Arnold Schwarzenegger foi governador da Califórnia durante o período de 2003 a 2011. O ex-ator e ex-Exterminador do Futuro, enquanto ainda ocupava o cargo, tentou impedir a venda e o aluguel de jogos eletrônicos considerados violentos a menores de 18 anos. A Suprema Corte dos Estados Unidos da América derrubou hoje a tal lei que o ex-governador criou, demonstrando enorme bom senso e dando mostras de que o futuro, mesmo, muitas vezes está no pensamento e nas ações de quem menos esperamos.

Foram sete votos contra dois, e a Suprema Corte norte americana considerou a lei, criada pelo então governador em 2005, inconstitucional.

Como os livros protegidos, peças e filmes que os precederam, os video games comunicam idéias – e mesmo mensagens sociais – através de muitos dispositivos literários familiares (como personagens, diálogo, enredo e música) e através de funcionalidades características à mídia (como por exemplo a interação do jogador com o mundo virtual). Isto basta para conferir a proteção da Primeira Emenda. Sob a nossa Constituição, julgamentos morais e estéticos a respeito de arte e literatura devem ser responsabilidade de cada invidivíduo, não um decreto do Governo, mesmo com a ordem ou a aprovação de uma maioria.

Este é um pequeno trecho da resolução que declarou a lei inconstitucional.  Este pequeno trecho, em minha opinião, resume tudo de forma magistral. A resolução na íntegra pode ser conferida através deste link. Até o Steam está divulgando, em sua página inicial, a decisão da Suprema Corte dos EUA.

É realmente uma grande vitória para os gamers, para a indústria dos jogos e para o mundo dos jogos eletrônicos como um todo, o fato de uma lei danosa como esta, a qual aliás, pelo que sei, nunca chegou a entrar em vigor, ter sido derrubada. Parece que agora o pessoal começa a entender que, digamos, a opinião pessoal sobre determinado assunto é mais importante, para o indivíduo, do que a de outrem sobre o mesmo assunto, guardadas as devidas ressalvas. Eu devo decidir o que é melhor para mim, e não o estado, por exemplo.

Todos os jogos e filmes possuem sistema de classificação por faixa etária, e isto basta, em minha opinião. Cabe a pais, educadores e responsáveis limitar o acesso de crianças e jovens a conteúdo impróprio. Proibições radicais como a proposta por Schwarzenegger nada mais são do que censura. Se algo me é nocivo, não o compro. Se vejo um jogo, um filme ou um livro como prejudicial a qualquer criança sob minha guarda, também, simplesmente não compro a obra em questão.

Deixar que os cidadãos respondam por seus atos e decidam o que é melhor para eles é o que faz um estado democrático. Proibições de nada adiantam, são uma afronta ao contribuinte e ainda fomentam o “mercado negro”.

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