THQHá bastante tempo todos esperamos por algo assim. Infelizmente, o Humble THQ Bundle foi, senão o último, um dos últimos suspiros da THQ. Pelo menos daquilo que entendemos como THQ até agora.

A empresa pediu concordata ontem, e seu presidente, Jason Rubin, afirma que este é um novo começo para a empresa. O executivo menciona uma empresa chamada Clearlake Capital Group, a qual estaria, em suas palavras, “investindo em um novo começo para a empresa“.

Clearlake, pelo que tudo indica, possui grande experiência em administração e no fornecimento de suporte para o crescimento de empresas. Crescimento, aliás, é algo que Jason Rubin parece não ter esquecido, apesar de tudo parecer caminhar na direção oposta para a publisher.

Tudo será realizado através de procedimentos constantes no Capítulo 11 da lei de falências dos Estados Unidos da América, e o presidente da THQ faz questão de deixar bem claro que isto não representa o final da empresa nem tampouco o final de títulos que gostamos. Ele cita até mesmo o exemplo de outras empresas que estão se reestruturando através do tal Capítulo 11, como a American Airlines, por exemplo.

Segundo Rubin, também, podemos ficar tranquilos e aguardar por Metro: Last LightCompany of Heroes 2 e South Park: The Stick of Truth; todas as respectivas equipes de desenvolvimento continuam trabalhando, e inclusive Saints Row 4 e Homefront 2 não foram descartados (vamos torcer para que todos estes jogos cheguem mesmo ao mercado).

Segundo ele, equipes de desenvolvimentos e produtos acabarão em boas mãos. Resta-nos saber que “boas mãos” serão essas, e se elas terão um mínimo de respeito, pelo menos, para com jogadores e fãs. A venda da empresa deve ser concretizada dentro de 30 dias. Após isto, portanto, poderemos conhecer a tal nova THQ.

Clearlake tem interesse em adquirir tudo o que a THQ possui, e isto inclui, é claro, os estúdios e as IPs. A Clearlake também deve fornecer subsídios para que os contratos que a publisher possui atualmente, como por exemplo com a Crytek (para o desenvolvimento de Homefront 2) e com a 4A games (relativo a Metro: Last Light) sejam honrados.

Obviamente, a propriedade intelectual de franquias como Metro e Warhammer, por exemplo, não pertence à publisher norte americana fundada em 1989, o que significa que outras empresas poderão continuar a nelas trabalhar, em conjunto com as respectivas desenvolvedoras. A própria 4A Games, creio eu, não enfrentará muitas dificuldades caso seja necessário trabalhar com outra empresa da área.

São um tanto quanto estranhas, porém, algumas informações contantes em um PDF relativo ao pedido de concordata (o camarada Aquino, do Retina Desgastada, extraiu algumas informações muito interessantes daí). Aqui podemos perceber que, infelizmente, Darksiders II foi um fracasso de vendas. Aí também constam alguns projetos “misteriosos”, cujos codenames não revelam muita coisa: Evolve, 1666 e Atlas.

Este tal 1666, aliás, é algo mais curioso ainda. Em relação a ele, a THQ esperava (ou espera) vender 4 milhões de cópias e faturar cerca de 157 milhões de dólares (isto fica ainda mais curioso e triste se nos lembrarmos de que a dívida da empresa é de cerca de 150 milhões). Vejo também muito otimismo por parte do presidente da empresa. Em excesso? Talvez. Mas quem pode criticar tal sentimento em uma situação como esta? Talvez apenas os funcionários da empresa e seus parentes (além dos credores).

Tenha certeza de que o objetivo durante todo o processo de venda tem sido preservar nossas equipes e nossos produtos. Então, independentemente do resultado em 30 dias, contanto que atinjamos este objetivo, eu ficarei satisfeito“, diz Jason Rubin.

Independentemente de qualquer coisa, é bem triste observar este processo. Perceber que estúdios como Vigil, Relic e Volition certamente estão repletos de pessoas com grandes incertezas na cabeça, ou até mesmo desesperadas. Todos que acompanham a indústria de jogos eletrônicos sabem que a THQ vem enfrentando problemas há bastante tempo.

Em 2011 ela fez alguns anúncios bastante preocupantes, incluindo a demissão de 200 funcionários e um afastamento dos jogos voltados ao público infantil. Não podemos nos esquecer também do fechamento da Kaos Studios e de um comunicado da empresa que dizia o seguinte: “A THQ continua com sua estratégia de alinhar os melhores talentos da indústria com as principais franquias da empresa”. Isto sem falar no fracasso do uDraw.

Espero que a animação de Jason Rubin possa ser, daqui há algum tempo, entendida e justificada.

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