disso tudo em coisas que , na minha opinião, não justificam tanto puxa-saquismo da sony que até agora não mostrou nada se não além de aproveitar do anúncio da Microsoft e mostrar mais os defeitos dela do que as qualidades do próprio console.
    Pagar $50 dolares na PSN Plus parece ser uma vantagem em cima do Xbox Live , de fato, mas ninguém sabe ainda como virá essa PSN e se esses mesmos $50 irão valer a pena.
    Enfim, acho que as duas empresas estão no mesmo saco e tem muita gente aí fora achando que a Sony tá fazendo uma grande coisa pelos gamers e até agora não ví nada DE FATO que ela esteja fazendo de glorioso.
    Ah, e só pra encerrar, pra mim, o design do PS4 conseguiu ser mais feio do que do Xbox One, impressionante como o eles conseguiram fazer duas peças estranhas nessa geração . Tomara que melhorem isso nas suas futuras versões.

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  3. O que foram aqueles travamentos em dois jogos no momento da apresentação em nenhum momento citado nessa “matéria” realmente foi um mico a ser falado como o mico que a Microsoft cometeu com o som dos jogos. Só para não passar desapercebido eu concordo sobre a postura da Sony ter dado um Fatality na da Microsoft para os consumidores. Também achei o design do PS4 horrível e SIM conseguiu ser pior do que o “Xone” e essa opinião foi unanime no mundo menos é claro pelos Sonystas. 😀

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  4. Eu já esperava que o título ácido dessa matéria acabasse colocando o dedo em algumas feridas, e realmente foi o que aconteceu hehe.

    Erick, Henrique e Leo, obrigado pela opinião de vocês. Gostei dos comentários!

    Realmente, as travadas que ocorreram na demonstração do AC IV foram cortadas dessa matéria. Não por simples omissão, mas por uma questão de relevância. Os jogos ali apresentados estão em versões pre-alpha, passíveis de problemas de estabilidade. Por mais polimento que uma desenvolvedora coloque no jogo pra tentar mantê-lo o mais estável possível pra uma apresentação desse tamanho, nem sempre é sinônimo de garantia. E foi o que aconteceu, os jogos falharam. Agora o motivo pelo qual eu cortei o fato da matéria: foi culpa da Ubisoft ou culpa do PS4? Pensem um pouquinho.

    Vejam por exemplo que os problemas da conferência da Microsoft foram falhas de organização prévia. O áudio falhou porque algum técnico esqueceu de revisar o equipamento ou não testaram o vídeo propriamente. E, bem, o fato de apresentar apenas VÍDEOS, trazendo um jogador no palco pra FINGIR que estava jogando, foi uma puta duma gafe. Tentaram fazer o público de trouxa, e isso é imperdoável. Sem falar o vídeo do Battlefield 4 exibindo claramente um dica na tela pra apertar BACKSPACE. Era óbvio que aquilo estava rodando num PC. Foram falhas grosseiras, e, falando como espectador, imperdoáveis. Podem não se relacionar com o console em si, mas são capazes de sugerir muita coisa sobre a postura da Microsoft.

    Agora quanto a minha visão de “massacre”, eu procurei assistir às duas conferências a partir de um ponto de vista bastante neutro. Eu não jogo em consoles — pra falar a verdade, faz mais de 2 anos que eu não toco em um — e raramente acompanho as notícias específica deles. E isso me deu a chance de assistir as três conferências (as duas da E3 e mais a conferência de revelação do Xbox One) sem qualquer preconceito. Passadas as apresentações, essa foi a visão que EU, consumidor, tive. A conclusão que cheguei.

    Muito antes de um vendedor querer vender seu peixe, ele tem que saber respeitar o seu cliente. E eu considero muito isso, antes de qualquer coisa. Uma empresa pode deter o melhor produto do mercado, mas se seus serviços forem ruins ou suas relações públicas forem deficientes, é provável que eu não compre ou dê qualquer atenção. A Microsoft se saiu muito bem na geração que agora chega ao fim. Vi o Xbox 360 como superior ao PS3 e acho que a própria Sony foi capaz de reconhecer isso. Só que no seu Xbox One, a gigante do tio Bill escolheu algumas das piores estratégias de mercado (DRMs, always-on, taxas avulsas, etc) e praticamente deu um tiro no pé quando promoveu o seu novo console como algo voltado à TV e não aos jogos.

    Isso minou a confiança na empresa e no console. A Sony, como não é burra, se aproveitou disso, foi na E3 e “terminou de tampar o caixão”, como eu disse no texto. E vejam que tudo isso aconteceu muito antes de qualquer revelação de hardware ou jogos, de ambas as partes. A maior parte da guerra foi disputada só na relação das empresas e seus serviços com o consumidor final.

    É lógico que tudo o que essas empresa visam é o sucesso nas vendas. E as vendas tão longe de começar. Só lá é que veremos como os jogadores realmente digeriram essa guerra. Mas ao meu ver, na minha opinião, a Sony levou o caneco talvez não por mérito próprio, mas por ter se aproveitado com maestria de uma sucessão de erros do adversário. Acho que a minha metáfora do caixão e do martelo ajudou a exemplificar bem isso.

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  5. Como o povo ja comentou a sony só falou o q o povo queria ouvir pra ficar bem na fita mas não da pra confiar muito na palavra dela. No PS3 a cada atualização era uma funcionalidade nova perdida e se as vendas de usados prejudicarem ela não duvido disso ser bloqueado tbm visto a opção ja esta no console mas a sony deixou a cargo das thirds pra ficar com cara de boa moça.
    Mas pra quem ja ta acostumado com o Steam o always on e a não revenda talvez não incomode tanto.

    Antes de decidir qual console pegar ainda vou esperar pra ver quanto vão custar os jogos , se tiver muito caro nas lojas online fico no PC mesmo 🙂

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  6. eu só sei que vou continuar com meu combo pc+ps, não tenho internet estável(tem dias que nem tem), e como sou permanentemente contra drm awayson sem ter necessidade(vide simcity 5 crackeado) eu vou dar um up no pc com a grana que compraria o xone.

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    • É, Matheus. Digo o mesmo. PC sempre, consoles, ainda mais agora, são “extras”…rsrsrsrs Até posso comprar um (o PS4, por exemplo), mas não largo o PC não.

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      • eu vou demorar 1 a 2 anos pra ter meu ps4, deixar passar a primeira leva de defeituosos, dar um mega up no pc(já faz 3 anos né….) ai sim irei trocar meu ps3 em um ps4.

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        • É, acho que é o mais sensato a se fazer. E outra, o PC sempre vai estar aí…hehehe 😀

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