Terminei o segundo episódio do fantástico jogo The Walking Dead há dois dias atrás. Finalizei o curto porém impactante segundo capítulo, Starved for help, em “duas tacadas”. Utilizei estes últimos dois dias para pensar no jogo como um todo e, também, neste episódio 2, isoladamente, o qual, em minha opinião, supera o primeiro de diversas maneiras.

A Telltale Games conseguiu se superar. Mais uma vez. Se no primeiro episódio tivemos uma primeira visão do horror, uma apresentação, digamos, no segundo fomos nele mergulhados até a cabeça com a presença e ajuda de uma horrenda mão pressionando nossa cabeça para baixo. Mais uma vez me surpreendi com o trabalho da Telltale, e fiquei também mais uma vez surpreso com a capacidade da empresa em desenvolver coisas diferentes e que fogem bastante de tudo aquilo que ela lançou até agora.

The Walking Dead Game - Episódio 2

Não depreciando os ótimos trabalhos anteriores e o histórico da empresa, é claro. Mas com The Walking Dead a Telltale mostrou que pode não só criar jogos cômicos e/ou leves, mas também pode criar títulos assustadores, dramáticos, extremamente sérios e repletos de momentos horripilantes e tristes.

O episódio 2 de The Walking Dead é simplesmente imperdível. Mais uma vez temos aqueles belos gráficos em Cel-shading. Mais uma vez temos uma direção de arte impecável. Mais uma vez temos uma trilha sonora “de arrepiar”. E, claro, mais uma vez, podemos conversar com diversos NPCs e fazer escolhas.

The Walking Dead Game - Episódio 2

Aqui, entretanto, tais escolhas contam com bem mais efeitos colaterais. Muitos mesmos. Muito mais do que aquilo que vimos no primeiro episódio, valendo lembrar que aqui os resultados muitas vezes chegam a causar grande tristeza ou espanto. É maravilhosa a maneira como um point-and-click pode dar ao jogador, em alguns momentos, a impressão de estar jogando algo como um “quase RPG”. Se no primeiro episódio Lee Everett teve de realizar algumas escolhas que resultaram na morte e na salvação de personagens de seu grupo, neste segundo capítulo ele tem de lidar com situações muito mais complicadas.

Situações que podem fazer com que sua imagem frente aos outros membros do grupo seja bastante afetada. Situações que, dependendo da escolha do jogador, fazem com que até o próprio protagonista se sinta mal. E que dizer, então, dos conflitos que começam a surgir entre o pessoal que Lee acompanha? Uma espécie de briga pela liderança que pode até mesmo resultar em riscos para todos?

The Walking Dead Game - Episódio 2

Bem, e que dizer do fato de que, no episódio 2 de The Walking Dead, a Telltale nos oferta a possibilidade de matar não somente os aterrorizantes walkers? A expressão facial de diversos novos personagens com os quais nos encontramos não deixa dúvidas a respeito daquilo que vai em suas mentes, tão logo com eles conversemos pela primeira vez. Isto, para mim, foi algo sensacional, e ao chegar na propriedade dos irmãos Danny e Andrew um alerta silencioso soou em minha mente: “algo está errado aqui”, pensei comigo.

Este “algo” não está relacionado diretamente aos zumbis que nos perseguem no jogo, mas é tão ou mais chocante que os tais mortos-vivos. As escolhas que temos de realizar no episódio 2 de The Walking Dead também são muito difíceis, muito mais complicadas que no primeiro, eu diria. E vale ressaltar que temos aqui muito mais tensão, ação e terror que no primeiro. Pobre Clementine, aliás, adorável menininha que presencia situações realmente dantescas.

The Walking Dead Game - Episódio 2

O jogador, no papel de Lee Everett, também pode assumir uma responsabilidade não muito confortável. Decidir quem come e quem terá de ouvir o estômago roncar por mais algum tempo, dada a escassez de comida. É, os inimigos nem sempre são os walkers. Digna de nota também é a maneira como o jogo “anota” o que cada NPC pensa de Lee, conforme suas ações, conforme ele toma partido de um ou outro personagem, conforme ele beneficia um em detrimento de outros.

O jogo não só toma nota disto tudo, mas  também faz com que o jogador tenha de lidar com consequências as mais diversas advindas de suas escolhas. Escolhas. The Walking Dead é um point-and-click onde podemos escolher. Decidir. Onde nossas decisões afetam o desenrolar da história, onde somos meio que testados a todos os momentos e onde temos muitas vezes de tomar decisões importantíssimas dentro de um curtíssimo período de tempo.

O grupo de Lee também descobre algo terrível, durante a história. Algo que, mais adiante, pode resultar em um acontecimento assustador que envolve sangue e miolos espirrando (e não estou falando de um zumbi, aqui). É muito bacana como o resultado de nossas escolhas no primeiro episódio foram transportadas para o episódio 2. Você, por exemplo, salvou o Doug ou a Carley? Bem, o seu escolhido permanece com você durante o segundo episódio, e no meu caso esta escolha fez uma grande diferença.

The Walking Dead Game - Episódio 2

As escolhas que temos de realizar durante o jogo nem sempre podem ser vistas como “certas” ou “erradas”, mas durante um determinado e crítico momento na fazenda dos irmãos St. John, você pode acabar assustando bastante a já triste e sofrida Clementine. Por falar nisso, que personagem incrível não?

“Certo” ou “errado”, aliás, depende aqui muito do ponto de vista e do contexto, e mesmo quando você escolhe agir da maneira mais correta possível, quando seu “alvo” é um inimigo não zumbi, você pode acabar percebendo que ganhou “alguns pontos a mais” com seu grupo e, de quebra, nota que o tal inimigo vai acabar morrendo de qualquer jeito. Resumindo tudo em uma simples frase: jogue The Walking Dead assim que puder. Você não vai se arrepender.

The Walking Dead Game - Episódio 2

O game The Walking Dead está disponível para PC, Xbox 360 (via Xbox Live) e Playstation 3 (via PSN). Sobre as refeições, ou melhor, sobre “a refeição”: não deixe de jogar para saber do que se trata. Garanto que você vai adorar. E se você já jogou, não deixe de dar sua opinião, principalmente sobre a Jolene. Conforme as estatísticas apresentadas no final do segundo episódio, eu fiz parte de uma minoria, no que se refere a esta personagem introduzida no episódio 2.

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