E a Valve continua nos surpreendendo. Não bastassem os preços bastante competitivos, as promoções enlouquecedoras e os recursos inigualáveis de sua plataforma de distribuição digital de games para PC, a empresa de Gabe Newell continua dando mostras de que quer, também, marcar presença na sala de estar (e também em outros lugares da casa), ao lado dos consoles ou até mesmo fazendo com que a importância destes seja reduzida, pelo menos para uma parcela dos jogadores.

A empresa lançou ontem finalmente seu serviço de transmissão de jogos via streaming. Trata-se do Steam In-Home Streaming, e qualquer pessoa pode, a partir de agora, dele fazer uso. Trocando em miúdos, tal sistema serve para que você instale e jogue games remotamente, em sua rede doméstica.

Steam In-Home Streaming

Digamos que você possui sua máquina de jogos, poderosa, com uma boa placa de vídeo, e também outras, mais fracas, “carroças”, sem placas de vídeo dedicadas, etc. Você poderá deixar uma destas mais simples em sua sala de estar, por exemplo, quem sabe conectando-a à sua TV de 42 polegadas, e usar tal conjunto para jogar seus títulos de PC comodamente, em seu sofá. Ou, então, você pode utilizar aquele notebook que até então rodava no máximo Team Fortress 2 para rodar, digamos, um Wolfenstein: The New Order (eu testei – funcionou).

É como se você tivesse seu OnLive doméstico. Usar o sistema é bastante simples: considerando aqui 2 PCs na mesma rede, basta realizar login no Steam nos dois, com a mesma conta. Eles se conectarão, automaticamente, e você poderá então jogar os games que se encontram no seu PC parrudo, lá naquela máquina fraquinha, a qual pode até mesmo possuir uma placa de vídeo onboard. Para iniciar os jogos, ao invés de clicar no “play”, ou “jogar”, você vai clicar em “transmitir”. Percebeu, não é?

Vale lembrar que por enquanto apenas computadores rodando Windows podem funcionar como host, mas a Valve menciona que em breve sistemas rodando SteamOS, Linux e Mac OS X também poderão transmitir os jogos.  Algo mencionado pela Valve também me deixa mais curioso e animado:

Jogue seus jogos do Windows em dispositivos rodando outros sistemas operacionais. Atualmente, Mac OS X, Linux e SteamOS, com suporte para mais sistemas em breve“.

Bem, este “suporte para mais sistemas em breve” em relação aos sistemas remotos dá margem a muitas especulações, e eu chego a sonhar em um dia contar com a possibilidade de transmitir meus jogos do Steam para, quem sabe, meu tablet.

Steam In-Home Streaming

Obviamente existem aqui diversos empecilhos, como por exemplo a falta de controles físicos. Mas a Valve sempre surpreende, não é? E desenvolvedores, pelo menos os pequenos, podem muito bem começar a trabalhar com a empresa para realizar as adaptações necessárias. E quem pode saber mais o que vem por aí?

Eu realizei testes com o Steam In-Home Streaming ontem à noite, e gostei muito do que vi. Vale lembrar que a máquina remota, aquela que vai receber a transmissão, o cliente, deve estar na mesma rede do servidor, o computador que transmitirá os jogos, aquele que fará todo o trabalho duro.

Feito isto, lá no seu quarto, no seu pobre notebook (o cliente), você então receberá o áudio e o vídeo de sua máquina de jogos. E, obviamente, informações deste cliente que você está utilizando serão enviadas ao host: comandos do mouse, do teclado e de seu joystick serão enviados ao host e retornarão a você, através do streaming, devidamente transformados, então, em tiros, pulos, corridas, movimentos, e tudo o mais que temos em um jogo.

Trocando em miúdos, o jogo rodará no computador “normal”, o host. Todo o processamento gráfico, por exemplo, será realizado lá. Ele é quem trabalhará arduamente, e o dispositivo remoto apenas receberá o áudio e o vídeo (sem esquecer, claro, da parte de envio de dados – mouse, teclado, etc – veja acima). É claro que é necessário ter uma rede configurada adequadamente, rápida, e que os computadores em questão estejam em boas condições.

E é claro que podemos perceber facilmente os benefícios deste sistema de transmissão de jogos via streaming do Steam: jogar em qualquer computador de nossas casas. Mesmo naquela “carroça”, encostada há algum tempo. Ou então comodamente, na cama, em um notebook “meia boca”. No sofá da sala, utilizando uma TV LCD. E por aí vai.

Utilizei as seguintes máquinas nos meus testes:

Host

  • Sistema operacional: Windows 7 Home Premium 64 bits;
  • Processador: Intel Core i5 2300 2.800 MHz;
  • Memória RAM: 8GB DDR3 1300 MHz;
  • Placa de vídeo nVidia GTX 560 Ti;
  • Monitor 21,5″ 1920 x 1080;

Computador remoto

Notebook HP modelo Pavilion dv4-2112br com a seguinte configuração:

  • Sistema operacional: Windows 7 Home Basic 32 bits;
  • Processador: AMD Athlon II Dual-Core M320 2.10GHz;
  • Memória RAM: 3GB DDR2 800MHz;
  • Placa de vídeo: onboard – ATI Mobility Radeon HD 4200;
  • Monitor 14,1″ 1280 x 800;

Usei para testes os seguintes jogos:

  • Wolfenstein: The New Order;
  • The Walking Dead: Season 2;
  • Full Bore;
  • Half-Life;
  • Goat Simulator;
  • Pinball FX2;
  • Sniper Elite: Nazi Zombie Army 2;
  • Just Cause 2;
  • Castlevania: Lords of Shadow 2;
  • Euro Truck Simulator 2;
  • Borderlands 2;

Muitos destes jogos jamais rodariam neste notebook, pelas “vias normais”. Porém, com o sistema de streaming de jogos do Steam, eles rodaram. Não vou dizer que não tive alguns problemas, que não tive de realizar ajustes, algumas vezes. Mas, no geral, a experiência foi ótima, e eu estou bastante confiante de que tudo vai melhorar mais ainda.

Steam In-Home Streaming

Me deparei com quedas de framerate, claro, em Wolfenstein: The New Order, por exemplo. Me deparei com alguns engasgos, também. Travamentos. A resposta do mouse não foi lá aquelas coisas, em determinados momentos, mas também tenho de levar em consideração o tráfego na minha rede, naquele momento (sim, eu estava baixando uma série de coisas, também), e algumas configurações que esqueci de realizar, inicialmente, as quais se mostraram bem importantes.

Existe agora nas configurações do Steam um grupo de opções chamado “Transmissão doméstica”. Ali podemos realizar diversos ajustes, priorizar o tráfego, limitar a resolução, etc. Depois de algumas mexidas, ali, tudo melhorou consideravelmente, e pude desfrutar até mesmo do novo Wolfenstein de forma mais tranquila, no notebook.

Existe também a possibilidade de, no host, solicitar que algum jogo de sua biblioteca seja instalado em qualquer cliente (os PCs remotos). E, em contrapartida, nos PCs remotos, você pode solicitar que títulos do servidor sejam ali instalados.

É importante lembrar mais uma vez que os computadores que funcionam como host realizarão todo o trabalho árduo, e também exibirão os jogos em seus monitores. Com isto em mente, vale ressaltar que notei um pequeno problema, duas vezes, no notebook. Tenho o ObjectDock, da Stardock, instalado nesta máquina que utilizei como servidor de dados, e pude visualizá-lo, e até com ele interagir, por duas vezes. Mas tudo bem.

Vale a pena também mencionar que o Steam Cloud funciona numa boa com a transmissão doméstica, ou seja, você pode começar a jogar em um lugar, continuar de outro, etc, etc. Sem falar na captura de screenshots com o F12: capture no cliente e elas automaticamente estarão disponíveis no host.

O Steam In-Home Streaming me pareceu fantástico. E com as já mencionadas melhorias, em breve jogos rodando no Mac, por exemplo, poderão ser transmitidos para o Windows ou para o Linux. Também foram mencionados “outros sistemas” (veja acima), e neste ponto eu realmente fico divagando e sonhando. O que o futuro nos reserva, dona Valve? 🙂

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